“Se um dia disserem que o seu trabalho não é de um profissional, lembre-se: A Arca de Noé foi construída por amadores; profissionais construíram o Titanic…“
terça-feira, 11 de setembro de 2007
Lendo a imprensa inglesa sobre o caso Maddy
Case against Kate and Gerry McCann submitted to public prosecutor in Portugal
Police want Kate charged with accidental homicide: A dossier of evidence calling for Kate McCann to be charged with the accidental homicide of Madeleine will be handed to prosecutors today.
Madeleine parents protest innocence
Father of missing British girl says distress he and his wife have faced over past week is 'beyond description'
DNA sample found in hire car an 'exact match to Madeleine'
Portuguese police have passed details of the Madeleine McCann case to the public prosecutor, who will assess whether charges should be brought against her parents.
Controversial past of policeman leading the McCann investigation
Dominic Lawson: This tidal wave of emotional tyranny
A sobrinha de Laden
Lucas Jackson / ReutersSobrina de Osama. Wafah Dufour, sobrina de Osama bin Laden, a su llegada al desfile de Marc Jacobs en la semana de la moda de Nueva York.
Las 23 mejores fotos del día
The history of September 11, 2001
The September 11 Digital Archive
11-S
Bin Laden mostrará los testamentos de los terroristas fallecidos en el 11-S
A Zona Zero
Tres rascacielos acompañarán a la Torre de la Libertad.
Hay webcams Webcams en la Zona Cero que recogen imágenes en directo de la zona.
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
O caso Maddy
Los padres de Madeleine quieren contratar al abogado de Pinochet
Cronología del caso Madeleine.
'¿Sedó usted a su hija?': el interrogatorio que convirtió a los padres en sospechosos
software malicioso
"Lixo" reciclado a peso de ouro!
Agitar a razão
Acerca Do Infinito, Do Universo E Dos Mundos, Giordano Bruno, 3.ª Edição, FCG, pp. 29
A lembrança dos nossos avós
António G. Mattoso, Excerto de "Ligeiras notas para a história do concelho de Arganil".
domingo, 9 de setembro de 2007
"Quinta-Coluna"
"Os três patetas" - Redação MSM
Mídia Sem Máscara
Alonso vs Hamilton
Massa tuvo que abandonar por problemas mecánicos.
Hamilton terminó segundo y Raikkonen, tercero.
INFORME: Conoce todos los detalles de la trama de espionaje.
Foto: EFEAlonso celebra el triunfo en Monza.
Alonso gana y se pone a tres puntos de Hamilton, que terminó segundo
"O conto da Al Qaeda"
Loretta Napoleoni, economista, periodista, novelista y experta en el mundo árabe, nos da hoy en El País una visión sobre Al Qaeda bastante diferente a la divulgada por los políticos y la prensa occidentales.
Arsenio Escolar Blogs 20minutos
Lendo a imprensa inglesa sobre o caso Maddy
Kate and Gerry McCann are flying home today after deciding to quit Portugal following hours of police questioning
Global ‘brand McCann’ may rebound on creators
Family and friends vent their fury
McCanns due to fly home Couple fear charges but DNA evidence that led to them being considered suspects was incomplete
Madeleine McCann's parents to fly home
Gerry and Kate McCann will leave the Algarve and return home to Britain today.
Madeleine's parents flying back to the UK from Portugal today The parents of missing Madeleine McCann will return to Britain from Portugal today amid fears they could be charged over their daughter's disappearance...
McCanns to fly home amid mounting speculation and fear of charges
Couple fear charges but DNA evidence that led to them being considered suspects was incomplete.
DNA gaps cloud Madeleine hunt
In pictures: Searching for Madeleine
sábado, 8 de setembro de 2007
O "maior jardim praiano do mundo"
Recordar o incêndio na favela Vila dos Pescadores
Com imagens do repórter fotográfico Carlos Moura, do Departamento de Imprensa da Prefeitura de Cubatão, este é o registro do incêndio que destruiu cerca de 20 moradias na favela Vila dos Pescadores, na tarde de 6 de julho de 2006, deixando como vítima fatal uma criança de seis anos. O texto é do editor de Novo Milênio, que esteve no local acompanhando a ação dos bombeiros até o rescaldo:
Novos indícios
La policía portuguesa apunta nuevas causas de la posible muerte de la pequeña Madeleine McCann. Así, Kate y Gerry pudieron administrar somníferos a sus hijos y Maddie pudo morir por una sobredosis.
Sospechan que 'Maddie' murió por sobredosis de somníferos suministrados por sus padres
Holograma
Rob Griffith / APDe Jesús a Osama. Tres vistas de un holograma del rostro de Jesús transformándose en Osama bin Laden expuesto en la National Art School Gallery de Sidney como parte de los finalistas del premio Blake. La obra de la artista australiana Priscilla Joyce Bracks se llama Bearded Orientals: making the Empire Cross y es un holograma que cambia mientras el espectador camina ante él.
À memória de Tó Monteiro
...Sei-o. O tempo tudo devasta. Sei-o. O ruído da nostalgia torna-se insuportável. Caminho de uma estação à outra do inferno./
...alheio ao fulgor que alumia o dormitório como uma carruagem de soledades que nunca se detém./
A noite abre os seus olhos infinitos e torna-se impossível reconhecer os poucos vestígios de vida abandonados por detrás destas paredes./
...O frio converte em ruínas a paisagem deste outono./
...a voz de um amigo vinda de lugares que nunca visitaste./
...As estantes também sofreram muitas mudanças./
...Com os anos.../
Aprendemos a domesticar as recordações e a construí-las à nossa imagem e semelhança.
Alcáçova
...A ruína, essa outra forma da memória./
...Sou eu mesmo.
A.Sáez Delgado
Dias, Fumo
"aqui neste papel descripto"
continuo a ler as Cartas da Guerra,
a privacidade de um Homem,
a relação com a mulher de um Homem isolado, só,
na guerra de um país que me viu nascer.
Estes aerogramas são um conjunto de palavras de valor ímpar.
Obrigado Maria José e Joana Lobo Antunes.
Lendo a imprensa inglesa sobre o caso Maddy
Portuguese police name both parents formal suspects in Madeleine's disappearance.
Madeleine: Shattered Gerry and Kate McCann BOTH declared suspects Portugese police have declared that Gerry McCann is a formal suspect in the disappearance of his missing four-year-old daughter Madeleine. Earlier police had accused Madeleine's mother Kate of killing their daughter by accident...
Both Madeleine parents now declared suspects
. Gerry McCann joins wife Kate as 'arguido'
· Mother offered light sentence for confession
· No charges and father rejects claims
Sympathy for parents muted by jeers and suspicion
Traces of blood turned grieving mother into suspect
Profile: Kate McCann
What is an arguido?
Timeline: Madeleine McCann case
'To implicate them is ridiculous'
In pictures: Searching for Madeleine
MADDY SENSATION
Cops: Did you kill Maddy by accident?
The detectives who grilled Kate McCann for 16 hours are said to have offered her a deal if she confessed to killing Madeleine.
Portuguese police make Gerry McCann a suspect
Police investigating the disappearance of Madeleine McCann last night declared her father a suspect, just hours after accusing the mother of killing the missing girl. continued...
From anguished parents to suspects
Kate and Gerry McCann, the parents of missing toddler Madeleine McCann, were both yesterday made official suspects in the case, though neither has been charged.
RELATED STORIES
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sexta-feira, 7 de setembro de 2007
Concentrado
Max Rossi / ReutersPreparativos en Monza. Fernando Alonso, piloto de McLaren, se prepara para los entrenamientos en el circuito de Monza, donde este fin de semana se celebra el Gran Premio de Italia de Fórmula Uno.
24 horas en fotos
da "Estação das chuvas"
AGUALUSA, José Eduardo - Estação das chuvas - romance
Agualusa
Novo Blog
Os meus avós paternos
O tio César resolveu vender tudo, casa, terras, oliveiras e castanheiros e abalou com a sua mulher a tia Maria Trindade, sua filha Maria de Jesus e seu genro José Fernandes e cinco netos todos ainda menores para uma terra estranha, Janeiro de Cima do concelho do Fundão.
