“Se um dia disserem que o seu trabalho não é de um profissional, lembre-se: A Arca de Noé foi construída por amadores; profissionais construíram o Titanic…“
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
Largo Augusto de Oliveira Coimbra
O Largo do Campanário, ou Campanário, simplesmente, nó importante da rede viária da vila, é dominado, como o nome indica, pela presença da torre sineira da igreja de S. Gens, da qual aliás se encontra separada e em plano superior, para que o som das badaladas possa ser ouvido noutros pontos da terra.
Noutro tempo, o largo dispunha de bancos onde os moradores desta zona da vila, no tempo quente, gostavam de se sentar, à noite, depois do trabalho, em descontraída e agradável cavaqueira. Apareciam frequentemente figuras populares famosas, como a Júlia do Campanário e a Júlia Italiana, por exemplo. Terá perdido esse carácter de lugar privilegiado de convívio popular nos anos novecentos e quarenta, quando desapareceram os bancos que aqui havia, em consequência da transformação que o local sofreu devido a obras que visaram o seu embelezamento.
O prédio que tem o n.º 3 - a antiga "Casa da Torre" - pertenceu a uma família que teve grande presença em Arganil, a família Sá Nogueira. Nesta casa passou, portanto, a infância e parte da juventude, António Emydio Sá Nogueira, contemporâneo e émulo de Veiga Simões. Formado em direito, viria a ser, em Lisboa, nome grande da advocacia portuguesa, chegando mesmo a bastonário da respectiva Ordem. Posteriormente, no mesmo edifício viveu e teve escritório outro distinto advogado, o dr. Eduardo Ralha, que aí iniciou a sua vida profissional e chegaria a ser um dos mais brilhantes causídicos do Porto. Mais tarde, foi a Associação dos Bombeiros Voluntários Argus qu aí esteve instalada durante anos.
Dado ser este um Passei que se pretende cultural, é oportuno recordar nesta altura as condições em que nasceu esta benemérita instituição.
No final do primeiro quartel do século XX, a sociedade desta vila, quanto a formais associações de convívio existentes, podia caracterizar-se assim: havia o velho "Grémio" reservado, por assim dizer, à frequência dos notáveis da vila, e havia a, por essaa altura surgida, Sociedade Recreativa Argus, agremiação esta, por seu turno, de carácter francamente popular, criada por iniciativa de gente nova, ligada ao sector do trabalho; em suma: uma socieddae claramente constituída por dois estratos distintos. Este quadro iria manter-se até aos anos novecentos e trinta. E é então que na vila ocorre uma outra iniciativa, de que foram protagonistas o dr. Eduardo Ralha, Frederico Simões, António Dias Gouveia e Augusto Ferreira, liderados pelo dr. Fernando Valle, animados pelo propósito de porem de pé um projecto de solidarieddae social que passava pela fusão do "Grémio" e da Socieddae Recreativa Argus numa estrutura associativa única: - a Associação dos Bombeiros Voluntários Argus. Projecto, que em torno da criação dum "corpo de bombeiros", se propunha dar grande atenção igualmente à cultura física (e assim iriam surgir o "campo de jogos" e a equipa que está na origem do actual Grupo Desportivo Argus), à cultura intelectual (à música, ao teatro, ao fomento da leitura) e à cultura moral e cívica da gente moça da terra. Para remate deste apontamento, acrescentarei somente que o projecto da criação da Associação dos Bombeiros Voluntários Argus, no seu formato inicial, - pelo altruismo dos seus propósitos, pela onda de interesse que desencadeou na população da vila, constitui uma das páginas mais belas da história conhecida da cultura arganilense.
Do Campanário faz ainda parte a antiga "Eirinha", hoje reduzida ao Largo 25 de Abrl, e ao qual se tem acesso por uma pequena escada. Outora, aí se secavam cereais, na época própria, e daí se lançavam pregões relativos a disposiçõees das autoridades, na altura que iam entrar em vigor.
