sexta-feira, 21 de julho de 2006

Janeiro de Cima


Freguesia situada junto ao rio Zêzere, Janeiro de Cima dista 45 quilómetros da sede do concelho. Está localizada num dos extremos do município e confina com o concelho de Pampilhosa da Serra. Ocupa uma área de 11,92 quilómetros quadrados.
Há alguns anos, no “Boletim Municipal” do Fundão, lia-se sobre Janeiro de Cima: “Inserida na zona do Pinhal e banhada pelo rio Zêzere, é uma pequena e bonita povoação de difícil acesso, cujo principal encanto reside na permanência de um cariz primitivo de grande interesse e na paisagem que proporciona a quem dela se aproxima. Rodeada de cabeços nus e de alguns penhascos, torna-se difícil distinguir as serras propriamente ditas de entre uma grande profusão de colinas, lombas, barrancos, cabeços e valeiros, numa estranha sucessão de curvas suaves e graciosas, onde o rio e a montanha se unem”.
União foi o que existiu durante séculos entre Janeiro de Cima e Janeiro de Baixo, freguesia pertencente ao vizinho concelho de Pampilhosa da Serra. Estas duas freguesias andaram ligadas durante muito tempo e ambas fizeram parte integrante do mesmo concelho até aos meados do século XIX. A mais antiga é Janeiro de Baixo, que já existia ao tempo do arrolamento paroquial de 1320, aparecendo a sua igreja taxada em 80 libras. Esta freguesia viria a tornar-se um importante centro religioso de uma extensa área de aquém e além Zêzere, do qual por desagregações sucessivas se constituíram as freguesias de Janeiro de Cima, Bogas de Baixo e Orvalho.
Janeiro de Cima foi um curato anexo à vigairaria de Janeiro de Baixo e da apresentação do vigário. O cura, como o próprio escrevia nas “Memórias Paroquiais” de 1758, tinha “de renda todos os anos vinte e sete alqueires de pão, metade centeio e metade trigo, quinze almudes de vinho, dois alqueires de azeite, nove mil réis em dinheiro e o pé de altar”. A freguesia não tinha donatários, sendo da coroa, e fazia parte da comenda de S. Domingos de Janeiro de Baixo e Santa Maria da Covilhã.
Sobre a sua igreja, relatava o Pe. José Pereira: “tem quatro altares: o da capela-mor, aonde está colocada a Senhora da Assunção, e Santa Rita e o Santíssimo Sacramento; e os outros três é um do santo Cristo, outro de Santo Amaro, outro da Senhora do Rosário. E não tem mais do que a Irmandade das benditas Almas”. E continuava: Tem uma ermida do Divino Espírito Santo longe do dito lugar cinco ou seis tiros de uma bala, e pertence ao mesmo povo. Não acode a ela romagem em tempo algum do ano, só o mesmo povo costuma todos os anos em domingos desde a Páscoa e até ao dia do mesmo Espírito Santo fazer-lhe sua festa cantada a leigal, e no mesmo dia do Espírito Santo dar um bodo a quem se acha presente, que vem a ser dois bolos, quatro copos de vinho, dois covilhetes de tremoços”.
Notáveis são as diversas informações que fornece sobre o “rio desta terra”. A começar pelo nome do mesmo, que faz derivar de Júlio César, por este general romano “ter habitado” ou acampado nalgum ponto estratégico do rio. Também “é certo que em algum tempo se tirou ouro ou outros metais de suas areias e voltas deste rio, e a razão é por ainda se conhecerem as levadas que vêm do mesmo rio por penhas e terras fragosas mais de duas léguas e estarem muitos sítios cavados e demolidos, as quais minas dizem alguns que foram feitas pelos mouros, outros dizem que pelos romanos, e ainda no tempo presente costumam algumas pessoas tirar fagulhas de ouro do mesmo rio, digo, de suas areias”.
Janeiro de Cima tem nos últimos tempos exercido uma grande atracção turística. Um dos principais pólos de interesse é a sua arquitectura típica com ruas muito estreitas, calcetadas com pedras do rio. Conservam-se ainda muitas casas de pedra nua, sem reboco.
O outro forte atractivo desta terra gira em torno de velhas tradições que vai mantendo, especialmente as relacionadas com a preparação do linho. Tradição multissecular destas gentes, a cultura do linho encontra-se novamente bem viva, depois de um longo período de adormecimento. Assim, o linho voltou a ser amaçado, tascado, assedado, estripado, fiado, dobado, corado, enovelado, pesado, urdido e tecido para dar origem a lindíssimas colchas e outras peças de linho. Mas, muito mais há para descobrir por parte de quem se deslocar a Janeiro de Cima e, como alguém disse, puder “aproveitar, enquanto é tempo, os arquivos vivos, autênticos e fidedignos, depositários deste tesouro simples e rústico, natural e verdadeiro, profundo e surpreendente que é a nossa aldeia entre o pinhal e o rio”. Uma aldeia onde ainda há pouco os moradores usavam “barca de passagem” para atravessar o rio. Uma aldeia onde, a cada passo, deparamos com saudações como “Bom dia, Deus te guarde” e “A paz do Senhor seja contigo”.


Actividades económicas: Agricultura, apicultura, pecuária, serralharia civil, construção civil, carpintaria, mobiliário, panificação, comércio e serviços

Festas e Romarias: S. Sebastião (20 de Janeiro), Senhora da Saúde (Maio - móvel), Divino Espírito Santo (Junho - móvel), Senhora do Livramento (domingo seguinte a 15 de Agosto) e Senhora da Assunção (15 de Agosto)


Património: Igrejas matriz (nova e antiga), Capelas de N. S. do Livramento, do Divino Espírito Santo e Martir S. Sebastião,Cruzeiro e diversas Alminhas

Outros Locais: Praia fluvial natural e parque de merendas na margem do rio Zêzere, lugares do Alto da Quinta e Peixoto, Cabeço de S. Sebastião com o seu bosque e parque de merendas


Gastronomia: Maranhos, cabrito estufado, bogas, bordais, percas e trutas.

Artesanato: Tratamento e tecelagem do linho, toalhas, passadeiras, mantas, rendas e bordados regionais

Colectividades: Clube Desportivo “Tigres do Zêzere”, Assoc. do Emigrante e Rancho Folclórico Juvenil de Janeiro de Cima


Orago: N. Sra. da Assunção

(ANAFRE / em movimento pelas freguesias)
Foto http://perso.orange.fr/janeirodecima/images/jdc/Vista_JCbis.jpg

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Terras do Xisto - Janeiro de Cima

Ruas de Janeiro de Cima, casas. Ao fundo o varandim do Bar O Passadiço
http://perso.orange.fr/janeirodecima/images/fotos/uma_rua_jc.JPG

viagem pelas paisagens das Minas da Panasqueira, através do olhar do fotógrafo João Margalha

As minhas imagens procuram reflectir sobre os lugares da transformação, paisagens criadas ou modificadas pela acção do homem. Sempre dependemos da natureza para melhorar os nossos padrões de vida. No entanto colocamos em risco o equilíbrio de uma parte importante dos sistemas naturais e da nossa própria sociedade. Os actuais modos de produção e consumo determinam uma crescente e ineficiente utilização de recursos e energia. Assistimos a uma progressiva transformação e artificialização do território.
Com as imagens que crio pretendo representar as contradições da sociedade contemporânea. Modernidade e obsolescência; fascínio e medo; qualidade de vida e degradação ambiental. Assinalar o contraste e a complementaridade do natural e do artificial, “extrair” objectos do seu contexto e revelar coisas comuns escondidas pelo quotidiano, são outras das minhas pesquisas.
Procuro que o meu trabalho fotográfico seja uma extensão do que sou, das minhas preocupações e do meu modo de ver o mundo. As minhas origens e o meu trajecto de vida e profissional podem explicar em parte a atenção que dedico aos modos de utilização e transformação do território e às suas implicações ambientais e sociais.
As Minas da Panasqueira, objecto do presente trabalho, são uma das maiores áreas de extracção de volfrâmio da Europa, com cerca de 3.000 quilómetros de galerias. Durante muitos anos deram a muitas pessoas um modo de vida e a muitas outras um maior conforto, tendo chegado a empregar mais de 10.000 pessoas no período da 2ª Guerra Mundial. Tiraram também a vida a outras pessoas e degradaram uma parte do rio Zêzere. Actualmente poucos lhe dão atenção mas muitos têm beneficiado da sua existência. Uma parte das instalações estão desactivadas, mas continua por resolver o destino das enormes escombreiras.


João Margalha

De Lisboa a Janeiro de Cima



...Que linda aldeia é Janeiro de Cima! Ainda tem casas de boa traça, com belas pedras que rolaram no rio ao longo de séculos. E vá lá que não deitaram abaixo a igreja velha, construção com certa nobreza, mas a caminho de ruínas. O prior que deixou fazer, se calhar até promoveu, o novo templo, bem pode limpar as mãos à parede. Não é que a igreja nova seja feia. Nem bonita. É igual a centenas, milhares delas, que invadiram as aldeias católicas de quase toda a Europa. Vá lá que às vezes ainda se respeitaram os velhos santinhos.
Nuno Jorge JF 16/06/95

sonhos perdidos

A beleza natural da Barragem de Santa Luzia, associado ao sossego da paisagem rural, eram os atractivos utilizados para a promoção de um centro turístico para as Minas da Panasqueira. Com a concretização deste projecto, da responsabilidade de um grupo luso-belga, podia nascer uma nova luz ao fundo do túnel daquela região que estava mergulhada numa crise socioeconómica. Jorge Patrão, actual presidente da RTSE e na altura vereador da Câmara da Covilhã, empenhou-se na divulgação daquele centro turístico que, por enquanto, está longe de vir a ser uma realidade.

Um ano depois da crise nas Minas da Panasqueira, em 1994, uma nova esperança surge para a região. Os jornais noticiavam que estava projectado um centro turístico para rentabilizar as condições naturais de uma vertente da Serra da Estrela ainda por explorar. O anúncio era feito por Jorge Patrão, o actual presidente da RTSE e, na altura, vereador na Câmara da Covilhã. Convicto do sucesso do projecto da responsabilidade de um grupo luso-belga, o autarca não teve mesmo pejo em dizer que este empreendimento ía ser uma «pedrada no charco na realidade socioeconómica que se vive na região».

A ideia deste projecto turístico teria surgido de um empresário português radicado na Bélgica e natural do couto mineiro. Como na altura noticiava o «Público», pretendia-se, assim, rentabilizar as condições naturais de uma vertente da Serra da Estrela, assim como a área envolvente da barragem de Santa Luzia. O grupo pretendia igualmente aproveitar alguns imóveis da Beralt para instalar as infra-estruturas e disponibilizar apartamentos para arrendamento ou venda a famílias que desejem passar férias em Portugal. Na região poderia ainda vir a ser construído um museu das minas. Para o arranque do projecto, foram iniciados contactos com a Beraltin.

Contactado pelo TB, Correia de Sá, administrador da empresa mineira, confirmou que chegaram mesmo a ser vendidas «uma grande parte das casas da Panasqueira, a preços relativamente baixos. As cerca de cinquenta casas não chegaram a atingir a soma de dois mil contos». Algumas chegaram mesmo a ser adquiridas por belgas. Desta forma a Beraltin pretendia colaborar, «na medida do possível, com o desenvolvimento turístico da região».

