quinta-feira, 30 de novembro de 2006

"as aberrações das leis islâmicas"

«I cobble together a verse comedy about the customs of the harem, assuming that, as a Spanish writer, I can say what I like about Mohammed without drawing hostile fire. Next thing, some envoy from God knows where turns up and complains that in my play I have offended the Ottoman empire, Persia, a large slice of the Indian peninsula, the whole of Egypt, and the kingdoms of Barca {Ethiopia}, Tripoli, Tunisi, Algeria, and Morocco. And so my play sinks without trace, all to placate a bunch of Muslim princes, not one of whom, as far as I know, can read but who beat the living daylights out of us and say we are 'Christian dogs.' Since they can't stop a man thinking, they take it out on his hide instead...»

Pierre Augustin Caron de Beaumarchais, As Bodas de Fígaro*

*As Bodas de Fígaro, com libreto de Lorenzo da Ponte, foi criada por Wolfgang Amadeus Mozart a partir de uma comédia escrita em 1784 por Pierre Augustin Caron de Beaumarchais, o mesmo autor de «O Barbeiro de Sevilha», escrita em 1775 e transformada em ópera por Rossini, e de «A mãe culpada», escrita em 1792.
Diário Ateísta

terça-feira, 28 de novembro de 2006

A Agricultura na Serra do Açor

"A difícil subsistência das populações serranas esteve sempre dependente da relação estreita entre uma agricultura pobre, de cômbaros e pequenos lameiros, e a criação de gado. De tal modo tudo estava tão intimamente ligado, que a criação do porco ou das cabras se cruzava e confundia a todo o momento com as fainas do milho e do centeio ou com o cultivo da batata, do feijão e das botelhas (abóboras). O milho era o principal sustento: quando faltava o milho faltava tudo. A ele se juntava o feijão, a couve, a batata, o azeite, o vinho, a castanha, o porco, a cabra e pouco mais. O estrume das lojas era essencial para o sucesso das sementeiras. Por isso, havia que ir ao mato para a cama das cabras, uma dura tarefa quotidiana que muitas vezes se realizava antes do sol nascer. Agora, com as serras despovoadas de gentes e de gado, há mato em excesso, mas antes, para se encontrar uma boa malha tinham de se percorrer grandes distâncias nos baldios. Um molho de mato pode ser uma obra de arte quando se sabe enfeixar e depois apertar bem, passando a corda pelo gancho do ervedeiro. Em Dezembro começava-se a tirar o esterco das lojas e a transportá-lo para os bocados - um trabalho pesado, feito à força de braços e às costas, nas cestas. Por vezes, quando os acessos o permitiam, os carros de bois davam uma ajuda no transporte. Depois de Fevereiro, as terras começavam a ser voltadas ao encino, de modo a serem preparadas para a sementeira. Como os solos eram magros e quase sempre inclinados, a cava exigia uma técnica especial - começava-se por tirar a terra, abrindo uma vala na parte mais baixa do terreno e acartando a terra às cestas (nas costas, claro) para a parte mais alta, onde era espalhada. Compensava-se, deste modo, o progressivo deslizamento dos solos devido às regas, à chuva e às próprias cavas. Cavada a terra, o esterco era então espalhado nos regos com um encino mais pequeno. Em Março semeava-se o milho, muitas vezes misturado com feijão, em regos pouco fundos. Depois, o milho era arralado. Com um metro era feito o empalhado com mato, para conservar a humidade do solo. Estava-se então em Junho - era a altura da primeira rega. Seguidamente escanava-se (ou tirava-se a bandeira), quando a barba da espiga estava praticamente seca e desfolhava-se a planta quando a espiga começava a aloirar. As folhas e as bandeiras, depois de secas, eram guardadas como alimento de inverno para as cabras, assim se pagando com boa forragem o bom estrume antes recebido. A rega realizava-se com regularidade até a espiga estar quase madura. Finalmente, em Setembro, as espigas já secas eram cortadas do canoco e transportadas para casa. Aí, ao serão, eram descamisadas (ou escalpeladas e depois debulhadas. As descamisadas e as degulhas, em que os grãos de milho eram descasulados (retirados do casulo), eram uma ocasião de entreajuda e convívio: à luz das candeias de azeite desfolhavam-se as maçarocas e depois os homens malhavam, com paus curtos ou manguais, o grande monte de espigas - uma, duas, três vezes, até a maior parte do grão se soltar do casulo. Sentadas em semi-círculo, as mulheres retiravam dos casulos, com as mãos, os grãos que ainda restavam. Cantava-se, falava-se da vida deste e daquele e, quer encontrassem ou não o "milho-rei" os rapazes e raparigas solteiros arranjavam um pretexto para namoriscarem. Depois, vieram as debulhadoras manuais, a seguir as debulhadoras mecânicas, novas qualidades de milho híbrido (já sem "milho-rei") e, por fim, até a mocidade casadoira começou a debandar para as cidades, à cata de outro grão para o seu sustento."
Dr. Paulo Ramalho - Tempos Difíceis - Tradição e Mudança na Serra do Açor

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

O nome de maria


O sanguinário corso ( Napoleão)