No largo da Eira estava toda a povoação a despedir-se dos vizinhos que partiam. Nestes momentos, há sempre algumas lágrimas, gente que chora com saudades dos que partem, e os que partem com saudades dos que ficam. Um carro de bois estava carregado com os poucos tarecos, roupas e alguns proventos para fazer face aos primeiros meses da numerosa família de nove pessoas.
Então o tio César Joaquim, homem firme nas suas decisões vendo que a despedida se estava a tomar difícil e penosa com choros e lágrimas, disse para o homem do carro de bois que alugara e onde já estavam sentados os seus jovens netos:
- Homem, toque lá os bois que nós não vamos para nenhum enterro, vamos para uma terra mais produtiva e melhor de cultivar que esta...
E lá partiram, deixando e levando muitas saudades da sua terra natal. Esta partida foi nesse distante mês de Janeiro do ano de 1932 e ainda hoje é recordada com saudade por aqueles que a viveram.
Em Janeiro de Cima o tio César e família instalaram-se na grande casa da Eira, numa suave colina donde se vê toda a povoação. Era um sítio e privilegiado. Ali ao lado, a capela da Senhora do Livramento cuja grandiosa romaria é sempre no terceiro Domingo de Agosto. Lá mais no alto no cabeço arredondado existe outra ermida, a de S.Sebastião. A povoação de Janeiro de Cima era bastante populosa a espraiar-se numa extensa planície rodeada de frondosas e bem cultivadas oliveiras, belas hortas onde o milho, o feijão, a batata e a couve enchiam a vista. Para lado Sul, corriam as águas do rio Zêzere, no Inverno mais furioso e cachoeiro e no verão mais lento, fazendo rolar as azenhas e as rodas de tirar água. Estas rodas são engenhos com púcaros cuja água segue por uma levada até á represa. Esta depois de cheia serve para regar os verdes milharais dos férteis lodeiros.
A laboriosa família tinha de trabalhar, cultivar as terras que comprara, tinha que se integrar no ambiente de uma terra estranha, de gente pouco comunicativa, pouco aberta, como era a gente do rio. Tinha de executar e aprender novas técnicas de cultivo, porque “cada terra com seu uso cada roca com seu fuso”. Tinha de enfrentar um clima bastante mais quente, porque aqui já se faz sentir o bafo escaldante da Cova da Beira.
Tiveram que refazer uma casa agrícola, podar videiras, limpar oliveiras, reparar levadas e paredões dos lodeiros, comprar cabras e ovelhas, porcos e galinhas, para fazer o estrume, montar no Verão as rodas no rio, lavrar as terras, enfim fazer todas as tarefas que são necessárias na agricultura.
Mas para o tio César Joaquim e sua família, o trabalho não lhes metia medo. O tio César era homem corajoso, já tinha ido durante mais de trinta anos com seu pai e irmãos para a região de Badajoz para a ceifa. Era obra!.
Quantos trabalhos e privações não passaram estes pobres homens nestas distantes deslocações feitas quase sempre a pé, longe da sua terra e da sua família? O trabalho não assustava o tio César Joaquim, habituado sempre ao trabalho duro de Sol a Sol, por isso, atirou-se com unhas e dentes às tarefas agrícolas para que nada faltasse à numerosa família, e em poucos meses, pelo São Miguel a sua mesa já era farta. Não faltava pão com abundância, o feijão, a batata, o queijo a fruta e outros mimos.
Em poucos meses, a família da casa da Eira era vista com respeito e com alguma admiração pelo seu trabalho, pelo trato afável, pela sua alegria de viver, pela sua caridade em dar aos pobres que lhe batiam à porta, e eram muitos. A povoação estava sempre ciosa a bisbilhotar o trabalho e o viver da gente da Eira que chegou de outra terra que não conheciam nem tinham ouvido falar.
O tio César, o velho timoneiro - da família, firme no seu posto, não tinha um momento de descanso, sempre a trabalhar sempre na lida para que nada faltasse à família. Os netos e as netas lá iam trabalhando também, e os mais novos, frequentavam escola local, e iam dando boa conta de si perante a alegria do avô César e dos pais José Fernandes e Maria de Jesus. A tia Trindade na lida da casa era a personificação da bondade e de uma verdadeira santa do lar.
À noite, depois de um dia de trabalho árduo, a reza era ponto de honra. Todos mesmo cheios de sono rezavam e davam graças ao Senhor. Ali mesmo ao lado a Senhora do Livramento escutava todas as noites atentamente o que aqueles filhos lhe pediam em fervorosas orações, e não deixava certamente de lhe dar a sua bênção protectora.
Eram santos a rezarem a outros santos bem abençoados os puros do coração que sabem ser gratos a Deus. Eles entrarão triunfantes no reino de Deus.
O tio César, bastante cedo foi chamado para o reino dos justos, com grande pesar e consternação de toda a numerosa família.
Agora quem ia tomar o leme embarcação era o seu genro José Fernandes pai de oito filhos, homem também trabalhador, de fino trato, inteligente, culto, estudioso e de larga visão das coisas e situações. José Fernandes, devido à sua honestidade e bondade soube conquistar amigos e integrar-se perfeitamente nos problemas da freguesia e nas suas instituições, chegou mesmo a ser durante vários anos presidente da Junta da Freguesia e também alguns anos mordomo das festas religiosas que se celebravam na freguesia.
A sua esposa, Maria de Jesus, foi uma verdadeira santa, uma luz que brilhou sempre na Eira. Nenhum pobre, e eram muitos que ali iam pedir esmola, ficam sem uma dádiva, uma palavra de conforto, um sorriso, uma esperança...
Maria de Jesus, foi também a personificação de uma verdadeira esposa e mãe. Conservou sempre uma postura terna, amável e acolhedora até ao fim da vida, e nunca esqueceu as virtudes que levou da sua aldeia de Ceiroquinho escondida entre serranias. Carinhosa, conciliadora, alegre, conselheira, piedosa...
O seu coração era um mar bonançoso.
A família Ceiroquinhense composta por nove pessoas que um dia chegaram a Janeiro de Cima multiplicou-se, hoje, já na terceira ou quarta geração, com algumas dezenas de pessoas, filhos, netos, bisnetos e trinetos tem trabalhado honradamente para o engrandecimento dessa terra airosa, que é Janeiro de Cima, honrando também os seus progenitores César Joaquim e a tia Preciosa Pereira Maria Trindade e José Fernandes e Maria de Jesus que já partiram para o Céu.
António Jesus Fernandes - Contos
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
O lado negro de uma vida
Lavado de carbón. Un trabajador lava carbón para eliminar impurezas e incrementar su valor en una mina en Rujigou, China. Aproximadamente el 70 % de la energía en China procede del carbón, lo que supone un enorme coste para el medio ambiente además de pérdidas humanas. China consumió aproximadamente 2.400 millones de toneladas de carbón en el 2006, lo que supera el consumo conjunto de Reino Unido, Japón y Estados Unidos, según se afirma en un reciente informe publicado por la revista Asuntos Exteriores.Las 20 mejores fotos del día
professores a mais e ministra a menos
O Jumento
Em memória de Tó Monteiro
e alcança poderes crescentes;
a espécie gera a espécie
em milhões de anos
Mundos morrem e nascem.
Na alegria de viver, tu, a quem foi concedido
ser uma flor desta primavera,
goza um dia em honra do eterno
na condição de homem;
oferece o teu óbolo
até ao surgir do eterno,
respira num único e
imperceptível fôlego
o dia eterno!
(Salmo II / Bjornstjerne Bjornson)
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
António Monteiro
O tempo parou a 4 de Setembro
O dia entoa a sua última canção...
Como é possível que não me tivesse dado conta de que o meu coração também ardia?
Chega o momento de ver em silêncio o trânsito dos dias felizes até outra morada.
A memória é agora um montão de brasas fumegantes no meio de uma paisagem desolada.
