quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Largo Augusto de Oliveira Coimbra

O dr. Augusto de Oliveira Coimbra (1868-1941), que era natural de Penacova, veio para Arganil a fim de fazer vida de advogado. Impôs-se ao meio, chegando a ser uma das pessoas mais influentes desta vila, na primeira metade do século XX. E o curioso é que conseguiu toda essa influência sem deixar de ser uma pessoa de quem, no íntimo, toda a gente gostava. Este largo é vulgarmente conhecido por Largo do Campanário.

O Largo do Campanário, ou Campanário, simplesmente, nó importante da rede viária da vila, é dominado, como o nome indica, pela presença da torre sineira da igreja de S. Gens, da qual aliás se encontra separada e em plano superior, para que o som das badaladas possa ser ouvido noutros pontos da terra.

Noutro tempo, o largo dispunha de bancos onde os moradores desta zona da vila, no tempo quente, gostavam de se sentar, à noite, depois do trabalho, em descontraída e agradável cavaqueira. Apareciam frequentemente figuras populares famosas, como a Júlia do Campanário e a Júlia Italiana, por exemplo. Terá perdido esse carácter de lugar privilegiado de convívio popular nos anos novecentos e quarenta, quando desapareceram os bancos que aqui havia, em consequência da transformação que o local sofreu devido a obras que visaram o seu embelezamento.

O prédio que tem o n.º 3 - a antiga "Casa da Torre" - pertenceu a uma família que teve grande presença em Arganil, a família Sá Nogueira. Nesta casa passou, portanto, a infância e parte da juventude, António Emydio Sá Nogueira, contemporâneo e émulo de Veiga Simões. Formado em direito, viria a ser, em Lisboa, nome grande da advocacia portuguesa, chegando mesmo a bastonário da respectiva Ordem. Posteriormente, no mesmo edifício viveu e teve escritório outro distinto advogado, o dr. Eduardo Ralha, que aí iniciou a sua vida profissional e chegaria a ser um dos mais brilhantes causídicos do Porto. Mais tarde, foi a Associação dos Bombeiros Voluntários Argus qu aí esteve instalada durante anos.

Dado ser este um Passei que se pretende cultural, é oportuno recordar nesta altura as condições em que nasceu esta benemérita instituição.

No final do primeiro quartel do século XX, a sociedade desta vila, quanto a formais associações de convívio existentes, podia caracterizar-se assim: havia o velho "Grémio" reservado, por assim dizer, à frequência dos notáveis da vila, e havia a, por essaa altura surgida, Sociedade Recreativa Argus, agremiação esta, por seu turno, de carácter francamente popular, criada por iniciativa de gente nova, ligada ao sector do trabalho; em suma: uma socieddae claramente constituída por dois estratos distintos. Este quadro iria manter-se até aos anos novecentos e trinta. E é então que na vila ocorre uma outra iniciativa, de que foram protagonistas o dr. Eduardo Ralha, Frederico Simões, António Dias Gouveia e Augusto Ferreira, liderados pelo dr. Fernando Valle, animados pelo propósito de porem de pé um projecto de solidarieddae social que passava pela fusão do "Grémio" e da Socieddae Recreativa Argus numa estrutura associativa única: - a Associação dos Bombeiros Voluntários Argus. Projecto, que em torno da criação dum "corpo de bombeiros", se propunha dar grande atenção igualmente à cultura física (e assim iriam surgir o "campo de jogos" e a equipa que está na origem do actual Grupo Desportivo Argus), à cultura intelectual (à música, ao teatro, ao fomento da leitura) e à cultura moral e cívica da gente moça da terra. Para remate deste apontamento, acrescentarei somente que o projecto da criação da Associação dos Bombeiros Voluntários Argus, no seu formato inicial, - pelo altruismo dos seus propósitos, pela onda de interesse que desencadeou na população da vila, constitui uma das páginas mais belas da história conhecida da cultura arganilense.

Do Campanário faz ainda parte a antiga "Eirinha", hoje reduzida ao Largo 25 de Abrl, e ao qual se tem acesso por uma pequena escada. Outora, aí se secavam cereais, na época própria, e daí se lançavam pregões relativos a disposiçõees das autoridades, na altura que iam entrar em vigor.


Roteiro Cultural do Centro Histórico de Arganil

terça-feira, 7 de agosto de 2007

O cabo das tormentas

Passei boa parte da tarde de hoje entre o design e a tradição artesanal de tentar descobrir o erro (os erros) do template do Sem Ordem que começou cedo, e tornou-se intenso de cada vez que por tentativas fazia as correcções necessárias e o resultado frequentemente uma coisa muito básica. O HTML teimava em fazer-me a cabeça em água.
Desisti! Resolvi avançar para um novo estilo. E porque não? Pessoalmente gosto desta "Start-Box" mais arrumada.


HyperText Markup Language ou Linguagem de Marcação HiperTexto, uma linguagem simples composta de marcações de formatação e diagramação de hipertexto/hipermídia (informações em texto, imagens, sons e ações ligadas umas às outras de uma forma complexa e não-sequencial através de chaves relacionadas).
É a linguagem da WWW (World Wide Web), justamente por essa capacidade de formatação e diagramação de hipertexto/hipermídia. Atualmente existem muitas outras linguagens utilizadas concorrentemente com o HTML (Java, ActiveX, etc...) mas a base da WWW ainda é , de longe, o HTML, que é interpretada por todos os navegadores (browsers) disponíveis (Netscape, Internet Explorer, Mosaic, etc...).
O documento em HTML é um arquivo texto comum (ASCII) que pode ser escrito através de qualquer editor de textos comum (Edit, E , Norton Editor, Notepad, ...) e tem a terminação .htm ou .html .
Como é uma linguagem interpretada, a partir do momento em que se salvou o arquivo HTML o mesmo já pode ser aberto por qualquer navegador...

Intemporal


Decorre no próximo Sábado dia 11 de Agosto o tradicional convívio da família Ceiroquinhense no lugar de Ceiroquinho, Concelho de Pampilhosa da Serra, Distrito de Coimbra, terra dos meus avós paternos, com a presença habitual de alguns familiares de Janeiro de Cima.

Foto de família

Janeiro de Cima. Casa da avó da Eira. Ano de 1965 (?). O meu avô José Fernandes, o primeiro a contar do lado direito, o meu tio Amândio, tias, tios, primos, a minha madrinha Rosa Fernandes, e a minha Querida avó da Eira, do lado esquerdo da foto. A sombra no chão da enorme figueira, que marcou o tempo de cada um. Tive o privilégio de ali ter estado com a minha avó, bondosa senhora de postura terna, amável e acolhedora.


(...) Em Janeiro de Cima o tio César e família instalaram-se na grande casa da Eira, numa suave colina donde se vê toda a povoação. Era um sítio e privilegiado. Ali ao lado, a capela da Senhora do Livramento cuja grandiosa romaria é sempre no terceiro Domingo de Agosto. Lá mais no alto no cabeço arredondado existe outra ermida, a de S.Sebastião. (...) À noite, depois de um dia de trabalho árduo, a reza era ponto de honra. Todos mesmo cheios de sono rezavam e davam graças ao Senhor. Ali mesmo ao lado a Senhora do Livramento escutava todas as noites atentamente o que aqueles filhos lhe pediam em fervorosas orações, e não deixava certamente de lhe dar a sua bênção protectora.(...) O tio César, bastante cedo foi chamado para o reino dos justos, com grande pesar e consternação de toda a numerosa família. Agora quem ia tomar o leme embarcação era o seu genro José Fernandes pai de oito filhos, homem também trabalhador, de fino trato, inteligente, culto, estudioso e de larga visão das coisas e situações. José Fernandes, devido à sua honestidade e bondade soube conquistar amigos e integrar-se perfeitamente nos problemas da freguesia e nas suas instituições, chegou mesmo a ser durante vários anos presidente da Junta da Freguesia e também alguns anos mordomo das festas religiosas que se celebravam na freguesia. A sua esposa, Maria de Jesus, foi uma verdadeira santa, uma luz que brilhou sempre na Eira. Nenhum pobre, e eram muitos que ali iam pedir esmola, ficam sem uma dádiva, uma palavra de conforto, um sorriso, uma esperança... Maria de Jesus, foi também a personificação de uma verdadeira esposa e mãe. Conservou sempre uma postura terna, amável e acolhedora até ao fim da vida, e nunca esqueceu as virtudes que levou da sua aldeia de Ceiroquinho escondida entre serranias.(...)
"Contos" de António Jesus Fernandes

Roteiro Cultural

Centro Histórico de Arganil


Largo Manuel da Costa Vasconcelos Delgado

O padre Manuel da Costa Vasconcelos Delgado (1790-1856) é uma das figuras mais emblemáticas da história dos arganilenses - tanto pelo que fez ao serviço da Igreja local como da correspondente sociedade civil. À frente da igreja de São Gens, foi um zeloso administrador do património religioso da paróquia, desenvolveu uma brilhantíssima acção no campo da educação musical dos paroquianos, e, porque era de facto pessoa dotada de acentuado sentido artítico, imprimiu às cerimónias religiosas da vila do seu tempo um esplendor como talvez nunca tivessem atingido. Por outro lado, no plano cívico, a sua actuação como autoridade administrativa - foi simplesmente modelar.