Em Fevereiro e Março de 1811, os franceses de Massena deixaram um rasto de morte e pilhagem no concelho de Arganil, a ponto deste ser considerado um dos que em Portugal mais sofreu com as invasões que «o sanguinário corso (Napoleão) fez vomitar na Peninsula Hispânica».
De uma lista oficial, publicada depois da «expulsão destes salteadores», vê-se que só na vila de Arganil e seu termo, roubaram nos dois meses referidos: 5.769$240 réis em dinheiro; 9.874$000 réis em diferentes objectos de ouro e prata; 18.633$800 réis em roupas de seda, lã e linho; 13.944$000 réis de vasos de prata, navetas, turíbulos, castiçais, cruzes e alfaias da Igreja (Matriz) de Arganil; 1.030$000 réis de pratas e alfaias de outras igrejas; 2.400$000 réis de pratas da Igreja de Secarias; estragaram 30.607 alqueires (cada alqueire eram 15 litros) de trigo, centeio, cevada, feijão e milho; roubaram 3.523 almudes (cada almude eram 40 litros) de vinho, vinagre, azeite e aguardente, 584 arrobas (cada arroba eram 15 quilos) de carne de porco e banha, 314 cabeças de gado grosso, 10.642 cabeças de gado miúdo, 11 bestas, 191 porcos, 2.254 galinhas, 612 colmeias e 53 alqueires de mel; destruiram e cortaram 3.302 oliveiras, 422 castanheiros, 1.478 carros de pinheiros; incendiaram um templo e 13 casas particulares; mataram 3 eclesiásticos, 23 seculares e 7 mulheres e ultrajaram e aprisionaram 96 mulheres.

Arganil - Concelho verde

sábado, 25 de novembro de 2006

o vírus do TLEBS

"E depois fui pesquisar o que queriam ao certo fazer à minha velha gramática, companheira de tantos milhares e milhares de páginas produzidas não sei bem para quê. E declaro que descobri coisas fantásticas, sem dúvida impressionantes, todavia incompreensíveis, pelo menos sem uma acção de formação radical. Descobri que o simples artigo, o velho artigo definido, é promovido a “determinante artigo”: não percebo a vantagem, mas até aí ainda vou. O pior é quando me propõem designações como a “coerência pragmática ou funcional”, o “modificador”, o “designador rígido”, o “anafórico”, a “catáfora”, a “meronímia”, o “ataque da sílaba”, a “coda da sílaba”, o “agentivo”, ou uma coisa entre todas misteriosa chamada “ordem OVS”. Isto para já não falar do “género epiceno”, que tem a particularidade de se poder dividir em “variantes comuns” ou “comuns de dois”. Caramba, importam-se de falar português?"
Miguel Sousa Tavares - Reflexões sobre o futuro do meu cão - Jornal EXPRESSO, edição online paga

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Os novos bárbaros

»"Paralelamente ao imenso, devastador e pavoroso currículo oficial ministrado pelos agentes educativos, irrompe subrepticiamente um outro "currículo oculto" que interpreta, altera, subverte, distorce os objectivos do primeiro de acordo com a focalização dos professores, muitos deles desprovidos de tecnologia adequada, sem capacidade de excentração ou transcendência em relação ao âmbito teórico, processos metodológicos e instrumentos do seu próprio trabalho: imersos inconscientemente nos condicionamentos que operam sobre a sua competência e performance, tornan-se ingenuamente a "carne para canhão" e ao mesmo tempo e paradoxalmente, os agentes secretos do sistema oculto - vítimas desprovidas e simultaneamente carrascos desprevenidos e desavisados.
Existem pois dois sistemas... Duas escolas... Dois tipo de objectivos... Dois tipos de currículos... Dois tipos de professores: os primeiros explícitos; os segundos ocultos. Os agentes educativos lúcidos vivem uma situação trágica e paradoxal porque não podem sobreviver moralmente sem acreditar na Educação, mas porque são lúcidos, também não podem acreditar neste Sistema Educativo.
A escola actual esquizofrenizou-se em isotopias horizontais e verticais irredutíveis..."»


Educação, uma doença crónica
António M. Correia / Terras da Beira

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Isto está bonito

»"O novo sistema de avaliação será rigoroso e consequente, estando centrado na actividade docente. Representa um estímulo às boas práticas lectivas", advogou Maria de Lurdes Rodrigues", dizendo que serão professores titulares "os mais experientes e mais competentes".»
Jornal Público

Um Poeta Beirão

UM POETA BEIRÃO: Simões Dias
Beatriz Alcântara
Em 1863, aos dezenove anos, publicou, em Coimbra, seu primeiro livro de poesia, Mundo Interior, ao qual seguiu-se, um ano depois, a publicação do poema Sol à Sombra. Ainda no mesmo período de estudos universitários, publicou um livro de contos intitulado Coroa de Amores e, com registro incerto, outro livro de contos, Figuras de Gesso.
Lecionando para sustentar seus estudos e permitir-lhe a independência, o poeta foi cristalizando uma experiência didática, que viria a acompanha-lo pelo resto da vida, mas que não lhe vetava uma existência plural, rica em acontecimentos, amores e desamores, cujos registros podem ser exemplificados com o poema “Na Praia”, quadras de um ingênuo amor:

Formoso pôr de sol! Formosa tela!
É como um resplendor,
Em pé sobre uma rocha a visão bela
Do meu primeiro amor!
Cinge-lhe o sol a fronte alabastrina,
Aureola de santa!
Beija-lhe o rosto a vaga tremulina
Que do mar se levanta!
Dois meses após a formatura acadêmica, Simões Dias casou-se na Sé de Coimbra - a 3 de setembro de 1868 - com Guilhermina Simões da Conceição, jovem de “formosura rara”, numa prestigiada cerimônia, segundo relato dos contemporâneos.

