quinta-feira, 7 de outubro de 2010

JC - Panasqueira (a caminho, quase) IV


Minas da Panasqueira, demografia e modo de vida (Anselmo



Pampilhosa700

Demografia e modos de vida

“Emigrou tudo e então foram buscar os caboverdianos. Os de cá foram ver de vida. Eu tenho cinco no Canadá. Trabalhavam aqui, também, mas como isto não dava, abalaram”.

Daniel REIS et al (1979, p. 22)Por: Anselmo Gonçalves A actividade mineira que, desde os finais do século XIX, se desenvolveu nesta região, provocou profundas alterações no modo de vida das populações que por aqui residiam e residem.
Alterações essas que foram visíveis ao longo dos anos, com todas as implicações sociais, económicas e culturais que, bem ou mal, alteraram a identidade de várias gerações. Por assim dizer a mina proletarizou o meio envolvente marcadamente rural. Até ao início da exploração do volfrâmio estas comunidades dependiam essencialmente da agricultura de subsistência, da pastorícia e, de uma forma incipiente, moldava-se já um comércio de produtos hortícolas e de origem animal, associado ao comércio do carvão, que eram bastante rentáveis.
No entanto, a maioria dos habitantes nestas freguesias (quadro 1), como noutras próximas, tinham uma vida difícil, e nunca imaginariam que as gerações futuras iriam sofrer o embate da industrialização.

A mina era uma aventura aliciante, fosse trabalhando no “Kilo”, na mina ou mesmo na “Pilha”, o camponês tinha agora a oportunidade de transformar o sonho de sempre em realidade: ser dono de uma casinha e de alguns terrenos, o que no seu pensamento, lhe permitiria enfrentar o futuro com mais tranquilidade, mas casos houve de fortunas completamente dizimadas em horas . Sobre esta situação Jaime DIAS (1969, p. 4) refere que “Dos felizes acasos da sorte na exploração, bastas vezes repetidos, resultava o desvario, a desvergonha e o ridículo. Na ânsia de parecerem o que nunca foram, de gozarem prazeres só dados a pessoas de outros haveres ou formação, desbaratavam o dinheiro como se de coisa inútil se tratasse. (…) No uso pessoal, se não havia acendalhas para activar o fogo na lareira ou acender o cigarro, queimava-se uma nota das peludas, de quilo (de conto) que enchiam a carteira. Analfabetos exibiam, cómica e caricaturalmente, no bolsinho do casaco, lapiseiras e canetas de tinta permanente. (…) As obras literárias para as estantes da mobília do escritório eram encomendadas em relação à largura do vão: um metro ou metro e meio de livros”…
Despertos os interesses económicos das comunidades, a alucinação pela mina provocam no seu início uma euforia sem limites. A mão-de-obra destas freguesias, habituada à dureza do trabalho agrícola, foi facilmente adaptada às técnicas da exploração mineira e rapidamente transformados em operários.
A evolução sócio – demográfica das freguesias confinantes com o Couto Mineiro da Panasqueira (Dornelas-do-Zêzere, Unhais – o – Velho, S. Jorge da Beira, Aldeia de S. Francisco de Assis e Barroca do Zêzere), (figura 2, e quadro 1) tem a ver com a actividade mineira, por um lado (1895 – 1960), e com a emigração (período pós 1960), para os países da Europa Ocidental – França e Alemanha, e para a América do Norte, essencialmente para o Canadá, por outro.
A verdade é que a exploração mineira constituiu uma oportunidade de trabalho, porém limitada pela dureza e riscos físicos envolvidos, que em determinadas situações revoltavam os trabalhadores rurais.
A dinâmica demográfica nestas freguesias (figura e quadro 1), teve a ver com o notável movimento pendular entre as aldeias e as Minas, e fez mesmo crescer a população destas. Este movimento local foi associado a vinda de homens de outros locais do país, que veio fornecer mão-de-obra para o trabalho mineiro, mas também acrescentar outras profissões necessárias nesta região, como por exemplo: alfaiates, sapateiros e pessoal técnico inglês e português. Este movimento obrigou a empresa a desenvolver uma forte aposta na abertura de estradas entre a Portela de Unhais (concelho de Pampilhosa da Serra) e a Barroca Grande, além de construção de pontes como foi o caso da construída sobre o rio Zêzere, inaugurada em 26 de Outubro de 1930, a primeira feita em betão armado em Portugal, e que ainda hoje é utilizada.

Quadro 1 – Evolução da População nas Freguesias confinantes com a Mina da Panasqueira

Quadro 1 – Evolução da População nas Freguesias confinantes com a Mina da Panasqueira
ConcelhoFreguesias1890191119301940195019601970198119912001
Pamp. SerraDor. Zêzere9268609081121127413041045800780677
Unh o Velho639765929120511961298965930828632
CovilhãS.Jorge da Beira66412711297325334223306172015721063694
S. Francisco Assis[1]*379566128918382508198518861396692
FundãoBarroca Zêzere9779741247153416951391855911751634
Silvares1269149016872453260423321105124112781104


[1] ) Não consta do Censos de 1890 como freguesia, nessa data, estava com o nome de Bodelhão e anexada à freguesia da Barroca do Zêzere. Em 1895, o Bodelhão é desanexado da Barroca e passa para a jurisdição do Ourondo, até 19.07.1901, nesse dia separou-se do Ourondo tornando-se Freguesia civil, tendo-se realizado a primeira eleição para a Junta de Freguesia em 25.08.1901.