Pertencente à aristocracia da terra e, ainda por cima sacerdote, a onda de intolerância miguelista que no seu tempo varreu o País não lhe perdoou o "crime" de pensar que o Homem nasceu para ser livre. E assim o perseguiram com uma fúria selvática, Serra fora, até o prenderem e encurralarem, durante anos, na prisão de Almeida. Todavia, quando daí saíu, após a vitória do liberalismo, em 1834, e se encontrou à frente da Administração de Arganil, sua terra natal, teve a grandeza de alma necessária para ignorar os "zelosos" conterrâneos que lhe fizeram a vida negra.

Ora, a primeira coisa que provavelmente chama a nossa atenção quando entramos neste espaço - onde a vil deve ter iniciado o seu desenvolvimento urbanístico - é o pelourinho, que temos na frente. Havendo-se perdido a memória do monumento original, a Câmara incumbiu, há anos, o investigador histórico e artista arganilense A. Nunes Pereira, de conceber um pelourinho que substituísse o primeiro, o qual de resto ninguém sabe onde se localizava. Trata-se pois dum projecto daquele atista, natural da Mata do Fajão (Infelizmente, há pouco falecido).

A pedonal que faz a ligação deste largo à rua Cinco de Outubro chama-se (actualmente) rua Comendador António Lopes da Costa, (que viveu e faleceu no n.º 5) antigo professor primário e pessoa ilustre de Arganil. Já na última fase da sua vida, ainda foi director de "A Comarca", havendo-se dedicado então simultaneamente, a fazer investigações sobre a história sua terra - o qu lhe iria dar ensejo a publicar importantes notícias referentes a esse tem naquele jornal.

Avançando para a esquerda temos a velha Fonte da Bica, que deu o nome a esta zona da vila.

No terreno que se vê por cima da fonte propriamente dita (Terreno hoje ocupado com construções recentes.) existiu em tempos recuados aquele que foi porventura o solar de maior requinte arquitectónico que alguma vez terá existido em Arganil. Segundo a historiadora arganilense Regina Anacleto, foi construído em anos de setecentos pelo reitor dr. Manuel Lemos Tunes. Por morte deste, passou à posse duma irmã que casaria com um representante da família Barreto Perdigão Vilas-Boas, de Góis, casal esse que estabeleceu residência em Arganil. O solar foi passando à posse doutros descendentes, até que em 1890, um deles, que vivia em África, veio a Arganil para vender tudo o que aqui possuía, não se sabe a quem. Assim se compreende que esse imóvel tenha permanecido na memória dos arganilenses como o "solar dos Perdigões Vilas-Boas". Em 1906, diz Veiga Simões, já o solar se encontrava em deplorável estado de conservação. Presentemente, os únicos vestígios conhecidos do solar - aliás vestígios da respectiva capela - são fragmentos do célebre retábulo, em pedra de Ançã, figurando a Última Ceia, que se encontram em exposição permanente nos Paços do Concelho.
Mesmo em frente da Fonte, no n.º 17, encontra-se a "Casa dos Vasconelos", que foi propriedade desta família arganilense e onde viveu o padre Delgado. Era inicialmente um vasto casarão com frente para este largo e fazendo esquina para a rua adjacente. A certa altura, porém, devido a partilhas, deu origem a duas unidades distintas, situação que se mantém.

Daqui parte, em direcção ao Paço, a rua Frederico Simões, outro notável de Arganil, grande entusiasta da constituição do corpo de Bombeiros Voluntários Argus, de que foi aliás o primeiro comandante.


Roteiro Cultural do Centro Histórico de Arganil

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Spiderman


Spiderman existe. El escalador francés Alain Robert, también conocido como Spiderman sube por el pilar sur del puente 25 de abril (Lisboa) por el que pasa el río Tajo, de 190 metros de altura. Este puente se inauguró en 1966 y se le puso el nombre después de la revolución portuguesa de 1974. Robert fue detenido más tarde después de bajar por los tubos de acero que sustentan la plataforma.

A Barca de Janeiro de Cima

A Barca de Janeiro hoje.

A Barca de outros tempos. A roda, a paisagem, as crianças, os homens, as roupas, o rio. A genuína paisagem. O percurso de cada um, espelho também de um tempo sereno e natural.

do arquivo A Barca

Enola Gay

On August 6, 1945 as the Enola Gay approached the Japanese city of Hiroshima, I ferventlyhoped for success in the first use of a nuclear weapon. To me it meant putting an end to World War II. I viewed my mission as one to save lives. - Paul W. Tibbets

Little Boy

20minutos.es

Aniversário 62

Hiroshima insta al gobierno nipón para que mantenga la constitución pacifista

Hiroshima 6 de Agosto 1945

Hiroshima Video

Attack sequence from the BBC drama of the same.

Metacafe

"In the early morning hours of August 6, 1945"

In the early morning hours of August 6, 1945, a B-29 bomber named Enola Gay took off from the island of Tinian and headed north by northwest toward Japan. The bomber's primary target was the city of Hiroshima, located on the deltas of southwestern Honshu Island facing the Inland Sea. Hiroshima had a civilian population of almost 300,000 and was an important military center, containing about 43,000 soldiers. Continua Aqui

Largo da Igreja

Neste sítio, e como porventura se está à espera, o motivo de maior interesse cultural reside no edifício da igreja da freguesia, que é dedicada a S. Gens. Ignora-se a data da sua fundação; sabe-se no entanto (embora sem grande segurança, adverte o historiador arganilense A. Nogueira Gonçalves) que foi coligiada instituída nos finais do século XIV. A inscrição mais antiga nela existente refere-se a uma campa datada de 1583.

O edifício actual, que estamos a ver, vem dos fins do século XVII. É um edifício amplo, de boa construção, porém desprovido de interesse estético. A escada exterior que temos em frente dá acesso ao coro alto. O edifício apresenta a curiosidade de não ter torre sineira acoplada. Esta, como já vimos, está separada e localizada a nível superior. No interior da igreja há coisas provenientes de origens diversas, que o padre Delgado, depois de 1834, conseguiu trazer para aqui. Todavia, em termos culturais, nem todas essas aquisições terão encontrado o melhor enquadramento.

No tempo deste sacerdote - padre Vasconcelos Delgado - tinham lugar neste templo (como atrás aludimos) cerimónias que chegaram a revestir-se de inegável interesse cultural. Ora, a este respeito, o autorizado historiador e professor universitário António Ribeiro de Vasconcelos (ligado por vínculos familiares a esta vila) disse um dia, a fim de realçar a acção educativa que aquele seu antepassado exercera em Arganil no campo da música: que constituía um verdadeiro regalo espiritual ver toda uma paróquia - homens e mulheres, novos e velhos, adultos e adolescentes - afluir à igreja e cantar com harmonia, compasso e elevado sentido religioso. Neste largo dá-se o encontro de duas ruas que recordam mais duas figuras importantes da cultura arganilense: o visconde de Sanches de Frias e o dr. Alberto Moura Pinto.