Os estudos universitários concluídos com invulgar brilhantismo, surgiu o convite para integrar o corpo docente da Universidade de Coimbra, mas o poeta resolveu descortinar outros horizontes e concorreu à carreira de ensino público, sendo nomeado para a cidade alentejana de Elvas, em 1969.

A cidade acolheu bem o jovem professor, que já possuía um certo nome literário, e ensejou-lhe a criação e a edição de novas obras.

Mas uma infelicidade esperava o escritor, a morte da esposa, aos 24 anos. com menos de um ano de casamento.

Grande desgosto, expresso no poema “A hera e o olmeiro”:

Perpassa o vendaval com brava sanha
No cume da montanha,
E o ramo de hera que o olmeiro abraça
Arranca e despedaça!
Tu eras, meu amor, qual ramo de hera
Da minha primavera;
Eu era, linda flor, qual triste olmeiro,
O teu amor primeiro!
Mas veio sobre nós a dura sanha
Do vento da montanha,
E tu mimoso arbusto que eu amara,
Tombaste, ó sorte avara!
Agora, em pó desfeita a planta linda,
Por que é que espero ainda?
Que a mesma ventania, quando passe,
Me tombe e despedace!
Da permanência em Elvas resultaram definitivas vertentes na vida literário de Simões Dias.

A proximidade com as terras de Espanha ensejou a publicação de Espanha Moderna, estudos sobre a Literatura espanhola contemporânea, que lhe propiciaram a Comenda de Isabel a Católica, do Governo espanhol, e que, simultaneamente, inauguraram e direcionaram o autor para a escrita de cunho didático.

Em Elvas, no ano de 1870, surgiu a primeira edição das Peninsulares, canções meridionais que consagraram definitivamente o poeta.

Pesaroso com a viuvez, Simões Dias pediu transferência para Lisboa. Curta foi a estada, menos de um ano, de agosto de 1870 a abril de 1871.

Porém, ainda que rápida a passagem, ela ensejou a freqüência e a participação nos saraus literários de António Feliciano de Castilho, tão ao gosto da época.

Desse convívio ficou o registro no poema “Musa Nova”, versos de procedimento quase precioso:

A musa da nossa idade
É um ser extravagante,
Com igual jovialidade
Sorri ao Bocaccio e ao Dante
Ora solta sobre ruínas
O grito das maldições,
Ora do alto das colinas
Faz discurso às multidões.
...........................................
Divina sacerdotisa,
Quando a topo no caminho,
Tapeto-lhe o chão que pisa
De palmas e rosmaninho!
Já distante de Elvas, foi ainda nessa cidade que veio a lume novo livro de poesia, Ruínas, posteriormente incluído em outra edição das Peninsulares.

O poeta retornou à Beira. Fixou residência na cidade de Viseu, para onde foi nomeado professor do Liceu com regência da cadeira de Oratória, Poética e Literatura. Em Viseu, de 1871 a 1886, Dr. José Simões Dias viveu a maior, a mais diversificada e a mais profícua fase da idade adulta.

Em setembro de 1872, contraiu novo matrimônio com Maria Henriqueta de Menezes e Albuquerque de quem veio a ter uma filha, Judith, que lhe proporcionou uma descendência legitimada, o neto, o músico Mário Simões Dias. Os versos, por amor, elevavam-se:

Todo o meu ser se evola em doces êxtases,
Como se fora em ascensão divina
Arrebatado ao céu! Da gota rubra
Do sangue do Calvário sobre a rocha
Escorre a fé e o amor! A caridade
Sorri na cruz a distender os braços,
E a meiga esperança, reluzindo no alto,
Brilha formosa como à tarde um íris!
Em terras de Viseu, Simões Dias firmou-se como escritor e professor, enquanto ampliava e diversificava seus interesses e atuação.

Consolidou-se como um proficiente e atualizado escritor pedagógico, iniciou e afirmou-se na política, como Deputado às Cortes, em várias legislaturas – 1879, 1884, 1887 e 1890, por Mangualde, Pombal e Mértola – tendo evidenciado-se grande orador, erudito e frontal.

Figura eminente do Partido Progressista, proferia discursos polêmicos, defendia, em jornais e em comícios de rua, causas por tal modo inflamadas que, certa vez, foi vítima de uma cena pública de violência física protagonizada por um opositor.

Os registros da época apontam-lhe uma firme, proveitosa e democrática atuação política, devendo-se à sua natural inclinação para o mundo das letras, defesa e propositura da instituição de feriado nacional, no dia do tricentenário de morte de Camões, 10 de junho de 1879.

Ao participar de debates tão acesos, Simões Dias descobriu-se também jornalista, chegando a fundar três periódicos: o jornal Observador em 1878, liberal e patriótico; no ano seguinte, o Distrito de Viseu, voz do Partido Progressista, que ele dirigiu por oito anos; o inovador diário, O Globo, que circulou de 1888 a 1891; além de ter colaborado e dirigido, de 1887 a 88, o jornal progressista Correio da Noite.