Roteiro Cultural do Centro Histórico de Arganil
terça-feira, 7 de agosto de 2007
O cabo das tormentas
Desisti! Resolvi avançar para um novo estilo. E porque não? Pessoalmente gosto desta "Start-Box" mais arrumada.
HyperText Markup Language ou Linguagem de Marcação HiperTexto, uma linguagem simples composta de marcações de formatação e diagramação de hipertexto/hipermídia (informações em texto, imagens, sons e ações ligadas umas às outras de uma forma complexa e não-sequencial através de chaves relacionadas).
É a linguagem da WWW (World Wide Web), justamente por essa capacidade de formatação e diagramação de hipertexto/hipermídia. Atualmente existem muitas outras linguagens utilizadas concorrentemente com o HTML (Java, ActiveX, etc...) mas a base da WWW ainda é , de longe, o HTML, que é interpretada por todos os navegadores (browsers) disponíveis (Netscape, Internet Explorer, Mosaic, etc...).
O documento em HTML é um arquivo texto comum (ASCII) que pode ser escrito através de qualquer editor de textos comum (Edit, E , Norton Editor, Notepad, ...) e tem a terminação .htm ou .html .
Como é uma linguagem interpretada, a partir do momento em que se salvou o arquivo HTML o mesmo já pode ser aberto por qualquer navegador...
Intemporal
Foto de família
Largo Manuel da Costa Vasconcelos Delgado
Pertencente à aristocracia da terra e, ainda por cima sacerdote, a onda de intolerância miguelista que no seu tempo varreu o País não lhe perdoou o "crime" de pensar que o Homem nasceu para ser livre. E assim o perseguiram com uma fúria selvática, Serra fora, até o prenderem e encurralarem, durante anos, na prisão de Almeida. Todavia, quando daí saíu, após a vitória do liberalismo, em 1834, e se encontrou à frente da Administração de Arganil, sua terra natal, teve a grandeza de alma necessária para ignorar os "zelosos" conterrâneos que lhe fizeram a vida negra.
Ora, a primeira coisa que provavelmente chama a nossa atenção quando entramos neste espaço - onde a vil deve ter iniciado o seu desenvolvimento urbanístico - é o pelourinho, que temos na frente. Havendo-se perdido a memória do monumento original, a Câmara incumbiu, há anos, o investigador histórico e artista arganilense A. Nunes Pereira, de conceber um pelourinho que substituísse o primeiro, o qual de resto ninguém sabe onde se localizava. Trata-se pois dum projecto daquele atista, natural da Mata do Fajão (Infelizmente, há pouco falecido).
A pedonal que faz a ligação deste largo à rua Cinco de Outubro chama-se (actualmente) rua Comendador António Lopes da Costa, (que viveu e faleceu no n.º 5) antigo professor primário e pessoa ilustre de Arganil. Já na última fase da sua vida, ainda foi director de "A Comarca", havendo-se dedicado então simultaneamente, a fazer investigações sobre a história sua terra - o qu lhe iria dar ensejo a publicar importantes notícias referentes a esse tem naquele jornal.
Avançando para a esquerda temos a velha Fonte da Bica, que deu o nome a esta zona da vila.
No terreno que se vê por cima da fonte propriamente dita (Terreno hoje ocupado com construções recentes.) existiu em tempos recuados aquele que foi porventura o solar de maior requinte arquitectónico que alguma vez terá existido em Arganil. Segundo a historiadora arganilense Regina Anacleto, foi construído em anos de setecentos pelo reitor dr. Manuel Lemos Tunes. Por morte deste, passou à posse duma irmã que casaria com um representante da família Barreto Perdigão Vilas-Boas, de Góis, casal esse que estabeleceu residência em Arganil. O solar foi passando à posse doutros descendentes, até que em 1890, um deles, que vivia em África, veio a Arganil para vender tudo o que aqui possuía, não se sabe a quem. Assim se compreende que esse imóvel tenha permanecido na memória dos arganilenses como o "solar dos Perdigões Vilas-Boas". Em 1906, diz Veiga Simões, já o solar se encontrava em deplorável estado de conservação. Presentemente, os únicos vestígios conhecidos do solar - aliás vestígios da respectiva capela - são fragmentos do célebre retábulo, em pedra de Ançã, figurando a Última Ceia, que se encontram em exposição permanente nos Paços do Concelho.