As brasas de outros dias repousam a teu lado vás para onde fores.
António Sáez Delgado - Dias, Fumo
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Geishas
Blogs 20minutos - Chapi Escarlata - Diario de una periodista cuarentañera, para nada amargada
A paisagem suprema do corpo humano
sensibilidade linguística
Não diga que se apaixonou. Diga que se encaprichou...
Inesperada sensibilidade linguística!
pp 52, Contos Apátridas
o acto das damas
pp 41, Um Tradutor Em Paris, Atxaga Bernardo
as palavras
pp41,42 Contos Apátridas
Joris Van Spilbergen
Conta Netscsher, o historiador dos holandeses no Brasil, que "Joris Van Spilbergen foi enviado em 1614 pela Companhia das Índias Ocidentais, para procurar, pelo Estreito de Magalhães, uma passagem mais curta para as Molucas, e a sua expedição compunha-se de seis navios: o Groote Maan, o Jager, e o Meeuw, pela Câmara de Amsterdam; o Eolus, pela Zeelândia, e o Morgenster, por armadores de Rotterdam e que, chegada ao Brasil, ancorou junto à Ilha Grande, e, depois, perto de Santos ou São Vicente, a fim de refrescar, pois a equipagem ia enfraquecida e enferma". Conta ele que os portugueses deste lugares receberam os holandeses de maneira hostil, de modo que tentando o almirante relações de comércio, dadas aquelas circunstâncias, faz-se a vela de novo, para deixar aquelas inóspitas paragens; mas, antes de partir tomara uma caravela portuguesa carregada de prata, de relíquias, de cruzes e de bulas de indulgência. "Propusera o almirante aos portugueses trocar os tripulantes e a carga do navio apresado por alguns holandeses retidos no Rio de Janeiro; mas fora em vão; eles (moradores) recusaram, dando assim uma demonstração viva do seu ódio aos holandeses, ódio tão profundo, que lhes impusera tal sacrifício de seu próprio interesse". Isto é o que conta Netscher, mas a verdade anda bem longe de quanto ele afirmou, procurando atenuar culpas históricas dos homens de sua pátria. O histórico dessa passagem marítima acha-se feito, segundo Taunay, por um precioso, embora tosco, documento iconográfico: uma estampa de Miroie Oest et West Indical, publicada em 1621 por Jan Janez, editor de Amsterdam, cujo título vem a ser: Le portrait de Capo de St. Vincent en Brésil. Nela se vêem as cinco naus holandesas bloqueando a barra de Santos, ao passo que a Gaivota vigia o porto de São Vicente. Assinala-se no canal o ponto extremo a que chegou o Caçador, a certa distância de uma fortaleza grande, cujo fogo os escaleres de reconhecimento não ousaram enfrentar. As duas povoações (vilas) de Sanctus e St. Vincent têm portas, estacada, igrejas, edifícios altos, sendo a segunda maior do que a primeira. Notam-se em diferentes pontos do litoral numerosas tropas de índios e brancos armados, à espera do desembarque dos batavos. Vêem-se ainda o incêndio do Engenho (de Jerônimo Leitão), da igreja de "S. Marie de Nague" (sic) - "Santa Maria das Naus" ou "Nossa Senhora das Naus" - e de um depósito de açúcar (trapiche do Engenho de Jerônimo Leitão), vários indivíduos em torno de uma espécie de caldeirão, uma cena de desembarque, outra de marcha em formatura, um índio balançando-se numa rede suspensa de duas palmeiras e sobre uma fogueira, e dois índios nus: "A fim de que se saiba como se vestem os brasileiros, homens e mulheres"... Continua Taunay, de quem extraímos estas linhas: "A viagem de Spilbergen foi uma das mais felizes nos fastos navais holandeses", e em julho do mesmo ano, já nas águas do Pacífico, defrontou ele a esquadra real espanhola daqueles mares, cujo almirante era Pedro Alvarez de Pulgar e cujo general era Don Rodrigo de Mendoza, com oito grandes galeões de guerra e 2.000 homens de guarnição, derrotando-a mercê de sua grande capacidade de estrategista naval. Por notícias documentais de Amador Bueno da Ribeira, sabe-se que, por ocasião do aparecimento de Spilbergen na costa santista, desceu ele com um corpo de paulistas e de índios, armados à sua custa, e de outros paulistas eminentes, em socorro da vila, salvando-a após rudes combates na faixa praieira auxiliado pela Fortaleza da Barra Grande ou "de Santo Amaro", e pela artilharia pesada postada na praia do Embaré, seguida a tática militar aconselhada naquelas circunstâncias. Era Capitão-mor da Capitania, então, Paulo da Rocha Siqueira, residente em Santos, e ele com os principais da terra e mais o socorro trazido por Amador Bueno e Lourenço Castanho Taques conseguiram, ao cabo de algum tempo, a expulsão dos numerosos e aguerridos soldados e marinheiros do almirante holandês. A narrativa desta jornada, afirma Taunay, deve-se ao escrivão da capitânia, João Cornelissen de Mayz, que a escreveu em latim, no ano de 1617, tendo-se dela extraído, imediatamente, várias edições, holandesas, francesas, inglesas e alemãs, e traz para a história de São Paulo o conhecimento do episódio interessante que procuramos esboçar. É pena que nada possamos aduzir ao relato de Mayz, porque, como já afirmou Taunay, "atas seiscentistas das Câmaras de Santos e São Vicente, é coisa que, desde séculos, não existem vestígios, e, infelizmente, na série das Atas da Câmara de São Paulo, exata e deploravelmente, verifica-se, no ano de 1615, a longa lacuna do semestre que compreende a época da estada de Joris Van Spilbergen e sua esquadra na barra de Santos. Talvez em Portugal, no Arquivo Colonial e em outros Arquivos, exista documentação mais ampla a este e a outros respeitos, capaz de complementar e restaurar a nossa história. Mas... convencer os nossos homens públicos da necessidade dessa pesquisa, eis uma coisa difícil... Ora a História! Foi em conseqüência desta invasão e do inestimável socorro trazido a Santos, na premência da ameaça de invasão holandesa, que Amador Bueno da Ribeira tornou-se logo depois Capitão-mor de São Vicente, com residência em Santos, a pedido de todo o povo, mas sem aceitar nenhuma remuneração, conforme sua exigência, como condição para aceitar o honroso encargo, podendo-se inscrever essa arribada dos holandeses, verificada nos primeiros dias de fevereiro de 1615, como uma das páginas agitadas dos primeiros tempos da cidade de hoje.
(*) Extraído da "História de Santos" - 2ª edição, Santos/SP, 1986.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
A-380
Correio electrónico
Documentos / 2
O passado de Arganil / Conclusão.
Assim parece, de facto. Realmente, em 25 de Dezembro de 1114, isto é, oito anos antes da data do diploma em questão, dá o mesmo bispo D. Gonçalo uma carta de povoação a Arganil. Se a vila lhe pertencia nesta data, como tal carta parece demonstrar, para que era necessária a doação de 1122? O que pode concluir-se é que seria mais do que duvidosa a sua posse pela mitra de Coimbra, e, para a legalizar, houvesse necessidade de documento autêntico. Inexistente este, forjou-se a interpolação, metida a picareta na doação de Coja.
(...) Quer lhe pertencesse quer não, a verdade é que D. Gonçalo, outorgou a Arganil, em 1114, uma carta que tem extraordinário valor para conhecermos a situação económica e social dos seus habitantes, neste começo do séc. XII. Resumindo o conteúdo deste documento, escreve Alexandre Herculano: «Dividia-se a população em jugadeiros e cavaleiros-vilãos. Especificavam-se... os direitos de caça, a parada ou colheita, e o serviço de caminheiros, não esquecendo declarar que os cavaleiros-vilãos ficavam isentos de jugada. Determinava-se a natureza que adquiriam os prédios passando da mão dos peões para a dos cavaleiros-vilãos, bem como as condições necessárias para qualquer ser incluído nessa categoria. Em todo o foral, porém, não há uma única circunstância que revele a existência, em Arganil, de magistraturas próprias, e sem uma como adição feita nesse diploma depois de expedido, ele não passaria de um simples contrato civil.» Esta adição, redigida em nome dos colonos, é a seguinte: - «Além de tudo, acrescentámos um sexteiro a cada boi para que nos não pusessem ninguém por alcaide senão a nosso contento».