Eram novos os tempos e outras as verdades. O poeta Simões Dias cantava,

Quando caiu exangue a velha sociedade,
Alguém que nos guiava os passos mal seguros
Nos disse, olhar em chamas: “Ó filhos d’outra idade,
O largo mundo é vosso, apóstolos futuros!
e na louvação ao progresso e ao nacionalismo, em outras estrofes enalteceu o Marquês de Pombal:

No pedestal da glória,
Que o pátrio amor sustenta,
Perfeitamente assenta
A estatua do marquês,
Pois que ninguém na história,
De pulso tão ousado,
Ergueu mais alto o brado
Do nome português!
......................................
Exangue morre a pátria?
Exausto anda o erário?
O reino, um proletário?
O ensino, uma irrisão?
Pois bem! Do vasto cérebro
Do herói do luso povo
Virá um mundo novo:
A luz, a escola, o pão!
Ao longo do período visiense, várias publicações didáticas de sua lavra surgiram: em 1972, Compêndio de História Pátria e Compêndio de Poética e Estilo, posteriormente denominada Teoria da Composição Literária; em 1875, História da Literatura Portuguesa; em 1881, Elementos de Oratória e Versificação Portuguesa, depois refundida na História da Composição; em 1880 a 1ª edição/Porto e em 1883 a 2ª edição/Coimbra, de A Instrução Secundária e colaborou com o Manual de Leitura e Análise, editado no Porto em 1883.
A Literatura, um pouco relegada, como se pode supor numa existência tão repleta e diversificada, tomou uma feição diferente, o romance.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

A afinidade com um escritor

UM POETA BEIRÃO: Simões Dias
Beatriz Alcântara
A afinidade com um escritor constrói-se, via de regra, a partir da identificação que o leitor estabelece com sua obra. Por esse modo lembro-me de terem-se iniciado minhas preferências literárias e, a devoção que nutro por certos escritores como, Luís Vaz de Camões, Marcel Proust, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Clarice Lispector e Josué Montelo.

Todavia, para cada regra formulada, logo surge um fato contrário, e assim, numa contra-regra, aconteceu a ligação que estabeleci com um dos mais ilustres beirões de todos os tempos, o benfeitense Dr. José Simões Dias.

Fala-se que a aldeia da Benfeita, no concelho de Arganil, distrito de Coimbra, tem a forma de um lenço de três pontas. Numa das pontas desse lenço, no pequeno largo da capela de Nossa Senhora da Assunção, ficava a casa de meus bisavós Fonseca, onde, nos tempos em que minha avó Augusta e tia Laura viviam, eu passava boa parte das férias “grandes”.

Tanto quanto lembro das águas frias nos meus pés a chapinharem sobre os seixos na ribeira estival, recordo, e ainda repito, algumas quadras de Simões Dias recitadas durante os serões familiares da meninice. Uma dessas quadras, de sabor popular, é quase proverbial na minha pequena família, na outra banda do Atlântico:

Quem tem filhos, tem cadilhos
Quem não os tem, antes os tivesse
Porque quem tem filhos a vida
não finda, mesmo depois de morrer.
Mas atenção! Há um engano. Como poderia um poeta de tão grande arte como o Dr. José Simões Dias, de competente e sábio domínio literário a ponto de ter compilado os conhecimentos em duas obras valorosas, Compêndio de Poética e Estilo e Teoria da Composição Literária, ter construído uma quadra tão alheia à métrica normativa da redondilha maior?
Compare-se a anterior à quadra original do poeta:

Quem tem filhos tem cadilhos
Diz o rifão, mas é ver
Se alguém há que tendo filhos
Deseje vê-los morrer!

Peninsulares: odes,

A modificação das quadras toca num ponto nevrálgico, raramente abordado na relação autor e fruidor da obra de arte.

Uma obra literária, cinqüenta anos passados da morte do escritor, passa a ser, por lei, de domínio publico, livre de direitos autorais, e portanto, patrimônio popular, desde que ao povo assim lhe apeteça.

Antes desse prazo regulamentar, no entanto, nas quadras em questão, o senso comum interiorano português achou-se por tal modo identificado no sentir com o brilho setissílabo de Simões Dias que essas quadras modificaram-se ao sabor das vontades, numa literatura, digamos, quase oral, percorrendo um sinuoso trajeto de casa para casa, a ecoar de uma aldeia para outra, entoada por cantadores ambulantes, jograis e cegos de feira em feira das entre-beiras até os “algarves”, pois foi no sul peninsular que Estácio da Veiga ouviu o canto popular das trovas de “O Teu Lenço”, poema aqui reproduzido, em parte:

O lenço que tu me deste
Trago-o sempre no meu seio,
Com medo que desconfiem
D’onde este lenço me veio.
As letras que lá bordaste
São feitas do teu cabelo;
Por mais que o veja e reveja,
Nunca me farto de vê-lo.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
A cismar neste bordado
Não sei até no que penso;
Os olhos trago-os já gastos
De tanto olhar para o lenço.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Quanto mais me ponho a vê-lo,
Mais este amor se renova;
No dia do meu enterro
Quero levá-lo p’ra cova.
Peninsulares: canções, 5ª ed. Comemorativa
I Centenário da Morte de J. Simões Dias, Porto, 1999.