Mesmo em frente da Fonte, no n.º 17, encontra-se a "Casa dos Vasconelos", que foi propriedade desta família arganilense e onde viveu o padre Delgado. Era inicialmente um vasto casarão com frente para este largo e fazendo esquina para a rua adjacente. A certa altura, porém, devido a partilhas, deu origem a duas unidades distintas, situação que se mantém.
Daqui parte, em direcção ao Paço, a rua Frederico Simões, outro notável de Arganil, grande entusiasta da constituição do corpo de Bombeiros Voluntários Argus, de que foi aliás o primeiro comandante.
Roteiro Cultural do Centro Histórico de Arganil
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Spiderman

A Barca de Janeiro de Cima
A Barca de outros tempos. A roda, a paisagem, as crianças, os homens, as roupas, o rio. A genuína paisagem. O percurso de cada um, espelho também de um tempo sereno e natural.
"In the early morning hours of August 6, 1945"
Largo da Igreja
O edifício actual, que estamos a ver, vem dos fins do século XVII. É um edifício amplo, de boa construção, porém desprovido de interesse estético. A escada exterior que temos em frente dá acesso ao coro alto. O edifício apresenta a curiosidade de não ter torre sineira acoplada. Esta, como já vimos, está separada e localizada a nível superior. No interior da igreja há coisas provenientes de origens diversas, que o padre Delgado, depois de 1834, conseguiu trazer para aqui. Todavia, em termos culturais, nem todas essas aquisições terão encontrado o melhor enquadramento.
No tempo deste sacerdote - padre Vasconcelos Delgado - tinham lugar neste templo (como atrás aludimos) cerimónias que chegaram a revestir-se de inegável interesse cultural. Ora, a este respeito, o autorizado historiador e professor universitário António Ribeiro de Vasconcelos (ligado por vínculos familiares a esta vila) disse um dia, a fim de realçar a acção educativa que aquele seu antepassado exercera em Arganil no campo da música: que constituía um verdadeiro regalo espiritual ver toda uma paróquia - homens e mulheres, novos e velhos, adultos e adolescentes - afluir à igreja e cantar com harmonia, compasso e elevado sentido religioso. Neste largo dá-se o encontro de duas ruas que recordam mais duas figuras importantes da cultura arganilense: o visconde de Sanches de Frias e o dr. Alberto Moura Pinto.
O Visconde era natural de Pombeiro. Frequentou aqui a "aula" de Ribeiro de Campos, como já se viu; porém, dificuldades financeiras da família, te-lo-aõ impedido de prosseguir estudos e levado, ainda adolescente, a tentar vida no Brasil. Dedicando-se aí à vida comercial, acabaria por garantir a independência financeira da família. Com vocação para as Letras, cultivou a escrita com algum êxito. Escreveu, além de ficção, literatura de viagens, e ensaio, tendo deixado uma excelente monografia sobre Pombeiro, bem como um estudo sobre Simões Dias, de quem era amigo. Dirigiu, com o filólogo Cândido de Figueiredo uma revista literária. Foi homem de sólida formação moral. Marcello Caetano, que o conheceu, referiu-se-lhe nestes termos: "Na aldeia (Pombeiro) residia ao tempo o Visconde de Sanches de Frias a cuja casa muitas vezes fui. Era o mais visconde de todos os viscondes que jamais conheci na vida e a minha retentiva infantil fixou a sua figura erecta e pomposa, de bigode e pera e farta cabeleira, num halo de imponência cuja grandeza e intensidade estão muito para além do que caberia à sua hierarquia nobiliárquica!" (Citação de José Caldeira em "o Visconde de Sanches de Frias, Vida, Obra e Ascendência", na revista Arganília N.º 3).