Os cartazes que na altura foram colocados em vários locais da freguesia, pelo grupo luso-belga, anunciando a venda de uma variedade de casas, era oferecida a «possibilidade de desportos náuticos: barcos de recreio, motonáutica, vela, ski, surf». Como se não bastasse para convencer, era referido que o empreendimento, que «ficaria a 12 quilómetros do rio» e «a 18 quilómetros da Barragem de Santa Luzia.», tinha «todo o esplendor e sossego da paisagem rural». No fundo, este era «o local ideal para as férias merecidas!».

Grupo luso-belga admite não haver «nada de concreto»

Desconhecendo tudo o que se estava a passar, o então presidente da Junta de Freguesia de S. Jorge da Beira, José Alves Pacheco, deslocou-se à Câmara da Covilhã para obter informações detalhadas sobre o complexo turístico divulgado por Jorge Patrão mas pouco mais ficou a saber. O vereador ter-lhe-á mesmo dito que «não estava autorizado a falar desse empreendimento, uma vez que estava no maior sigilo», salientou o autarca no decorrer de uma reunião da Assembleia Municipal da Covilhã, realizada em finais de 1994.

Prosseguindo a sua intervenção, José Alves Pacheco acrescentou que só depois de se dirigir à empresa Beraltin foi finalmente informado do que se estava a passar. Mas as dúvidas persistiram e ainda hoje continua céptico quanto à concretização deste aldeamento turístico.

O TB já conseguiu saber junto da administração da empresa responsável pelo projecto, que «nunca houve qualquer intenção de pôr de lado o presidente da Junta de Freguesia de S. Jorge da Beira». Esse contacto não veio a verificar-se porque, argumenta um dos responsáveis do grupo luso-belga, «as coisas não correram como esperávamos» e, para além disso, «ainda não havia, tal como hoje, nada de concreto quanto ao projecto turístico».

Este viria a ser, aliás, o motivo que levou a empresa «a recusar o pedido de Jorge Patrão para marcar uma conferência de imprensa para divulgar o projecto». Curiosamente, o então vereador da Câmara da Covilhã e actualmente presidente da Região de Turismo da Serra da Estrela, assim não entendeu e decidiu ele anunciar aos quatro ventos a boa nova e, segundo noticiou na altura o Notícias da Covilhã, a assumir mesmo que «o projecto estava com grandes avanços, faltando apenas a assinatura das escrituras».

O que é certo é que, passados quase quatro anos, tudo ainda não passou de meras intenções. Um dos administradores já confirmou ao TB que «neste momento» não vão avançar porque «ainda não conseguiram os apoios necessários para o projecto desejado». Não se poderá, no entanto, falar de desistência. Tanto que, salientou, continuam a promover o projecto «lá fora» e a ser «desenvolvidos alguns contactos para poder avançar».

Em declarações ao TB, Jorge Patrão rejeita que se tenha envolvido em demasia neste «projecto», argumentando que «é preciso não esquecer que se estava a viver uma altura muito difícil naquela região e era preciso dar alguma motivação para o futuro». E como o grupo luso-belga tinha intenção de «promover a venda e a recuperação das casas da aldeia», o recém eleito presidente da RTSE considerou que era necessário «acarinhar aqueles que mostravam vontade em remar contra a maré e promover algum tipo de investimento numa zona que estava totalmente carenciada». Jorge Patrão entendeu também que não devia manter em segredo tudo isto e achou por bem divulgar o projecto que hoje não passa ainda de um «sonho» de alguns.

Diferente sorte para as minas

Diferente futuro parece terem as minas da Panasqueira. Cem anos depois do início da sua laboração, apresentam hoje uma situação, considerada pelo administrador da empresa, Correia de Sá, de «normal». A crise em que esteve envolvida entre 1993 e 1995 parece estar ultrapassada. Emprega actualmente cerca de 250 trabalhadores e todos os meses são extraídos 170 toneladas de concentrado de volfrâmio.

A boa situação da empresa levou já a administração a fazer investimentos, nomeadamente a construção de uma nova lavaria, abertura do terceiro nível de extracção e a construção de um novo poço, garantindo mais dez anos de vida da mina.

Desconhece-se quem terá descoberto as minas da Panasqueira, sabendo-se que há registos de exploração mineira naquela zona durante a ocupação romana. Mas o registo da mina teria sido feita apenas a 15 de Abril de 1886, na Câmara Municipal da Covilhã, por Manuel dos Santos e Boaventura Borrel, que seriam mesmo reconhecidos como tendo sido os descobridores do volfrâmio da Panasqueira. Em 1894, o próprio rei D. Carlos I de Bragança concendia o alvará.

Dezasseis anos depois, a mina viria a ser arrendada a uma empresa inglesa, a Wolfram Mining and Smelting Company, que mais tarde se viria a fundir na Baralt Tin Limited.

Os anos de crise começaram a partir de 1928 e, desde então, as lutas foram-se sucedendo. Até que, em Janeiro de 1993, a empresa paralisa, alegadamente por haver dificuldades no escoamento do produto. Mas, passados dois anos, a exploração volta a estar em expansão. Adiado está a concretização do sonho de um dia surgir ali muito próximo um centro turístico. A continuar assim será mais a juntar-se ao que uma empresa norte-americana projectou, há alguns anos atrás, para a albufeira da Barragem de Santa Luzia. Por agora, aldeamentos, estalagem, restaurantes, campos de ténis, clube náutico, marina... tudo não passou de um «sonho americano».

Gustavo Brás
Terras da Beira

quarta-feira, 19 de julho de 2006

Lugares

As minhas imagens procuram reflectir sobre os lugares da transformação, paisagens criadas ou modificadas pela acção do homem.
da Apresentação
Casas, Barroca Grande, 2004
Fotografia de João Margalha

Casa da Pedra Rolada






Casa de Janeiro

Casa da Pedra Rolada - Rua do Jogo da Bola, 6185 Janeiro de Cima
Telefone: +351 969 339 830
e-mail: reservas@casadejaneiro.com

FIADO Restaurante

Janeiro de Cima - Fundão
envie-nos o seu comentário

fiado@fiado.eu

da "Apresentação"

Sempre dependemos da natureza para melhorar os nossos padrões de vida. No entanto colocamos em risco o equilíbrio de uma parte importante dos sistemas naturais e da nossa própria sociedade. Os actuais modos de produção e consumo determinam uma crescente e ineficiente utilização de recursos e energia. Assistimos a uma progressiva transformação e artificialização do território.
João Margalha

terça-feira, 18 de julho de 2006

Save the Lebanese Civilians Petition


Via o sexo dos anjos Um blogue destro em tempos sinistros para:

To The Concerned Citizen of The World:

"Killing innocent civilians is NOT an act of self-defense. Destroying a sovereign nation is NOT a measured response."

Save the lebanese civilians

Igualdade para as mulheres!

Roubado no Angola em Fotos

A formação de Janeiro de Cima

Por volta do século XVI, XVII, (desconhece-se a data precisa), um senhor, talvez nobre, possuidor de grandes bens e terras nas duas margens do rio Zêzere, resolveu ao morrer, legar os seus bens aos dois filhos de nome januários, entregou a um, as terras da margens direita do rio, ao outro, as da margem esquerda, assim nasceu Janeiro de Cima, na margem esquerda e Janeiro de Baixo na margem direita.
A formação de Janeiro de Cima não começou no local onde hoje se encontra. A primeira pedra foi lançada numa pequena elevação ainda hoje chamada esmouroços, local onde construiram a sua primeira igreja, uma capela em honra do Divino Espírito Santo. No entanto, e segundo reza a lenda, nos esmouroços as formigas eram muitas e atacavam os berços das crianças, principalmente no verão. Foi então que os antigos, que eram muito sabidos, decidiram soltar os muitos animais que possuiam (burros e vacas) por uma noite e no local onde esses animais fossem pernoitar construiriam eles as suas casas, a sua nova morada. Ora esses animais apareceram ao amanhacer num pequeno vale denominado cabeço do vale, onde se construíram as primeiras casas feitas de gogos de quartzite amarela tiradas do rio, entremeadas com xisto negro e argamassadas com barro da região.
União foi o que existiu durante séculos entre Janeiro de Cima e Janeiro de Baixo, freguesia pertencente ao concelho vizinho da pampilhosa da serra. Estas duas freguesias andaram ligadas durante muito tempo e ambas fizeram parte integrante do mesmo concelho, até meados do séc. XIX. A mais antiga é Janeiro de Baixo, que já existia ao tempo do arrolamento paroquial de 1320. Esta freguesia viria a tornar-se um importante centro religioso de uma extensa área de aquém e além Zêzere, do qual por desagregações sucessivas se constituíram as freguesias de Janeiro de Cima, Bogas de Baixo e Orvalho.
Janeiro de Cima foi um curato anexo à vigairaria de Janeiro de Baixo e da apresentação do vigário. O cura, como o próprio escrevia nas memórias paroquiais de 1758, tinha de "renda todos os anos vinte e sete alqueires de pão, metade centeio e metade trigo, quinze almudes de vinho, dois alqueires de azeite, nove mil réis em dinheiro e o pé de altar".
A freguesia não tinha donatários, sendo da coroa, e fazia parte da comenda de S. Domingos de Janeiro de Baixo, e Santa Maria da Covilhã.
Notáveis são as diversas informações que fornece sobre o "rio desta terra". A começar pelo nome do mesmo que faz derivar de Júlio César, por este general romano "ter habitado" ou acampado nalgum ponto estratégico do rio. Também "é certo que em algum tempo se tirou ouro e outros metais de suas areias e voltas deste rio, e a razão é por ainda se conhecerem as levadas que vêm do mesmo rio por penhas e terras fragosas mais de duas léguas e estarem muitos sítios cavados e demolidos, as quais minas dizem alguns que foram feitas pelos mouros, outros dizem que pelos romanos, e ainda em tempo presente costumam algumas pessoas tirar fagulhas de ouro do mesmo rio, digo, de suas areias".

eb1-Janeiro de Cima

Fiado

Restaurante FIADO de Leonel Barata na Rua Espírito Santo n.º10 Telef. 938938803 - 914863230 - Janeiro de Cima.

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Terras do Xisto - Janeiro de Cima

Volto à estrada, para Janeiro de Cima e só irei parar na Sarnadela para respirar o ar mais puro que há no mundo. O viajante gosta de natureza pura mas ficava aqui muito bem um miradouro. Frente a frente com o aguilhão, aquele pedaço de terra transformado em indústria de extracção de areias. Quem dera aos pescadores, de algum dia, este lago da míni hídrica para dar largas às suas pescarias. Conheci um desses pescadores que manobrava as tarrafas como ninguém, fazia ele próprio esses artefactos. Um dia perguntei como aprendeu o Sr. Joaquim Martins, a arte da construção das tarrafas. — Isso é uma história muito triste para mim, um dia o guarda-rios agarrou-me aos peixes, como o meu pai não tinha dinheiro para pagar a multa fiquei um mês na cadeia da Pampilhosa da Serra e aprendi lá, com outro preso, que sabia fazer estas tarrafas.