Se alguns versos do autor das Peninsulares - a obra mais renomada – converteram-se quase ao anonimato, talvez o fato se deva a que o poeta - o homem, o cidadão - ascendeu social e culturalmente, mas a sua poesia jamais perdeu a feição, o tom e a sabedoria da gente simples da sua aldeia - Benfeita. Simplicidade essa, tão marcante que, ainda hoje, decorridos mais de cem anos da morte do escritor, acha-se a povoação natal de Simões Dias tão distante da regência capitalista e do seu poder predatório, que sequer possui um comércio estruturado de portas abertas.

Não é difícil reconstruir, pela visão e mente, a terra que moldou a natureza, o imaginário, a emoção e o modo de estar no mundo de Simões Dias, pois a Benfeita preservou uma feição própria, pouco se alterou, avizinhando-se graciosamente do passado.

Na aldeia, as ruas permanecem de uma estreiteza afoita e raro permitem a circulação de um veículo no seu interior. Mesmo a via de circulação pública e o pequeno largo que conduzem à casa onde o poeta nasceu, sequer possuem uma denominação própria. Tudo permaneceria como então, não fossem o acesso que a construção da estrada permitiu, a eletrificação, algumas reduzidas comodidades tecnológicas e a rara presença de crianças.

Na Benfeita contemporânea, o ilustre poeta achar-se-ia próximo ao seu tempo, tempo no qual ela denominava-se Santa Cecília.
Das Peninsulares reproduzimos versos de saudade, evocações de folguedos, rumores de uma infância distante:

NOITE DE LUAR
. . . . . . . . . . . . . . . .
E aquela fresca ribeira
Onde à tarde ao pôr do sol
Vem cantar o rouxinol
Na copa da romãzeira;
E o toque da Ave-Maria,
Lamento de mãe aflita,
Tão doce que nem o imita
Uma rola ao fim do dia;
E os domingos de folgança,
Em que ao pé da ermida se arma,
Em festiva e doida alarma,
Uma fogueira e uma dança;
E aquelas tardes no rio,
Tardes e tardes inteiras,
Escutando as lavadeiras
A cantar ao desafio;
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
São invocações recorrentes das quais Simões Dias ficou para sempre refém, não se cansando de louva-las, como neste outro poema:

A VOLTA DO PEREGRINO
A ver-vos torno, ó grutas,
Ó côncavos penedos,
Onde hei depositado
Meus infantis segredos!
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Montanhas arrelvadas,
Vergéis do meu país,
Vendo-vos torno aos dias
D’essa idade feliz!
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Por isso eu vos saúdo,
Por isso eu vos bendigo,
Lugares que me fostes
Berço, consolo e abrigo!
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Um não sei quê de vago,
Um tão suave encanto,
Que involuntário acode
A borbulhar meu pranto!
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Além campeia a torre
Da solitária igreja,
E ao pé triste cruzeiro
No cemitério alveja!
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Ai! Quem me dera agora
A cândida ignorância
Dos tempos que sorriram
À minha alegre infância!
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Então um cemitério,
A recender a flores,
Era um breve canteiro
Falando-me de amores!
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Bendita seja a hora
Em que te torno a ver,
Ó terra abençoada,
Que és parte do meu ser!
Quando te piso e apalpo,
Que sonho e que ilusão!
Penso que vive ainda
Meu pobre coração!

A infância benfeitense e as alegrias pueris, contudo, foram cedo abandonadas. O jovem Simões Dias despertou a atenção do mestre-escola que, reconhecendo-lhe uma inteligência incomum, recomendou aos pais a continuação dos estudos.

Logo, ficaram para trás a aldeia de Santa Cecília – como a Benfeita chamava-se ao tempo - que o vira nascer a 05 de fevereiro de 1944, e os socalcos verdejantes entre os contrafortes da Serra da Estrela.

Uma educação formal e religiosa iniciou-se em Pedrógão Grande (1854-57), continuando no Seminário de Coimbra, onde concluiu o Curso Teológico em 1861, terminando os estudos superiores com a Formatura em 1968.

A vida acadêmica coimbrã fomentou-lhe o gosto pelas letras e ensejou a colaboração em variadas periódicos.

No dizer do seu biógrafo autorizado, Visconde de Sanches de Frias, no Bosquêjo da sua vida e obras, ficou registrado: “...num período de 9 anos, de 1861 a 1870, não houve em Coimbra publicação literária, que não tivesse a sua colaboração.”

Da época de estudos superiores, datam seus primeiros versos, o cantar da idade verde:

Gentis namoradas, tal sou como o vento
Que em brandos suspiros se expraia no ar,
As notas que tiro do alegre instrumento,
São vozes que gemem d’amor, ao luar!
....................................................................
Arcanjos dormentes, ó pálidas moças,
Correi às janelas a ouvir descantar;
As trovas que solto são minhas, são vossas,
Ouvi lindas trovas d’amor, ao luar!
"Canção ao Luar"

terça-feira, 21 de novembro de 2006

"el lenguaje y sus trampas"

"Durante milenios las palabras encerraban los secretos del nacimiento y de la muerte, del éxito y del fracaso, de la vida y de todas sus posibilidades. Los problemas, sin embargo, aparecen cuando comienza a cuestionarse la representación de los hechos desde el universo del lenguaje. Llegamos así a una primera e inquietante conclusión: las palabras nunca son inocentes o cristalinas, constituyen una realidad compleja. Están sumergidas en un conjunto de relaciones que si son guiadas por la mala fe o por una intención torcida desvían su sentido, alteran su contenido y pervierten su significado.