Como podemos observar no quadro 2 e gráfico 2, este movimento de pessoas está perfeitamente ligado ao período áureo das minas da Panasqueira, 1934 - 1944 . Mesmo depois de as minas terem reaberto em 1946 nunca mais se manteve a mesma dinâmica, pois a partir dessa data, passaram estas minas a estar dependentes do preço do volfrâmio, no mercado internacional.
Passemos então a uma análise mais pormenorizada de como se processou esta dinâmica:
- Entre 1890 e 1911 – O trabalho nas minas iniciou-se em 1895 e era menosprezado, a exploração era feita em pequenos filões à superfície e portanto a produção era baixa, não havia necessidade de grande quantidade de mão-de-obra, dai recorrer-se exclusivamente a mão de obra local, agricultores e portanto homens adaptados a trabalho duro.
- Entre 1911 e 1928, deu-se a viragem em termos de produção. Em 1911, as Minas da Panasqueira passam para um novo dono a Wolfram Mining ande Smelting Company Limited, que implementa novos métodos de exploração alicerçados em grande quantidade de trabalhadores, visto que em 1912 tinha já ao serviço 201 funcionários que extraíram 280 toneladas de volfrâmio. Neste período, que engloba a primeira Guerra Mundial (1914-1918), trabalhavam nas Minas da Panasqueira, cerca de 800 homens , que eram responsáveis pela extracção de aproximadamente 360 toneladas ano. Após 1920 a actividade extractiva quase paralisou, até finais da década de 20.
- Em 1928 reinicia-se a actividade e em 1934 inicia-se a “corrida”, (observar quadro 1 em anexo) na procura do volfrâmio, indício claro dos preparativos para o segundo conflito mundial, que leva a um natural aumento da produção, mas, para que tal desiderato se cumpra houve a necessidade de recorrer a elevada mão-de-obra que já não existia nesta região. Começa então a afluir a estas minas, elevado número de homens para o trabalho na mina. Nessa perspectiva João Mateus DUARTE (1988, p. 200), afirma que: “os homens da região são já insuficientes para as necessidades da mina. De todo o país chegam mais homens que a mina absorve. Subjacentes à mina, as comunidades genuinamente mineiras vão crescendo. Para a empresa concessionária, a rendibilidade da exploração passa por estes aglomerados populacionais, denominados Coutos Mineiros. A proletarização é aqui mais evidente e alargar-se-ia às comunidades rurais. Há homens de muitos lados e só aqui estão para ganharem um melhor salário, temporariamente fixados porque a mina lhes criou condições para isso, condições que os anos vieram a demonstrar serem deficientes, face à dureza das condições de trabalho”.
Nesta fase a oferta de mão-de-obra era tal, que J. Avelãs NUNES (2000, p. 227) menciona que existia uma reserva permanente que não deixava de actuar sobre os já precários salários praticados, criando situações de injustiça que vieram a despoletar situações preocupantes ao nível da segurança pública. Eram comuns as rixas e desordens entre trabalhadores de vários pontos do país, muitos deles de conduta pouco exemplar, o que contribuiu para aumentar os fenómenos de criminalidade e violência (roubos, rixas, utilização de armas de fogo, prostituição).
Essa mão-de-obra que chega de outras partes do território Nacional, faz com que determinadas freguesias vissem a sua população aumentar em vinte anos, mais de quatrocentos por cento, caso da aldeia de S. Francisco de Assis, mais de duzentos por cento S. Jorge da Beira, e mais de cem por cento as restantes freguesias: Silvares, Dornelas do Zêzere e Barroca do Zêzere, respectivamente (observar o quadro e gráfico 3).
Após 1960 embora a mina fosse dando emprego a quem o procurasse , a verdade é que desde então a mina deixou de atrair, implicitamente porque já estava associado o mal da mina, “Silicose” , a quem para lá fosse trabalhar. Esta doença profissional semeou a morte nas comunidades mineiras das freguesias aqui representadas , e ainda sobre o efeito desta doença, Daniel REIS e Fernando PAULOURO (1979, p. 11) traduzem de uma forma violenta as consequências da silicose na população mineira, ao ponto de afirmar que “alguns já nem sangue têm: foram-no cuspindo pela boca, arrombados de todo…” Essa doença bem cedo levou homens e jovens na flor da idade, deixando viúvas e órfãos . As consequências foram trágicas e lentamente, foi-se tornando um pesadelo e um temor o que deixou um rasto de ódio à mina. As condições de trabalho, a silicose e o próprio futuro eram razões mais do que válidas para manter esse ódio e procurar de todas as formas fugir à mina, o que aconteceu com a perspectiva da emigração. Cláudio dos REIS (1971, p. 36) exprime de forma singela esta situação, afirmando, que: “nos últimos tempos a actividade destas minas vem sendo seriamente afectada pela falta de mão de obra, principalmente nos trabalhos subterrâneos,…”
Actualmente, as freguesias analisadas apresentam dinâmicas demográficas idênticas às restantes freguesias rurais do concelho do Fundão, Covilhã e Pampilhosa da Serra, com a predominância dos estratos etários acima dos 60 anos de idade. De facto olhando para os quadros com a evolução demográfica, cruzando com o conhecimento profundo deste território, podemos concluir que as minas, desde há muito tempo, deixaram de exercer uma influência capital na evolução demográfica da região, como foi entre 1930 e 1960.


Bibliografia

BARROQUEIRO, Mário Luís Gaspar (2005) – O Declínio de Centros Mineiros Tradicionais no Contexto de uma Geografia Industrial em Mudança. As Minas de Aljustrel e da Panasqueira. Dissertação de Mestrado em Geografia Humana e Planeamento Regional e Local apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

CARNEIRO, Fernando Soares (1961) – “A silicose e as minas”. Estudos Notas e Trabalhos do Serv. Fom. Mineiro. Vol XV, fasc. 1-2.

DIAS, J. L. (1969) – “Volfrâmio e Estanho na Vida e Costumes da Beira Baixa”. Separata da Revista Etnografia, 23, Museu de Etnografia e História.

DUARTE, João Mateus (1988) - “Implicações Históricas no Meio Comunitário Periférico ao Couto Mineiro da Panasqueira”. Actas das II Jornadas da Beira Interior, Jornal do Fundão, vol. 2º, pp. 199 - 203.

MATOS, J. X. (2001) – “Património mineiro português: estado actual da herança cultural de um país mineiro”. Actas do Congresso Internacional Sobre Património Geológico e Mineiro, IGM, Lisboa.

MÓNICA, Maria Filomena e BARRETO, António (coord) (2000) – DICIONÁRIO DA HISTÓRIA DE PORTUGAL, Livraria Figueirinhas, vol. 9, p. 601 – 604.

NAMORA, Fernando (2003) – MINAS DE SAN FRANCISCO. PUBLICAÇÕES EUROPA-AMÉRICA, Mem Martins.

NUNES, João Paulo Avelãs (2000) – “Volfrâmio português e ouro do Terceiro Reich durante a Segunda Guerra Mundial (1938 – 1947)”, Vértice, II Série, n.º 94, Março / Abril, p.42 – 59.