O Visconde era natural de Pombeiro. Frequentou aqui a "aula" de Ribeiro de Campos, como já se viu; porém, dificuldades financeiras da família, te-lo-aõ impedido de prosseguir estudos e levado, ainda adolescente, a tentar vida no Brasil. Dedicando-se aí à vida comercial, acabaria por garantir a independência financeira da família. Com vocação para as Letras, cultivou a escrita com algum êxito. Escreveu, além de ficção, literatura de viagens, e ensaio, tendo deixado uma excelente monografia sobre Pombeiro, bem como um estudo sobre Simões Dias, de quem era amigo. Dirigiu, com o filólogo Cândido de Figueiredo uma revista literária. Foi homem de sólida formação moral. Marcello Caetano, que o conheceu, referiu-se-lhe nestes termos: "Na aldeia (Pombeiro) residia ao tempo o Visconde de Sanches de Frias a cuja casa muitas vezes fui. Era o mais visconde de todos os viscondes que jamais conheci na vida e a minha retentiva infantil fixou a sua figura erecta e pomposa, de bigode e pera e farta cabeleira, num halo de imponência cuja grandeza e intensidade estão muito para além do que caberia à sua hierarquia nobiliárquica!" (Citação de José Caldeira em "o Visconde de Sanches de Frias, Vida, Obra e Ascendência", na revista Arganília N.º 3).
No n.º 5 desta rua nasceu e residiu outro dedicado filho de Arganil que muito fez pelo desenvolvimento da cultura dos seus patrícios: Carlos Ribeiro, que, há pouco, nos deixou.

Quanto ao dr. Alberto de Moura Pinto (1883-1960) era de Coimbra, onde se formou em Direito. A sua ligação a concelho de Arganil começaria, porém, cedo e seria para sempre. Foi administrador deste concelho em 1908 e voltaria a sê-lo em 1910, poucos dias depois da implantação da República. Por outra banda, foi deputado pelo Círculo de Arganil em três legislaturas, como militante do partido de Brito Camacho. Dotado de dom da palavra e de boa formação jurídica - também foi magistrado - , rapidamente se impondo no parlamento como deputado brilhante e activo. Teve papel relevante, por exemplo, nas diligências legislativas do seu partido que visaram amenizar as relações da Igreja com o Estado, deterioradas com a "Lei da Separação". Depois de 1926 afirmou-se como ardoroso defensor da liberdade e da democracia, pelo que teve de se exilar em Espanha. Com a vitória de Franco refugiou-se em França; e com a invasão deste país pelas tropas de Hitler, na Segunda Guerra Mundial, passou-se para o Brasil, onde continuaria a batalhar contra o fascismo salazarista. Já velho e doente, sentindo aproximar o fim, regressou, clandestinamente, a Portugal, com vista e refugiar-se na sua Quinta dos Vales (freguesia de Vila Cova do Alva) onde desejava acabar os seus dias - como de facto aconteceu, pouco tempo depois.

No prédio com o n.º 6 viveu uma distinta senhora que muito fez também pela cultura em Arganil - Viscondessa de Sanches de Frias, filha do Visconde atrás referido, que foi casada com o dr. Augusto de Oliveira Coimbra (de quem igualmente já falámos).

Na elaboração do texto, o autor, nado e criado em Arganil, valeu-se da sua memória pessoal e de trabalhos de arganilistas (entenda-se: de estudiosos das coisas de Arganil) que consultou, e que foram sobretudo:

Artigos insertos em diversos números de "A Comarca de Arganil" - (Arganil).

Diversos números de "Jornal de Arganil" - (Arganil).

Inventário Artístico de Portugal. Distrito de Coimbra, de Virgílio Correia e A. Nogueira Gonçalves. (Academia Nacional de Belas Artes, Lisboa, 1952, pp. 5, 5 e 7).

Arganil, Regina Anacleto. (Editorial Presença, Lisboa, 1996).


Roteiro Cultural do Centro Histórico de Arganil

domingo, 5 de agosto de 2007

Aldeias do Xisto JC

Rosa e Américo um casal de cumplicidades.

Para um tempo sem tempo.

A revalorização de um espaço.


Largo Conselheiro Neves e Sousa

O Conselheiro António das Neves Oliveira e Sousa, que nasceu em 1844 e cujo o nome foi escolhido para designar oficialmente um dos sítios mais aprazíveis e mais populares de Arganil - o Largo da Fonte de Amandos -, era natural de Coja, tendo sido magistrado de prestígio, social e político, circunstância que o forçou a interromper a carreira profissional, em consequência de ter sido nomeado (por duas vezes) governador civil do distrito de Coimbra e ainda reitor da Universidade. Encontramo-nos, por conseguinte, na Fonte de Amandos, apreciado logradouro público arganilense, sobretudo na estação calmosa, pela acolhedora sombra que proporcionam as suas árvores, quase seculares.

Aqui podemos ver, em frente e à nossa esquerda, o célebre "Coreto da Música", construído em 1912, a cuja história já nos referimos. Ademais do interesse prático da função a que se destina, nas suas linhas simples e elegantes, constitui uma bela peça arquitectónica que ajuda a dar carácter a este local da vila.

No meio do recinto podemos ver o busto de uma das personalidades mais ricas e mais amigas de Arganil: o dr. Alberto da Veiga Simões, que foi advogado, político de nomeada, comentador político, escritor, professor liceal, ministro, diplomata de carreira e historiador de méritos reconhecidos. O busto é um trabalho de um afamado escultor português - Aureliano Lima -, que passou uma parte da sua vida em Arganil. No pedestal do monumento figura um pensamento de Miguel Torga acerca de Veiga Simões que nos diz, de forma realmente lapidar, as condições tormentosas em que este viveu parte da existência, vítima do ódio político:
"Um dos mais ilustres filhos de Arganil que os esbirros dum déspota perseguiram até à cova".

Se bem que já fique fora do "Centro Histórico", atendendo a que estamos próximo, não deixaremos de fazer uma breve referência ao Teatro Alves Coelho cujo edifício, inaugurado em 1954, encerra alguns motivos de interesse: o projecto é do arquitecto Mário de Oliveira; a fachada ostenta um interessante friso em relevo, alusivo à Dança, à Música e ao Teatro, da autoria de Aureliano Lima; e o interior está enriquecido com pinturas de Guilherme Filipe - que era natural do Fajão - e com estas palavras de Miguel Torga, que sintetizam de forma muito bela as condições em que o imóvel nasceu:

"Erguido por teimosos e cabeçudos beirões, da mesma maneira e com o mesmo espírito com que antigamente se construíram as catedrais: cada um trazendo a sua pedra".


Roteiro Cultural do Centro Histórico de Arganil

sábado, 4 de agosto de 2007

Canoa motorizada

The Surfango PowerKayak





O "furado" de Vale Pardieiro ou o rio Ceira contra o homem. Há ideias destinadas ao sucesso!


Refrescar o corpo e a alma

O meu direito à perversidade!

E porque não?

Água contra raposa.

Rua Oliveira Matos

João Maria de Oliveira Matos era de S. Pedro de Alva. De origem humilde foi para Coimbra, muito novo ainda, a fim de ganhar a vida como empregado comercial. Inteligente, sensato e trabalhador, a pouco e pouco, foi-se impondo na vida até chegar a ser convidado, por determinado partido, para candidato a deputado pelo Círculo Eleitoral de Arganil, função que chegaria efectivamente a exercer. Fez muito pelo concelho. Nesta vila, por exemplo, foi ele que, mercê de aturadas negociações com alguns proprietários conseguiu dar a esta rua, que hoje tem o seu nome, (Aliás, após processo deveras polémico, que não dignificou a política: a Câmara, de uma determinada côr, atribuira esta rua (porque considerada rua principal da terra) o nome de Simões Dias (antes, portanto, da Praça ostentar este nome). Entretanto há eleições, que são ganhas por outra côr. E a nova Câmara não perde tempo: ignora aquela decisão e dá à rua o nome de Oliveira Matos...) o ar condigno de rua principal da terra.

Ora, quem entra na rua Oliveira Matos, vindo da Praça, encontra, logo à esquerda, as actuais instalações de A Comarca de Arganil, um jornal que ostenta a bonita particularidade de estar prestes a fazer cem anos (Isto em 1996, poquanto nesta altura (2001) já os fez.). E a observação que este facto imediatamente nos sugere é a estreita relação que neste período forçosamente existiu entre o desenvolvimento da vila e este jornal. Na verdade, por um lado, nada de importante se deve ter passado em Arganil, durante o século XX, que não ficasse registado nas colunas de "A Comarca"; por outro lado, é inegável que uma boa parte do desenvolvimento que a vila experimentou no mesmo período se ficou a dever à influência directa deste periódico.