Bom é uma história triste mas dá para pensar nas leis e nos rios. Não encontro maneira de dizer que nasci aqui, a ouvir a música que o rio canta mais alto no açude da Quinta do Canal.
Mais tarde segui as pedras que o rio traz até ao recreio da escola de Janeiro de Cima. Ai, os meninos do meu tempo ensinaram-me o jogo do fito. Nesse jogo tudo é xisto e pontaria. Aprendem cedo a brincar com pedras os meninos de Janeiro de Cima. Na descida dos Carritos, lanço o olhar ao vale do Zêzere. Lá ao longe a serra mãe, Serra da Estrela. Só lhe viro as costas para mergulhar na rua da volta. Este anel de casas em volta da igreja velha, foi salva a velha igreja pela iniciativa de um pequeno grupo, ao qual se juntou mais tarde toda a população. Esta aliança do velho com o novo torna esta aldeia a jóia, das jóias do xisto.


Hoje Janeiro de Cima impôs-se como uma jóia. Para isso foi determinante a contribuição dos técnicos do Gabinete Técnico Local. Das aldeias no concelho do Fundão. Desenvolve um trabalho único de classificação, projectando a recuperação do casario destas aldeias. Tenho o prazer de acompanhar alguns desses técnicos em algumas acções. Sinto que só com uma vontade imperturbável, a energia estampada no rosto da Arq. Ana Cunha, para referir um nome. Se pode lutar na defesa e contra alguma incompreensão por vezes chocante dos próprios interessados. É que aqui os técnicos são confrontados com uma luta desigual, precisam de inovar com opções técnicas novas adaptadas ao património existente. Alargar largos e ruas. Convencendo quem determina a obra; os proprietários.


Já não tange a guitarra o Sr. António Almeida. Mais uns meses e fazia os cem anos de vida. Imortalizou a sua música, o musicólogo Dr. José Alberto Morais Sardinha, ao incluir na colectânea de música popular “Portugal Raízes Musicais”, duas cantigas do saudoso António Almeida Brito Cardoso. Em boa hora o viajante o denunciou ao Dr. Sardinha. No dia 20 de Janeiro de cada ano, sobe este povo e convidados ao alto do cabeço de São Sebastião, para se cumprir a tradição de dar pão e vinho, a quem ali vier. Depois da missa na aldeia os mordomos carregam os sacos de pão até ao alto do monte, sempre a subir. O autor destas linhas já isso fez. Teve a honra de transportar um saco de linho cheio de merendas. Pois os meus pais apesar de não viverem na freguesia há muitos anos, os outros mordomos têm a amabilidade de nos convidar, a dar as merendas quando chega a nossa vez.
Em tempos a tradição era outra: segundo o cura, Joseph Pereyra. Maio de 1758. ─ No dia do espírito santo há festa cantada, dá-se um bodo a quem se acha presente, que vem a ser dois bolos, e quatro copos de vinho, duas cuvetes de tremoços.


Que encanto terá tido o professor Agostinho da Silva, por Janeiro de Cima? um dos maiores pensadores portugueses, percorreu o mundo, fundou universidades no Brasil. De seu nome completo Jorge Agostinho Batista da silva, nasceu no Porto em 1906, sabe-se que visitava Janeiro de Cima, e fez por cá amizade.


Gosta o viajante de dar a volta ao cabeço do mártir S. Sebastião. Está convencido de que este cabeço foi desbastado pela milenar exploração mineira dos romanos; toda a aldeia está sobre essa exploração. Ir à Folha de Cima e visitar a Horta das Covas, tirar água com uma das picotas, já o fez sem que o dono o visse. O dono da horta Sr. Américo, é mestre na arte da pedra e esta horta é prova disso mesmo, um lugar fantástico. Apetece dar duas varadas na barca serrana, ali na praia fluvial. Esta barca feita cá na terra, o mestre Eduardo Gil, já não precisa de montar estaleiro como antigamente que a construção de um barco destes era obra de meses, tudo era pensado a tempo de seleccionar parte das madeiras ainda na árvore, é que não se faz um Galaripo de um pau qualquer.


Terras do Xisto
“Apontamentos do viajante” D.B.Gonçalves

"Prender" as pessoas à terra

A ideia é preservar as casas que ainda restam dos antepassados

Janeiro de Cima

A arte de recuperar o xisto

domingo, 16 de julho de 2006

a arte de trabalhar o xisto


Dois formadores ensinam como se trabalha o xisto

São de Janeiro de Cima, concelho do Fundão, e têm sido solicitados para dar formação profissional em xisto um pouco por todo o pais. Muitos são os que têm aprendido com eles um saber antigo

Fomos encontrar os protagonistas desta reportagem com, claro, as mãos a trabalhar o xisto. Até porque desde que optaram por se especializar nesta arte, muito do seu tempo é gasto no trabalhar desta pedra.

Vitor Corte, de 35 anos, e Antonio Silva, de 38 anos, são dois pedreiros de Janeiro de Cima, concelho do Fundão, e detentores de um curso de formação de formadores que lhes permite dar aulas de formação profissional na arte de trabalhar o xisto. São os ùnicos, formadores desta aréa, numa região onde o xisto foi a matéria‑prima de excelência para a construção de habitações durante largos perìodos de tempo. Depois, o cimento e os tijolos substituìram o barra e as lajes de xisto e as aldeias foram adquirindo uma outra configuração, talvez mais moderna, mas não mais bonita.

Porém, hoje, esta antiga técnica de construir com xisto està novamente a conhecer algum desenvolvimento quer devido a iniciativas particulares em construir casas tipicas para habitação pròpria, quer de acções de reabilitação, decorrentes do "Plano das Aldeias do Xisto", que contempla 23 aldeias de 13 concelhos do Pinhal Interior. Formar pedreiros na arte de trabalhar o xisto é uma das tarefas que estes dois pedreiros desempenham e as solicitações não têm faltado para darem aulas de formação um pouco por todo o pais. De resto, Vitor Corte està a dar aulas de formação todas as sextas‑feiras em Pedrògão Pequeno (Sertã) até ao dia 18 de Junho. O formador nas artes de construir com xisto revela que esta paixão surgiu "pelo gosto por este material e também para manter a tradição que hà aqui em Janeiro de Cima". A técnica de trabalhar o xisto aprendeu‑a "com pessoas de mais idade. Também fomos tomando conhecimento de outras técnicas que não eram utilizadas antigamente. Depois transportamos algumas técnicas antigas para os dias de hoje. Por exemplo, a mistura do cimento com o barro. Antigamente era sò o barro e o xisto", refere.

O trabalho com os velhos mestres determinou o apuramento da técnica e deu‑Ihes bases sòlidas para aliar os modernos materiais de construção com o saber secular de construir casas em xisto. O resultado é que, depois de aperfeiçoada a técnica de trabalhar o xisto, esta dupla teve a iniciativa de se inscrever numa acçào de formação para formadores e conseguiram ver a sua vertente de trabalho ser validada para âmbito de formação ao tirarem o curso de formação de formadores, através da associação Pinus Verde, nesta vertente considerada inédita.

"Agora temos um bocadinho de trabalho. Somos solicitados para dar formação au nivel das aldeias onde se fazem cursos nesta àrea. Jà estivemos em Miranda do Corvo, Lousã, Pedrògão...", diz Vitor Corte. Uma opinião partilhada por Antonio Silva, que adianta que "estamos jà a especializar pessoas nesta àrea, pessoas que não percebiam nada do assunto e que agora jà conseguem fazer algumas coisas na àrea do xisto".

No ramo, são os ùnicos que desempenham estas função de formadores nas artes do xisto, dizendo que "estamos inscritos na bolsa nacional de formadores e onde jà se constou que jà tentaram arranjar alguém para dar outros cursos, mas não conseguiram, por não haver ninguém ligado a esta àrea''.

Fruto desta "raridade", os dois pedreiros, podem ver a considerar a dedicação exclusiva à formação: " se chegàssemos ao ponto de termos muitas solicitações, deixàvamos a contrução e dedicàvamo‑nos sò a isto. Mas sò se valesse a pena, claro", diz Antònio Silva.

Por enquanto ainda não se podem dar ao luxo de deixar os seus empregos na construção civil. Dizem que o dinheiro que ganham com a formação não lhes permite, por ora, pôr, sequer, tal hipòtese.

Eles são pedreiros, tal como a grande maioria dos formandos, o que torna a acção de transmissão de conhecimentos muito mais simples, pois a linguagem e a experiência permitem a aproximação. O trahalho desenvolvido por estes profissionais vai sair enriquecido e contribuir, assim, para a beneficiação do patrimònio das aldeias. E, disso tivemos exemplo numa visita a alguns dos trabalhos de recuperação que foram feitos em Janeiro de Cima, com a decisiva ajuda destes dois pedreiros, cujas fotos acima publicadas dão testemunho.


Autor Nuno Francisco - JF n°3010

sexta-feira, 14 de julho de 2006

"Comunicar é preciso"

Estamos na era da comunicação. Aí estão a afirmá-lo nas auto-estradas da informática que permitem aos humanos comunicar a toda a velocidade a nível global. Aí está a afirmá-lo o “projecto Galileu que permitirá no futuro localizar qualquer pessoa em qualquer parte do Mundo, com um erro inferior a um metro. Faz-se questão em afirmar que o projecto tem fins civis e não militares! Aí está a afirmá-lo o facto de em Portugal há praticamente tantos telemóveis, quantos os habitantes, coisa que não acontecia há vinte anos quando entrámos na Comunidade Europeia, em que este artefacto era um objecto desconhecido dos portugueses.

Alguém me contou que na noite da Consoada de determinada família, às tantas toda a gente deixou de falar e comunicar com quem estava ao seu lado, para fazer parte do grupo que pelo telemóvel mandava as tais milhões de mensagens, que enriquecem as empresas de telemóveis; foi preciso uma criança pequena, a única que ainda não tinha este aparelho, começar a berrar por ninguém lhe dar atenção, para todas se lembrarem que afinal foram para ali comunicarem uns com os outros em família.

As empresas que então ligadas a esta comunicação electrónica estão fora da crise, e há uma que até se dá ao luxo de utilizar o hino nacional na sua publicidade… Vão atirando novas gerações de telemóveis, novos serviços, novas propostas de utilização para sua fortuna. Depois vem o reverso da medalha que são as escutas telefónicas. O Presidente dos Estados Unidos aparece a fazer escutas ilegais para se defender do terrorismo. Em Portugal o Ministério Público é acusado de pôr inúmeros telefones sob escuta. Depois há as fugas de informação que acabam por ir parar aos jornais e televisões. Há ainda a pirataria informática, a pornografia infantil que circula pelas internetes, os fabricantes de vírus que não param de atrapalhar… Há ainda os telemóveis que toca, continuadamente nos sítios menos convenientes: igreja, congressos, aulas ou conferências… O pior de tudo é que nesta era da comunicação continua a haver muitos casais que se divorciam porque não conseguem comunicar e dialogar entre si. Há ainda o insucesso escolar que é explicado pela falta de comunicação entre professores e alunos, apesar de as escolas estarem quase todas equipadas com internete. Há o fosso entre gerações que se agrava por não se conseguir a comunicação entre pais e filhos, entre jovens adultos. Há até os namorados que não sabem comunicar por outra linguagem que não seja a de procura de sensações, “curtir” com eles dizem, o que impede qualquer compromisso sério e definitivo. Comunica-se muito à distância por palavras e sinais electrónicos, mas a comunicação pessoal dos corações, das vidas, essa que pode fazer um futuro melhor, revela-se cada vez mais difícil e rara. É preciso cultivá-la.