No n.º 5 desta rua nasceu e residiu outro dedicado filho de Arganil que muito fez pelo desenvolvimento da cultura dos seus patrícios: Carlos Ribeiro, que, há pouco, nos deixou.
Quanto ao dr. Alberto de Moura Pinto (1883-1960) era de Coimbra, onde se formou em Direito. A sua ligação a concelho de Arganil começaria, porém, cedo e seria para sempre. Foi administrador deste concelho em 1908 e voltaria a sê-lo em 1910, poucos dias depois da implantação da República. Por outra banda, foi deputado pelo Círculo de Arganil em três legislaturas, como militante do partido de Brito Camacho. Dotado de dom da palavra e de boa formação jurídica - também foi magistrado - , rapidamente se impondo no parlamento como deputado brilhante e activo. Teve papel relevante, por exemplo, nas diligências legislativas do seu partido que visaram amenizar as relações da Igreja com o Estado, deterioradas com a "Lei da Separação". Depois de 1926 afirmou-se como ardoroso defensor da liberdade e da democracia, pelo que teve de se exilar em Espanha. Com a vitória de Franco refugiou-se em França; e com a invasão deste país pelas tropas de Hitler, na Segunda Guerra Mundial, passou-se para o Brasil, onde continuaria a batalhar contra o fascismo salazarista. Já velho e doente, sentindo aproximar o fim, regressou, clandestinamente, a Portugal, com vista e refugiar-se na sua Quinta dos Vales (freguesia de Vila Cova do Alva) onde desejava acabar os seus dias - como de facto aconteceu, pouco tempo depois.
No prédio com o n.º 6 viveu uma distinta senhora que muito fez também pela cultura em Arganil - Viscondessa de Sanches de Frias, filha do Visconde atrás referido, que foi casada com o dr. Augusto de Oliveira Coimbra (de quem igualmente já falámos).
Na elaboração do texto, o autor, nado e criado em Arganil, valeu-se da sua memória pessoal e de trabalhos de arganilistas (entenda-se: de estudiosos das coisas de Arganil) que consultou, e que foram sobretudo:
Artigos insertos em diversos números de "A Comarca de Arganil" - (Arganil).
Diversos números de "Jornal de Arganil" - (Arganil).
Inventário Artístico de Portugal. Distrito de Coimbra, de Virgílio Correia e A. Nogueira Gonçalves. (Academia Nacional de Belas Artes, Lisboa, 1952, pp. 5, 5 e 7).
Arganil, Regina Anacleto. (Editorial Presença, Lisboa, 1996).
Roteiro Cultural do Centro Histórico de Arganil
domingo, 5 de agosto de 2007
Largo Conselheiro Neves e Sousa
Aqui podemos ver, em frente e à nossa esquerda, o célebre "Coreto da Música", construído em 1912, a cuja história já nos referimos. Ademais do interesse prático da função a que se destina, nas suas linhas simples e elegantes, constitui uma bela peça arquitectónica que ajuda a dar carácter a este local da vila.
No meio do recinto podemos ver o busto de uma das personalidades mais ricas e mais amigas de Arganil: o dr. Alberto da Veiga Simões, que foi advogado, político de nomeada, comentador político, escritor, professor liceal, ministro, diplomata de carreira e historiador de méritos reconhecidos. O busto é um trabalho de um afamado escultor português - Aureliano Lima -, que passou uma parte da sua vida em Arganil. No pedestal do monumento figura um pensamento de Miguel Torga acerca de Veiga Simões que nos diz, de forma realmente lapidar, as condições tormentosas em que este viveu parte da existência, vítima do ódio político:
"Um dos mais ilustres filhos de Arganil que os esbirros dum déspota perseguiram até à cova".