Surge así el lenguaje como arma política, que en vez de incluir, excluye; en vez de aglutinar, separa; en vez de sumar, resta; en vez de agrupar, dispersa; en vez de permitir, censura, y en vez de ayudar, traiciona.

El poder de las palabras, en su lado oscuro, se desarrolla a través de un entramado expansivo y totalitario que pretende imponer el dominio del significante sobre el significado. De esta manera, el primero, en manos de un poder interesado y corporativo, borra el sentido de lo real, deforma el orden social y político y facilita la manipulación y el engaño.

Si nos detenemos a observar esa realidad veremos con estupor de qué manera las palabras pronunciadas desde el poder, dueño del capital lingüístico y simbólico, traicionan y derriban lo que decimos y hasta lo que pensamos. El sentido de la responsabilidad y del compromiso, de la seriedad, de la firmeza, se han perdido irremediablemente.

En este mercado lingüístico, las reglas del discurso gobiernan lo que se dice y queda sin decir e identifican a los que pueden hablar con autoridad y a los que sólo deben escuchar y callar. El discurso verbal dominante en la clase política determina lo que cuenta como verdadero y relevante, lo que se debe hablar y lo que debe ser disimulado u ocultado. Así, el poder protege la forma de pensar y actuar de los ciudadanos al informar y modelar nuestra psique.

El truco es de sobra conocido: un ejército de lexicógrafos al servicio del poder nos vende, "desplazados" por deportados o expulsados, "daños colaterales" por víctimas civiles, "valla de seguridad" por muro de la vergüenza, "ayuda humanitaria" por ocupación militar en toda regla o "movimiento de liberación nacional" por terrorismo. Y esto ocurre para acomodar armoniosamente la realidad a la visión de cada una de las partes dentro de lo que se entiende como políticamente correcto. Las palabras, así utilizadas, esconden la realidad o en el peor de los casos consuman su muerte, y se convierten en mera incoherencia o sonido que ni siquiera llega a tener una clara articulación de significados. Con toda razón decía Adamov: "Gastadas, raídas, vacías, las palabras se han vuelto fantasmas en las que nadie cree".

Los nuevos lingüistas de la política se preparan para hacer del idioma un arma efectiva de dominio y para degradar con él la dignidad del habla humana y reducirla a retórica irresponsable. No debemos engañarnos. Las palabras no son ajenas al horror. Cuando se habla entre la niebla y la obscenidad, se favorece la vuelta de botas implacables de corte totalitario. Cuando el lenguaje se utiliza para entrar sin pudor y con impunidad en el infierno de los oprimidos, las palabras pierden su significado y adquieren tintes de pesadilla. Cuando la lluvia de mentiras verbales se convierte en estrepitoso diluvio, hemos de temer lo peor.

Que Hitler Y Goebbels hablaran en público con entusiasmo no fue pura casualidad. En su tratado Cinco dificultades con que se tropieza cuando se escribe la verdad, Bertolt Brecht soñaba con un nuevo idioma capaz de enfrentar vitalmente la palabra y el hecho, el hecho y la dignidad humana, de forma que ésta recuperara el lugar perdido por la degradación de los hombres en sus comportamientos y relaciones basadas en la mentira y la manipulación.

Devolver al lenguaje su musculatura moral, su pureza originaria, su condición de don supremo del hombre, rehabilitar el sentido y la verdad de las palabras debe ser nuestro compromiso. La mentira lingüística también es violencia, violencia simbólica. La más insidiosa de todas.

Retornar a las palabras esenciales significa decretar una guerra incruenta al lenguaje parasitario, frívolo y truculento, propio de algunos medios de comunicación, repleto de pontificaciones enlatadas y de lugares comunes que mantienen y propagan la bulimia consumista. Frente a éstos, la intransigencia ética debe ser la norma.

Frente a un lenguaje prostituido se debe luchar por otro que defienda los valores básicos de la dignidad, la libertad, la tolerancia y la democracia."

Baltasar Garzón - Juez español

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

A matança do porco

A matança significava fartura, boa disposição e entreajuda. Era feita com tempo frio, mas nunca em dia de vento suão, que atraía as varejeiras.Para matar um porco eram necessários no mínimo quatro homens. O bicho era deitado num banco e ajoujado com uma faca. As mulheres recolhiam imediatamente em gamelas ou bacias de barro o sangue para os enchidos.Uma vez morto, o porco era chamascudo com carquejas acesas e depois esfregado com bocados da mesma carqueija até a pele exterior sair quase completamente. Finalmente era barbeado com uma navalha afiada e lavado com minúcia.Chegava então a vez de ser preso pelas duas patas traseiras a um chambaril e pendurado num caibro ou trave de uma loja. Abria-se-lhe a barriga, retiravam-se as miudezas e separavam-se as carnes de acordo com as diferentes utilizações.Do porco, absolutamente nada se desperdiçava: As tripas, depois de lavadas, eram utilizadas nos enchidos;As costelas, o lombo e os torresmos (uma mistura de carne magra, fígado e outras miudezas), temperavam-se e conservavam-se em azeite, nas caçoilas de barro preto;As coleiras,as bandas e as orelhas eram guardadas na salgadeira;Os presuntos e as pás eram também conservados em sal um ou dois meses; depois de lavados penduravam-se ao fumeiro cerca de quinze dias; por fim, depois curados besuntavam-se com azeite e colorau;Os chouriços e chouriças (de carne, de sangue ou de bofes) começavam a fazer-se no dia seguinte ao da matança. As carnes temperavam durante alguns dias e depois, com o auxílio da enchedeira, eram colocadas nas tripas. Os enchidos secavam ao fumeiro oito a quinze dias e depois conservavam-se em azeite;As farinheiras eram feitas com farinha de milho e com ossadas do porco que, por serem muitas, se coziam (suprema ironia) na panela do porco.A vianda do porco (nabos, batatas, couves, botelhas) cozinhava-se na "panela do porco" - uma enorme panela de ferro com três pernas que quase todo o dia fervia e refervia ao lume, nas cozinhas. Esta vianda, misturada com água e farinha, era transportada para o curral nas ferradas, de madeira ou latão. Os porcos comiam-na em maceiras, escavadas em troncos de árvores, ou nas pias, de granito mais ou menos tosco, conforme as regiões e a pedra existente.
Dr. Paulo Ramalho, Tempos Difíceis - Tradição e Mudança na Serra do Açor