Autor: A.D. 05-01-2006 Ideias e Factos Jornal Reconquista

quinta-feira, 13 de julho de 2006

Leitura

Palavras que interessam - Todo o Arquivo do hoje há conquilhas, amanhã não sabemos

Onde fica a banda??

..."Não importa se vens da Tuga, USA, da South ou do Brasil... A banda sente-se ali naquele tapete rolante do Aeroporto 4 de Fevereiro, quando vamos pegar as malas e encontramos a mistura de passageiros e bagagens entre Lisboa/Luanda e Kinshasa/Luanda, ou de Johannesburg/Luanda e Ponta Negra/Luanda, tremenda confusão e de repente uma gostosa falha de energia na sala de desembarque. Sente-se na neblina de poeira naquela comprida avenida que sai do aeroporto até ao Largo da Maianga, onde nos cruzamos com um Hiace azul e branco e um Hammer H2 amarelo ao mesmo tempo. Sente-se nos ambulantes que te batem no vidro com a dica «cota temos todas as novidades, é só escolher» ou «tio olha o cheirinho pro boter, esse é mesmo do puro», no engarrafamento provocado pela nova onda da construção das pontes ou túneis, como alguns dizem...ANGOLA - Da Utopia para a Realidade- "Desabafos Angolanos"

acerca da Sra Ministra das Actividades Lúdicas

"Enquanto o ministério da educação não levar a volta urgente que necessita, não há ensino que resista. O "eduquês" foi imposto nas escola públicas portuguesas pelos auto denominados "especialistas" da educação com o total concluío do ministério da educação (até o nome do ministério diz alguma coisa...)!! E os resultados estão à vista de toda a gente, são gerações inteiras de jovens incapazes de interpretar um texto, de escrever um parágrafo e de realizar operações aritméticas simples! A Sra Ministra das Actividades Lúdicas, Entretenimento e Guarda de Crianças e Jovens, mais conhecida por Ministra da Educação que realize um exame na 4ª Classe e que torne os resultados públicos. Acho que os portugueses têm o direito de saber a verdade...!

Seis em cada dez alunos do 9º ano tiveram negativa a Matemática
comentários dos leitores
PÚBLICO

quarta-feira, 12 de julho de 2006

Contra a união civil homossexual

Documento da "CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. CONSIDERAÇÕES SOBRE OS PROJETOS DE RECONHECIMENTO LEGAL DAS UNIÕES ENTRE PESSOAS HOMOSSEXUAIS" na íntegra.

INTRODUÇÃO
1. Diversas questões relativas à homossexualidade foram recentemente tratadas várias vezes pelo Santo Padre João Paulo II e pelos competentes Dicastérios da Santa Sé.(1) Trata-se, com efeito, de um fenómeno moral e social preocupante, inclusive nos Países onde ainda não se tornou relevante sob o ponto de vista do ordenamento jurídico. A preocupação é, todavia, maior nos Países que já concederam ou se propõem conceder reconhecimento legal às uniões homossexuais, alargando-o, em certos casos, mesmo à habilitação para adoptar filhos. As presentes Considerações não contêm elementos doutrinais novos; entendem apenas recordar os pontos essenciais sobre o referido problema e fornecer algumas argumentações de carácter racional, que possam ajudar os Bispos a formular intervenções mais específicas, de acordo com as situações particulares das diferentes regiões do mundo: intervenções destinadas a proteger e promover a dignidade do matrimónio, fundamento da família, e a solidez da sociedade, de que essa instituição é parte constitutiva. Têm ainda por fim iluminar a actividade dos políticos católicos, a quem se indicam as linhas de comportamento coerentes com a consciência cristã, quando tiverem de se confrontar com projectos de lei relativos a este problema.(2) Tratando-se de uma matéria que diz respeito à lei moral natural, as seguintes argumentações são propostas não só aos crentes, mas a todos os que estão empenhados na promoção e defesa do bem comum da sociedade.
I. NATUREZA
E CARACTERÍSTICAS IRRENUNCIÁVEIS
DO MATRIMÔNIO
2. O ensinamento da Igreja sobre o matrimônio e sobre a complementaridade dos sexos propõe uma verdade, evidenciada pela reta razão e reconhecida como tal por todas as grandes culturas do mundo. O matrimônio não é uma união qualquer entre pessoas humanas. Foi fundado pelo Criador, com uma sua natureza, propriedades essenciais e finalidades.(3) Nenhuma ideologia pode cancelar do espírito humano a certeza de que só existe matrimônio entre duas pessoas de sexo diferente, que através da recíproca doação pessoal, que lhes é própria e exclusiva, tendem à comunhão das suas pessoas. Assim se aperfeiçoam mutuamente para colaborar com Deus na geração e educação de novas vidas.
3. A verdade natural sobre o matrimônio foi confirmada pela Revelação contida nas narrações bíblicas da criação e que são, ao mesmo tempo, expressão da sabedoria humana originária, em que se faz ouvir a voz da própria natureza. São três os dados fundamentais do plano criador relativamente ao matrimônio, de que fala o Livro do Gênesis.
Em primeiro lugar, o homem, imagem de Deus, foi criado « homem e mulher » (Gn 1, 27). O homem e a mulher são iguais enquanto pessoas e complementares enquanto homem e mulher. A sexualidade, por um lado, faz parte da esfera biológica e, por outro, é elevada na criatura humana a um novo nível, o pessoal, onde corpo e espírito se unem.
Depois, o matrimônio é instituído pelo Criador como forma de vida em que se realiza aquela comunhão de pessoas que requer o exercício da faculdade sexual. « Por isso, o homem deixará o seu pai e a sua mãe e unir-se-á à sua mulher e os dois tornar-se-ão uma só carne » (Gn 2, 24).
Por fim, Deus quis dar à união do homem e da mulher uma participação especial na sua obra criadora. Por isso, abençoou o homem e a mulher com as palavras: « Sede fecundos e multiplicai-vos » (Gn 1, 28). No plano do Criador, a complementaridade dos sexos e a fecundidade pertencem, portanto, à própria natureza da instituição do matrimônio.
Além disso, a união matrimonial entre o homem e a mulher foi elevada por Cristo à dignidade de sacramento. A Igreja ensina que o matrimônio cristão é sinal eficaz da aliança de Cristo e da Igreja (cf. Ef 5, 32). Este significado cristão do matrimônio, longe de diminuir o valor profundamente humano da união matrimonial entre o homem e a mulher, confirma-o e fortalece-o (cf. Mt 19, 3-12; Mc 10, 6-9).
4. Não existe nenhum fundamento para equiparar ou estabelecer analogias, mesmo remotas, entre as uniões homossexuais e o plano de Deus sobre o matrimônio e a família. O matrimônio é santo, ao passo que as relações homossexuais estão em contraste com a lei moral natural. Os atos homossexuais, de fato, « fecham o ato sexual ao dom da vida. Não são fruto de uma verdadeira complementaridade afetiva e sexual. Não se podem, de maneira nenhuma, aprovar ».(4)
Na Sagrada Escritura, as relações homossexuais « são condenadas como graves depravações... (cf. Rm 1, 24-27; 1 Cor 6, 10; 1 Tm 1, 10). Desse juízo da Escritura não se pode concluir que todos os que sofrem de semelhante anomalia sejam pessoalmente responsáveis por ela, mas nele se afirma que os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados ».(5) Idêntico juízo moral se encontra em muitos escritores eclesiásticos dos primeiros séculos,(6) e foi unanimemente aceite pela Tradição católica.
Também segundo o ensinamento da Igreja, os homens e as mulheres com tendências homossexuais « devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Deve evitar-se, para com eles, qualquer atitude de injusta discriminação ».(7) Essas pessoas, por outro lado, são chamadas, como os demais cristãos, a viver a castidade.(8) A inclinação homossexual é, todavia, « objetivamente desordenada »,(9) e as práticas homossexuais « são pecados gravemente contrários à castidade
».(10)

II. ATITUDES PERANTE O PROBLEMA
DAS UNIÕES HOMOSSEXUAIS
5. Em relação ao fenômeno das uniões homossexuais, existentes de fato, as autoridades civis assumem diversas atitudes: por vezes, limitam-se a tolerar o fenômeno; outras vezes, promovem o reconhecimento legal dessas uniões, com o pretexto de evitar, relativamente a certos direitos, a discriminação de quem convive com uma pessoa do mesmo sexo; nalguns casos, chegam mesmo a favorecer a equivalência legal das uniões homossexuais com o matrimônio propriamente dito, sem excluir o reconhecimento da capacidade jurídica de vir a adotar filhos.
Onde o Estado assume uma política de tolerância de fato, sem implicar a existência de uma lei que explicitamente conceda um reconhecimento legal de tais formas de vida, há que discernir bem os diversos aspectos do problema. É imperativo da consciência moral dar, em todas as ocasiões, testemunho da verdade moral integral, contra a qual se opõem tanto a aprovação das relações homossexuais como a injusta discriminação para com as pessoas homossexuais. São úteis, portanto, intervenções discretas e prudentes, cujo conteúdo poderia ser, por exemplo, o seguinte: desmascarar o uso instrumental ou ideológico que se possa fazer de dita tolerância; afirmar com clareza o caráter imoral desse tipo de união; advertir o Estado para a necessidade de conter o fenômeno dentro de limites que não ponham em perigo o tecido da moral pública e que, sobretudo, não exponham as jovens gerações a uma visão errada da sexualidade e do matrimônio, que os privaria das defesas necessárias e, ao mesmo tempo, contribuiria para difundir o próprio fenômeno. Àqueles que, em nome dessa tolerância, entendessem chegar à legitimação de específicos direitos para as pessoas homossexuais conviventes, há que lembrar que a tolerância do mal é muito diferente da aprovação ou legalização do mal.
Em presença do reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas ao matrimônio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever opor-se-lhe de modo claro e incisivo. Há que abster-se de qualquer forma de cooperação formal na promulgação ou aplicação de leis tão gravemente injustas e, na medida do possível, abster-se também da cooperação material no plano da aplicação. Nesta matéria, cada qual pode reivindicar o direito à objeção de consciência.

