“Se um dia disserem que o seu trabalho não é de um profissional, lembre-se: A Arca de Noé foi construída por amadores; profissionais construíram o Titanic…“
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
terça-feira, 5 de outubro de 2010
JC - Panasqueira (a caminho, quase) II
A vida debaixo da terra
Subida do preço do volfrâmio traz esperança à Panasqueira
"As Minas da Panasqueira laboram há sensivelmente 100 anos. Desde então atravessou momentos altos e baixos, consoante a oscilação do preço do volfrâmio no mercado. Destas minas são extraídos cacitrite, donde provém o estanho, calcopirite, que dá o cobre e a volfrâmite, que tem múltiplas aplicações. O volfrâmio é o produto de exploração principal na Panasqueira. Foi pela primeira vez apresentado em 1900, na Exposição Universal de Paris, pelos americanos que descobriram as suas potencialidades quando associado ao aço, conferindo-lhe alta resistência. A partir daí as suas aplicações foram várias, desde o tungsténio (filamento das lâmpadas), às lâminas dos buldozzers, às brocas até à electrónica e a material cirúrgico. Na indústria da electrónica "chegam 100 toneladas para responder a todas as necessidades", explica Ramakchondra Naique, formado em engenharia mineira e director geral das minas.
Com características de dureza semelhantes às do diamante, alta densidade e trabalhado em pó, resistindo a temperaturas de fusão muito elevadas, o uso do volfrâmio, um dos últimos metais a ser descoberto pelo homem, nunca se tornou muito vulgar devido ao seu preço. Outros metais mais baratos, como por exemplo o urânio empobrecido ou o chumbo, substituem-no numa das suas maiores aplicações: o armamento. Foi por altura da Segunda Guerra Mundial que a exploração na Panasqueira atingiu o seu auge. Por essa altura chegou a empregar 11 mil pessoas. Naquelas paragens, a paisagem envolvente indicia uma grande actividade à volta da mina. Na encosta são visíveis numerosas fileiras de casas que eram propriedade da mina até 1994, altura em que a mina fechou pela primeira vez. A administração, anterior à actual que assumiu a exploração em Janeiro de 95, entregou essas casas às famílias dos mineiros. Muitas delas destelhadas mostram o abandono que vivem actualmente. Sente-se em toda a vila uma magia que lhe terá ficado dos tempos idos.
Actividade intensa voltou a viver nos anos de 55 e de 84 a 86. Hoje bastam apenas dois turnos de 40 homens no interior da mina para ela produzir diariamente as cerca de duas toneladas de 'tal e qual', matéria bruta de minério extraído de onde é retirado o tungsténio, que resultam numa produção de 145 a 150 mil quilos de concentrado de volfrâmio por mês. Desde há dois meses o rendimento das Mina da Pansqueira tem subido devido a variações positivas no mercado bolseiro do valor do volfrâmio, resultado da quebra da produtividade das minas de volfrâmio da China, a principal concorrente."
"Obra da mãe natureza"
"Quanto ao futuro, o subsolo da Panasqueira tem minério para exploração por mais duas ou três gerações, chegando aos 400 metros de profundidade.
José Duarte, 56 anos, é mineiro há 28. Hoje abandonou o interior da mina e trabalha no departamento de geologia da empresa. Conhece a mina como a palma das suas mãos, refere fascinado com a "obra da mãe natureza". O seus colegas afirmam que seria capaz de não se perder mesmo às escuras por meio dos labirintos de túneis e pilares. Mesma sorte não têm outros trabalhadores que, quando são novos ali, se desorientam, mas basta "seguir o som das máquinas".
Toda a mina está cartografada, identificando exactamente todos os filões, pedaços longilíneos onde se encontram os vários minérios, que deverão ser explorados.
Debaixo de terra sente-se um cheiro intenso. "Cheira a mina", afirma José Duarte.
O fascínio pelo subsolo estende-se a muitos curiosos que a visitam. O responsável pelo departamento de geologia defende que as Minas da Panasqueira "se houver força de vontade dos responsáveis, podem vir a ser um pólo de atracção turística."