A existência de um alcaide em Arganil - continua Alexandre Herculano - manifesta-nos que a povoação era um lugar forte, um castelo, e que os colonos dependiam do casteleiro, o qual, por isso, reunia, em si, cargo militar e magistratura civil. Mas até onde se estendia esta? Eis o que não é possível dizer. Todavia, é provável que as suas funções civis se limitassem às de exactor. O direito de intervir na sua eleição, que os moradores compram por um aumento de encargos, dá porém a Arganil um carácter de concelho rudimentar».
(...) Assim se explica que o verdadeiro foral de Arganil, datado de 1175, seja outorgado por D. Pedro Ubertiz, nos últimos anos do reinado de D. Afonso Henriques, falecido 1185. Dizemos «verdadeiro foral de Arganil», visto ser este que D. Dinis confirma e serve de norma a D. Manuel I, quando o «Venturoso», em 1514, dá novo foral a Arganil, encabeçadopor estas palavras: - «Foral da vila de Arganil, do bispado de Coimbra, dado por Pero Ubertiz, confirmado por El-Rei D. Dinis per as rendas de Arganil...».
Comparando este foral com a carta de povoação do bispo D. Gonçalo, verifica-se o seguinte: - mantêm-se as características rurais do concelho, agora mais acentuadas, devido às referências aos seus lavradores, caçadores e pastores. Não se fala em jugada nem no alcaide. Dão-se garantias especiais à herdade dos cavaleiros. Mencionam-se as penalidades a que ficam sujeitos os que praticam determinados crimes. Na formulação destes, sobressaem alguns casos curiosos: - Assim: O que encontrasse alguém a roubá-lo, não pagava multa pelos ferimentos que lhe causasse. À terceira vez, o ladrão eraaçoutado, tosquiado e expulso «para além do Alva», ou seja para fora do concelho, o que, aliás, já acontecia anteriormente, segundo dispõe a carta de D. Gonçalo. O que quisesse provar o seu direito com «bordão e escudo» pagava um bragal. tratava-se - nota o dr. Cabral Moncada - da velha prática do duelo judiciário, de influência germânica, garantem vários investigadores. Segundo este costume, com o qual a Igreja só conseguiu acabar no séc. XIV, os vizinhos dirimiam entre si os seus direitos pelas armas (no nosso concelho serviam-se do bordão e do escudo, como vimos), dando às suas contestações de direitos pessoais e familiares o carácter de verdadeiras formas de uma justiça privada. Era uma justiça bárbara, na verdade, mas reveladora de coragem e da honra de quem não temia recorrer a ela, na formulação das penas, aparece-nos agora, em Arganil, o conselho dos homens bons, ouvido sempre que têm de ser aplicadas algumas destas, as mais graves.
António G. Mattoso, «Conferência Integrada nos trabalhos do I Congresso Regionalista da Comarca de Arganil»,1960«
domingo, 2 de setembro de 2007
"Sky"
El director de "Google Earth" en Zurich, Samuel Widmann, presenta la versión "Sky" del programa durante una rueda de prensa celebrada en el planetario de Hamburgo."pornográfica" de Bush
Collage del rostro del presidente Bush, creado por el artista Jonathan Yeo con fragmentos de imágenes pornográficas y expuesto en el Soho londinense.Death Proof
http://blogs.20minutos.es/ezcultura
Diana de Gales
El 25 April 1985, Juan Pablo II recibió en adiencia privada a la princesa Diana de Gales, un encuentro histórico, al ser ella anglicana, religión que no reconoce la autoridad religiosa de los papas.Especial 10 años sin Lady Di
Freguesia de Arganil
No final do século XII era a vila e seu termo pertença de uns fidalgos de apelido Uzbertes, tendo continuado na posse de um seu descendente: Afonso Pires de Arganil. Este fidalgo passou a maior parte da sua vida no estrangeiro ao serviço de D. Pedro, filho de D. Sancho I, tendo sido ele que se deslocou a Coimbra, por ordem do seu senhor, para entregar as Relíquias dos Cinco Mártires de Marrocos, em Santa Cruz.
Seguiu-se-lhe seu filho Pedro Afonso de Arganil e Samora e mais tarde a neta, D. Marinha Afonso, casada com o poeta e guerreiro Fernão Rodrigues Redondo.
Por falta de descendentes, D. Afonso IV, por permuta, conseguiu integrar Arganil na posse do seu reino e, dividindo-o, reservou para si a parte que abrangia Pombeiro da Beira e, em 1354, incluiu o remanescente no dote que D. Maria, filha natural de D. Pedro I, levou ao casar-se com Fernando de Aragão. Como também este casal não teve descendência foi Arganil reincorporada na coroa, que colocou, quase de seguida, sob a alçada de D. Beatriz, filha do rei D. Fernando e de Leonor de Teles.
Em 1355 o rei D. Afonso IV entregou a Martim Lourenço da Cunha, por permuta, a parte que havia conservado para si, dando, deste modo, origem ao senhorio de Pombeiro da Beira.
Depois da morte da rainha de Castela, D. João I doou o senhorio Arganil a Martim Vasques da Cunha, seu partidário, ligado aos de Pombeiro da Beira e de Tábua, tendo posteriormente, apesar de ter ataiçoado o Mestre de Aviz, conseguido autorização para trocar o senhorio de Arganil com o Cabido de Coimbra pelas terras de Belmonte e S. Romão.
Arganil passou desta forma, em 1394, para a posse dos Bispos de Coimbra, que passaram a ostentar o título de Condes de Arganil, tendo já nessa altura o de Senhores de Coja, Avô e Lourosa. A partir desta data Arganil manteve-se sob o domínio dos seus novos senhores até 27 de Setembro de 1829, quando nomearam para alcaide José António de Figueiredo.
D. Manuel I, aquando da reforma dos forais, concedeu, a 8 de Junho de 1514, «nova carta» a Arganil. Tal documento, ainda que sem folha de rosto, encontra-se ainda hoje, na Câmara Municipal e foi através dele que se regeu a vida da população local durante largo período de tempo.
Em 1550 foram reformulados os estatutos de uma colegiada, pertencente ao padroado real, e que provavelmente teria sido fundada nos finais do século XIV. Tal colegiada foi extinta em Dezembro de 1848, por falecimento do último dos quatro beneficiados que a formavam: o Rev. José António do Soito.
Em 1647 o rei aprova os estatutos de uma Misericórdia, na sequência da confraria de Nossa Senhora da Conceição. A última sobrevivente do primeiro provedor, Pedro da Fonseca, foi D. Maria Isabel de Melo Freire de Bulhões, Condessa das Canas, que ao falecer, em 1879, doou todos os seus bens de que era possuidora nesta zona, para que com o produto da sua venda, fosse fundado um hospital, no seu solar de Arganil. Assim nasce o Hospital Condessa das Canas da Misericórdia de Arganil.Este porém não foi o primeiro estabelecimento de assistência a existir em Arganil, dado que nas casas de hospedaria, outrora anexas à Capela da Senhora da Agonia, funcionou entre 1856 e 1890 um incipiente hospital, por iniciativa do Dr. Luís Caetano Lobo, à data reitor da paróquia de Arganil.
As invasões francesas, em 1809, deixaram a sua marca em Arganil. As tropas de Wellington estiveram aquarteladas na Capela da Misericórdia e dela fizeram local de guarida e de depósito de munições, tendo pilhado, destruído e devastado tudo o que puderam. As pratas das igrejas foram o seu principal alvo.
Na primeira metade do século XIX, com o conflito entre liberais e absolutistas, destaca-se a figura do P.e Manuel Vasconcelos da Costa Delgado, «homem inteligente e culto, liberal por actos e convicção», a quem Arganil muito deve do desenvolvimento que posteriormente veio a beneficiar.