Se nos lembrarmos a seguir que o Jornal de Arganil nasceu na década de 60, como semanário, (sendo "A Comarca", desde há anos, trissemanário(*) temos de reconhecer que Arganil constitui uma espécie de santuário da imprensa regionalista portuguesa. Esta realidade, de evidente significado social, tem ainda uma apreciável componente económica.

"A Comarca" e o "Jornal" são, como se compreende, duas peças valiosíssimas do património cultural arganilense.Ora, ainda em estreita ligação com a imprensa regional, depara-se-nos, um pouco mais à frente, também do lado esquerdo, o Memorial de João Castanheira Nunes, que foi director de "A Comarca" durante vários anos. O seu perfil fisionómico é recordado aí num medalhão do escultor Vasco Berardo. João Castanheira (1921-1986) foi um arganilense que, por intermédio do seu jornal, pôs toda a enorme capacidade de acção que possuia ao serviço do desenvolvimento da sua terra, que muito amava. O Grupo Desportivo Argus, o edifício do Teatro Alves Coelho, a corporação de Bombeiros Argus, o edifício da sede e quartel respectivos, são algumas das realidades arganilenses a que João Castanheira deixou o seu nome ligado de forma indelével.

Continuando, temos, à direita, em correspondência com o n.º 24, a casa em que Veiga Simões nasceu, passou a infância e parte da juventude. Em 1928, estava então no auge da carreira política, o povo de Arganil prestou-lhe uma expressiva homenagem, por ocasião duma sua vinda a esta terra. Na Fonte de Amandos, uma multidão recebeu-o entusiasticamente: ergueram-no aos ombros e assim o trouxeram até aqui. De uma das janelas desta casa proferiu então o discurso do seu agradecimento. À noite, os amigos ofereceram-lhe um lauto banquete. Tempo depois, porém, um tanto inesperadamente, abandonava a política activa, para se dedicar à vida diplomática. Foi a sua última aparição pública em Arganil.

A seguir, do lado esquerdo, fazendo esquina para a rua Bernardo José Simões, aparece-nos o edifício da antiga Pensão Canário, que havia de dar origem à actual Residencial Canário, no n.º 13. Como nota curiosa, lembrarei, a propósito, que este nome vem do simples facto do fundador da Pensão, Valentim Duarte Fernandes, na cerimónia do seu casamento, ter usado uma gravata amarela, facto que causou estranheza a alguns mirones. Alguém se lembrou então de fazer humor e diz: "parece um canarinho amarelo". Pois foi o bastante para o noivo ficar com a alcunha de "Canário" no resto da vida...
Segue-se a rua Bernardo José Simões, que foi pessoa importante de Arganil.

Bernardo José Simões (falecido em 1893) era natural do concelho de Poiares, mas veio para esta vila ainda novo, aqui estabeleceu com oficina de serralharia que viria a ter grande reputação, aqui casou e aqui ficou para sempre. Considerava de resto Arganil a sua verdadeira terra. Mercê da sua inteligência, competência, sentido de realização prática, esteve ligado à direcção da maioria dos melhoramentos levados a cabo em Arganil no seu tempo: construção do edifício do Hospital, construção da estrada do Mont'Alto, obras de restauro da Capela da Misericórdia, obras da igreja matriz. Chegou a ser recebedor da comarca judicial. Era avô paterno de Veiga Simões.

A seguir entra-se numa zona da rua em que a antiga Empresa Automobilista Arganilense teve, durante anos, o seu "terminal" (como hoje se diria), nos nºs 21 e 23, em correspondência com uma loja hoje ocupada pela Farmácia Moderna: era o "escritório da Empresa". Daqui resultava que este sítio, às horas de chegada e partida dos carros, ganhava uma animação especial; isto era visível, sobretudo, à noite, por volta das oito, quando chegava a camioneta de Coimbra (que prosseguia viagem até Pomares). Pelas ruas da vila, que se preparava para jantar, começava então a ouvir-se o "rapaz dos jornais".

Mais à frente, do lado direito, no rés-do-chão do n.º 36, existiu, na década de novecentos e trinta, o "bar do Lafões", ou seja, de João Jorge Ribeiro, que foi talvez o boémio mais famoso que Arganil jamais teve. Quando desistiu dos estudos que tentara, sem êxito, em Coimbra, João Lafões resolveu estabelecer-se na própria terra, com negócio de mercearia e bar (anexo): era a Havanesa-Bar. Aí, no bar, passaram a marcar encontro todas as noites os representantes dum grupo boémio arganilense, quase todos ex-estudantes de Coimbra, grupo que o próprio "barman" acabava sempre por integrar de forma muito participada... Foram noites memoráveis de estúrdia que ali aconteceram. Só que o negócio, como se compreenderá, não tardaria a saldar-se por um desastre completo...


Roteiro Cultural do Centro Histórico de Arganil

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Nova pista

Así es la cara del posible secuestrador de Madeleine

O momento fatídico

Una cámara de seguridad captó el derrumbe del puente de Minneapolis

Grandes Exploradores


Praça Simões Dias

Estamos pois na Praça Simões Dias, designação que visa perpectuar a memória de um dos filhos mais ilustres da região de Arganil.

José Simões Dias (1844-1899) era da Benfeita; foi poeta e escritor de projecção nacional; professor de liceu e autor de obras didácticas que conheceram uma aceitação invulgar; parlamentar de intensa operosidade. Foi íntimo de Teófilo Braga. Era um homem de cultura. Grande amigo da sua terra, que cantou em versos que não esquecem mais.

O aspecto actual (Este "actual" refere-se a 1996, altura em que o Primeiro Passeio teve lugar. Hoje, porém, no ano de 2001, o aspecto da Praça é outro, bastante diferente. Com efeito, o local foi entretanto objecto de obras importantes que visaram fazer da Praça um espaço, em grande parte, pedonal - o que foi positivo - , mas obras que em contrapartida lhe terão introduzido uma nota de modernidade estética, de efeito discutível.) da Praça resultou do arranjo urbanístico que se seguiu à construção dos Paços do Concelho novos, nos anos quarenta do século XX, edifício cuja localização foi aliás objecto de viva e demorada discussão: havia quem o quisesse no Paço Grande. Venceram os que defendiam a edificação neste sítio. Com o novo imóvel nasceram as duas ruas que iriam ser denominadas: António Pedro Fernandes - um devotado "Presidente da Câmara" que muito trabalhou pelo progresso do seu concelho - era de Folques -, a ele se devendo, inclusive, o empreendimento do novo edifício, e engenheiro Duarte Pacheco, o ministro das Obras Públicas dessa época.
Nos anos novecentos e trinta ainda a Praça Simões Dias era dominada pelo ar austero da fachada do velho Tribunal marcada pela nota dramática das grades das cadeias comarcãs à vista de toda a gente. O poeta Teixeira de Pascoaes passou um dia por aqui, uns anos antes, e não fez referências muito lisonjeiras ao aspecto geral que a Praça então tinha; eis a impressão que esta lhe causou:

(...) "Arganil apareceu-nos, enfim. A rua principal é íngreme, e desemboca num largo, com um banco público velhinho, à sombra dum chorão raquítico, sem água onde molhar a trança verde...? Quase amarela de sede, entre zumbidos negros de moscas, pousando, em longos fios dolorosos, na poeira suja e pisada...
"Perto do automóvel, que estacou, passa um carro gemente, de grandes bois escuros, magros - caricaturas espantosas da fome e do trabalho!

"Pessoas, a uma esquina, conversam aborrecidas, fumam, envoltas numa nuvem de tédio - um tédio que se condensa em máscara humana... E, num velho edifício, grades de ferro nas janelas e faces lívidas que espreitam.

"Bois arrastando a sua dor, presos da cadeia, vultos queimando cigarros, uma rua suja e estragada, zumbidos de insectos, mau cheiro e um banco municipal, à sombra mendiga duma árvore, que tem remendos na casca.