III. ARGUMENTAÇÕES RACIONAIS
CONTRA O RECONHECIMENTO LEGAL
DAS UNIÕES HOMOSSEXUAIS
6. A compreensão das razões que inspiram o dever de se opor desta forma às instâncias que visem legalizar as uniões homossexuais exige algumas considerações éticas específicas, que são de diversa ordem.
De ordem relativa à recta razão
A função da lei civil é certamente mais limitada que a da lei moral.(11) A lei civil, todavia, não pode entrar em contradição com a recta razão sob pena de perder a força de obrigar a consciência.(12) Qualquer lei feita pelos homens tem razão de lei na medida que estiver em conformidade com a lei moral natural, reconhecida pela recta razão, e sobretudo na medida que respeitar os direitos inalienáveis de toda a pessoa.(13) As legislações que favorecem as uniões homossexuais são contrárias à recta razão, porque dão à união entre duas pessoas do mesmo sexo garantias jurídicas análogas às da instituição matrimonial. Considerando os valores em causa, o Estado não pode legalizar tais uniões sem faltar ao seu dever de promover e tutelar uma instituição essencial ao bem comum, como é o matrimônio.
Poderá perguntar-se como pode ser contrária ao bem comum uma lei que não impõe nenhum comportamento particular, mas apenas se limita a legalizar uma realidade de fato, que aparentemente parece não comportar injustiça para com ninguém. A tal propósito convém refletir, antes de mais, na diferença que existe entre o comportamento homossexual como fenômeno privado, e o mesmo comportamento como relação social legalmente prevista e aprovada, a ponto de se tornar numa das instituições do ordenamento jurídico. O segundo fenômeno, não só é mais grave, mas assume uma relevância ainda mais vasta e profunda, e acabaria por introduzir alterações na inteira organização social, que se tornariam contrárias ao bem comum. As leis civis são princípios que estruturam a vida do homem no seio da sociedade, para o bem ou para o mal. « Desempenham uma função muito importante, e por vezes determinante, na promoção de uma mentalidade e de um costume ».(14) As formas de vida e os modelos que nela se exprimem não só configuram externamente a vida social, mas ao mesmo tempo tendem a modificar, nas novas gerações, a compreensão e avaliação dos comportamentos. A legalização das uniões homossexuais acabaria, portanto, por ofuscar a percepção de alguns valores morais fundamentais e desvalorizar a instituição matrimonial.
De ordem biológica e antropológica
7. Nas uniões homossexuais estão totalmente ausentes os elementos biológicos e antropológicos do matrimônio e da família, que poderiam dar um fundamento racional ao reconhecimento legal dessas uniões. Estas não se encontram em condição de garantir de modo adequado a procriação e a sobrevivência da espécie humana. A eventual utilização dos meios postos à sua disposição pelas recentes descobertas no campo da fecundação artificial, além de comportar graves faltas de respeito à dignidade humana,(15) não alteraria minimamente essa sua inadequação.
Nas uniões homossexuais está totalmente ausente a dimensão conjugal, que representa a forma humana e ordenada das relações sexuais. Estas, de fato, são humanas, quando e enquanto exprimem e promovem a mútua ajuda dos sexos no matrimônio e se mantêm abertas à transmissão da vida.
Como a experiência confirma, a falta da bipolaridade sexual cria obstáculos ao desenvolvimento normal das crianças eventualmente inseridas no interior dessas uniões. Falta-lhes, de fato, a experiência da maternidade ou paternidade. Inserir crianças nas uniões homossexuais através da adoção significa, na realidade, praticar a violência sobre essas crianças, no sentido que se aproveita do seu estado de fraqueza para introduzi-las em ambientes que não favorecem o seu pleno desenvolvimento humano. Não há dúvida que uma tal prática seria gravemente imoral e pôr-se-ia em aberta contradição com o princípio reconhecido também pela Convenção internacional da ONU sobre os direitos da criança, segundo o qual, o interesse superior a tutelar é sempre o da criança, que é a parte mais fraca e indefesa.
De ordem social
8. A sociedade deve a sua sobrevivência à família fundada sobre o matrimônio. É, portanto, uma contradição equiparar à célula fundamental da sociedade o que constitui a sua negação. A conseqüência imediata e inevitável do reconhecimento legal das uniões homossexuais seria a redefinição do matrimônio, o qual se converteria numa instituição que, na sua essência legalmente reconhecida, perderia a referência essencial aos fatores ligados à heterossexualidade, como são, por exemplo, as funções procriadora e educadora. Se, do ponto de vista legal, o matrimônio entre duas pessoas de sexo diferente for considerado apenas como um dos matrimônio possíveis, o conceito de matrimônio sofrerá uma alteração radical, com grave prejuízo para o bem comum. Colocando a união homossexual num plano jurídico análogo ao do matrimônio ou da família, o Estado comporta-se de modo arbitrário e entra em contradição com os próprios deveres.
Em defesa da legalização das uniões homossexuais não se pode invocar o princípio do respeito e da não discriminação de quem quer que seja. Uma distinção entre pessoas ou a negação de um reconhecimento ou de uma prestação social só são inaceitáveis quando contrárias à justiça.(16) Não atribuir o estatuto social e jurídico de matrimônio a formas de vida que não são nem podem ser matrimoniais, não é contra a justiça; antes, é uma sua exigência.
Nem tão pouco se pode razoavelmente invocar o princípio da justa autonomia pessoal. Uma coisa é todo o cidadão poder realizar livremente atividades do seu interesse, e que essas atividades que reentrem genericamente nos comuns direitos civis de liberdade, e outra muito diferente é que atividades que não representam um significativo e positivo contributo para o desenvolvimento da pessoa e da sociedade possam receber do Estado um reconhecimento legal especifico e qualificado. As uniões homossexuais não desempenham, nem mesmo em sentido analógico remoto, as funções pelas quais o matrimônio e a família merecem um reconhecimento específico e qualificado. Há, pelo contrário, razões válidas para afirmar que tais uniões são nocivas a um reto progresso da sociedade humana, sobretudo se aumentasse a sua efetiva incidência sobre o tecido social.
De ordem jurídico
9. Porque as cópias matrimoniais têm a função de garantir a ordem das gerações e, portanto, são de relevante interesse público, o direito civil confere-lhes um reconhecimento institucional. As uniões homossexuais, invés, não exigem uma específica atenção por parte do ordenamento jurídico, porque não desempenham essa função em ordem ao bem comum.
Não é verdadeira a argumentação, segundo a qual, o reconhecimento legal das uniões homossexuais tornar-se-ia necessário para evitar que os conviventes homossexuais viessem a perder, pelo simples fato de conviverem, o efetivo reconhecimento dos direitos comuns que gozam enquanto pessoas e enquanto cidadãos. Na realidade, eles podem sempre recorrer – como todos os cidadãos e a partir da sua autonomia privada – ao direito comum para tutelar situações jurídicas de interesse recíproco. Constitui porém uma grave injustiça sacrificar o bem comum e o recto direito de família a pretexto de bens que podem e devem ser garantidos por vias não nocivas à generalidade do corpo social
.(17)

IV. COMPORTAMENTOS DOS POLÍTICOS CATÓLICOS
PERANTE LEGISLAÇÕES FAVORÁVEIS
ÀS UNIÕES HOMOSSEXUAIS
10. Se todos os fiéis são obrigados a opor-se ao reconhecimento legal das uniões homossexuais, os políticos católicos são-no de modo especial, na linha da responsabilidade que lhes é própria. Na presença de projetos de lei favoráveis às uniões homossexuais, há que ter presentes as seguintes indicações éticas.
No caso que se proponha pela primeira vez à Assembleia legislativa um projeto de lei favorável ao reconhecimento legal das uniões homossexuais, o parlamentar católico tem o dever moral de manifestar clara e publicamente o seu desacordo e votar contra esse projeto de lei. Conceder o sufrágio do próprio voto a um texto legislativo tão nocivo ao bem comum da sociedade é um acto gravemente imoral.
No caso de o parlamentar católico se encontrar perante uma lei favorável às uniões homossexuais já em vigor, deve opor-se-lhe, nos modos que lhe forem possíveis, e tornar conhecida a sua oposição: trata-se de um ato devido de testemunho da verdade. Se não for possível revogar completamente uma lei desse gênero, o parlamentar católico, atendo-se às orientações dadas pela Encíclica Evangelium vitae, « poderia dar licitamente o seu apoio a propostas destinadas a limitar os danos de uma tal lei e diminuir os seus efeitos negativos no plano da cultura e da moralidade pública », com a condição de ser « clara e por todos conhecida » a sua « pessoal e absoluta oposição » a tais leis, e que se evite o perigo de escândalo.(18) Isso não significa que, nesta matéria, uma lei mais restritiva possa considerar-se uma lei justa ou, pelo menos, aceitável; trata-se, pelo contrário, da tentativa legítima e obrigatória de proceder à revogação, pelo menos parcial, de uma lei injusta, quando a revogação total não é por enquanto possível
.

CONCLUSÃO
11. A Igreja ensina que o respeito para com as pessoas homossexuais não pode levar, de modo nenhum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais. O bem comum exige que as leis reconheçam, favoreçam e protejam a união matrimonial como base da família, célula primária da sociedade. Reconhecer legalmente as uniões homossexuais ou equipará-las ao matrimónio, significaria, não só aprovar um comportamento errado, com a consequência de convertê-lo num modelo para a sociedade actual, mas também ofuscar valores fundamentais que fazem parte do património comum da humanidade. A Igreja não pode abdicar de defender tais valores, para o bem dos homens e de toda a sociedade.
O Sumo Pontífice João Paulo II, na Audiência concedida a 28 de Março de 2003 ao abaixo-assinado Cardeal Prefeito, aprovou as presentes Considerações, decididas na Sessão Ordinária desta Congregação, e mandou que fossem publicadas.
Roma, sede da Congregação para a Doutrina da Fé, 3 de Junho de 2003, memória de São Carlos Lwanga e companheiros, mártires
.
Joseph Card. Ratzinger
Prefecto
Angelo Amato, S.D.B.
Arzobispo titular de Sila
Secretario

(1) Cf. João Paulo II, Alocuções por ocasião da recitação do Angelus, 20 de Fevereiro de 1994 e 19 de Junho de 1994; Discurso aos participantes na Assembleia Plenária do Conselho Pontifício para a Família, 24 de Março de 1999; Catecismo da Igreja Católica, nn. 2357-2359, 2396; Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração Persona humana, 29 de Dezembro de 1975, n. 8; Carta sobre a cura pastoral das pessoas homossexuais, 1 de Outubro de 1986; Algumas Considerações sobre a Resposta a propostas de lei em matéria de não discriminação das pessoas homossexuais, 24 de Julho de 1992; Conselho Pontifício para a Família, Carta aos Presidentes das Conferências Episcopais da Europa sobre a resolução do Parlamento Europeu em matéria de cópias homossexuais, 25 de Março de 1994; Família, matrimónio e « uniões de facto », 26 de Julho de 2000, n. 23.
(2) Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Nota doutrinal sobre algumas questões relativas ao empenho e comportamento dos católicos na vida política, 24 de Novembro de 2002, n. 4.
(3) Cf. Concílio Vaticano II, Constituição pastoral Gaudium et spes, n. 48.
(4) Catecismo da Igreja Católica, n. 2357.
(5) Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração Persona humana, 29 de Dezembro de 1975, n. 8.
(6) Cf. por exemplo, S. Policarpo, Carta aos Filipenses, V, 3; S. Justino, Primeira Apologia, 27, 1-4; Atenágoras, Súplica em favor dos cristãos, 34.
(7) Catecismo da Igreja Católica, n. 2358; cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Carta sobre a cura pastoral das pessoas homossexuais, 1 de Outubro de 1986, n. 10.
(8) Cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2359; Congregação para a Doutrina da Fé, Carta sobre a cura pastoral das pessoas homossexuais, 1 de Outubro de 1986, n. 12.
(9) Catecismo da Igreja Católica, n. 2358.
(10) Ibid., n. 2396.
(11) Cf. João Paulo II, Carta encíclica Evangelium vitae, 25 de Março de 1995, n. 71.
(12) Cf. ibid., n. 72.
(13) Cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologiae, I-II, q. 95, a. 2.
(14) João Paulo II, Carta encíclica Evangelium vitae, 25 de Março de 1995, n. 90.
(15) Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Instrução Donum vitae, 22 de Fevereiro de 1987, II. A. 1-3.
(16) Cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologiae, II-II, q. 63, a. 1, c.
(17) Deve, além disso, ter-se presente que existe sempre « o perigo de uma legislação, que faça da homossexualidade uma base para garantir direitos, poder vir de facto a encorajar uma pessoa com tendências homossexuais a declarar a sua homossexualidade ou mesmo a procurar um parceiro para tirar proveito das disposições da lei » (Congregação para a Doutrina da Fé, Algumas Considerações sobre a Resposta a propostas de lei em matéria de não discriminação das pessoas homossexuais, 24 de Julho de 1992, n. 14).
(18) João Paulo II, Carta encíclica Evangelium vitae, 25 de Março de 1995, n. 73."
Centro de Mídia Independente
CMI

terça-feira, 11 de julho de 2006

Syd Barrett 1946-2006


Até sempre. Eras um génio!