Outra figura de destaque da mesma época é o Dr. Luís Caetano Lobo, que lutou pela instauração de uma escola feminina e por um curso de alfabetização nocturno para adultos e menores, tendo ele mesmo ensinado a ler e escrever, utilizando o método de Castilho. Foi também, juntamente com a Junta da Paróquia, em 1857, quem pressionou junto da Câmara no sentido desta vir a iluminar, durante a noite, com azeite, as principais ruas da vila. Nesta altura Arganil possuia certamente um elevado grau de cultura, pois só assim se compreende que já em 1810 existissem professores régios de primeiras letras e ainda de retórica, filosofia, geometria, grego e latim.
Breve Resenha Histórica do Concelho de Arganil
sábado, 1 de setembro de 2007
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Documentos
O passado de Arganil.
(...) Embora não faltem documentos referentes a Arganil e outras localidades do seu actual concelho, parece-nos que só após a tomada de Seia, Viseu, Lamego e Coimbra, a nossa região se libertou definitivamente do jugo infiel. É natural, mesmo, que nem luta tivesse havido. Metida entre Seia, Viseu e Coimbra, que haviam sido tomadas pelos cristãos, e defendida dos muçulmanos da Beira Baixa pela barreira da Estrela, a sua defesa, confiada, por certo, a pequena guarnição militar, dado o facto da maioria dos seus habitantes serem moçárabes, como já vimos, não tinha a mínima possibilidade de se manter. De resto, a penetração cristã para montante de Mondego e seus afluentes, já vinha enfraquecendo, havia alguns anos, a resistência infiel, e preparando o caminho para continuar neste sentido.
É o que demonstra a acção do mosteiro do Lorvão, fundado no último quartel do século IX, pouco depois da tomada de Coimbra, em 878, por D. Afonso III de Leão. Dotado de enorme actividade, inicia, desde logo, uma valiosa obra de repovoamento que, só em volta da nossa região, se estende de Ceira, Serpins e Vilarinho, a Penacova e outras localidades vizinhas, passando a Gondelim, na foz do Alva, onde chega a viver o conde Diogo Fernandes, primeiro governador de Coimbra, após a conquistada cidade, em 878, e também senhor de Alquinícia, Louredo, Oliveira e outros lugares, até Miranda do Corvo. De Gondelim, a população cristã chega a Mucela e Sarzedo, Santa Comba Dão, Midões, Travanca, etc.
(...) uma vez novamente reconquistada Coimbra, em 1064, prossegue com intensidade crescente, sob a direcção do seu governador, o conde Sisnando. O território que administra abrange a zona que se estende até ao Douro, incluindo Lamego e Viseu, e confina, para Leste, com o distrito civil e militar de Seia, englobando, portanto, a nossa região, incluindo Arganil, onde a darmos crédito a Frei Nicolau de Santa Maria, já existiria o convento de S. Pedro de Arganil, segundo documento por este citado, datado de 1080, altura em que teria passado para Folques. (vidé Frei Nicolau de Santa Maria - Chronica da Ordem dos Conegos Regrantes do Patriarcha Santo Agostinho, Parte II, Lisboa, 1668, pág. 158 e segs.)
(...) Que se passava, por esta altura, na nossa região? Em 1111, nova investida dos Sarracenos leva-os à conquista de Santarém, Lisboa e Sintra. «Para lhes obstar a conquista de Coimbra - diz o historiador padre Gonzaga de Azevedo - dera o conde D. Henrique, no mesmo ano, foral a Soure; nesse, ou nalgum dos imediatos. Miranda da Beira, pelo lado de Leste, e Santa Eulália, a Poente, sobre o Mondego, receberam presídios e foram repovoadas. Este sistema defensivo, constituído por três fortes castelos, que cobriam e desafogavam a cidade (de Coimbra) dos primeiros assaltos, era completado por outros redutos, levantados na direcção Nordeste-Sudoeste, e apoiados nos contrafortes da Serra da Estrela - Coja, Arganil e Seia - formando todos como que uma nova fronteira contra os inimigos do Sul. (...) Os muçulmanos tomaram Miranda da Beira e Santa Eulália, destruiram Soure, cujos habitantes haviam fugido, e, no ano seguinte, investiram contra Coimbra, onde chegarama a entrar, mas da qual não conseguiram apoderar-se. «Soure - continua Gonzaga de Azevedo - ficou por sete anos ao abandono. Coja e Arganil foram doadas, com as terras dependentes, em 1121, a Fernão Perez de Trava, e, no ano seguinte, à Sé de Coimbra e seu bispo D. Gonçalo, recebendo aquele o forte de Santa Eulália, sobre o Mondego, e, em 1122, o castelo de Soure». Também lhe foi doada Seia, neste mesmo ano.
E quanto a Arganil? - Em relação a Arganil, creio que não podemos aceitar as conclusões de Gonzaga de Azevedo. Por um lado, contrariamente ao que assevera, na carta de escambo de que já falámos, trata-se apenas de Coja. Arganil não aparece ali mencionada. Não menciona, igualmente, tal doação o «Livro das Calendas da Sé de Coimbra», que só se refere a Coja. (vidé Livro das Kalendas, ed. Pierre David e Torquato de Sousa Soares, Vol. I, Coimbra, 1947, pág. 205). É certo que esta doação à Sé de Coimbra aparece juntamente com a doação de Coja, no documento de 1122. Mas trata-se - esclarece o dr. Rui de Azevedo - de uma «interpolação» certamente feita - diz este ilustre investigador - com «propósitos fraudulentos». (vidé In Documentos Medieviais Portugueses, cit. pág. 78 e segs.)
António G. Mattoso, "Ligeiras notas para a história do concelho de Arganil".
I Congresso Regionalista da Comarca de Arganil.
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
A tese de Alexandre Herculano
Arganil: um olhar sobre o passado.
A tese de Alexandre Herculano, segundo o qual os Lusitanos não só se teriam corrompido, mas, mesmo, desaparecido, devido, sobretudo, ao domínio romano (vidé Alexandre Herculano - História de Portugal, Vol. I, 1914, pág. 48 e segs.), opõem-se hoje numerosos investigadores, que, embora em sentido lato, os consideram como «o mais importante elemento etnológico dos Portugueses», no dizer do prof. Mendes Correia (vidé A. A. Mendes Correia - Raízes de Portugal, Lisboa, 1938, pág. 51 e segs.). Nem os Romanos - continua este investigador - eram multidão formidável que alastrasse «por todo o solo conquistado, substituindo, integralmente, as populações preexistentes», nem lhes era possível apressar a sua influência, necessariamente de absorção lenta pela massa indígena, «numericamente predominante, geograficamente adaptada e fisiologicamente enraízada». (vidé A. A. Mendes Correia - Os Povos Primitivos da Lusitânia, Porto, 1924, pág 371 e segs.).
Até que ponto sentiram os habitantes da nossa região a influência romana? - Que este alastrou através de algumas localidades da planície, naturalmente indicadas para centros administrativos e militares, não é possível pôr-se em dúvida, embora os testemunhos desta influência sejam bastante modestos. Enquadrados entre Conímbriga, Aeminium, Bobadela, Idanha, que uma bela via parece ter ligado, não repugna aceitar um contacto mais ou menos profundo entre dominadores e dominados. Que este contacto houvesse penetrado em profundidade na zona sertaneja, reduto difícil de atingir, e muito mais de defender, é que é caso para duvidar. Dizemos «em profundidade», visto ser de aceitar que, mesmo aqui, não deixasse de chegar, quer o cobrador de imposto, quer o funcionário adventício, sem que esta passagem fosse suficiente para alterar a fisionomia, modificar os costumes e corromper a raça dos vigorosos habitantes da montanha.