"É a vila de província decadente, estagnada, numa fermentação de aborrecimento asfixiante, ao sol doentio de Agosto". (...)

Esta visita deu-se por volta de 1915; Teixeira de Pascoaes vinha da "estrada da Beira".

Ontem, como hoje, é na "Praça" que a vida social de Arganil pulsa mais intensamente.

No segundo quartel do século XX, todos os dias, a horas certas, se encontravam em frente do velho Tribunal, a fim de trocarem ideias ao mesmo tempo que davam o seu passeio, atravessando a Praça paralelamente à fachada daquele edifício, nos dois sentidos, alguns pequenos grupos de amigos, que constituiam outras tantas tertúlias. Estou a lembrar-me de um desses grupos que ficou célebre pela fidelidade com que cumpria o ritual, grupo formado pelos professor Lopes da Costa, reitor Manuel Alves Ribeiro e Abel Perdigão, a que por vezes se juntavam outros, como o dr. Baltazar de Carvalho Alberto, veterinário municipal, e, em tempo de férias escolares, José da Fonseca Travassos (que era director do Colégio de S. Pedro, de Coimbra) e, mais tarde, o professor Castro Nunes, que viria a afirmar-se como arqueólogo, justamente em Arganil, com as investigações que empreendeu na Lomba do Canho, como é sabido. Gente culta, muito ligada à Igreja, com concepções de vida de sinal conservador. Por sua vez, à noite, depois do jantar, era frequente verem-se dois cidadãos, um comerciante outro industrial, entretidos com serenas considerações decerto à cerca do mundo dos negócios: Albano Pires e Mariano Lopes Morgado. Ainda à noite, mais tarde, era a vez do dr. Fernando Vale e do seu amigo padre Adelino (Dias Nogueira) darem finalmente largas ao gosto de comentarem os acontecimentos da política, persumia-se.
Aqui havia o célebre "banco da pimenteira" - árvore (a que Pascoaes chamou chorão) - à sombra da qual se prestava culto à má língua. Por outro lado, aqui existia - e existe - a "Farmácia Galvão", nos n.ºs 6 e 7, onde se celebrava a "Tertúlia da Farmácia" - a mais importante e mais famosa tertúlia que Arganil conheceu, formada por um grupo de pessoas ilustradas da vila que tinham gosto em se encontrar todos as tardes para, de forma civilizada, trocar impressões sobre os problemas da vida - grupo de que só devem restar vivos o dr. Fernando Vale e o embaixador Albano Nogueira.

Esta tertúlia ainda nos anos trinta existia.

Na Praça, por essa altura, havia, de tempos a tempos, comédias, modesto espectáculo de rua realizado por pequenos grupos de comediantes que andavam de terra em terra, à procura duns magros tostões atirados das janelas para um chapéu que se estendia. Aqui aconteciam também, na época própria, manifestações carnavalescas, aliás de gosto em geral duvidoso. E porque Arganil é comarca judicial há mais de duzentos anos, e ao princípio, uma vasta comarca, importantes pleitos aqui foram julgados, em relação a alguns dos quais as leituras das sentenças deram origem a manifestações de júbilo que começavam logo aqui. Foi o que por exemplo aconteceu após o julgamento de João Brandão (acusado de haver morto o célebre "Ferreiro da Várzea", na Benfeita) assim que os seus partidários souberam que o famoso guerrilheiro ia sair em liberdade.
Vem a propósito recordar duas personalidades que passaram por Arganil com alguma demora e decerto conheceram bem este sítio. Refiro-me a Manuel Fernandes Tomás, que aqui foi Juíz-de-Fora nos começos de oitocentos (e, mais tarde, iria ser figura cimeira da política nacional, como é sabido) e a José Maria Bravo Serra, mais perto de nós, que aqui foi Juíz de Direito e viria a afirmar-se elemento prestigiado da magistratura portuguesa. Foi este último quem, surpreendido com o nível cultural que veio encontrar na sociedade mais ilustrada da Arganil dessa época (segundo quartel do século XX). havia de dizer, mais tarde, que, quando aqui chegara, tivera a impressão de se encontrar numa academia.

A Praça Simões Dias chamava-se anteriormente Praça do Comércio, pois aqui se concentravam os principais estabelecimentos comerciais da terra. Nos já referidos anos novecentos e trinta, por exemplo, aqui tinham porta aberta, com efeito: o farmaceutico Francisco Torres Dias Galvão, proprietário da "Farmácia Galvão", já referida; José Baptista de Carvalho, uma das primeiras lojas relativamente importantes que surgiram em Arganil; Jorge Miguel Moreira, com oficina de sapateiro; Francisco Castanheira de Carvalho, com a "Gráfica Moderna", que era também papelaria e livraria; José Maria da Cruz Almeida, com a "Loja do Zé Maria", dedicada ao comércio de panos, outros artigos, um laboratório fotográfico anexo, e, no verão, cervejaria em esplanada; (mais tarde) Susana Cruz, a "Susana", com estabelecimento de vinhos e petiscos; Guilherme Ferreira Rodrigues, que já recordámos, como cidadão e enfermeiro, com a "barbearia do Guilherme", ao fundo da Praça; (do outro lado do Tribunal) a Angelina de Carvalho, com a "loja da Angelina", dos sequilhos e do bolo-doce; o "Chiado", ou seja uma das "vinte e quatro filiais" dos conhecidos Grandes Armazéns do Chiado, de Lisboa, circunstância que se deve ao facto dos proprietários (família Nunes dos Santos) serem naturais do Barril (onde também havia um "Chiado"); o António "da Póvoa", com loja de panos; e , finalmente, António Fernandes Júnior, com a "loja do Mont'Alto, onde se vendia quase um pouco de tudo, nesse tempo talvez o mais importante estabelecimento comercial de Arganil (hoje continuado pelos Armazéns Mont'Alto).No espaço fronteiro aos "Correios" apresenta-se-nos hoje o Largo Conselheiro José Dias Ferreira, outro ilustre arganilense de Aldeia Nova (Pombeiro), o qual, começando por ser estudante em Arganil (como já aludimos), iria ser figura relevante da política nacional, tendo chegado inclusive a Presidente de Ministério.

Deste largo parte a actual Rua José Castanheira Nunes, que vai ligar à Rua Eugénio Moreira - duas figuras históricas na vida de "A Comarca" -, já no Fundo de Vila. Era a essa rua, que começava mesmo na Praça, que antigamente se chamava Rua dos Figueirais. Durante muitos anos deve ter sido artéria importante da vila. Assim se compreende que, a certa altura, lhe tenha sido dado o nome do Conselheiro José Dias Ferreira. Todavia, com a construção dos "Correios" e do largo que surgiu em frente criaram-se condições que permitiram as alterações toponímicas acabadas de referir.

É no largo do Conselheiro José Dias Ferreira, diga-se a propósito, que se encontra, por conseguinte, o actual "edifício dos Correios", um dos exemplares mais conseguidos do património arquitectónico de Arganil.


Roteiro Cultural do Centro Histórico de Arganil

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

QZP’s – AFECTAÇÃO

Este ano o concurso de Afectação dos QZP terminava com um pequeno questionário:

5.1.7 Questões

No caso de não ser colocado até à terceira cíclica, manifesto a minha disponibilidade para ser colocado:

Num horário existente em escola de um ou de todos os QZPs limítrofes àquele em que me encontro provido.

Num horário existente em qualquer escola da Direcção Regional em que se integra o QZP em que me encontro provido.

Num horário existente num outro QZP fora das soluções anteriores.


Ou me enfureço ou me rio, ou ambas as coisas.
É inconcebível. Não sei o que pretendem de concreto, por baixo da mesa deve haver algo.
Não posso também ver o lado cómico do assunto e interrogo-me como irá terminar tudo isto.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

O estado da Nação

A sociedade organizou-se, para desafiar tenazmente Portugal no mundo.

Não há interesse colectivo e cada um cuida de si e do seu.

Somos de facto, um povo que pertence a Camões, séculos de história e fraqueza.

Que utilidade essencial? Acima de qualquer possibilidade a nossa existência.

Existem maneiras mais sábias de receber o Homem como pessoa.