It is with great sadness that I must report the passing of Roger "Syd" Barrett, founder of Pink Floyd. The Syd Barrett Archives join his family and friends in mourning his passing. He was an inspiration to many people, myself included. Shine on Roger... Shine on...
He passed on Friday July 7th of complications related to diabetes.
-Stephen

Syd Barrett

O autarca

Que relação ou enumeração de pessoas, coisas ou factos, feita geralmente em forma de coluna, pode ser a marca referencial de acordo com a substância?
Não confio em indivíduos lisonjeiros, aduladores, bajuladores; com excesso e de modo interesseiro, deleitam-se com lisonjas, aplausos...

Pelo alto da Serra do Açor


Há muitos séculos que as verdes pastagens da Serra do Açor atraíam grupos de pastores que para aí levavam os seus rebanhos. Diz-se mesmo que esses pastores seriam os Lusitanos, hábeis criadores de cavalos que povoavam os Montes Hermínios (Estrela).

Ao longo dos tempos as populações foram criando condições para a sua subsistência, conquistando à Serra cada pequena leira cultivada em socalcos. A agricultura, a pastorícia e a apicultura constituíram assim as principais actividades das populações do Piódão.

Pelo alto da Serra do Açor, próximo do Piódão, passava a antiga estrada real que ligava Coimbra à Covilhã por onde circulavam caravanas de carros de bois que traziam do litoral o peixe e o sal para levarem no regresso a carne, o queijo e os lanifícios destas terras do interior. Por ali passavam mercadores e pastores e até salteadores. Diz-se também que terão sido os ataques dos salteadores que incentivaram a união dos solitários pastores, espalhados por aquelas agrestes penedias onde criavam éguas, cavalos, ovelhas e cabras.

Situado num vale profundo e isolado, escondido nas faldas da Serra do Açor, o Piódão foi considerado, desde tempos remotos, como o local de eleição para refúgio de muitos foragidos da justiça. Ali se terá acolhido o fidalgo Diogo Lopes Pacheco, o único dos assassinos de D. Inês de Castro que logrou escapar à fúria de D. Pedro, quando, em segredo, vinha de Espanha a Portugal. Também aqui se teria refugiado João Brandão, misto de herói e assassino. Diz-se dele que atacava os seus inimigos pela calada da noite para se refugiar durante o dia em casa do Pároco do Piódão. E fala-se ainda de outros salteadores, em tempos mais ou menos remotos, como José do Telhado ou o Oliveirão.

Na sua origem a população pode ter alguns fora-da-lei, mas tem também a fidalguia e abastança dos seus senhores, com direito a tribuna própria na Igreja da Lourosa. Foi desta memória que ficou uma conhecida quadra popular.



"Gente nobre do Piódão
Gente de grande tesouro
Vão à missa à Lourosa
Com as suas esporas de ouro."

A criação da freguesia do Piódão data de 1676 e há notícia de ter sido um curato de apresentação anual no cabido da Sé de Coimbra.

No final de Oitocentos o Piódão transformou-se no pólo cultural de uma vasta região beirã por obra do seu jovem pároco, o padre Manuel Fernandes Nogueira, ali colocado em 1885 quando tinha apenas 25 anos. A ele se ficou a dever a fundação do seminário-colégio em 1886 que preparava os jovens para os estudos universitários e, mais frequentemente, para a vida eclesiástica. E ali ensinava, quase sozinho, todas as disciplinas do curso preparatório do Seminário.

Tendo funcionado até l906, a qualidade do ensino do Colégio do Piódão ultrapassou os limites do seu isolamento, atraindo centenas de jovens oriundos das mais diversas terras dos concelhos de Coimbra, Guarda e Castelo Branco. Alguns dos seus alunos tornaram-se depois figuras de destaque na vida política e eclesiástica Portuguesa.

A acção do padre Manuel Fernandes Nogueira, actualmente homenageado por uma estátua no largo da aldeia, não se limitou ao aspecto académico e cultural da povoação. Incentivou o desenvolvimento da agricultura e da silvicultura, criando na população laços estreitos de vida comunitária, e participando activamente no desenvolvimento económico da freguesia. Com o encerramento do Colégio, retoma-se o antigo esquecimento, interrompido a breves espaços pelos esforços isolados dos seus povos.

Só na década de 70 é que o Piódão consegue enfim aceder, e se tornar acessível, ao resto do mundo, com a abertura da estrada até à aldeia, em 1972, e a instalação de energia eléctrica, em 1978. Até àquela data, a única estrada existente terminava a cerca de 12 Km do Piódão e a distância só podia ser ultrapassada a pé, por caminhos demasiado estreitos para permitir a passagem dos carros de bois.

Tempos difíceis ainda frescos na memória das suas gentes, amenizados todavia por uma vida comunitária de entreajuda. Tempos idos em o povo do Piódão moldava o destino com as próprias mãos.

Por todo o povoado nasce agora uma sensação de vazio: a estrada que lhes trouxe o conforto dos tempos modernos, quebra-lhes a solidariedade e a vontade, tira-lhes o destino das mãos e leva-lhes para longe os filhos da terra.

Ficam os mais velhos trabalhando os estreitos socalcos de terra pouco profunda onde a máquina não pode trabalhar.

E fica também, ainda, o sabor da chanfana, do cabrito assado ou do presunto e a imprescindível companheira das noites frias de inverno, a aguardente de mel ou de medronho.

Aldeia do Piódão / Turismo Rural / C.M.C.

segunda-feira, 10 de julho de 2006

O profeta da desgraça

...Seja feita justiça, porque se conseguiu fazer um blockbuster acessível e relativamente agradável. Mesmo que o texto não seja bom, os personagens não irritam como os de um qualquer «Twister», esse sim só efeitos de imagem e som. Por muito que faça confusão que se faça um filme sobre o Titanic, e depois se diga que se estava mais interessado na história dos personagens (claro, primeiro escreveu-se o romance, depois alguém se lembrou do cenário...), é de louvar que - de facto - se tenha conseguido levar do início ao fim o romance entre Jack e Rose e que o acidente surja, naquele contexto, como algo meramente secundário. Mas que nós fomos lá para ver o barco afundar, lá isso fomos.
LÁ VAMOS CANTANDO E RINDO...

No Piódão


"São poucos os que sempre aqui viveram. No Piódão, alguns mais novos já tentaram outras paragens, outros, sobretudo mulheres, vieram aqui parar vindos de terras próximas, por via do matrimónio. Foi assim com o pai de Carlos Lourenço e com ele também. A mãe é de Chãs de Égua e a sua mulher de São Gião. Com 35 anos, Carlos explora o café Gruta, situado bem à entrada da aldeia, no Largo Cónego Manuel Fernandes Nogueira. Diz que a dúzia de rapazes mais novos a viver no Piódão são todos solteiros: “aqui não há raparigas”. Junto à esplanada, com mesas e cadeiras vermelhas, as bancas expõem réplicas de casas de xisto. É uma segunda povoação em miniatura pronta a ser transplantada para qualquer lar distante.
É este o primeiro local onde os turistas estacam para melhor admirarem o contraste entre o castanho-escuro das paredes das habitações e o branco quase gritante da igreja matriz, que ostenta no exterior uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Construída durante o século XVII, foi reconstruída no final do século XIX pelo cónego Manuel Fernandes Nogueira. No cimo da escadaria deste edifício de ar sólido e imponente sobressaem as suas quatro colunas cilíndricas, rematadas por cones. No interior, o tecto abobadado é de madeira pintada de azul celeste, em harmonia quase perfeita com a talha (alguma dourada) datada da altura da remodelação. Maria José cuida da igreja, limpa-a e trata de abrir as portas quando a presença de estranhos o justifica. Natural de Braga, viveu em Tomar e à terra do marido veio parar.
Perto do templo fica a casa de todas as polémicas, outrora propriedade de um particular que iniciou a sua construção em tijolo. Hoje, o primeiro andar acolhe um museu dedicado a três áreas – “O Olhar dos Outros”, “Uma História cheia de Estórias” e “Vida Quotidiana” – e, o rés-do-chão é ocupado pelo posto de turismo. Com as placas de xisto assentes na horizontal, umas sobre as outras, o exterior em nada destoa do resto do aglomerado habitacional.
Do outro lado do largo, o café Solar dos Pachecos faz esquina com a rua da Venda do Lourenço. Mas antes de prosseguir, há que espreitar a ribeira do Piódão – agora, final do Verão, já esvaziada – e apreciar a paisagem circundante com os terraços em degraus, encosta acima, a servirem de plataformas agrícolas e a sustento de pequenos palheiros. É a mestria de quem teve de domar a paisagem para dela tirar rendimento, são os muros de xisto a suster as terras, é Natureza e Homem unidos numa beleza feita de contrastes entre a força de vontade para permanecer selvagem e a necessidade do domador".