NUNES, João Paulo Avelãs (2000) – “ Portugal, Espanha, o volfrâmio e os beligerantes durante e após a Segunda Guerra Mundial”, População e Sociedade, n.º 6, p. 211 – 241.

NUNES, João Paulo Avelãs (2005) – O Estado Novo e o volfrâmio (1933-1947). Projecto de Sociedade e opções Geoestratégicas em Contextos de Recessão e de Guerra Económica. Dissertação de Doutoramento em História, Especialidade em História Contemporânea, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

REIS, Daniel; NEVES, Fernando Paulouro (1979) - A GUERRA DA MINA E OS MINEIROS DA PANASQUEIRA, A Regra Do Jogo Edições, Lisboa.

RIBEIRO, Aquilino (1961) – VOLFRÂMIO. 2ª Edição, Livraria Bertrand, Lisboa.


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

JC - Panasqueira (a caminho, quase) III


12 Fev 98 Terras da Beira
Semanário

















Sonhos perdidos nas
minas da Panasqueira

A beleza natural da Barragem de Santa Luzia, associado ao sossego da paisagem rural, eram os atractivos utilizados para a promoção de um centro turístico para as Minas da Panasqueira. Com a concretização deste projecto, da responsabilidade de um grupo luso-belga, podia nascer uma nova luz ao fundo do túnel daquela região que estava mergulhada numa crise socioeconómica. Jorge Patrão, actual presidente da RTSE e na altura vereador da Câmara da Covilhã, empenhou-se na divulgação daquele centro turístico que, por enquanto, está longe de vir a ser uma realidade.

Um ano depois da crise nas Minas da Panasqueira, em 1994, uma nova esperança surge para a região. Os jornais noticiavam que estava projectado um centro turístico para rentabilizar as condições naturais de uma vertente da Serra da Estrela ainda por explorar. O anúncio era feito por Jorge Patrão, o actual presidente da RTSE e, na altura, vereador na Câmara da Covilhã. Convicto do sucesso do projecto da responsabilidade de um grupo luso-belga, o autarca não teve mesmo pejo em dizer que este empreendimento ía ser uma «pedrada no charco na realidade socioeconómica que se vive na região».

A ideia deste projecto turístico teria surgido de um empresário português radicado na Bélgica e natural do couto mineiro. Como na altura noticiava o «Público», pretendia-se, assim, rentabilizar as condições naturais de uma vertente da Serra da Estrela, assim como a área envolvente da barragem de Santa Luzia. O grupo pretendia igualmente aproveitar alguns imóveis da Beralt para instalar as infra-estruturas e disponibilizar apartamentos para arrendamento ou venda a famílias que desejem passar férias em Portugal. Na região poderia ainda vir a ser construído um museu das minas. Para o arranque do projecto, foram iniciados contactos com a Beraltin.

Contactado pelo TB, Correia de Sá, administrador da empresa mineira, confirmou que chegaram mesmo a ser vendidas «uma grande parte das casas da Panasqueira, a preços relativamente baixos. As cerca de cinquenta casas não chegaram a atingir a soma de dois mil contos». Algumas chegaram mesmo a ser adquiridas por belgas. Desta forma a Beraltin pretendia colaborar, «na medida do possível, com o desenvolvimento turístico da região».

Os cartazes que na altura foram colocados em vários locais da freguesia, pelo grupo luso-belga, anunciando a venda de uma variedade de casas, era oferecida a «possibilidade de desportos náuticos: barcos de recreio, motonáutica, vela, ski, surf». Como se não bastasse para convencer, era referido que o empreendimento, que «ficaria a 12 quilómetros do rio» e «a 18 quilómetros da Barragem de Santa Luzia.», tinha «todo o esplendor e sossego da paisagem rural». No fundo, este era «o local ideal para as férias merecidas!».

Grupo luso-belga admite não haver «nada de concreto»

Desconhecendo tudo o que se estava a passar, o então presidente da Junta de Freguesia de S. Jorge da Beira, José Alves Pacheco, deslocou-se à Câmara da Covilhã para obter informações detalhadas sobre o complexo turístico divulgado por Jorge Patrão mas pouco mais ficou a saber. O vereador ter-lhe-á mesmo dito que «não estava autorizado a falar desse empreendimento, uma vez que estava no maior sigilo», salientou o autarca no decorrer de uma reunião da Assembleia Municipal da Covilhã, realizada em finais de 1994.

Prosseguindo a sua intervenção, José Alves Pacheco acrescentou que só depois de se dirigir à empresa Beraltin foi finalmente informado do que se estava a passar. Mas as dúvidas persistiram e ainda hoje continua céptico quanto à concretização deste aldeamento turístico.

O TB já conseguiu saber junto da administração da empresa responsável pelo projecto, que «nunca houve qualquer intenção de pôr de lado o presidente da Junta de Freguesia de S. Jorge da Beira». Esse contacto não veio a verificar-se porque, argumenta um dos responsáveis do grupo luso-belga, «as coisas não correram como esperávamos» e, para além disso, «ainda não havia, tal como hoje, nada de concreto quanto ao projecto turístico».

Este viria a ser, aliás, o motivo que levou a empresa «a recusar o pedido de Jorge Patrão para marcar uma conferência de imprensa para divulgar o projecto». Curiosamente, o então vereador da Câmara da Covilhã e actualmente presidente da Região de Turismo da Serra da Estrela, assim não entendeu e decidiu ele anunciar aos quatro ventos a boa nova e, segundo noticiou na altura o Notícias da Covilhã, a assumir mesmo que «o projecto estava com grandes avanços, faltando apenas a assinatura das escrituras».

O que é certo é que, passados quase quatro anos, tudo ainda não passou de meras intenções. Um dos administradores já confirmou ao TB que «neste momento» não vão avançar porque «ainda não conseguiram os apoios necessários para o projecto desejado». Não se poderá, no entanto, falar de desistência. Tanto que, salientou, continuam a promover o projecto «lá fora» e a ser «desenvolvidos alguns contactos para poder avançar».