domingo, 19 de novembro de 2006

Finalmente a Broa!

A broa cozia-se de oito em oito ou de quinze em quinze dias. A cozedura era feita nos fornos individuais ou, no caso dos que os não possuíam, nos fornos comunitários.
Fazia-se o crescente no dia anterior, misturado no malgão as sobras da última cozedura com alguma farinha e água morna.
Para a amassadura utilizava-se uma gamela de madeira - o crescente era então misturado com farinha de milho, água morna, sal e alguma farinha triga ou centeia, para a broa não ficar tão arroliçada.
Feita a massadura, a broa ficava a fintar à fogueira, enquanto se aquecia o forno.
Depois de quente, o forno era limpo com o rodo e o vassoiro; as broas eram tendidas no malgão e uma a uma colocadas com a pá no forno.
Com a massa que sobrava na gamela fazia-se uma bola de crescente que se guardava no malgão até à próxima cozedura.
As broas, uma vez cozidas, eram guardadas numa loja fresca e arejada.
Havia quem fizesse a broa só com milho, de modo a fundir (render) para quinze dias - é que quanto mais pesada no estômago, menos se levava à boca...
Em certos casos, esta "poupança forçada" constituía o único modo de enganar a fome, pois em muitas aldeias metade das famílias não tinham sequer milho que lhes chegasse para o ano inteiro.
Eram os mais pobres entre os pobres; os que não tinham sequer uma côdea para acompanhar o caldo das couves. A estes bem se podia aplicar o ditado: "Poupa que comer, não guardes que fazer."
O mel era um dos poucos "luxos" alimentares ao alcance de quase todos. Bastava fazer alguns cortiços e adquirir conhecimentos práticos elementares sobre as técnicas da apicultura.
O equipamento utilizado era também rudimentar e de fácil fabrico caseiro.

Dr. Paulo Ramalho, Tempos Difíceis - Tradição e Mudança na Serra do Açor

sábado, 18 de novembro de 2006

O Azeite

Num contexto de grande pobreza e frugalidade alimentar, o azeite assumia particular importância. Com ele se contava para "adubar o conduto" e acender as candeias e alentemas. A azeitona apanhava-se nos meses de Dezembro e Janeiro. Constituía um trabalho arriscado, pois muitas das oliveiras estavam em penhascos e vertentes abruptas. Além disso, como as árvores só rararmente eram podadas (toda a rama era pouca para dar azeitonas) tinham que ser utilizadas escadas de doze e treze banços (degraus), com todos os riscos acrescidos de queda.
Para apanhar a azeitona saía-se de casa pela madrugada, de escada ao ombro. As escadas eram arrumadas às oliveiras e as azeitonas apanhadas à mão, para dentro de um cesto. Depois, chegava a vez de serem escolhidas (separadas das folhas) para dentro de uma saca.
O regresso a casa fazia-se já de noite, com a saca cheia às costas, e nas mãos enregeladas.


No Lagar
Os lagares só começavam a andar quando a azeitona estivesse quase toda apanhada. Funcionavam, da mesma forma que os moinhos da farinha, com a água de rios e ribeiros, conduzida por levadas.
O lagareiro, com os seus ajudantes (normalmente familiares), trabalhava ininterrupta e arduamente, dia após dia, até ao fim da campanha. Cada munho de azeitonas levava cerca de seis horas a moer e algumas mais se passavam até chegar, enfim o momento de benzer o azeite novo:
"Deus te acrescente agora e sempre pelas almas do Purgatório".
Depois eram esperadas medições: uma parte (a poia) para o "pote ladrão" do lagareiro, dez para os donos da azeitona; e assim sucessivamente.A safra do ano era levada para casa em bilhas de folha ou em odres.


Azeite Novo
Uma vez em casa, o azeite novo era cuidadosamente guardado numa loja fresca, em potes (ou talhas) de barro preto ou em talhas de pedra.
Administrado com parcimónia e bom senso, ele chegaria, num bom ano, para todas as necessidades - adubar a comida, acender a candeia, pagar promessas e favores, alumiar os mortos, conservar os chouriços e os queijos...E como nada do pouco que havia se podia desperdiçar, o bagaço da azeitona era também trazido do lagar, para servir de estrume ou dar como alimento aos porcos.
Ciclo de azeite e ciclo de porco, criação de gado e agricultura, vida familiar e subsistência económica - tudo se cruzava, tudo estava intimamente ligado na vida quotidiana.