Falta de mão de obra no sector
"Em Outubro passado a Beralt In & Wolfram tentou admitir pessoal para os quadros mediante formação garantida pela própria empresa. Para isso publicou vários anúncios a recrutar pessoal para as minas. A intenção era mesmo abrir a antiga Escola Mineira das Minas da Panasqueira, espaço que funcionava para dar preparação ao longo de 4 a seis meses para exercer as funções de mineiro.
Na primeira solicitação aos centros de emprego da Covilhã e Arganil, obtiveram 53 respostas, das quais só admitiram 3 com os requisitos necessários.
Dentro de um ano e meio a empresa pensa vir a recrutar mais pessoal, entre 60 a 80 pessoas, para poder aumentar a produção. Os tempos de reforma dos actuais mineiros estão a chegar e há necessidade de renovar mineiros e técnicos. Nos dias de hoje, e devido ao desenvolvimento tecnológico adoptado, o espaço parece vazio. É possível ter a produtividade de 25 homens apenas com cinco a trabalhar."
Raquel Fragata
Urbi et Orbi-Jornal On-Line da UBI
Nota. Este artigo reporta-se a 05 de Fev de 2001. Pela sua importância até como documento, é republicado para memória futura, de todos quantos viveram e ainda vivem do trabalho na maior mina do mundo.segunda-feira, 4 de outubro de 2010
JC - Panasqueira (a caminho, quase)
Diz-se que nenhuma viagem é definitiva e que todas elas, pela surpresa da descoberta, podem sugerir bons regressos. Se o viajante vai à procura de encher a memória de instantes surpreendentes, aqueles momentos que às vezes, no caminhar dos dias, nos assaltam como referências que o tempo não apagou de todo, então as Minas da Panasqueira são o destino certo.
É um mundo à parte. O tempo cavou a margem e o homem criou dentro dela um universo de singularidades. As Minas fazem parte do país do pinhal. Em Maio, a invernia já passou e o mar verde de pinheiros mal se agita. A luz incendeia e fixa os contrastes. Se olharmos com atenção, podemos encontrar pela corda do Zêzere as "aldeias de viúvas", terras de gente que morria cedo envenenada nos subterrâneos da mina, história trágico-terrestre que dizimou povoações ou as deixou marcadas de mulheres envelhecidas cedo, sempre vestidas de sombra.
Desse tempo, de quando os mineiros partiam cedo da mata e todos os caminhos iam dar à mina, para esventrar a montanha, ainda persistem imagens na geografia física e humana: a mina é uma memória de mil dores, um passivo, nunca averiguado, de muitas mortes, distribuídas avulso pelas terras que fazem a corda do rio que se incrustaram na montanha, longe de tudo. Quantas vidas por viver? O monumento do mineiro, na Barroca Grande, é a metáfora trágica de uma crucificação sem resgate ou talvez a ilusão de um céu inalcançável pelos sísifos de carne e osso.
Mas quem algum dia se aventurou à escrita sobre a faina dos mineiros foi ao encontro de uma matéria de inquietação e desassossego que deixa sempre um travo amargo na memória. Fernando Namora ("As Minas de S. Francisco", romance de 1946) deu com toda a carga dramática, a imagem desse universo de infra-humanidade em que "os homens, enfiados nas entranhas da terra, faziam saltar o xisto do gume das picaretas"(...).A procissão de mineiros desaparece nas bocas da terra. O clarão do amanhecer hesita à entrada, ainda acompanha os mineiros até ao primeiro quadro, mas já aí as trevas húmidas se preparam para o devorar. Os olhos dilatam-se para se adaptarem ao halo desmaiado do carboneto. O hálito que sopra do extremo da galeria ou se escapa das paredes, que gemem em suor lustroso, vem infiltrar-se na carne, adensa-se nos brônquios. Os músculos estremecem, sacudidos por uma súbita maleita. À medida que o eco avoluma os passos, repetindo-se indefinidamente através de carris e galerias, a humidade espessa-se, os sentidos reconhecem-lhe o tacto e o odor. Mas os homens já não reparam. Os pulmões quase se habituam a essa asfixia, como os ouvidos já não escutam o ressoar cavernoso que, a espaços, se transforma num trovão (...)".