Em declarações ao TB, Jorge Patrão rejeita que se tenha envolvido em demasia neste «projecto», argumentando que «é preciso não esquecer que se estava a viver uma altura muito difícil naquela região e era preciso dar alguma motivação para o futuro». E como o grupo luso-belga tinha intenção de «promover a venda e a recuperação das casas da aldeia», o recém eleito presidente da RTSE considerou que era necessário «acarinhar aqueles que mostravam vontade em remar contra a maré e promover algum tipo de investimento numa zona que estava totalmente carenciada». Jorge Patrão entendeu também que não devia manter em segredo tudo isto e achou por bem divulgar o projecto que hoje não passa ainda de um «sonho» de alguns.

Diferente sorte para as minas

Diferente futuro parece terem as minas da Panasqueira. Cem anos depois do início da sua laboração, apresentam hoje uma situação, considerada pelo administrador da empresa, Correia de Sá, de «normal». A crise em que esteve envolvida entre 1993 e 1995 parece estar ultrapassada. Emprega actualmente cerca de 250 trabalhadores e todos os meses são extraídos 170 toneladas de concentrado de volfrâmio.

A boa situação da empresa levou já a administração a fazer investimentos, nomeadamente a construção de uma nova lavaria, abertura do terceiro nível de extracção e a construção de um novo poço, garantindo mais dez anos de vida da mina.

Desconhece-se quem terá descoberto as minas da Panasqueira, sabendo-se que há registos de exploração mineira naquela zona durante a ocupação romana. Mas o registo da mina teria sido feita apenas a 15 de Abril de 1886, na Câmara Municipal da Covilhã, por Manuel dos Santos e Boaventura Borrel, que seriam mesmo reconhecidos como tendo sido os descobridores do volfrâmio da Panasqueira. Em 1894, o próprio rei D. Carlos I de Bragança concendia o alvará.

Dezasseis anos depois, a mina viria a ser arrendada a uma empresa inglesa, a Wolfram Mining and Smelting Company, que mais tarde se viria a fundir na Baralt Tin Limited.

Os anos de crise começaram a partir de 1928 e, desde então, as lutas foram-se sucedendo. Até que, em Janeiro de 1993, a empresa paralisa, alegadamente por haver dificuldades no escoamento do produto. Mas, passados dois anos, a exploração volta a estar em expansão. Adiado está a concretização do sonho de um dia surgir ali muito próximo um centro turístico. A continuar assim será mais a juntar-se ao que uma empresa norte-americana projectou, há alguns anos atrás, para a albufeira da Barragem de Santa Luzia. Por agora, aldeamentos, estalagem, restaurantes, campos de ténis, clube náutico, marina... tudo não passou de um «sonho americano».

Gustavo Brás

terça-feira, 5 de outubro de 2010

JC - Panasqueira (a caminho, quase) II


Minas da Panasqueira
A vida debaixo da terra

As Minas da Panasqueira são as maiores minas subterrâneas do mundo, com mais de 12 mil quilómetros de túneis escavados pelo homem. Descemos a 200 metros de profundidade e encontrámos volfrâmio, um dos mais valiosos metais.

Subida do preço do volfrâmio traz esperança à Panasqueira

"As Minas da Panasqueira laboram há sensivelmente 100 anos. Desde então atravessou momentos altos e baixos, consoante a oscilação do preço do volfrâmio no mercado. Destas minas são extraídos cacitrite, donde provém o estanho, calcopirite, que dá o cobre e a volfrâmite, que tem múltiplas aplicações. O volfrâmio é o produto de exploração principal na Panasqueira. Foi pela primeira vez apresentado em 1900, na Exposição Universal de Paris, pelos americanos que descobriram as suas potencialidades quando associado ao aço, conferindo-lhe alta resistência. A partir daí as suas aplicações foram várias, desde o tungsténio (filamento das lâmpadas), às lâminas dos buldozzers, às brocas até à electrónica e a material cirúrgico. Na indústria da electrónica "chegam 100 toneladas para responder a todas as necessidades", explica Ramakchondra Naique, formado em engenharia mineira e director geral das minas.
Com características de dureza semelhantes às do diamante, alta densidade e trabalhado em pó, resistindo a temperaturas de fusão muito elevadas, o uso do volfrâmio, um dos últimos metais a ser descoberto pelo homem, nunca se tornou muito vulgar devido ao seu preço. Outros metais mais baratos, como por exemplo o urânio empobrecido ou o chumbo, substituem-no numa das suas maiores aplicações: o armamento. Foi por altura da Segunda Guerra Mundial que a exploração na Panasqueira atingiu o seu auge. Por essa altura chegou a empregar 11 mil pessoas. Naquelas paragens, a paisagem envolvente indicia uma grande actividade à volta da mina. Na encosta são visíveis numerosas fileiras de casas que eram propriedade da mina até 1994, altura em que a mina fechou pela primeira vez. A administração, anterior à actual que assumiu a exploração em Janeiro de 95, entregou essas casas às famílias dos mineiros. Muitas delas destelhadas mostram o abandono que vivem actualmente. Sente-se em toda a vila uma magia que lhe terá ficado dos tempos idos.
Actividade intensa voltou a viver nos anos de 55 e de 84 a 86. Hoje bastam apenas dois turnos de 40 homens no interior da mina para ela produzir diariamente as cerca de duas toneladas de 'tal e qual', matéria bruta de minério extraído de onde é retirado o tungsténio, que resultam numa produção de 145 a 150 mil quilos de concentrado de volfrâmio por mês. Desde há dois meses o rendimento das Mina da Pansqueira tem subido devido a variações positivas no mercado bolseiro do valor do volfrâmio, resultado da quebra da produtividade das minas de volfrâmio da China, a principal concorrente."

"Obra da mãe natureza"

"Quanto ao futuro, o subsolo da Panasqueira tem minério para exploração por mais duas ou três gerações, chegando aos 400 metros de profundidade.
José Duarte, 56 anos, é mineiro há 28. Hoje abandonou o interior da mina e trabalha no departamento de geologia da empresa. Conhece a mina como a palma das suas mãos, refere fascinado com a "obra da mãe natureza". O seus colegas afirmam que seria capaz de não se perder mesmo às escuras por meio dos labirintos de túneis e pilares. Mesma sorte não têm outros trabalhadores que, quando são novos ali, se desorientam, mas basta "seguir o som das máquinas".
Toda a mina está cartografada, identificando exactamente todos os filões, pedaços longilíneos onde se encontram os vários minérios, que deverão ser explorados.
Debaixo de terra sente-se um cheiro intenso. "Cheira a mina", afirma José Duarte.
O fascínio pelo subsolo estende-se a muitos curiosos que a visitam. O responsável pelo departamento de geologia defende que as Minas da Panasqueira "se houver força de vontade dos responsáveis, podem vir a ser um pólo de atracção turística."