O drama de Antígona reflecte o conflito de intelectuais de esquerda de barriga cheia e socialistas de cu roto, símbolos do actual sistema político.

O protótipo de Antígona espelha e grassa as ideias dos moralistas terráqueos.

Existe pureza nas suas consciências?

Ainda a custo a história perpetua as partes.

O sistema, em vão, elogia e vangloria o fútil da espécie.

A dualidade no tempo de Antígona, devia obediência ao governo da Nação.

Obedecer a uma certeza, fecha-se na ignota subjectividade.

Hostilidade e abismo, o mundo real, a significação de um plano claramente essência de verbo do descrédito.

A herança Kantiana numa conduta inteligível.

Obstinado Antígona, sócrates, maria, valter e Pavlov, é na subjectividade que procuram uma solução, renegada e gratuita de significação, hesitando, pela simples razão, se ser, exigir o futuro, pela concepção errada de constituir o equilíbrio pelo fracasso do voto branco.

DOG Episode de Pavlov não se deve destruir, pertence a nós, na sua infinita trapaça.

Em bloco a esquerda e Pavlov e a direita e Cavaco, apostam na bandeira da paz, subjugando Pavlov a um reflexo que, condicionado, condiciona, a vontade de Portugal evoluir no jogo da Democracia, aceitando, respeitando e percebendo a igual razão de uma diferença entre ideais de democracia.

Esta escolha, não consente o isolamento nem a ameaça ou imposição exígua, matriz de uma área cultural, de natureza ideológica de servir a fidelidade de um tempo de filiação marxista, que despovou todos os nomes.

Esconder os problemas do País na retórica dos políticos pouco interesse tem para os projectos e aspirações da sociedade civil.

É possível acreditar na capacidade de fazer à margem de qualquer sectarismo ou ideia colonialista, reduzindo a credibilidade do nosso próximo a um amontoado de escombros. Aconteceu com muitos separatismos reduzindo ainda mais o património da nossa terra, a nossa condição de vida, o nosso sentido de verdade.

A mobilização de todos os sectores e actividades,contribuirá para uma maior força parlamentar, que a demagogia apenas lamenta o tempo e a escolha,sem uma definição justa. Existe um direito natural, uma condição, uma estrutura na obediência a uma administração.

Alienar os culpados, invariavelmente, levaria a violar as regras democráticas, condenadas a lamentos de soberania.

O desafio de Castelo Branco passa por coordenadas de aceitação regional e não me parece produtivo fundamentar arquipélagos dentro da própria geografia, fruto de uma outra época.

terça-feira, 31 de julho de 2007

segunda-feira, 30 de julho de 2007

O antigo troço de Arganil



O antigo troço de Arganil pela direita depois de sair de Vale de Maceira (Santuário de Nossa Senhora das Preces), a subir até passar a Capela de Santa Eufémia para virar a seguir à casa do guarda para a esquerda (estrada florestal) e contornar o Monte Colcurinho até entroncar na estrada do Piódão (agora asfaltada), e pela direita subir os ganchos em direcção aos Penedos Altos para depois virar à esquerda no sentido de Coja e neste cruzamento pela esquerda atingir a casa do PPD e virar para a direita no sentido Alqueve - Quinta do Mosteiro - Salgueiro - Selada das Eiras - Serra da Aveleira - os famosos ganchos perto da povoação de Nogueira e o final na placa da povoação de Lomba!




Senhora das Preces

Capelas da Paixão de Cristo vistas do inicio do antigo troço de Arganil.


Capelas da Paixão de Cristo.

Nossa Senhora das Preces.

Lago do repuxo e Chafariz monumental.

Santuário de Nossa Senhora das Preces

Alguns excertos do livro "História do Santuário de Nossa Senhora das Preces"(1)

"Desde as mais remotas eras da nacionalidade portuguesa se começaram a erguer igrejas e capelas dedicadas à Virgem Mãe de Deus. À medida que se conquistava aos mouros e solo desta faixa ocidental da Península, começavam a cavar-se os alicerces e a levantar-se as paredes de grande templos, como a Igreja de Santa Maria de Alcobaça, a Catedral de Santa Maria de Coimbra, e tantas outras. Mas não era só nas cidades e terras populosas. Também nas aldeias e vilas da Beira, nas margens do rio ou no alto dos montes se levantavam, pouco a pouco, igrejas e ermidas. Arganil fundou o Santuário do Monte Alto, Côja construiu a Capela de Nossa Senhora das Neves, Vila Cova a Igreja Matriz, Avô dedica à Virgem a sua Igreja Matriz e Ermida de Nossa Senhora do Mosteiro, São Romão funda o Santuário de Nossa Senhora do Desterro, Aldeia das Dez levanta no alto do Colcurinho, e depois no Vale de Maceira, o Santuário de Nossa Senhora das Preces. Todos estes santuários ficam na margem ou à vista do Rio Alva, o que levou certo autor a chamar-lhe rio sagrado(2).""Todos os autores que se têm referido ao Santuário dizem que ele é frequentadíssimo de romeiros, e um dos mais afamados de toda a Beira, mas nenhum aponta a data da sua origem. Ora, numa fria manhã de Novembro, os autores deste modesto estudo empreenderam a ascensão do monte de Colcurinho (...) A subida é um tanto difícil, pois o cabeço é elevado (1242 m), e o caminho íngreme e áspero. Mas por fim chegámos ao alto. Lá está a capelinha de Nossa Senhora das Necessidades, no lugar onde esteve a primitiva de Nossa Senhora das Preces. É uma ermida simples, com a sua porto virada ao Poente, ladeada por duas frestas, com o seu altar, feito por José Tavares, artista (...) da Aldeia das Dez."

(1) PEREIRA, Augusto Nunes, Pe.; BRITO, Mário Oliveira, Pe. - História do Santuário de Nossa Senhora das Preces: desde o aparecimento da Virgem até aos nosso dias. Braga: Missões Franciscanas, 1945(2) Vide - José Leite de Vasconcelos, Etnografia Portuguesa, Vol. II, pág. 16.

À conquista


Carlos Manuel Cravo, Carlos Manuel Gama e Carlos Manuel Antunes na esplanada "A Gruta" do amigo Carlos Manuel Lourenço na aldeia do Piódão.


Não há pior escravidão do que a esperança de ser feliz. Deus promete-nos um vale de lágrimas na terra. Mas, afinal, esse sofrimento é passageiro. A vida eterna é a eterna felicidade. Rebeldes, insatisfeiros, respondemos a Deus.

Carlos Fuentes, Diana ou a Caçadora Solitária, cap. I pp 9

domingo, 29 de julho de 2007

Cunqueiros Dance Party 2007

Dia 3 de agosto
Maurel & Fauvrelle no Cunqueiros Dance Party 2007

A 3.ª edição atinge uma maturidade e pujança inéditas na região Centro, e apresenta como cabeças de cartaz Maurel & Fauvrelle

CUNQUEIROS Dance Party está de volta para a sua 3.ª edição, atingindo uma maturidade e pujança inéditas na região Centro, e apresenta como cabeça de cartaz a dupla Maurel & Fauvrelle. Um espectáculo a não perder.

"É já no próximo dia 3 de Agosto, sexta-feira, a partir das 23 horas, na localidade de Cunqueiros, concelho de Proença-a-Nova, distrito de Castelo Branco, o evento que, como sempre, é de entrada livre.

Maurel & Fauvrelle, a dupla que actua em formato Live Act é composta pelos Top DJ’s nacionais Frank Maurel e Carlos Fauvrelle, que são, neste momento, os mais conceituados em Portugal, tendo há vários anos uma grande visibilidade e inúmeras actuações a nível internacional, tanto no plano individual como em conjunto. A expectativa é de que Maurel & Fauvrelle irão proporcionar um espectáculo memorável para esta região, tornando assim a 3.ª edição da Cunqueiros Dance Party algo imperdível. Dj Panchito e Dj Xapi_Nager são os outros artistas convidados, que prometem aquecer o ambiente do início ao fim.

Para além da forte aposta a nível artístico, outra das prioridades da organização para a edição de 2007 é a melhoria das condições do recinto de espectáculos, sendo uma das grandes novidades a concepção e instalação de um super décor, criando uma verdadeira pista de dança ao ar livre, com melhores capacidades acústicas e com 2 ecrans gigantes de animação multimédia, para além do investimento na iluminação e ampliação da zona de esplanada.