Se bem que já fique fora do "Centro Histórico", atendendo a que estamos próximo, não deixaremos de fazer uma breve referência ao Teatro Alves Coelho cujo edifício, inaugurado em 1954, encerra alguns motivos de interesse: o projecto é do arquitecto Mário de Oliveira; a fachada ostenta um interessante friso em relevo, alusivo à Dança, à Música e ao Teatro, da autoria de Aureliano Lima; e o interior está enriquecido com pinturas de Guilherme Filipe - que era natural do Fajão - e com estas palavras de Miguel Torga, que sintetizam de forma muito bela as condições em que o imóvel nasceu:
"Erguido por teimosos e cabeçudos beirões, da mesma maneira e com o mesmo espírito com que antigamente se construíram as catedrais: cada um trazendo a sua pedra".
Roteiro Cultural do Centro Histórico de Arganil
sábado, 4 de agosto de 2007
Canoa motorizada
The Surfango PowerKayakO "furado" de Vale Pardieiro ou o rio Ceira contra o homem. Há ideias destinadas ao sucesso!
Rua Oliveira Matos
Ora, quem entra na rua Oliveira Matos, vindo da Praça, encontra, logo à esquerda, as actuais instalações de A Comarca de Arganil, um jornal que ostenta a bonita particularidade de estar prestes a fazer cem anos (Isto em 1996, poquanto nesta altura (2001) já os fez.). E a observação que este facto imediatamente nos sugere é a estreita relação que neste período forçosamente existiu entre o desenvolvimento da vila e este jornal. Na verdade, por um lado, nada de importante se deve ter passado em Arganil, durante o século XX, que não ficasse registado nas colunas de "A Comarca"; por outro lado, é inegável que uma boa parte do desenvolvimento que a vila experimentou no mesmo período se ficou a dever à influência directa deste periódico.
Se nos lembrarmos a seguir que o Jornal de Arganil nasceu na década de 60, como semanário, (sendo "A Comarca", desde há anos, trissemanário(*) temos de reconhecer que Arganil constitui uma espécie de santuário da imprensa regionalista portuguesa. Esta realidade, de evidente significado social, tem ainda uma apreciável componente económica.
"A Comarca" e o "Jornal" são, como se compreende, duas peças valiosíssimas do património cultural arganilense.Ora, ainda em estreita ligação com a imprensa regional, depara-se-nos, um pouco mais à frente, também do lado esquerdo, o Memorial de João Castanheira Nunes, que foi director de "A Comarca" durante vários anos. O seu perfil fisionómico é recordado aí num medalhão do escultor Vasco Berardo. João Castanheira (1921-1986) foi um arganilense que, por intermédio do seu jornal, pôs toda a enorme capacidade de acção que possuia ao serviço do desenvolvimento da sua terra, que muito amava. O Grupo Desportivo Argus, o edifício do Teatro Alves Coelho, a corporação de Bombeiros Argus, o edifício da sede e quartel respectivos, são algumas das realidades arganilenses a que João Castanheira deixou o seu nome ligado de forma indelével.
Continuando, temos, à direita, em correspondência com o n.º 24, a casa em que Veiga Simões nasceu, passou a infância e parte da juventude. Em 1928, estava então no auge da carreira política, o povo de Arganil prestou-lhe uma expressiva homenagem, por ocasião duma sua vinda a esta terra. Na Fonte de Amandos, uma multidão recebeu-o entusiasticamente: ergueram-no aos ombros e assim o trouxeram até aqui. De uma das janelas desta casa proferiu então o discurso do seu agradecimento. À noite, os amigos ofereceram-lhe um lauto banquete. Tempo depois, porém, um tanto inesperadamente, abandonava a política activa, para se dedicar à vida diplomática. Foi a sua última aparição pública em Arganil.
A seguir, do lado esquerdo, fazendo esquina para a rua Bernardo José Simões, aparece-nos o edifício da antiga Pensão Canário, que havia de dar origem à actual Residencial Canário, no n.º 13. Como nota curiosa, lembrarei, a propósito, que este nome vem do simples facto do fundador da Pensão, Valentim Duarte Fernandes, na cerimónia do seu casamento, ter usado uma gravata amarela, facto que causou estranheza a alguns mirones. Alguém se lembrou então de fazer humor e diz: "parece um canarinho amarelo". Pois foi o bastante para o noivo ficar com a alcunha de "Canário" no resto da vida...