Falta de mão de obra no sector

"Em Outubro passado a Beralt In & Wolfram tentou admitir pessoal para os quadros mediante formação garantida pela própria empresa. Para isso publicou vários anúncios a recrutar pessoal para as minas. A intenção era mesmo abrir a antiga Escola Mineira das Minas da Panasqueira, espaço que funcionava para dar preparação ao longo de 4 a seis meses para exercer as funções de mineiro.
Na primeira solicitação aos centros de emprego da Covilhã e Arganil, obtiveram 53 respostas, das quais só admitiram 3 com os requisitos necessários.
Dentro de um ano e meio a empresa pensa vir a recrutar mais pessoal, entre 60 a 80 pessoas, para poder aumentar a produção. Os tempos de reforma dos actuais mineiros estão a chegar e há necessidade de renovar mineiros e técnicos. Nos dias de hoje, e devido ao desenvolvimento tecnológico adoptado, o espaço parece vazio. É possível ter a produtividade de 25 homens apenas com cinco a trabalhar."

Raquel Fragata

Urbi et Orbi-Jornal On-Line da UBI

Nota. Este artigo reporta-se a 05 de Fev de 2001. Pela sua importância até como documento, é republicado para memória futura, de todos quantos viveram e ainda vivem do trabalho na maior mina do mundo.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

JC - Panasqueira (a caminho, quase)


Minas da Panasqueira

Diz-se que nenhuma viagem é definitiva e que todas elas, pela surpresa da descoberta, podem sugerir bons regressos. Se o viajante vai à procura de encher a memória de instantes surpreendentes, aqueles momentos que às vezes, no caminhar dos dias, nos assaltam como referências que o tempo não apagou de todo, então as Minas da Panasqueira são o destino certo.
É um mundo à parte. O tempo cavou a margem e o homem criou dentro dela um universo de singularidades. As Minas fazem parte do país do pinhal. Em Maio, a invernia já passou e o mar verde de pinheiros mal se agita. A luz incendeia e fixa os contrastes. Se olharmos com atenção, podemos encontrar pela corda do Zêzere as "aldeias de viúvas", terras de gente que morria cedo envenenada nos subterrâneos da mina, história trágico-terrestre que dizimou povoações ou as deixou marcadas de mulheres envelhecidas cedo, sempre vestidas de sombra.
Desse tempo, de quando os mineiros partiam cedo da mata e todos os caminhos iam dar à mina, para esventrar a montanha, ainda persistem imagens na geografia física e humana: a mina é uma memória de mil dores, um passivo, nunca averiguado, de muitas mortes, distribuídas avulso pelas terras que fazem a corda do rio que se incrustaram na montanha, longe de tudo. Quantas vidas por viver? O monumento do mineiro, na Barroca Grande, é a metáfora trágica de uma crucificação sem resgate ou talvez a ilusão de um céu inalcançável pelos sísifos de carne e osso.
Mas quem algum dia se aventurou à escrita sobre a faina dos mineiros foi ao encontro de uma matéria de inquietação e desassossego que deixa sempre um travo amargo na memória. Fernando Namora ("As Minas de S. Francisco", romance de 1946) deu com toda a carga dramática, a imagem desse universo de infra-humanidade em que "os homens, enfiados nas entranhas da terra, faziam saltar o xisto do gume das picaretas"(...).A procissão de mineiros desaparece nas bocas da terra. O clarão do amanhecer hesita à entrada, ainda acompanha os mineiros até ao primeiro quadro, mas já aí as trevas húmidas se preparam para o devorar. Os olhos dilatam-se para se adaptarem ao halo desmaiado do carboneto. O hálito que sopra do extremo da galeria ou se escapa das paredes, que gemem em suor lustroso, vem infiltrar-se na carne, adensa-se nos brônquios. Os músculos estremecem, sacudidos por uma súbita maleita. À medida que o eco avoluma os passos, repetindo-se indefinidamente através de carris e galerias, a humidade espessa-se, os sentidos reconhecem-lhe o tacto e o odor. Mas os homens já não reparam. Os pulmões quase se habituam a essa asfixia, como os ouvidos já não escutam o ressoar cavernoso que, a espaços, se transforma num trovão (...)".
Num século de exploração mineira (o primeiro interesse inglês na panasqueira data de 1901), as Minas são uma memória atormentada e violenta, cuja exploração se ampliou sempre segundo o calendário de conflitos que marcou o século XX. De 1934 até final da Segunda Guerra Mundial, atingiu-se tal incremento que, dos 750 trabalhadores, em 1933, chegou-se a 2.300 em 1940, e 5.790 em 1943. Para além dos trabalhadores da empresa, existiam 4.780 mineiros na actividade do "quilo", o que correspondia a mais de 10.000 pessoas directamente envolvidas na actividade mineira nas Minas da Panasqueira.
Essa é uma memória distante. Hoje, trabalham nas Minas pouco mais de 200 mineiros.
Mas a paisagem reflecte bem a grandeza da exploração.
Quem passa ao largo, mal percebe a dimensão da transformação da realidade e a sua projecção fantástica trazida, pelo cromatismo dos montes e das terras "lavradas", pela topografia da paisagem, pelo "ferro-tempo" envolvente, pelas vertentes baças do Zêzere (agora menos envenenado), pelos restos materiais da produção intensiva, pela diferença imposta ao mundo rural. José Saramago, na sua "Viagem a Portugal" olhou e pouco se deteve no lugar, como se o terror das imagens lhe tivessem tocado a alma. "As minas viram a terra do avesso. Talvez um dia as árvores emigrem para dentro das minas", escreveu ele, que na brevidade da sua passagem ainda deixou um retrato:"(...) de súbito, lhe aparecem, assomando por cima das elevações naturais, duas montanhas, cada qual com sua cor, cinzento e amarelo queimado, sem um fio de erva nelas, sem um galho de árvore, nem sequer uma rocha, destas que por todo o lado surgem e se inclinam sobre a estrada. São os montes de detritos das Minas da Panasqueira, apartados segundo a sua composição e cor, duas massas gigantescas que avançam sobre a paisagem e a comem por fora, na mesma proporção em que foi sendo roída a terra por dentro. Para quem não espera, o surgimento súbito destes montes causa um choque, sobretudo porque nada, à distância, os liga aos trabalhos da mina. É mais adiante, perto da povoação, que na encosta se vêem as entradas para o interior da montanha. Cá fora uma lama esbranquiçada, quase fluida, escorre para outra vertente. O viajante não entrará na mina, mas dela fica-lhe a imagem exterior de um inferno húmido e viscoso, onde os condenados vivem enterrados até aos joelhos. Não é certamente isto, não será melhor que isto(...)".
O universo das Minas da Panasqueira é farto em diversidades. A faina de mineiro é sempre dura. Mas as condições reflectem agora as novas tecnologias, que lentamente vão substituindo a mão humana. É um espaço único onde a riqueza em arqueologia industrial oferece infinitas potencialidades.
O antigo complexo da Lavraria, no Cabeço do Pião, desactivado em 1996, está agora a ser objecto da realização de um projecto de desenvolvimento integrado em que a preservação da memória e a arqueologia industrial, bem como a requalificação ambiental, são aspectos determinantes. Era, até há pouco, um espaço abandonado, onde os últimos residentes se moviam como fantasmas. Também aqui os sinais da mudança são evidentes. A esperança regressou. Já se ouvem, de novo, os pássaros a cantar.
CM-Covilhã