(...) Já vi afirmar, sem quaisquer provas, aliás, que Arganil, velha cidade romana, fora atacada e destruída peloa árabes em 716. Creio tratar-se de pura fantasia. Importante cidade romana não parece ter sido. Nada o documenta. Nem textos nem ruínas ou outros documentos arqueológicos. A romanização das Beiras foi muito superficial - ensina o dr. Sousa Soares. (vidé Torquato Brochado de Sousa Soares - Obra, cit., pág. 21, Nota 5. As suas principais povoações - Conimbriga e Aeminium - dotadas da importância que todos conhecem, foram, apesar apesar disso, cidades estipendiárias, «o que demonstra - diz este sábio professor - que os seus habitantes resistiram à conquista dos invasores romanos, e continuaram a regular-se pelas suas leis, mediante o pagamento de tributo». Se isto acontecia em aglomerados deste relevo, o que pensar das localidades da nossa região, muito mais difíceis de atingir, e, portanto, mais alheias à penetração romana?
Que esta aqui chegou, não pode ser posto em dúvida, como já afirmámos anteriormente. No ano de 138, antes de Cristo, logo a seguir à morte de Viriato, o cônsul Décio Juno Bruto, percorre a Estremadura e a Beira, onde destrói trinta povoações, e estabelece um campo fortificado em Viseu. Mais tarde organiza-se o acampamento de Antanhol, perto de Coimbra, só ultimamente descoberto. As sublevações, no entanto, nem por isso terminam. Diminuem apenas de intensidade, à medida que se intensifica o domínio romano, que vai alargando a sua influência, ajudado pela proximidade do centro da Lusitânia, onde as instituições romanas adquirem amplo desenvolvimento. Nestas condições, o que parece, talvez, mais conforme com a realidade, é que Arganil não passasse de humilde povoação aberta, tendo, como centro de refúgio e protecção, nos momentos graves, o velho castro da Lomba do Canho, onde o dr. Castro Nunes encontrou, num estrato com cerâmica datada dos primórdios da ocupação romana, mais de cem projécteis de catapulta. (vidé João de Castro Nunes - Obra cit., pág. 6.)
António G. Mattoso, "Ligeiras notas para a história do concelho de Arganil".
I Congresso Regionalista da Comarca de Arganil.
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
Um pouco de História / 1
Esta organização data de 1936, embora se possa dizer mais ou menos fixada a partir da reforma administrativa de 1832, seguida das modificações que surgiram posteriormente - 1835, 1836, 1842, 1878, 1886, 1895, 1896 e outras.
Convém lembrar que Arganil, durante muito tempo pertenceu à comarca ou correição da Beira, passou em seguida, para a da Estremadura, e, em 1533, para a de Coimbra. Também da Procuradoria desta cidade se manteve dependente até 1647. Fernando Falcão Machado - O «Mapa dos Direitos do Foral de Coimbra em 1824», in «Coimbra» (Colectânea de Estudos organizados pelo Instituto de Coimbra e dedicada à memória do seu consócio honorário Dr. Augusto Mendes Simões de Castro), Coimbra, 1943, pág. 530.
O verdadeiro foral de Arganil, datado de 1175, seja outorgado por D. Pedro Ubertiz, nos últimos anos de reinado de D. Afonso Henriques, falecido em 1185. Dizemos «verdadeiro foral de Arganil» visto ser este que D. Dinis confirma e serve de norma a D. Manuel I, quando o «Venturoso», em 1514, dá novo foral a Arganil, encabeçado por estas palavras: - «Foral da vila de Arganil, do bispado de Coimbra, dado por Pero Ubertiz, confirmado por El-Rei D. Dinis per as rendas de Arganil...
(...) quando enquadramos o nosso concelho nas divisões mais amplas, quer se trate dos primitivos distritos, ou «terras», quer das «comarcas» e «procuradorias», variáveis em extensão no suceder das idades.. Bastará, como exemplo, lembrar que Arganil, durante muito tempo pertenceu à comarca ou correição da Beira, como atrás já se mencionou.
Estes factos obrigam-nos mais a olhar mais para a região do que para o edifício concelhio que aqui veio a formar-se, e, dentro da região, para as diversas localidades, a que a dubadoira do tempo deu vida e fisionomia especial.
Verdade seja que, analisadas estas, erguido ficará o corpo da nossa «pequena pátria», animado pela alma que os laços do sangue e da terra modelaram. Para tanto, importa, primeiro, conhecer o lastro humano aqui lançado, amorosamente preso ao solo, e por este amamentado na luta pela vida e na resistência ao invasor.
Vem do fundo das idades, de tão longe que mal ousamos descortiná-la na névoa da distância, a lembrança dos avós de nossos avós, aqui estabelecidos. As investigações de do dr. Castro Nunes não nos deixam hoje dúvidas a esse respeito. (vidé João de Castro Nunes - Novos elementos para o estudo da arte castreja em Portugal, Guimarães, 1958, pág.6 e segs. O castro da Lomba do Canho, vizinho da anta dos Moinhos de Vento, apesar de ainda incompletamente explorado, revelou-se tão rico de testemunhos, que já não nos é possível negar a existência desses nossos remotíssimos antepassados, possivelmente pertencentes à raça vigorosa dos construtores dos dólmens, genealogicamente relacionados com os Lusitanos, seus não menos vigorosos descendentes.
Olhando para o mapa das campanhas viriatinas, elaborado pelo prof. Schulten, (vidé Adolfo Schulten - Viriato, trad. de Alfredo de Ataíde, Porto, 1940, fim), que dedicou toda a vida de sábio investigador e arqueólogo a este trabalho ardoroso, fácil é verificar que, através das serranias da nossa região, deviam ter soado muitas vezes os ecos da buzina de Viriato, chamando os seus homens à peleja contra os Romanos invasores. E, se compararmos as qualidades que lhes atribui Estrabão com as que ainda hoje distinguem os nossos conterrâneos - a sobriedade, a persistência, a fragilidade, a resistência física e moral, a força de vontade, o amor entranhado pela terra - não resta dúvida de que nos há-de parecer ver ressuscitados os velhos partidários da independência lusitana na alma e no corpo dos vizinhos das nossas aldeias.
Aos ataques dos Romanos souberam eles opor resistência tão forte e prolongada que, só após dezenas e dezenas de anos de lutas sangrentas, conseguiram dominá-los. Apesar das baixas sofridas, não podemos, porém, acreditar que raça tão vigorosa desaparecesse para sempre. Embora inclementes, os Romanos não queriam o seu extermínio, nem dispunham de colonizadores que pudessem substituí-los. Interessava-lhes a submissão, não a ruína. E a política que vieram a adoptar, mostra isto perfeitamente, visto se saber que, em lugar de os votar ao abandono, uma vez subjugados, tentaram, pelo contrário, comunicar-lhes os seus costumes, dar-lhes a sus civilização, trazê-los ao seu convívio pacífico graças à fundação de cidades, à construção de monumentos, à abertura de estradas, à adopção de instituições administrativas, militares, judiciárias e educativas, destinadas a apagar a lembrança da sua rebeldia orgulhosa.
Do historiador António G. Mattoso, Excertos de "Ligeiras notas para a história do concelho de Arganil". Conferência integrada nos trabalhos do I Congresso Regionalista da Comarca de Arganil. 1960 - Arganil.
sábado, 18 de agosto de 2007
Comissão de Melhoramentos de Ceiroquinho
Devido ao grande surto de emigração dos Ceiroquinhenses principalmente para Lisboa e outras cidades e estrangeiro , estes fundaram em Lisboa , em 5 de Julho de 1942 , uma Comissão de Melhoramento para unir os Ceiroquinhenses e promover alguns melhoramentos na sua aldeia .
Documento completo
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
Wikipedia Scanner
Wikipedia Scanner, una nueva herramienta de la Wikipedia que permite conocer la identidad de quién realiza modificaciones en sus distintos artículos ha revelado que poderosos grupos como la CIA, el Vaticano o el Partido Democrático estadounidense han intervenido en la redacción de la conocida enciclopedia virtual.La CIA y el Vaticano 'le meten mano' a la Wikipedia
Ceiroquinho, aldeia comunitária
O Cruzeiro do Ferreiro
Este local e cruzeiro têm a sua história:
João Victor da Silva Brandão, nasceu a 1 de Março de 1825, no Casal da Senhora e foi baptizado na Igreja de Midões. Casou em 1863 com D.Ana Eugénia de Jesus Correia Nobre.