"É tempo de explorar as ruas estreitas, os becos, os detalhes e as características arquitectónicas que levaram a aldeia de Piódão a ser classificada como Imóvel de Interesse Público, em 1978. As escadas situadas ao lado da igreja são um dos caminhos, bem como a rua da Venda do Lourenço, mas o percurso pouco importa. A subir, sempre a subir, vai-se admirando os telhados de xisto preto com as placas sobrepostas de forma a impedirem a entrada da água das chuvas. Na cumeeira e no topo das chaminés algumas pedras foram estrategicamente colocadas para segurar as lajes por altura das intempéries.
Virada a Sul, a aldeia procura proteger-se dos ventos rigorosos de Inverno, as construções são sustentadas por alicerces colocados em terrenos íngremes, o que em grande parte explica os três pisos das casas. Hoje em dia, o rés-do-chão serve para guardar lenha e alguns produtos resultantes da agricultura, antes, era o lar dos animais da família. No piso intermédio e superior vivem as pessoas, entre divisões feitas de madeira. Outrora, o último andar era reservado aos produtos retirados da agricultura, como milho e batatas.
Por entre as janelas de paisagem vê-se a Serra do Açor, este ano, vítima dos incêndios. Na aldeia ainda se fala com emoção do mês de Julho. Maria da Conceição mora aqui e sofre do coração. Lembra que há dezoito anos foi quase a mesma coisa mas, desta vez, por causa dos problemas de saúde, não teve outro remédio senão fugir. Cândida trabalha no restaurante da família do marido e não consegue reter as lágrimas quando fala do tremendo susto por que passaram. Agora só espera que chova devagar, chuva miudinha para impedir os aluimentos e a cedência dos terrenos.
Pela porta de “O Fontinha”, nome dado a esta pequena sala de refeições, entra Francisco Anjos, o leigo da aldeia. Aproveita para conversar um pouco da sua vida e dos costumes da região. Tem 68 anos, já trabalhou nas minas da Panasqueira e esteve em Lisboa durante 25 anos. Nos dias que correm, depois de ter feito formação na Diocese de Coimbra, dá missas, faz enterros, enfim, ajuda no que pode quando o pároco está em serviço noutras povoações. Quanto às cruzes feitas a partir dos ramos de oliveira benzidos no Dia de Ramos e pregadas nas ombreiras das portas das habitações, diz que servem como protecção contra as trovoadas e os raios. “No dia de Santa Cruz, a 3 de Maio, é hábito porem-se cruzes nos campos e nas portas pedindo a protecção a Sta. Bárbara e ao Senhor”. Cândida confirma e acrescenta que as trovoadas aqui são frequentes.
No dia seguinte Francisco tem uma festa marcada, como todos os anos. É o sábado mais próximo do dia de S. Francisco de Assis (4 de Outubro) e vêm Franciscos de todo o lado, mesmo aqueles que, sendo naturais das terras vizinhas vivem noutras regiões do país. A comemoração começa com uma missa às onze da manhã na pequena capela de S. Pedro – cuja imagem do padroeiro da aldeia surge em lugar de destaque no centro e por cima do pequeno altar – e segue com uma patuscada".

INATEL

domingo, 9 de julho de 2006

Obrigado Squadra Azzurra!

Capitão! Meu Capitão!


A raça humana não é grande coisa!

Cresce e aparece



"País engravatado todo o ano e a assoar-se na gravata por engano (...). Já sabemos, pois, que és um homenzinho (...). País dos gigantones que passeiam a importância e o papelão, inaugurando esguichos no engonço do gesto e do chavão. E ainda há quem os ouça, quem os leia, lhes agradeça a fontanária ideia!"
Alexandre O'Neill, "O País Relativo"

Portugal é um país de risco ao meio. De um lado cabeleira esguia, abrilhantada a shampô e gel, do outro a calvície deserta.
Portugal é um país de risco ao meio.
Penteado a preceito para um lado, com traço de pente certeiro e rectilíneo a dividir a abundância capilar, da careca franciscana.
A dividir o litoral do interior.
Portugal é o país da circunstância feita pompa, pompa de tomate "à la trompe l'oeil".
Portugal não é em frente, é para um dos lados. O interior deserta-se, o litoral enfeita-se.
Os sem sobremesa.
Como escrevia Ruy Belo, há os sem pão e os sem sobremesa.
O euro 2004 volta a ser arroz doce servido em parca gamela para os "groumets" instalados da politiquice há quatro anos.
Para o interior as côdeas, para o litoral o Circo.
A desertificação do interior, e o dramático envelhecimento das populações em vez de razões de combate, são rações de Miltra, pretextos de desinvestimento público.
Ao abrigo da velha lei de bronze inscrita na "tabuada do João Ratão", que os políticos escondem nas pesadas e ufanas pastas de couro - o investimento público concentra-se prioritariamente nos aglomerados populacionais. Que é como quem diz - concentra-se onde há mais gente a votar e a contentar. - Cava-se o abismo, perpetuam-se as diferenças. Abandonam-se as regiões pobres do nosso país à sua sorte, a parente pobre a visitar de jipe, com "souvenirs" da loja dos 300 a encher o atrelado. Para lá respirar ar puro, ter uma quinta na Beira, um Monte no Alentejo, uma coutada para caçar em Trás-os-Montes.
Não tardará muito até que as aldeias do interior sejam apenas poisos sazonais, reservas naturais para observar a rusticidade e a pureza rural do país que já foi nosso.
Será como nalgumas regiões da Alemanha, onde as aldeias são povoadas por "actores-figurantes" que recriam os usos e costumes da terra para gáudio a "flash" e "handycam" dos turistas japoneses de sorrisinho Nikon.
Em vez de faculdades de Medicina, fundem-se escolas de teatro no interior.
Porque dentro de pouco tempo haverá bem pouca gente para tratar, haverá apenas turistas para animar.
No Portugal-homenzinho que até chegou a presidente da Europa e até já descompõe os arrogantes austríacos, os jovens do interior continuam a deixar as suas terras, as suas aldeias, em busca de uma vida melhor, tal e qual faziam os seus pais quando Portugal era pequenino e pobrezinho.
Os incentivos à fixação de jovens no Interior são remendos de meia-rota num país todo engravatado que se continua a assoar à gravata por engano. Num país de gente sisuda, mas pouco séria, que está casado com ele mesmo em regime de separação de bens.
Cresce e aparece ó País! Que quanto à careca, nem com restaurador Olex lá vais.
Cresce e aparece porque:
"A Santa Paciência país, a tua padroeira,
já perde paciência à nossa cabeceira".
Agora vou-me à levedura de cerveja, para bebericar a espuma dos dias.


O País do Risco ao Meio, Rui Pelejão
Urbi et Orbi

sábado, 8 de julho de 2006

Fraga da Pena


Paisagem a proteger
"Vindo de Côja e na fronteira da Paisagem Protegida da Serra do Açor é preciso parar junto à placa que indica o caminho de acesso à Fraga da Pena. Deixe o carro e siga a pé por um caminho fácil de terra batida, que demora pouco mais de cinco minutos a percorrer. Um pequeno riacho ainda corre neste ano de seca e erguem-se antigas azenhas. Continue em frente até à ponte de madeira, logo ali. É, então, que vislumbra a queda de água com cerca de vinte metros de altura, precipitar-se sobre um lago de líquido gélido. De frente, a parede de rocha é composta por camadas lascadas. É perante este cenário edílico que se distribuem mesas de pedra para piqueniques, ao som calmante da água a correr.
O acidente geológico da Fraga da Pena é atravessado pela barroca (ravina ou barranco) de Degraínhos. Subindo pelas escadas de pedra ou escavadas no terreno pode-se, até certo ponto, seguir o curso da água e encontrar mais lagos e mais quedas de água num conjunto fabuloso e de impressionante serenidade.
Regresse à estrada e siga no sentido da Benfeita e de Pardieiros, percorra de seguida a estrada de terra batida, acessível a qualquer veículo ligeiro, para melhor apreciar a manta verde constituída pela Mata da Margaraça. Medronheiros, azevinho, carvalhos, castanheiros, avelaneiras e cerejeiras bravas, são algumas das espécies identificáveis. Junto à Casa Grande, Centro de Interpretação da área protegida, fica o início de um percurso pedestre com duração de cerca de meia hora. Fácil.
Ainda nos arredores do Piódão, vale a pena uma incursão por Chãs d’Égua, uma aldeia bastante homogénea em termos arquitectónicos e por Foz d’Égua, local de mais uma praia fluvial e do início de um passeio pedestre bem mais difícil, rumo ao Piódão. São 2,8 quilómetros de montanha, quase sempre a subir. Só para os bravos ou para quem não se importe de demorar mais tempo a apreciar a serra do Açor e, até, vislumbrar a ave que lhe deu o nome
".
Texto de Paula Carvalho Silva
INATEL

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Instrução e comportamento

..."Pobre país em que se misturam tão facilmente os problemas da instrução e do comportamento, as duas facetas da Educação! Ao professor cabia tradicionalmente a instrução, sendo os modos e o equilíbrio psicológico dos rebentos mormente responsabilidade da família. Não é assim.
Se o professor consegue, estoicamente, mostrar ao aluno o que é um "complemento directo" ou uma "raiz quadrada", isso é instrução; se o aluno, consumada a aparente assimilação do conceito, espeta uma galheta no professor, isso é comportamento. Estão a ver a diferença? A gramática e os cálculos são, prioritariamente, tarefa do professor; a renúncia à galheta era dantes dever da família. Ai já não é? Pois não. O professor que se cuide: ou trata o autor da galheta com carinho evangélico ou sofrerá sanções profissionais. Os pais e o Ministério lá estão para julgar os docentes." /...
Três reflexões e meia, Simões Netto, O Primeiro de Janeiro, Segunda-feira, 3 de Julho de 2006

quarta-feira, 5 de julho de 2006

05 de Julho de 1963

Existem coisas na vida que podem ser simples, mesmo que não sejam fáceis. Ser verdadeiro é uma dessas coisas. Contar uma mentira (mesmo uma mentira branda) pode ser fácil, mas não é simples. Você precisa ter certeza de que tudo o que disser no futuro não irá "expô-lo"; você terá que inventar histórias para encobrir. Então, pense sobre isso: não ser verdadeiro pode parecer mais fácil no momento, mas não será tão simples no futuro. Por outro lado, ser verdadeiro pode ser difícil, mas é um bocado mais simples.
Celline Opps See you late in my Blogger Rio de Janeiro from Brazil
Comentário a um post do Sem Ordem OPTEI

terça-feira, 4 de julho de 2006

verão-manuel-morgado

Estilo: Graphic Técnica: mista /desenho à mão, coloração digital
Publicação: Diário Económico/Cad. Dinheiro & Ócio (Agosto 2004)

Leituras

História
Foral de Coja – 1260 P. E Dr. António Diniz
pp 99-110

Arquivo
Associativismo
Do rural ao urbano: o associativismo como estratégia de sobrevivência.
Prof.ª Dr.ª Maria Beatriz Rocha-Trindade
pp 113-121

Escritores arganilenses
João Alves das Neves
Pp 123-128

Depoimento
Facetas do Padre José Vicente
A. Borges de Carvalho
pp129-139

Revista Arganilia N.º 1

de 42 para 43

"Vem do fundo das idades, de tão longe que mal ousamos descortiná-la na névoa da distância, a lembrança dos avós de nossos avós, aqui estabelecidos. As investigações de do dr. Castro Nunes não nos deixam hoje dúvidas a esse respeito. (vidé João de Castro Nunes - Novos elementos para o estudo da arte castreja em Portugal, Guimarães, 1958, pág.6 e segs. O castro da Lomba do Canho, vizinho da anta dos Moinhos de Vento, apesar de ainda incompletamente explorado, revelou-se tão rico de testemunhos, que já não nos é possível negar a existência desses nossos remotíssimos antepassados, possivelmente pertencentes à raça vigorosa dos construtores dos dólmens, genealogicamente relacionados com os Lusitanos, seus não menos vigorosos descendentes."
António G. Mattoso, Excerto de "Ligeiras notas para a história do concelho de Arganil".