Segue-se a rua Bernardo José Simões, que foi pessoa importante de Arganil.
Bernardo José Simões (falecido em 1893) era natural do concelho de Poiares, mas veio para esta vila ainda novo, aqui estabeleceu com oficina de serralharia que viria a ter grande reputação, aqui casou e aqui ficou para sempre. Considerava de resto Arganil a sua verdadeira terra. Mercê da sua inteligência, competência, sentido de realização prática, esteve ligado à direcção da maioria dos melhoramentos levados a cabo em Arganil no seu tempo: construção do edifício do Hospital, construção da estrada do Mont'Alto, obras de restauro da Capela da Misericórdia, obras da igreja matriz. Chegou a ser recebedor da comarca judicial. Era avô paterno de Veiga Simões.
A seguir entra-se numa zona da rua em que a antiga Empresa Automobilista Arganilense teve, durante anos, o seu "terminal" (como hoje se diria), nos nºs 21 e 23, em correspondência com uma loja hoje ocupada pela Farmácia Moderna: era o "escritório da Empresa". Daqui resultava que este sítio, às horas de chegada e partida dos carros, ganhava uma animação especial; isto era visível, sobretudo, à noite, por volta das oito, quando chegava a camioneta de Coimbra (que prosseguia viagem até Pomares). Pelas ruas da vila, que se preparava para jantar, começava então a ouvir-se o "rapaz dos jornais".
Mais à frente, do lado direito, no rés-do-chão do n.º 36, existiu, na década de novecentos e trinta, o "bar do Lafões", ou seja, de João Jorge Ribeiro, que foi talvez o boémio mais famoso que Arganil jamais teve. Quando desistiu dos estudos que tentara, sem êxito, em Coimbra, João Lafões resolveu estabelecer-se na própria terra, com negócio de mercearia e bar (anexo): era a Havanesa-Bar. Aí, no bar, passaram a marcar encontro todas as noites os representantes dum grupo boémio arganilense, quase todos ex-estudantes de Coimbra, grupo que o próprio "barman" acabava sempre por integrar de forma muito participada... Foram noites memoráveis de estúrdia que ali aconteceram. Só que o negócio, como se compreenderá, não tardaria a saldar-se por um desastre completo...
Roteiro Cultural do Centro Histórico de Arganil
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
Praça Simões Dias
José Simões Dias (1844-1899) era da Benfeita; foi poeta e escritor de projecção nacional; professor de liceu e autor de obras didácticas que conheceram uma aceitação invulgar; parlamentar de intensa operosidade. Foi íntimo de Teófilo Braga. Era um homem de cultura. Grande amigo da sua terra, que cantou em versos que não esquecem mais.
O aspecto actual (Este "actual" refere-se a 1996, altura em que o Primeiro Passeio teve lugar. Hoje, porém, no ano de 2001, o aspecto da Praça é outro, bastante diferente. Com efeito, o local foi entretanto objecto de obras importantes que visaram fazer da Praça um espaço, em grande parte, pedonal - o que foi positivo - , mas obras que em contrapartida lhe terão introduzido uma nota de modernidade estética, de efeito discutível.) da Praça resultou do arranjo urbanístico que se seguiu à construção dos Paços do Concelho novos, nos anos quarenta do século XX, edifício cuja localização foi aliás objecto de viva e demorada discussão: havia quem o quisesse no Paço Grande. Venceram os que defendiam a edificação neste sítio. Com o novo imóvel nasceram as duas ruas que iriam ser denominadas: António Pedro Fernandes - um devotado "Presidente da Câmara" que muito trabalhou pelo progresso do seu concelho - era de Folques -, a ele se devendo, inclusive, o empreendimento do novo edifício, e engenheiro Duarte Pacheco, o ministro das Obras Públicas dessa época.