domingo, 3 de outubro de 2010

Marilyn oculta

En un texto confuso, junto a una lista de palabras ("problemas / nerviosismo / humanidad / disparates / errores / y mis propios pensamientos"), la actriz apunta: "(unas copas de más- de vez en cuando) / lo que tal vez quiere decir que no tuve tiempo de / comer durante el día y como socialmente el alcohol se acepta y seguramente previamente he / tenido que apresurarme- puedo sentir la necesidad de relajarme con unas copas de Jerez que / pueden hacer efecto demasiado deprisa / que quizá no habría disfrutado estando demasiado cansada y me ponen de pronto alegre y / simpática con las cosas y la gente a mi alrededor / esto claro se considera beber demasiado / y cuanto más lo pienso más me doy cuenta de que no hay respuestas la vida hay que vivirla".

El secreto de Marilyn

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Em Portugal é ao contrário!

"Las consolidaciones basadas en reducciones del gasto son menos dolorosas que las basadas en aumentos de impuestos". Esta es una de las conclusiones del informe 'Perspectivas Económicas Globales', elaborado por el Fondo Monetario Internacional (FMI) con un análisis del impacto de la consolidación fiscal de las economías avanzadas en el PIB y el desempleo de estas en los últimos 30 años.

El FMI advierte de que es menos 'doloroso' reducir el gasto que subir impuestos

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Blogue da Poppi

Este blogue pretende demonstrar que as mulheres não são meras donas de casa nem mães de família mas, que também conseguem ser desportistas...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Contrastes Regionais

A trilogia beirã contida na anterior divisão provincial - Beira Alta, Beira Baixa e Beira Litoral - ainda permanece bem viva no espírito de muitos portugueses, com a qual se mantêm identificados apesar de a nova divisão territorial do continente apenas estabelecer duas Beiras, a Litoral e a Interior. A redução resultou essencialmente da fragmentação da Beira Alta. A maior parte dos concelhos do distrito de Viseu passou a integrar a Beira Litoral, do mesmo modo que a quase totalidade dos restantes, pertencentes ao distrito da Guarda, foi associada à Beira Baixa, passando a constituir a Beira Interior.

Luciano Lourenço in "Guia Expresso de Portugal"
Docente do Instituto de Estudos Geográficos da Fac. de Letras da Universidade de Coimbra

sábado, 25 de setembro de 2010

Zapping

Cultura Ilustraciones



LIBRO Instantáneas de John Vachon

El verano del 53 de Marilyn

Una colección de más de 100 fotografías inéditas de la actriz se puede ver restauradas en el nuevo libro 'Marilyn: August 1953'.


Ciencia El lince perdido
El Mundo.es

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

de A a Z

¿Sabe lo que es un 'xuanicu' o una 'madreña'? ¿Ha probado alguna vez los 'oricios' y las 'fabes' con almejas? Para sacarle todo el partido a su próximo viaje a Asturias, aquí tiene un vocabulario imprescindible de la A a la Z.

Diccionario del amante de la gastronomía asturiana


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Os fantasmas da guerra

La belleza y la muerte. La grandeza del talento del ser humano y su degradación más absoluta. Los templos de Angkor y el legado de los Jemeres Rojos. Viajar a Camboya significa encontrarse frente a los dos extremos a los que puede llegar un ser humano.

A escolha é sua

Viajar a Birmania, uno de los países más hermosos del sudeste asiático y gobernado con mano de hierro por una dictadura militar desde 1962, se ha convertido en una suerte de dilema moral. Hay quien piensa que lo mejor es boicotear el turismo a Birmania, ya que los ingresos que se generan van a parar fundamentalmente a las arcas del gobierno que controla las principales empresas turísticas del país, prolongando así el sufrimiento de una población oprimida.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Cidades mais caras do mundo

Hay novedades en el ranking de las ciudades más caras del mundo. Entre los sospechosos habituales se han 'colado' algunas urbes africanas. Echa un vistazo a los 15 destinos donde quienes mejor viven son, sin duda, los millonarios. Leer »


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

"Así funciona un arma termonuclear"

Te dejamos en el post anterior entre un montón de esferas de metal tibio, con una bolsa de polvo blanco en las manos y un tipo de uniforme o bata blanca sujetando un termo de café pequeño en tu cara. Ya aprendiste la manera de hacer una bomba de fisión, como la de Nagasaki, o en general las primeras que ha realizado cualquier país.



domingo, 19 de setembro de 2010

A vida debaixo da terra

Reconstruimos aquí la vida de los mineros chilenos con los testimonios de sus familias. Su estremecedora historia ha dado la vuelta al mundo. Por un lado, la NASA y la tecnología más puntera del siglo XXI para rescatarlos. Por otro, 33 hombres a 700 metros bajo tierra desde hace mes y medio. Conectados, pero solos. Fuertes, pero con sus miedos.