A palavra a quem a trabalha

o acto
... o acto das damas da Idade Média quando abriam um livro de Virgílio ao acaso e punham o dedo numa passagem que logo a seguir, após ser interpretada, se transformava em guia e luz de quem a tinha apontado.
pp 41, Um Tradutor Em Paris, Atxaga Bernardo

da Praça da Canção
"Sempre que o poeta tenta dividir-se, separar em si o homem do poeta, suicida-se como artista inevitavelmente."
Ievtuchenko, autobiografia Prematura

a Razão
Manuel:Nós somos vida das gentes E morte de nossas vidas.
Auto do Purgatório, Gil Vicente

Sensibilidade linguística
Não exagere!Entrei numa loja e...Apaixonei-me.!Não diga que se apaixonou. Diga que se encaprichou...Inesperada sensibilidade linguística!
pp 52, Contos Apátridas

as palavras
... «não te olho, não te vejo, onde está a taça de champanhe que vim buscar
pp41,42 Contos Apátridas

A Nova Arquitectura portuguesa
..." Os corpos animais, atómicos, não possuem essa possibilidade de subtrair o seu circuito imaginário à fulguração. O trovão da natureza mata os fulminados e despe-os."...
pp 81 Vida Secreta, Pascal Quignard

O espelho de Alice e o "xadrez da blogosfera"

"Agora, olhe bem para mim. Sou uma pessoa que falou com o Rei, eu pessoalmente. Pode ser que você jamais veja outro assim. E para lhe mostrar que não sou nenhum orgulhoso, pode apertar minha mão! - E aqui rasgou a boca num sorriso que ia de uma orelha a outra, inclinando-se para a frente (pouco faltando para uma possível queda do muro e estendendo a mão para Alice. Ela segurou-a, olhando para ele um tanto apreensiva. "Se sorrir mais um pouco" - pensou - "os dois cantos da boca vão se encontrar atrás. E aí não sei o que pode acontecer com sua cabeça. É capaz de cair."
Alice no País das Maravilhas, Lewis Carrol, 1980.

segunda-feira, 3 de julho de 2006

PHOTO N.º 400




PHOTO Nº400
The world's greatest photographers take part in Photo's 400th issue celebration !
400 issues have come to life since 1967 when four men crazy about photography, Daniel Filipacchi, Roger Thérond, Walter Carone, and Régis Pagnies who I assisted, invented on table corner what was to become the world's most popular photography magazine, Photo. Today, it can be found in 70 countries across the planet. Photo is the world's most unique editorial phenomenon! Photo, a magazine for every picture, including those you wouldn't see elesewhere. Its secret: the friendly ties and loyalty that bind them to some of the industry's biggest names. Our cover is proof of that. Thank you Nastassja having accepted to revisited an old memory and to have shared that moment with your daughter. Thank you Sonja for having participated so magically. Thank you Michel Comte, who, for Photo dared retouch a great master's picture and successfully made it sublime! In order to make this our 400th issue, unforgettable, we dared ask some of the world's greatest photograpgers to surprise us! We had to be ready to surprise them right back while at the same time impressing you, our readers. The task, finding a photo that would incarnate all that Photo represents :a photo from the past, taken, today, that harks in the future. in other words, a story of heredity, transmission. We succeeded! If Photo has enjoyed such a long life and great success, it is thanks to its advertisers who actively participate in the new vibration of imagery, and to its faithful readers, one million strong! With the explosive arrival of digital photography, more and more of you will be passionate picture takers. We dedicate this exceptional issue to the memory of Roger Thérond.

Eric Colmet Daâge
Photo a invité les plus grands photographes à faire les 400 coups !
Quatre cents numéros se sont écoulés depuis que Daniel Filipacchi, Roger Thérond, Walter Carone, Régis Pagnies que j'assistais, quatre hommes passionnés d'images, ont créé en 1967, sur un coin de table Photo qui allait devenir le plus grand magazine photo du monde. Aujourd'hui en vente dans 70 pays Photo est un phénomène éditorial unique au monde ! Photo, le magazine de toutes les images et surtout de celles que vous ne voyez nulle part ailleurs. Son secret : l'amitié et la fidélité que lui témoignent les grands. Pour preuve, cette couverture. Merci à toi Nastassja pour avoir revisité un souvenir et l'avoir partagé avec ta fille. Merci à Sonja pour s'être prêtée au jeu avec tant de magie. Merci à Michel Comte qui pour Photo a osé toucher à l'image d'un maître absolu et qui la sublimer ! Pour que ce numéro 400 soit exceptionnel, nous avons osé demander aux plus grands photographes de nous étonner ! Nous nous devions alors d'être à la hauteur pour les surprendre et vous éblouir en même temps. Trouver une couverture qui soit le symbole de ce que Photo est : la photo d'hier et d'aujourd'hui qui engendre celle de demain. Bref, une histoire de transmission. C'est chose faite ! Si Photo connaît une telle longévité et un tel succès, c'est grêce à ses lecteurs, plus d'un million aujourd'hui. Et bien sûr à tous ses annonceurs qui l'ont accompagné dans les nouvelles vibrations de l'image. Avec l'explosion du numérique, vous serez encore plus nombreux à vous passionner pour la photo et à participer à norte concours Amateurs ! Ce numéro exceptionnel, nous le dédions à Roger Thérond.

Eric Colmet Daâge

ninguém é perfeito...

o intelectual pacheco

verão-miguel-seixas


Estilo: Graphic Técnica: digital /ilustração vectorial
Publicação: revista Volta ao Mundo (Maio 2005)

Desculpai a feroz exigência...

Que bom que era Portugal estar nas Meias-Finais do Campeonato do Mundo do desenvolvimento científico!

Que bom que era Portugal estar nas Meias-Finais do Campeonato do Mundo dos Hábitos de Leitura e nas práticas culturais!

Que bom que era Portugal estar nas Meias-Finais do Campeonato do Mundo da qualidade de vida das cidades e do ordenamento do território!

Que bom que era Portugal estar nas Meias-Finais do Campeonato do Mundo do combate às desigualdades sociais e à pobreza!

Que bom que era Portugal estar nas Meias-Finais do Campeonato do Mundo da qualidade da educação e da nossa saúde!

Que bom que era Portugal estar nas Meias-Finais do Campeonato do Mundo da qualidade dos nossos dirigentes políticos e da capacidade das nossas elites!

Que bom que era Portugal estar nas Meias-Finais do Campeonato do Mundo da defesa do nosso património!...


QUE BOM QUE ERA o lopes subserviente e o pacheco tresmalhado estarem calados para proporcionar aos habitantes deste pequeno país uma melhor qualidade de vida...

Afeganistão - Emancipação da mulher

Uma repórter de Televisão, ao voltar 10 anos depois ao Afeganistão, notou que as mulheres, que antigamente caminhavam sempre meio metro atrás dos seus maridos, tinham passado a caminhar pelo menos 5 metros à
frente deles.

Interessadíssima nesta mudança de comportamento, a

jornalista imagina que
tal mudança de costumes deveria significar uma grande vitória feminina.

Aproxima-se de uma das mulheres e diz, deslumbrada:

- Amiga! Que maravilha!!! O que aconteceu aqui que fez com
que se extinguisse esse costume absurdo da mulher caminhar atrás dos maridos,
e que agora caminham gloriosamente à frente deles?

E a mulher afegã responde:

- Minas terrestres...!!!

domingo, 2 de julho de 2006

épico


An epic drama of pride and tearsSven's reign comes to an endLeader: Floored heroesAnalysis: Paul WilsonComment: Claudio RanieriFull coverage: World Cup 2006



England make painful exit In a nerve-shredding quarter-final match, Portugal won on penalties

England crash out on penalties

Frank Lampard and Steven Gerrard after England's defeat.
Photograph: Clive Mason/Getty

os doentes ingleses!

We Have a Winner

Well, at least one, though there’s probably many more out there. Before today’s England-Portugal match I asked if we’d hear the word “Falklands” uttered if the English lost a game refereed by an Argentine. I think this qualifies as a winner. On Fox Soccer Channel’s “Ticket To Germany” tonight, the second English fan interviewed in Germany explained the outcome this way: “Argentinian ref. — not that we want to go into politics and stuff, but we’ve been cheated…. We were never going to win that, we could still be playing now, taking penalties and that referee wouldn’t have had it. Robbed, cheated, gutted. The Malvinas is ours and 1982 will be revisited tonight.”

Azul dramático



Les Bleus terrassent le Brésil !

Le match parfait

Les Bleus font chuter le Brésil (1-0), la France rêve

Le Brésilien, c'était Zizou

La France descend dans la rue pour fêter ses Bleus

Soberba

sábado, 1 de julho de 2006

Prá frente Portugal!


http://multimedia.iol.pt/iol/gar_multimedia/objecto_imagem/id/979/767

verão-miguel-vieira


Estilo: Science/Fiction Técnica: mista /desenho à mão, coloração digital
Ilustração p/ longa metragem em desenho animado da produtora TEVA (França, 2003)

"O festival de teatro já cá canta"

Até aqui Portugal ainda não tinha jogado no belo estilo CTT (Confusão, Traulitada e Teimosia) em que é campeão mundial. É uma arma secreta e convém não abusar dela.Mas a Holanda, coadjuvada por um árbitro tempestuosamente desequilibrado que parecia fugido das páginas de Dostoievski, provocou os mestres e recebeu a lição que mereceu.

A rapaziada holandesa, como tinha faltado às aulas de futebol, tentou compensar a falta de habilidade com os movimentos aprendidos nas aulas de mergulho.Bastava tirarem-lhes a bola para eles atirarem-se acrobaticamente como se de uma prancha olímpica. Infelizmente o pobre árbitro, um personagem torturado que se convenceu estar a assistir a uma recriação do inferno, deixou-se convencer por três ou sete mergulhos e prejudicou os portugueses.

Estes, obviamente, sentiram-se insultados porque os mergulhos dos holandeses eram de um amadorismo ridículo, faltando-se a verosimilhança do verdadeiro profissional de futebol, obrigatoriamente latino, que sabe o que é o teatro e fazê-lo como deve ser. E, de facto, aquilo não podia ficar assim.

Quando os holandeses, estimulados pela reacção aflita do pobre árbitro, decidiram reforçar o programa de fitas com um pequeno festival de porrada, o capitão Figo viu-se obrigado a decretar oficialmente o estilo CTT. A partir dali, embora a equipa portuguesa sofresse peripécia atrás de peripécia, o resultado final nunca esteve em causa. Porque atrás dos CTT havia uma equipa que sabe jogar futebol (o facto de nem sempre o fazer é irrelevante). Em contrapartida, os CTT dos holandeses eram a única coisa que sabiam fazer – e mal.

Esta vitória foi por isso dupla ou triplamente merecida e é neste contexto fandangueiro que se devem entender gestos aparentemente espúrios como a mão de Costinha ou a cabeçada do magnífico Figo. A violência e a batota da Holanda foram chocantes e inesperadas. Transformaram o jogo numa ópera bufa. Os portugueses simplesmente aceitaram as alterações e mostraram que não só jogavam melhor futebol como tinham mais jeitinho para essas altas cavalarias cómico-histriónicas.

Há vitórias que sabem melhor do que outras. Esta soube muito bem, muito obrigados. Um bocadinho a pato e tudo!

A coisa promete. E pode ser que depois de vencermos os ingleses venham os desafios realmente emocionantes!


Miguel Esteves Cardoso

recebido por e-mail