Para quem quiser trazer a sua tenda haverá ainda uma zona de campismo ao natural, cuja utilização é inteiramente gratuita, com capacidade para dezenas de tendas e oferecendo WC aberto 24 horas e duche de água quente. A Cunqueiros Dance Party é produzida por uma comissão organizadora sem fins lucrativos e com o intuito principal de elevar o nome da localidade e da região a um patamar de reconhecimento significativo, sempre com o cunho do planeamento de evento com qualidade e respeito pelos valores dos seus parceiros, patrocinadores e apoiantes, naturalmente sempre virado para o seu público-alvo, os jovens da região, para os quais procura trazer um tipo de iniciativa praticamente inexistente na Beira Interior."




Jornal do Fundão - Edição online paga c/data 26 de Julho 2007

sábado, 28 de julho de 2007

João Garcia

Não estamos perante uma inconsequente e ocasional incursão de um qualquer em domínios que lhe são estranhos, mas da espectacular afirmação de um indiscutível ser Superior.

Acabo de ler que o maior alpinista português de seu nome João Garcia conquistou mais uma montanha acima dos 8 mil - o K2.

Faltam agora 5 desafios para entrar na galeria dos mortais conquistadores de todos os 8.000.

A montanha é a sua casa.

A coragem e determinação de quem não quer desistir.

"Depois do Evereste já corri o mundo. Fui ao Atlas, aos Andes, ao Alasca, à Antárctida e voltei, volto sempre, aos Himalaias."

Advanced Micro Devices

"The Great Global Warming Swindle"

¿El Calentamiento global es mentira? Da igual: Los 40 TOP LESS más famosos de la historia del cine

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Um Clássico

Van der Graaf Generator aviva la calle

Isaac Hayes, Marcus Miller y la extraordinaria Vienna Art Orchestra fueron los protagonistas del cuarto día del Festival de Jazz de San Sebastián, que recuperó a un grupo de culto, los rockeros de Van der Graaf Generator, en una jornada en la que los espacios gratuitos siguieron dando vida a la calle.

Tecnologia

La Unión Europea y los Estados Unidos han llegado a un acuerdo para que las redes de los satélites Galileo y GPS sean compatibles, de forma que el usuario recibirá múltiples señales de localización combinadas con gran precisión.
Los satélites GPS y Galileo mandarán señales combinadas

Monte Colcurinho - Senhora das Necessidades

Capela de Nossa Senhora das Necessidades.
Situada no Monte Colcurinho a cerca de 14 Km de Aldeia das Dez.
Esta capela encontra-se ligada a uma lenda, que se conta assim:


A fachada principal da Capela.

Vista lateral do lado Sul com os painéis solares.

O altar de Nossa Senhora das Necessidades.

A escadaria em pedra que dá acesso ao pequeno recinto e entrada.


A chegada ao Monte Colcurinho por caminho estreito e sinuoso.

Em dias calmos, subia ao cume do monte, ao Colcurínho, e pesquisava onde tinha sido a pequena edícula que teve a imagem ali encontrada. Conseguiu encontrar a torça da porta com a era de 1326. Depois sentava-se sobre uma pedra e alongava a vista para os confins da Serra do Açor ficava-se tempos esquecidos a meditar, só despertando quando o sol tombava para o poente. Voltava ao seu albergue, e assim passava os dias este homem que todos tinham por santo. E ninguém penetrava naquele íntimo, fechado para o mundo. Passava horas na capela, e todos os dias se fechava na sacristia, donde saía com uma pequena saca de terra, debaixo da garnacha, que ia despejar longe da capela. Era a sepultura que êle andava abrindo como os anacoretas. Ainda hoje existe, mas sem nunca ter quem a ocupasse.

Frei Simão - José Lencastre -1939


Fotografias da Cerca do Cabeço no Monte Colcurinho.




quinta-feira, 26 de julho de 2007

"O ano da chibata"

Santana Castilho, o autor, professor do ensino superior, chamou-lhe
O ano da chibata.
Transcrevo-a, para memória, do "Público" do passado dia 19:


"Analiso as políticas educativas, na imprensa portuguesa, de forma permanente e regular, desde 1981. Digo, pesando o que digo, que este é o pior Governo para a área educativa não superior de que guardo memória. Tudo o que seria importante para promover a qualidade do sistema de ensino ou não foi realizado ou foi objecto de medidas que degradaram ainda mais o que já era mau. A ministra da Educação e os respectivos secretários de Estado foram tecnicamente incompetentes e politicamente irresponsáveis. Transportando para o mundo do ensino a cultura dominante da governação de Sócrates, actuaram como pequenos ditadores e 2006/2007 cola-se-lhes à acção como o ano da chibata. Longe de ser exaustivo, fundamento o que afirmo com um balanço breve do ano lectivo que ora finda.

1. As políticas para o ensino foram boçais e destituídas de visão estratégica. A ministra e os seus ajudantes mostraram ter cabeças tayloristas, convencidas de que gerir passa por fazer, pela força e pelo medo, com que os professores executem as suas ideias inconsistentes. Qualquer mudança, desde que reduzisse, economizasse e afrontasse os professores, foi considerada moderna e progressista.

O ano lectivo de 2006/2007 tinha obviamente que reflectir a verificada redução orçamental (4,2 por cento no básico e secundário e 8,2 no superior) e patentear o que o Governo privilegiava com isso: diminuir o salário dos professores; piorar as condições em que exercem a profissão; cortar-lhes direitos protegidos pela lei que os próprios carrascos produziram (vide as decisões dos tribunais sobre as remunerações das aulas de substituição); tornar cada vez mais precárias as condições contratuais, em obediência aos cânones da liberalização selvagem; fechar escolas (900 a somar às 1400 do ano transacto). Tudo em nome do défice. Mas o défice que hoje nos condiciona a vida foi-se acumulando ao longo dos tempos, sob responsabilidade de políticos com nome, vivos e bem instalados na vida. Sem vergonha e sem contrição pública, alguns voltaram ao exercício político e censuram hoje, displicentemente, aquilo por que foram responsáveis ontem. Para que não me acuse de ficar no vago, concretize o leitor respondendo: quem foi o político que concebeu o modelo retributivo do funcionalismo público, que tantos elegem hoje como a desgraça do Estado? Como se chama o megalómano que decidiu gastar milhões em dez estádios de futebol, num país que manda as filhas parir no estrangeiro e convoca para intervenções cirúrgicas velhos já mortos, cegos, apodrecidos em anos de espera por uma simples operação às cataratas? Qual o peso que sobrou para o défice público da saga de Cahora Bassa e quem são os políticos por ela responsável?

Concedendo, sem mais discussão, que não nos podemos eximir às regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento (que nome mais impróprio) e à lógica da globalização sem rei nem roque, os três exemplos anteriores, de uma infindável lista, e o contexto em que ocorreram, justificariam uma metodologia bem diferente para tratar os professores. Só incultos ou desumanos não o entendem.

2. O recente concurso de "professor titular", a que foram opositores os docentes dos anteriores 8.º, 9.º e 10.º escalões, é bem o paradigma da trapalhada, da injustiça e do improviso em que se afunda a 5 de Outubro: duma vida inteira de profissão, iluminados decidiram que só uns anos contam; dos cargos, os mesmos deram preferência aos administrativos; durante a semana em que o concurso decorreu, pôde o país verificar, atónito, que consoante os dias assim a posse do grau de mestre somava ou retirava pontos ao número necessário, como o exercício de cargos políticos equivalia ou deixava de equivaler a serviço docente; concorrentes ao concurso integraram órgãos de verificação e validação de dados, ou seja, foram juízes em causa própria, com um quadro referencial de confusão e bagunça, o que faz prever uma bela caldeirada conflitual final. Imaginar-se-ia pior?

3. Se do lado dos professores o ano foi mau, do lado dos alunos só podia ser pior. Os exames, fundamentais como sempre tenho defendido, mas longe de tudo resolverem ou serem o mais importante de todo o processo, são o motivo, por via dos respectivos resultados, para que o país acorde, embora só por escassos dias.