Envolvido em lutas eleitorais, julgado e condenado em Tábua a 3 de Junho de 1869, por um crime infamante, que foi o assassinato do Padre Portugal. Em 1870 foi desterrado para Angola, onde morreu em Setembro de 1880 .João Nunes ( o Ferreiro da Várzea ) era natural da aldeia do Casal dos Povos da Moura, freguesia de Avô. O seu pai, António Nunes, era ferreiro. Os seus quatro filhos foram ferreiros. O João, filho mais velho, veio a casar em Várzea de Candosa, perto da Percelada, concelho de Tábua. A sua divisa era: "Morrer ou matar João Brandão."
Em Pomares, havia um amigo de João Brandão, que era o Dr. António Pinto de Abreu Ferreira, que vivia onde foi mais tarde a casa do saudoso Aníbal Campos.
Na noite de 4 para 5 de Novembro de 1854, o destacamento de Infantaria 14, estava em Midões e era composto por 30 praças e mais de 200 bandoleiros armados, sob o comando de João Brandão. Atravessaram o rio Alva . As serras do Açor estavam cobertas de homens armados, para matarem o Ferreiro.
No dia 6 de Novembro, desse ano, era a feira de Lourosa, mas o Ferreiro não apareceu. Partiu em direcção ao Casal de São João , Luadas, Ribeira de Parroselos, Mata da Margaraça, Pardieiros e Benfeita, acompanhado pelo irmão Miguel, para depois seguir para a Covilhã e Espanha. Aqui vivia o sapateiro António Quaresma, que era seu conhecido. O Ferreiro, nesta viagem , ainda recebeu uns tiros na Catraia da Fonte de Espinho.
Na noite de 9 de Novembro de 1854, à meia noite, José de Brito e José de Matos entraram no palheiro e mataram o Ferreiro e prenderam o irmão. Depois apareceu João Brandão. Trazia uma bolsa com 29 pintos em prata e uma libra em ouro. Como estava na jurisdição de Arganil, teve receio e pediu ao irmão Miguel para levar o Ferreiro para junto da Cruz de Anceriz, que pertencia ao julgado de Avô. Foram até ao lugar de Adeclarigo ou Declarigo( Anceriz). João Brandão seguiu para Pomares, levando preso o Miguel. O corpo do Ferreiro, depois foi trazido para a Capela de Santo António de Anceriz, onde se fez o exame do cadáver, representando o Ministério Público o regedor de Anceriz, José Maria da Rocha, com o perito Dr. José da Costa Mesquita e o barbeiro José Pinto.
Dia 10 de Novembro de 1854, ao amanhecer. Para proceder a exame do corpo de delito, no cadáver que diz ser do João Nunes, casado ferreiro, natural do lugar da Percelada e morador na Várzea de Candosa, por o terem achado morto com ferimentos no tronco, no sítio de Adeclarigo( ou Declarigo).na freguesia de Anceriz.
O João Brandão é condenado e o Povo da Beira, quando ele foi desterrado para Moçâmedes, Angola, a 9 de Outubro de 1870, cantava:" Já lá vais para o degredo,
Adeus, ó João Brandão!
A morte daquele padre
Foi a tua perdição! "Nota: Estas informações foram tiradas do livro JOÃO BRANDÃO, de autoria de J.M. Dias Ferrão, Bacharel formado pela Universidade de Coimbra - 1928.Em memória à morte do Ferreiro, mais tarde mandaram fazer no local um cruzeiro, que chegou aos nossos dias. Baseado neste acontecimento nasceu uma lenda em Anceriz : " A cabeça do Ferreiro ", que em breve transcreveremos.
O CRUZEIRO( Entre Pomares e Anceriz)
Subíamos descansadamente o valle: era à tarde.O sol havia-se escondido por entre umas nuvens densas; e no ar pairava uma tristeza indiscriptível. As aves, saltitando de ramo em ramo, apenas faziam, ouvir a espaços, dolentes e lugubres pios, como se chorassem a morte d´algum ente querido. Em baixo, ao fundo, a ribeira engrossada pelas chuvas dos dias antecedentes, despenhava-se raivosa e espumante por entre fraguedos intermináveis, como que pretendendo fugir aquelles bosques de trágicas recordações, para ir abraçar num amplexo de carinho, o Alva, que mansamente beijava os pés à pátria do cantor de Viriato.
Ao longe descortinavam-se atravez d´umas nuvens esfarrapadas, as ondulações esbranquiçadas dos Hermínios, cuja alvura se afigurava, ao meu taciturno espírito, um enorme lençol amortalhando um gigante. Como tudo era triste! A própria natureza vestia-se naquelle dia de crepes., talvez para commemorar o aniversário d´alguma das horripilantes tragédias a que o solo da Beira tem servido de theatro.
Enquanto subíamos, vergados sob o peso da melancolia provocada por tão grande tristeza, um dos meus companheiros de passeio narrava-me uma série ilimitada d´acontecimentos, tristes como o aspecto d´aquelle dia, e horríveis como o hirsuto cume do Caramulo, que lá ao longe erguia para os céos os seus penhascos lamilliformes e frios, semelhando as espadas nuas d´um esquadrão infernal...
- "Finalmente, me disse elle, vamos chegar ao logar onde até hoje, se praticou o mais deshumano e tetrico de todos esses crimes".
- " Alguma mãe indefesa, morta na presença dos filhos que abraçados aos andrajos da desgraçada suplicavam, banhados em lágrimas, aos scelerados algozes que concedessem a vida aquella que os acompanhava, interroguei eu; ou algum mendigo que atravessando, alta noite, estes solitários caminhos, sem guarida, só, por serras inhospitas, fosse surprehendido pelo bacamarte traiçoeiro do salteador?!"
Não. Mais do que isso, me disse secamente o meu cicerone, cahindo numa abstracção profunda, numa angústia indiscriptível, como se lhe pezasse sobre o seu bom coração uma mole immensa.
Respeitei com profundo silêncio a dôr do meu amigo, um dos poucos que, num solo banhado pelo sangue d´innocentes victimas, ainda se condoiam das desventuras alheias.
Por fim o meu companheiro interrompeu o religioso silêncio que havíamos guardado, fazendo-me parar, e dizendo:
- "Foi acolá, sobre o tronco nodoso e carcomido d´aquelle secular castanheiro..."
A voz embargou-se-lhe na garganta e não poude continuar tão trágica narração. Ficou por momentos naquella posição, que tinha qualquer coisa de terrível. Com os olhos coruscantes, o braço estendido num movimento de repulsão, parecia lançar sobre a humanidade, que impavida e serena tinha assistido a tão grande crime, um anathema horrível e eterno.
- "Foi acolá, continuou elle, que uma horda de vis e cobardes assassinos crivaram com dezenas de balas o corpo d'um desgraçado a quem haviam dado caça. Mataram-n´o na aldeia a que um immortal escriptor chamou de SANTA CECÍLIA e de lá o conduziram para aqui, afim de lhe fazerem solemnes exequias. Como um alvo, foi collocado sobre o tronco do fatal castanheiro o corpo massacrado e frio d´aquelle infeliz, e à porfia - como é triste contal-o - começaram d´alvejar aquelle pedaço disforme de carne humana., As balas partiam velozes e certeiras das largas bocas dos bacamartes, e o estampido sonoro cohoava pelas quebradas dos valles d´um modo solemne e lugubre, como que tendo qualquer coisa de...divino. Parecia que a própria natureza se revoltava contra tamanho attentado!!!..."
Algumas horas depois as aves aterradas sahiam cautelosamente dos seus reconditos esconderijos, e o valle ficava deserto. Pendendo do tronco do velho e enorme castanheiro, os membros desconjunctados e o corpo crivado de balas, ficava a triste victima de tão cruéis algozes. Nesse mesmo dia alguns aldeões caridosos lhe deram sepultura; e ali em baixo, em Pomares, existe um pobre velho, que ao chegar junto do corpo para o sepultar, ainda lhe tirou, com uma curta estaca, uma bala que estava à flôr do corpo.