Retrato, uno a uno, de los 33 mineros atrapados bajo tierra


Museu do escritor

Cualquier objeto, por 'simple' que parezca permite conocer más sobre la persona a la que ha pertenecido. A partir de esta premisa ha surgido la idea de 'Pequeño Museo del Escritor' que se ha inaugurado en el Centro de Arte Moderno de Madrid.

sábado, 18 de setembro de 2010

A palavra a quem a trabalha

"No entender do Governo e do maior partido da oposição está assim feita justiça para com todos os cidadãos portugueses. Quem utiliza paga. Mas quem é obrigado a utilizar paga também. E quem não utiliza paga na mesma."

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

"Hey Joe"

Cultura 40 años sin Hendrix

Raimundo Amador nos guía por la obra y la leyenda de uno de sus guitarristas favoritos e interpreta 'Red house'.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

La Ruta del Pimentón

La Ruta del Pimentón, enmarcada en la comarca de la Vera y regada por el río Tiétar, recorre las localidades de Madrigal de la Vera, Villanueva de la Vera, Valverde de la Vera, Losar de la Vera, Garganta la Olla, Jaraíz de la Vera, Jarandilla de la Vera, Cuacos de Yuste y Pasarón de la Vera.

La Ruta del Pimentón, un sabroso viaje

terça-feira, 14 de setembro de 2010

"Os tecelões do futuro"

1
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

2
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.


(Tecendo a Manhã -João Cabral)

sobre pessoas que marcaram e marcam nossa vidas,

"Há pessoas que nos falam e nem as escutamos,
há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam mas
há pessoas que simplesmente aparecem em nossa vida
e nos marcam para sempre"


(Pensamento - Cecília Meireles),

sobre a mágica presença de estrelas,

"Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas"


(Das Utopias - Mario Quintana)

sobre mestres inesquecíveis,

"(...) Ele me ensinou quase tudo o que sei: não só o tesouro oculto nas páginas de cada livro fechado, não só a maravilha de cada pequena ou grande descoberta, não só a comunhão com autores e leitores, mas a sabedoria da vida cotidiana."

"(...) Esse é o verdadeiro mestre: o que não castiga mas impele, o que não doutrina mas desperta a curiosidade e a acompanha, o que não impõe mas seduz, o que não quer ser modelo nem exemplo mas companheiro de jornada (...)"

(Lembro-me dele - Lia Luft)

CRE Centro de Referênia em Educação - Mário Covas

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O computador nunca substituirá o professor

"A alma de qualquer instituição de ensino é o professor. Por mais que se invista na equipagem das escolas, em laboratórios, bibliotecas, anfiteatros, quadras esportivas, piscinas, campos de futebol - sem negar a importância de todo esse instrumental -, tudo isso não se configura mais do que aspectos materiais se comparados ao papel e à importância do professor."
continua AQUI

domingo, 12 de setembro de 2010

"Reflexões sobre o ser professor: a construção de um professor intelectual"

Formar profissionais capazes de criar situações de aprendizagem deveria ser o eixo central da maior parte dos programas de formação inicial e continuada dos professores da pré-escola à universidade. Tal visão porém ainda está muito longe do verdadeiro sentido que se deve dar ao termo tornar-se professor.

Uma série de estudos sociológicos demonstram uma clara evolução das profissões: enfermeiros, assistentes sociais, jornalistas e ... professores. Assim, frente aos inúmeros desafios da transformação necessária dos sistemas educacionais o papel do professor deve evoluir de mero executante para o de profissional. continua AQUI

sábado, 11 de setembro de 2010

Na serra todos os relógios pararam, mas o mecanismo das horas não se deteve

"A gente se quiser até com os olhos vê."
Sr. André, Aldeia Velha

Na serra todos os relógios pararam, mas o mecanismo das horas não se deteve. A espiral do tempo arrastou-nos até ao fim do milénio.
Olhemos para trás antes de começar uma nova era.

O Passado

Do passado restam-nos apenas velhos objectos com as suas histórias cruzadas e algumas recordações numa gaveta qualquer. E no entanto, no recanto puro da memória, guardamos saudade a esses tempos que foram difíceis.

Alguém sabe que lembrança guardarão os nossos filhos destes dias desvairados que lhes damos a viver?

A nossa civilização chegou à sua última encruzilhada: agora, ou consumimos o que resta do planeta ou reciclamos quase todos os nossos hábitos e atitudes.

Olhemos de novo para trás, a colher os últimos ensinamentos, antes de nos aventurarmos para lá da curva da estrada.


O passado não é uma história de encantar. Houve miséria, por vezes fome; e aos filhos da Serra sempre coube, nas alturas da crise, o ingrato papel de espelho onde se reflectiam, ampliadas, as agruras e injustiças do Mundo
Mas a vida simples das gentes serranas encerra uma lição de harmonia, sóbria dignidade e utilização comedida dos recursos, que pode ser o ponto de partida para uma reflexão sobre as características mais perversas da nossa própria Sociedade de Consumo.

Reparemos, por exemplo, no modo como todos os utensílios eram remendados, reaproveitados ou reutilizados em novos contextos. Nada se desperdiçava ou deitava fora; não havia tanto lixo nem se acumulavam objectos supérfluos.

A Arte de Remendar

Cada utensílio era um bem raro, feito com suor do rosto ou comprado à custa de grandes sacrifícios; seria por isso normal que durasse uma vida.

Os sarrões, as gamelas e os funis remendados, a louça quebrada e depois reparada com gatos - estes objectos, depois de passarem de mão em mão, falam-nos agora de um tempo em que poupar era tão normal quanto, hoje em dia, gastar e consumir indiscriminadamente.

A Arte de Improvisar

Por vezes havia que improvisar, com grande dose de imaginação, os utensílios que faltavam ou as ferramentas a que a bolsa não chegava - um serrote, uma escumadeira, um fumigador, um funil, etc.

Assim se cumpria, com bastante mais eficiência do que nos dias de hoje, uma das principais leis do universo.