Num século de exploração mineira (o primeiro interesse inglês na panasqueira data de 1901), as Minas são uma memória atormentada e violenta, cuja exploração se ampliou sempre segundo o calendário de conflitos que marcou o século XX. De 1934 até final da Segunda Guerra Mundial, atingiu-se tal incremento que, dos 750 trabalhadores, em 1933, chegou-se a 2.300 em 1940, e 5.790 em 1943. Para além dos trabalhadores da empresa, existiam 4.780 mineiros na actividade do "quilo", o que correspondia a mais de 10.000 pessoas directamente envolvidas na actividade mineira nas Minas da Panasqueira.
Essa é uma memória distante. Hoje, trabalham nas Minas pouco mais de 200 mineiros.
Mas a paisagem reflecte bem a grandeza da exploração.
Quem passa ao largo, mal percebe a dimensão da transformação da realidade e a sua projecção fantástica trazida, pelo cromatismo dos montes e das terras "lavradas", pela topografia da paisagem, pelo "ferro-tempo" envolvente, pelas vertentes baças do Zêzere (agora menos envenenado), pelos restos materiais da produção intensiva, pela diferença imposta ao mundo rural. José Saramago, na sua "Viagem a Portugal" olhou e pouco se deteve no lugar, como se o terror das imagens lhe tivessem tocado a alma. "As minas viram a terra do avesso. Talvez um dia as árvores emigrem para dentro das minas", escreveu ele, que na brevidade da sua passagem ainda deixou um retrato:"(...) de súbito, lhe aparecem, assomando por cima das elevações naturais, duas montanhas, cada qual com sua cor, cinzento e amarelo queimado, sem um fio de erva nelas, sem um galho de árvore, nem sequer uma rocha, destas que por todo o lado surgem e se inclinam sobre a estrada. São os montes de detritos das Minas da Panasqueira, apartados segundo a sua composição e cor, duas massas gigantescas que avançam sobre a paisagem e a comem por fora, na mesma proporção em que foi sendo roída a terra por dentro. Para quem não espera, o surgimento súbito destes montes causa um choque, sobretudo porque nada, à distância, os liga aos trabalhos da mina. É mais adiante, perto da povoação, que na encosta se vêem as entradas para o interior da montanha. Cá fora uma lama esbranquiçada, quase fluida, escorre para outra vertente. O viajante não entrará na mina, mas dela fica-lhe a imagem exterior de um inferno húmido e viscoso, onde os condenados vivem enterrados até aos joelhos. Não é certamente isto, não será melhor que isto(...)".
O universo das Minas da Panasqueira é farto em diversidades. A faina de mineiro é sempre dura. Mas as condições reflectem agora as novas tecnologias, que lentamente vão substituindo a mão humana. É um espaço único onde a riqueza em arqueologia industrial oferece infinitas potencialidades.
O antigo complexo da Lavraria, no Cabeço do Pião, desactivado em 1996, está agora a ser objecto da realização de um projecto de desenvolvimento integrado em que a preservação da memória e a arqueologia industrial, bem como a requalificação ambiental, são aspectos determinantes. Era, até há pouco, um espaço abandonado, onde os últimos residentes se moviam como fantasmas. Também aqui os sinais da mudança são evidentes. A esperança regressou. Já se ouvem, de novo, os pássaros a cantar.
CM-Covilhã
domingo, 3 de outubro de 2010
Marilyn oculta
El secreto de Marilyn
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Em Portugal é ao contrário!
El FMI advierte de que es menos 'doloroso' reducir el gasto que subir impuestos
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Blogue da Poppi
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Contrastes Regionais
Luciano Lourenço in "Guia Expresso de Portugal"
Docente do Instituto de Estudos Geográficos da Fac. de Letras da Universidade de Coimbra
sábado, 25 de setembro de 2010
Zapping
Cultura Ilustraciones
LIBRO Instantáneas de John Vachon
El verano del 53 de Marilyn
Una colección de más de 100 fotografías inéditas de la actriz se puede ver restauradas en el nuevo libro 'Marilyn: August 1953'.
- Ciencia El lince perdido