Mais tarde, dizem que alguem vinha abraçar-se ao tronco do velho castanheiro e que, como o noivo que permanece horas abraçado ao cadaver d´aquella que ia fazer a sua felicidade, ali ficava horas esquecidas, mergulhado em ternas recordações.
Como é triste! Como é vergonhoso serem beirões os auctores de tão deshumana tragédia!!!
Triste e pensativo, fiquei como que interrogando o regato, que entaçava os calhaus amarellos e polidos nun abraço de namorado, acerca da verdade de toda esta triste história.
Respondeu-me a monotonia e frieza do cruzeiro, que a dois passos se erguia. Sem as lellezas que o cinzel do artista imprime, elle ali estava, só, triste, attestando o passado.
Era formado por duas toscas pedras de granito, já musgosas, mas em pé, como que de mãos levantadas, pedindo à Providência um balsamo para a alma d´aquelle infeliz.
J. Cardoso
NOTA:
Este recorte foi tirado da "Comarca de Arganil" da edição de 5 de Abril de 1906.
Ficamos, assim a saber que ANSERIZ era chamada "SANTA CECÍLIA" por um escritor, cujo nome ignoramos. Provavelmente era pelo facto desta freguesia ter muitos e excelentes músicos, pois, Santa Cecília é a Padroeira da Músicos.
Segunda o testemunho deste artigo, o Ferreiro da Várzea, teria sido morto na Declarigo, em território de Anseriz e aqui sepultado, o que contradiz a versão do artigo anterior, cujo livro donde foi tirado foi escrito muito mais tarde. Segundo a nossa interpretação, este último testemunho parece-nos mais digno, pois parece ser um testemunho de pessoa que assistiu ao assassinato do Ferreiro.
Comentário ao "Cruzeiro de Anseriz":
No dia 6 de Maio de 2003, recebemos a seguinte mensagem electrónica do Senhor Ramiro Dias Antunes, referente à morte do Ferreiro da Várzea:
" Na Nota Final do artigo "O Cruzeiro" é afirmado:" ficamos a saber que Anseriz foi chamada Santa Cecília por um escritor, cujo nome ignoramos. "
Não sei se o escritor era SIMÕES DIAS, no entanto, seja quem for, ele estava a referir-se à povoação da BENFEITA, onde o referido FERREIRO foi morto e que tem por orago Santa Cecília."
Resposta: Caro amigo, bem-haja pelo seu comentário. Estamos de acordo com a sua interpretação, já que o Ferreiro foi morto na Freguesia da Benfeita e nessa mesma noite foi levado para a Cruz de Pomares-Anseriz. Quanto ao escritor de que se fala no artigo, creio também tratar-se do nosso ilustre professor, deputado, jornalista, escritor e poeta JOSÉ SIMÕES DIAS, natural da Benfeita e que veio a falecer em Lisboa a 3 de Março de 1899, com 55 anos. Apesar da sua curta vida, teve um percurso literário muito rico e variado.
Manuel Fernandes
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
À sombra do castanheiro
- Mudaram os tempos e mudaram as vontades, Carlos! Antigamente, por estas alturas, eu quase não era capaz de resistir a um convite, sobretudo do meu afilhado Jacinto, para ir por aí fora, quase sem destino, de aldeia em aldeia, em busca dos costumes das nossas gentes. Era aquilo a que eu chamava encher a alma de portugalidade.
- Eu preferia uns dias descansado, a torrar as costas numa das nossas belas praias, e a regalar-me com um petisco, a meio da tarde, na companhia do meu cunhado Acácio, enquanto a Joana e a irmã Ermelinda passavam em revista, numa daquelas conversas intermináveis, todos os acontecimentos sociais do Cabeço nos últimos tempos.
- Aí tens um dos motivos porque eu costumo dizer que não somos todos iguais. Vocês divertem-se e descansam, em amena cavaqueira, em frente dum copo de cerveja, enquanto as mulheres usam a tesoura social, cortando na vida alheia. Pela minha parte, prefiro sempre um passeio a uma alta montanha, de onde se possa apreciar um panorama que nos encha a alma de coloridos novos, de onde se possa alargar o olhar até ao infinito. Eu não sei, por exemplo, se tu algum dia te deste ao trabalho de subir ao cimo do Colcurinho, de onde se avistam terras de todo o planalto beirão, e uma infinidade de pequenas aldeias semeadas pelas encostas dos montes. É um quadro bonito de se ver!
- Onde eu ainda gostava de voltar era ao Penedo da Torre ou ao Picoto de Cebola. O Tio Ambrósio já lá foi?
- Quando era mais novo e as pernas me deixavam, Carlos! Agora limito-me a visitar os locais onde chega o automóvel. Que eu saiba, ainda não há estrada para o Picoto.
- Só a butes, Tio Ambrósio! O que há é um carreiro, nalguns lados já pouco conhecido por falta de utilizadores. Agora já não há carvoeiros e os pastores já pouco frequentam aquelas paragens. E para o Penedo da Torre ainda é mais difícil. Trata-se dum passeio só acessível a rapaziada de vinte anos e com boa preparação física. Que o diga o meu afilhado Leonardo, que ainda o ano passado me enviou uma bela fotografia com o panorama que dali se pode apreciar, com montes a perderem-se de vista até ao azul do infinito...
- Isso quase pode considerar-se um desporto radical, que já não é bem próprio para homens que precisam de um cajado para auxiliarem as pernas. No entanto, como te disse, há muitos outros lugares onde se pode chegar com maior facilidade, e donde podemos desfrutar de deslumbrantes paisagens, cheias de colorido e de encanto Aqui bem perto tens o alto do Trevim, na serra da Lousã. Ou então a Cruz Alta, na serra Buçaco, ou mesmo a Senhora do Círculo, nos arredores de Condeixa. Vale a pena um passeio a qualquer desses sítios, para respirar um pouco de ar puro e alongar os olhos pela distância, desde o interior das Beiras até ao mar...
- Assim numa escapadela, na companhia do Sanguessuga e do Acácio, todos acompanhados das respectivas famílias, é bem possível que, num domingo destes, ponhamos os pés ao caminho. A Joana maila Ermelinda arranjam uma merenda farta, com pastéis de bacalhau, rissóis de camarão e um arroz à valenciana, e vamos dar ao dente para uma sombra refrescante num desses locais aprazíveis. O problema é o regresso, pois apenas a Ermelinda, entre as mulheres, pode trazer o automóvel.
- Agora, com estas novas leis sobre a ingestão de álcool, os condutores têm que tomar as devidas cautelas. Bebe-se menos, Carlos!
- Que remédio, Tio Ambrósio! Nós temo-nos por cidadãos conscientes! É verdade que, de quando em vez, nos nossos convívios, um ou outro elemento encharca a vela. Mas, em regra, todos os do nosso grupo sabem ocupar o seu lugar.
- Nem outra coisa seria de esperar de pessoas com sólida formação moral. Por isso, façam o favor de aproveitar os domingos para, depois da participação na missa, darem uma volta com as vossas famílias. Mas não se limitem à merenda melhorada. Tenham sempre o objectivo da valorização pessoal. Muitos de nós somos incultos por burrice própria, pois não sabemos aproveitar as ocasiões que se nos oferecem para adquirirmos mais conhecimentos. Uma boa parte dos cabecenses, por exemplo, nunca entraram num museu.
- Isso é verdade, Tio Ambrósio! Mas olhe que as entradas nesses lugares custam sempre mais de quinhentos mil réis por pessoa. Para urna família de cinco ou seis elementos é pesado. A não ser que se troque a merenda por uma visita guiada...
- Tens razão, Carlos! Eu, por vezes, até me esqueço que muitas das nossas famílias vivem com orçamentos apertados...
- E, por isso, resta-nos o gosto da merenda e do convívio com os amigos. Barriga composta e alegria! Contentamo-nos com pouco, não acha?"
O Amigo do Povo




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