Nos anos novecentos e trinta ainda a Praça Simões Dias era dominada pelo ar austero da fachada do velho Tribunal marcada pela nota dramática das grades das cadeias comarcãs à vista de toda a gente. O poeta Teixeira de Pascoaes passou um dia por aqui, uns anos antes, e não fez referências muito lisonjeiras ao aspecto geral que a Praça então tinha; eis a impressão que esta lhe causou:
(...) "Arganil apareceu-nos, enfim. A rua principal é íngreme, e desemboca num largo, com um banco público velhinho, à sombra dum chorão raquítico, sem água onde molhar a trança verde...? Quase amarela de sede, entre zumbidos negros de moscas, pousando, em longos fios dolorosos, na poeira suja e pisada...
"Perto do automóvel, que estacou, passa um carro gemente, de grandes bois escuros, magros - caricaturas espantosas da fome e do trabalho!
"Pessoas, a uma esquina, conversam aborrecidas, fumam, envoltas numa nuvem de tédio - um tédio que se condensa em máscara humana... E, num velho edifício, grades de ferro nas janelas e faces lívidas que espreitam.
"Bois arrastando a sua dor, presos da cadeia, vultos queimando cigarros, uma rua suja e estragada, zumbidos de insectos, mau cheiro e um banco municipal, à sombra mendiga duma árvore, que tem remendos na casca.
"É a vila de província decadente, estagnada, numa fermentação de aborrecimento asfixiante, ao sol doentio de Agosto". (...)
Esta visita deu-se por volta de 1915; Teixeira de Pascoaes vinha da "estrada da Beira".
Ontem, como hoje, é na "Praça" que a vida social de Arganil pulsa mais intensamente.
No segundo quartel do século XX, todos os dias, a horas certas, se encontravam em frente do velho Tribunal, a fim de trocarem ideias ao mesmo tempo que davam o seu passeio, atravessando a Praça paralelamente à fachada daquele edifício, nos dois sentidos, alguns pequenos grupos de amigos, que constituiam outras tantas tertúlias. Estou a lembrar-me de um desses grupos que ficou célebre pela fidelidade com que cumpria o ritual, grupo formado pelos professor Lopes da Costa, reitor Manuel Alves Ribeiro e Abel Perdigão, a que por vezes se juntavam outros, como o dr. Baltazar de Carvalho Alberto, veterinário municipal, e, em tempo de férias escolares, José da Fonseca Travassos (que era director do Colégio de S. Pedro, de Coimbra) e, mais tarde, o professor Castro Nunes, que viria a afirmar-se como arqueólogo, justamente em Arganil, com as investigações que empreendeu na Lomba do Canho, como é sabido. Gente culta, muito ligada à Igreja, com concepções de vida de sinal conservador. Por sua vez, à noite, depois do jantar, era frequente verem-se dois cidadãos, um comerciante outro industrial, entretidos com serenas considerações decerto à cerca do mundo dos negócios: Albano Pires e Mariano Lopes Morgado. Ainda à noite, mais tarde, era a vez do dr. Fernando Vale e do seu amigo padre Adelino (Dias Nogueira) darem finalmente largas ao gosto de comentarem os acontecimentos da política, persumia-se.
Aqui havia o célebre "banco da pimenteira" - árvore (a que Pascoaes chamou chorão) - à sombra da qual se prestava culto à má língua. Por outro lado, aqui existia - e existe - a "Farmácia Galvão", nos n.ºs 6 e 7, onde se celebrava a "Tertúlia da Farmácia" - a mais importante e mais famosa tertúlia que Arganil conheceu, formada por um grupo de pessoas ilustradas da vila que tinham gosto em se encontrar todos as tardes para, de forma civilizada, trocar impressões sobre os problemas da vida - grupo de que só devem restar vivos o dr. Fernando Vale e o embaixador Albano Nogueira.
Esta tertúlia ainda nos anos trinta existia.