Dr. Paulo Ramalho, Tempos Difíceis - Tradição e Mudança na Serra do Açor

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

mais TLEBS

Materiais didácticos elaborados pelas escolas da experiência pedagógica piloto da TLEBS

Seleccione o sub domínio que quer consultar em função do ciclo de ensino que pretende.
Domínios e Sub domínios da
TLEBS

1CEB
B.1_2_3_4_5_6_7
D.1_2_3_4_5_6

2CEB
B.1_2_3_4_5_6_7
C.1_2_3_4_5
D.1_2_3_4_5_6

3CEB
A.1_2_3_4_5_6
B.1_2_3_4_5_6_7
C.1_2_3_4_5
D.1_2_3_4_5_6

Língua, Comunidade linguística, variação e mudança
1. Comunidade linguística 2. Língua e falante 3. Variação e normalização linguística 4. Tipologia linguística 5. Contacto entre línguas 6. Mudança linguística

Linguística descritiva
1. Fonética e Fonologia 2. Morfologia 3. Classes de palavras 4. Sintaxe 5. Semântica lexical
6. Semântica frásica 7. Pragmática e linguística textual

Lexicografia
1. Dicionário 2. Glossário 3. Enciclopédia 4. Terminologia 5. Thesaurus

Representação gráfica da linguagem oral
1. Grafia 2. Pontuação 3. Sinais auxiliares da escrita 4. Configuração gráfica 5. Formas de destaque 6. Transcrição fonética

Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Ciclo de Fotografia das Aldeias do Xisto

A empresa Curso de Água, Lda. encontra-se a realizar
a iniciativa FotoXisto, sob a coordenação
do fotógrafo João Margalha. Esta iniciativa que
se insere no âmbito do Programa de Animação das Aldeias
do Xisto, conta com o apoio da Pinus Verde - Associação de
Desenvolvimento Integrado da Floresta.
O FotoXisto, tem por objectivo
documentar a vida quotidiana
de 10 aldeias abrangidas pela Rede das Aldeias do
Xisto
, designadamente,
Fajão, Janeiro de Cima, Martim
Branco, Foz do Cobrão, Gondramaz, Benfeita, Aigra Velha,
Comareira, Cerdeira e Talasnal.
Durante duas semanas os habitantes destes locais recolheram
imagens que reflectem a sua perspectiva da aldeia
e os aspectos considerados mais relevantes: pessoas, objectos,
locais, actividades, produtos, animais, paisagens.
Pretende-se com esta iniciativa contribuir para a preservação
da memória, afirmar a identidade das Aldeias do Xisto
e proporcionar o envolvimento da população, mostrando
como as aldeias se vêem a si próprias e mostrando as aldeias
umas às outras pelos olhos de quem lá vive.
A iniciativa culminará numa
exposição no Centro Dinamizador
das Aldeias do Xisto, que inaugurará a 9 de Dezembro
de 2006
, que depois circulará pelas aldeias envolvidas.
João Margalha
Contactos:
Curso de Água, Turismo e Animação em Espaço Rural:
968892233 / Casa de Janeiro

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Moto Rali das Aldeias do Xisto

O Góis Moto Clube organizou o seu 3º Moto Rali -
Na Rota das Aldeias do Xisto”, integrado no 10º
Troféu Nacional de Moto Ralis Turísticos da FNM.
Foram 45 equipas que tiveram oportunidade de conhecer a
região a partir das Aldeias do Xisto.
Com uma forte componente cultural centrada nas tradições
e cultura das aldeias, o Moto Rali incorporou no evento,
além da prova de condução propriamente dita com controlo
dos tempos, desafios que “obrigavam” os participantes a
conhecer melhor os locais por onde passavam.
A partida foi de Góis em direcção a Arganil, apreciando-se
a paisagem do Mont’Alto e passando por Folques. Nas Luadas
provou-se uma deliciosa “serradura” e, na Benfeita, as
curiosidades da Torre da Paz animaram a caravana. Depois
de visitada a maravilhosa Fraga da Pena atravessou-se a
Mata da Margaraça e seguiu-se para Fajão. Aí a brincadeira
chegou ao rubro, com os participantes a terem de fazer uma
reconstituição muito livre da eleição do Juiz, tal como é descrita
nos “Contos de Fajão”. O almoço foi no espectacular
parque de lazer do Cristo Operário, nas Minas da Panasqueira,
com a animação a cargo da Tocata das Minas e os
concorrentes a ajudar na batuca.
No dia seguinte o percurso passou por Aldeia Nova do
Cabo, Silvares, Barroca e, em Janeiro de Cima, visitou-se
a Casa das Tecedeiras. Atravessou-se o Rio Zêzere para o
concelho vizinho, passando por Janeiro de Baixo seguindose
o almoço final, em Pessegueiro.
Alguns dos participantes, vindos de diversos pontos do
país, confessavam-se surpreendidos com o bom estado de
preservação das Aldeias do Xisto e com a beleza da paisagem
natural envolvente. Todos referiram ser esta uma das
melhores formas de, fazendo o que gostam - andar de mota,
conhecerem zonas do país às quais, de outra forma, muito
provavelmente não viriam. No entanto, depois de feito o
percurso pelas Aldeias do Xisto, eram muitos os que falavam
em regressar “com mais calma”, agora de carro e trazendo
os filhos para um passeio mais prolongado.