Objectos com Múltiplas Utilizações

A alenterna de ir regar o milho à noite era a mesma com que se aluminavam as casas; na panela de ferro em que se fazia comida do porco, coziam-se depois as farinheiras; o balde de transportar a vianda do animal também servia para tirar a água do poço; no banco onde se matava o bicho, se mandava sentar o padre pela Páscoa; a cesta onde se acartava esterco servia às vezes de berço a um filho recém-nascido; com a sertã de fritar as filhós faziam-se candeias de quatro torcidas, nos lagares; a gaveta da broa era usada como assento na cozinha; um garfo de ferreiro fazia também as vezes de palito e de arpão para as enguias; com uma bilha de carvoeiro se aquecia a cama no Inverno; numa mala de carpinteiro se guardavam os tarecos para emigrar; os gasómetros das minas também aluminavam as casas dos mineiros; no "cesto de romaria" se enviavam encomendas para Lisboa; a gamela da broa era a mesma da migadura para a sopa ou para as galinhas.

O Futuro

Terras de pão que só dão silvas; levadas atulhadas de cascalho; muros derrubados; portas que dão para casas vazias; telhados que caem para dentro; varandas que apodrecem, debruçadas sobre ruas desertas; pinheiros onde antes havia mato para gado; fogos; eucaliptos depois dos fogos; ribeiras secas; erosão - cresceu um enorme deserto nos escombros da nossa memória colectiva e paira sobre ele a recordação de tempos que foram difíceis.

Mas a Serra é um segredo bem guardado pelas suas gentes. O seu coração ainda bate em todos estes objectos e fotografias que balançam em frente aos nossos olhos. Há neles uma lógica que se esconde e revela, um jogo contraditório de sombras e de luzes; há, já não miséria, mas beleza e harmonia à espera do novo século que se aproxima.

Saberemos nós construir os alicerces desses dias futuros sobre as raízes sãs dos dias passados? As próximas gerações comerão o pão que nós amassarmos.
Dr.Paulo Ramalho, Tempos Difíceis - Tradição e Mudança na Serra do Açor

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

o resultado de X

El resultado de 'X' es de "alto contenido erótico, porno y arte sin vergüenza", como reza el texto del breve catálogo de una muestra que se inspira en cómo ven el sexo cuatro jóvenes artistas.

El arte del erotismo descarado


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Um desastre maciço

The devastating floods that have rolled through Pakistan for over a month now have left a disaster of massive scale in their wake.


The Big Picture - Pakistan in need

"El verano de nuestros lectores"

Nuestros lectores han enviado las imágenes más originales y divertidas de sus vacaciones.

Verano de los lectores

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Olhar o futuro

Tudo o que você pode esperar da tecnologia até 2030

Anónimo e universal

Lleva medio siglo vigilando las carreteras españolas por obra y gracia de la marca Osborne. No obstante, según confiesa Manuel Prieto, hijo del creador; 'los empresarios no lo quisieron en un principio al parecerles que anunciaban una ganadería no una bebida espirituosa'.

El toro de España, anónimo y universal


domingo, 5 de setembro de 2010

ETA - o comunicado

Ha transcurrido ya medio siglo desde que ETA organizara a los ciudadanos frente a la estrategia salvaje de negación y aniquilación del Pueblo Vasco y, con las armas en la mano, se empeñara en la lucha en favor de la libertad. Desde entonces, son cientos los hombres y mujeres que han traído a esta organización su ilusión y pasión, lo mejor de ellos mismos. Ciudadanos comunes que generación tras generación se han unido, desde diferentes procedencias, tras un mismo objetivo: el País Vasco y la libertad.

Comunicado íntegro


sábado, 4 de setembro de 2010

O Processo Carlos Cruz

"Na ausência em Portugal de um bom jornalismo jurídico e de investigação, as notícias que foram sendo divulgadas ao longo destes quase 8 anos nunca reflectiram nem a verdade do que se encontra no Processo nem o que se passou na fase de Instrução nem no Julgamento. As próprias violações do segredo de Justiça, em 2002 e 2003, foram todas cirurgicamente seleccionadas para criar na opinião pública a ideia da minha culpabilidade.

Calei-me durante todo o julgamento e, apenas quando me convenci de que o Tribunal já tinha uma decisão tomada, resolvi começar a aceitar pedidos de entrevistas e começar a colocar à disposição de todos tudo o que têm direito a saber.

Os Juízes julgam em nome do Povo e o Povo tem o direito de saber "o que está a ser julgado", "como está a ser julgado" e "por quem está a ser julgado"

Veja agora imagens que Portugal nunca viu, que estão no Processo e que foram gravadas pelo próprio Tribunal. São provas que decorrem de diligências requisitadas ao Tribunal pelas defesas dos arguidos."

Provas da Verdade - O Processo Carlos Cruz

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

entre Odeceixe e Sagres

Probablemente sea el trecho de litoral mejor conservado de toda Europa. Una ruta portuguesa de apenas 60 kilómetros que discurre entre Odeceixe y Sagres, con playas que resultan imprescindibles. Y esto es sólo una pequeña selección de lo que se puede encontrar.

Playas mágicas en la Costa Vicentina


Volta o outono

Vuelve el otoño, vuelven a desnudarse los árboles y con un poco de suerte (y lluvia) también regresan las setas. Los micólogos aguardan con impaciencia poder reemprender sus madrugones en busca de níscalos, chantarelas y hasta trompetas de los muertos. No parece un plan tan alocado si luego se ve recompensado por un sabroso salteado de setas.

Las trompetas de los muertos no matan


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Ramadão

Muslim men and women across the world are currently observing Ramadan, a month long celebration of self-purification and restraint. During Ramadan, the Muslim community fast, abstaining from food, drink, smoking and sex between sunrise and sunset.

Ramadan 2010 - The Big Picture


de Mopti a Tombuctú

Cuatro días navegando en aguas calmas, entre aldeas de casas bajas, hipopótamos que pastan en las orillas y mezquitas de barro que resguardan a los fieles del sol. Cuatro días en zig-zag, surcando un río que fue mito y aún hoy conserva todo aquello que fue. El Níger une África; son 4.180 kilómetros de andadura que nacen en Guinea, atraviesan Mali, Níger, Benin y Nigeria para desembocar en el Atlántico sur.

Remontando el río Níger: de Mopti a Tombuctú