Há semanas, depois de múltiplas decisões judiciais contra o Governo, o Tribunal Constitucional decretou a inconstitucionalidade de um despacho do secretário de Estado Valter Lemos, sobre os exames, que prejudicou 10.000 alunos e beneficiou 5000, em violação da igualdade que deve presidir ao tratamento dos cidadãos num Estado de direito. Que aconteceu? Nada! Nem a ele nem à ministra que defendeu, contra tudo e contra todos, com a arrogância que lhe conhecemos, o indefensável.

A cena da Física do ano passado ditou a demagogia primária deste ano. Da multiplicidade de exames, correspondentes à confusão de programas vigentes, encontrou-se o menor denominador comum e decretou-se o exame único: uma farsa, um desrespeito pelo trabalho dos alunos, das escolas e dos professores. Mas a redução do número de provas não isentou de erros a produção dos exames. Lá voltámos a ter 36.000 alunos confrontados com uma pergunta a que nenhum poderia responder, por ser rematada asneira. Que fez a ministra? Achou irrelevante e engendrou a solução tecnicamente bruta que os pais foram contestar em tribunal. Até quando?

Sem contenção de linguagem e sem o mínimo rigor pedagógico e científico, a ministra ligou o Plano da Matemática, com escassos meses de acção, incompleta, mesmo assim, por incumprimento seu, aos resultados dos exames que estariam para vir. Quando apareceram os primeiros, do 12.º ano, que nada têm com o famigerado plano, que apenas contempla o ensino básico, embandeirou em arco e insinuou uma relação que não existe. Finalmente, deve ter mordido a língua quando foram conhecidos os do básico, os piores de sempre, que reduziram ao ridículo as declarações que produziu antes.

No ano que ora finda, nada do que pode mudar o desastre foi realizado.
A trapalhada do edifício curricular permaneceu incólume, assim como a incoerência dos programas de estudo.
Aumentou o facilitismo e a idiotização do ensino.
Subalternizou-se ainda mais a Literatura no ensino do Português.
Empurrou-se para debaixo da mesa a trapalhada da TLEBS.
Liquidou-se a Filosofia.
Manteve-se uma dispersão assassina e ignorante de solicitações aos alunos (12 disciplinas no 3.º ciclo do básico e mais tempo de permanência na escola que os operários nas fábricas, não é de loucos?).
Mudou-se a estrutura orgânica do ministério, deixando-o igualmente centralizador e burocrático.
Promoveu-se o clientelismo e premiou-se a delação e o servilismo.
Mudou-se a legislação disciplinar, mas continua a ser mais fácil falsificar uma nota de 50 que actuar com eficácia sobre os pequenos delinquentes, que tornam a vida dos colegas e dos professores um martírio diário.
Nada mexeu quanto ao anacronismo da gestão das escolas.
Professores, vítimas de cancros em fase terminal, foram indignamente chibatados para morrerem no posto, em nome duma lógica economicista que rejeita aquisições civilizacionais básicas.
Mal haja, senhora ministra."
recebido por e-mail

Aldeias do Xisto - Piódão

A sensação de harmonia e integração no meio é de tal forma intensa, que tudo parece ter sido concebido de uma só vez, numa genial composição urbanística.

Os telhados em lajes. A meio da serra o antigo troço de Arganil e lá mais para cima o Colcurinho.

As casas descem de socalco em socalco ao sabor do monte, para se alargarem então na vasta praça que constitui o centro, a sala de visitas do Piódão, onde se ergue, orgulhosamente imaculada, a pequena Igreja Matriz.

As quatro finas torres cilíndricas rematadas em cones, parecem conferir movimento à frontaria, enquanto a torre sineira de planta quadrada se encosta a meio da fachada sul da Igreja.

É provável que a primitiva igreja do Piódão, dedicada ao culto de Nossa Senhora da Conceição, tenha sido construída no decurso do séc. XVII, conforme apontam algumas referências.



Texto completo na Página elaborada pelo aluno Carlos Martins da Escola Secundária de Arganil - Aldeia do Piódão

La Tour Eiffel - 3

Les Dossiers de La Tour Eiffel.

La Torre Eiffel - 2

La Torre Eiffel
Historia de la Torre Eiffel
Subir a la Torre Eiffel
Como ir a la Torre Eiffel
Restaurantes en la Torre Eiffel
Iluminación de la Torre Eiffel
Gustavo Eiffel

Torre Eiffel

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Viagens Na Minha Terra



Próximas Etapas:

- Piódão

- Monte Colcurinho - Senhora das Necessidades

- Senhora das Preces

Casa do PPD

A famosa casa do PPD foi assim baptizada porque em 1975 foi aí pintado a tinta cor de laranja as iniciais do respectivo partido que concorria às primeiras eleições democráticas de Portugal.


O antigo troço de Arganil na Casa do PPD.
Ao fundo pela direita o caminho de terra batida para as povoações de Enxudro, Sardal, Pardieiros, PPSA - Fraga da Pena. A partir daqui em estrada asfaltada surge Benfeita e no lado Sul desta Pai das Donas e Luadas. Por último Esculca perto dos famosos ganchos antes do Alqueve.
Pelo lado esquerdo a subir o troço de Arganil que mais à frente continua pela esquerda em direcção ao Alqueve.


A casa do guarda florestal que marcou toda uma geração que aqui vinha ver o rali de Portugal, ali permanece numa nova paisagem que me marcou no passado.

Qual é a melhor forma de compreender e perceber o passado e o presente da Casa do PPD em plena Serra do Açor?


Portas

as portas de fajão...

Código deontológico

Internet es un medio de comunicación instantáneo, mundial, descentralizado e interactivo. Pero tiene un punto negro: aún no está debidamente regulado.

Los límites de tu ordenador

Estrada "limpa"



Motos con dos ruedas delanteras para los más inseguros, coches biplaza que se inclinan para adaptarse a las curvas, una especie de patines con un sistema de muelles –en vez de ruedas– para correr más rápido o una bicicleta con tecnología de Fórmula 1 son sólo algunas de estas apuestas. Aunque las innovaciones se pagan y la mayoría de estos inventos tienen un precio prohibitivo, merece la pena conocerlos para comprender hacia dónde avanza el transporte del futuro.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Vale da Barragem de Sta Luzia

O vale da Barragem de Santa Luzia. Ao fundo a aldeia do Vale Grande, do lado esquerdo em cima a capelinha da Santa Luzia, o paredão da Barragem e a envolvente rochosa.

Barragem de Santa Luzia



Imprevisível, fascinante e único. A viagem na minha terra, dentro deste mundo, voltou à memória um grande número de histórias tão diferentes, de filhos da terra de outras viagens...

De outras viagens no mesmo sítio:
Arquivo Sem Ordem c/datas 12, 13 e 14 de Setembro 2006

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Viagens Na Minha Terra


Próximas Etapas:

- Vale da Barragem de Santa Luzia

- Casa do PPD

- Piódão

- Monte Colcurinho - Senhora das Necessidades

- Senhora das Preces

Aldeias do Xisto - Fajão 4

Importa ressalvar as populações, as paisagens, o legado histórico. Locais de rara beleza. Espaços humanos e físicos como ponto de equilíbrio. Conhecer e preparar o caminho para a sua divulgação. No destino existem lugares e pessoas.

Aldeias do Xisto - Fajão 3

"Juiz de Fajão", uma referência apreciada pela sua forma acolhedora de receber.

" A construção deste templo teve início a 2 de Junho de 1788 e, no mesmo local onde estava edificado o anterior. A capela- mor foi benzida a 1 de Janeiro de 1789. Trata-se de um edifício de linhas sóbrias ladeado à direita pela torre sineira, unida de forma original ao corpo da igreja através de um arco. A porta principal é de verga curta, com cimalha ondulada.
No interior podem ser contemplados os altares de madeira entalhada, sendo o principal do século XVII e os colaterais ao gosto do final de setecentos. Do antigo templo recebeu a pia baptismal, a imagem de S.Teotónio (colocada no altar-mor) e as imagens de S. Simão e de N. Srª. do Rosário, de pedra, da 2ª metade do século XVI (colocadas altar colateral da direita). A festa da Padroeira é celebrada em Agosto."


Ao ver determinado aspecto a relação comunidade / meio envolvente começa a tomar forma.