Na Praça, por essa altura, havia, de tempos a tempos, comédias, modesto espectáculo de rua realizado por pequenos grupos de comediantes que andavam de terra em terra, à procura duns magros tostões atirados das janelas para um chapéu que se estendia. Aqui aconteciam também, na época própria, manifestações carnavalescas, aliás de gosto em geral duvidoso. E porque Arganil é comarca judicial há mais de duzentos anos, e ao princípio, uma vasta comarca, importantes pleitos aqui foram julgados, em relação a alguns dos quais as leituras das sentenças deram origem a manifestações de júbilo que começavam logo aqui. Foi o que por exemplo aconteceu após o julgamento de João Brandão (acusado de haver morto o célebre "Ferreiro da Várzea", na Benfeita) assim que os seus partidários souberam que o famoso guerrilheiro ia sair em liberdade.
Vem a propósito recordar duas personalidades que passaram por Arganil com alguma demora e decerto conheceram bem este sítio. Refiro-me a Manuel Fernandes Tomás, que aqui foi Juíz-de-Fora nos começos de oitocentos (e, mais tarde, iria ser figura cimeira da política nacional, como é sabido) e a José Maria Bravo Serra, mais perto de nós, que aqui foi Juíz de Direito e viria a afirmar-se elemento prestigiado da magistratura portuguesa. Foi este último quem, surpreendido com o nível cultural que veio encontrar na sociedade mais ilustrada da Arganil dessa época (segundo quartel do século XX). havia de dizer, mais tarde, que, quando aqui chegara, tivera a impressão de se encontrar numa academia.
A Praça Simões Dias chamava-se anteriormente Praça do Comércio, pois aqui se concentravam os principais estabelecimentos comerciais da terra. Nos já referidos anos novecentos e trinta, por exemplo, aqui tinham porta aberta, com efeito: o farmaceutico Francisco Torres Dias Galvão, proprietário da "Farmácia Galvão", já referida; José Baptista de Carvalho, uma das primeiras lojas relativamente importantes que surgiram em Arganil; Jorge Miguel Moreira, com oficina de sapateiro; Francisco Castanheira de Carvalho, com a "Gráfica Moderna", que era também papelaria e livraria; José Maria da Cruz Almeida, com a "Loja do Zé Maria", dedicada ao comércio de panos, outros artigos, um laboratório fotográfico anexo, e, no verão, cervejaria em esplanada; (mais tarde) Susana Cruz, a "Susana", com estabelecimento de vinhos e petiscos; Guilherme Ferreira Rodrigues, que já recordámos, como cidadão e enfermeiro, com a "barbearia do Guilherme", ao fundo da Praça; (do outro lado do Tribunal) a Angelina de Carvalho, com a "loja da Angelina", dos sequilhos e do bolo-doce; o "Chiado", ou seja uma das "vinte e quatro filiais" dos conhecidos Grandes Armazéns do Chiado, de Lisboa, circunstância que se deve ao facto dos proprietários (família Nunes dos Santos) serem naturais do Barril (onde também havia um "Chiado"); o António "da Póvoa", com loja de panos; e , finalmente, António Fernandes Júnior, com a "loja do Mont'Alto, onde se vendia quase um pouco de tudo, nesse tempo talvez o mais importante estabelecimento comercial de Arganil (hoje continuado pelos Armazéns Mont'Alto).No espaço fronteiro aos "Correios" apresenta-se-nos hoje o Largo Conselheiro José Dias Ferreira, outro ilustre arganilense de Aldeia Nova (Pombeiro), o qual, começando por ser estudante em Arganil (como já aludimos), iria ser figura relevante da política nacional, tendo chegado inclusive a Presidente de Ministério.
Deste largo parte a actual Rua José Castanheira Nunes, que vai ligar à Rua Eugénio Moreira - duas figuras históricas na vida de "A Comarca" -, já no Fundo de Vila. Era a essa rua, que começava mesmo na Praça, que antigamente se chamava Rua dos Figueirais. Durante muitos anos deve ter sido artéria importante da vila. Assim se compreende que, a certa altura, lhe tenha sido dado o nome do Conselheiro José Dias Ferreira. Todavia, com a construção dos "Correios" e do largo que surgiu em frente criaram-se condições que permitiram as alterações toponímicas acabadas de referir.
É no largo do Conselheiro José Dias Ferreira, diga-se a propósito, que se encontra, por conseguinte, o actual "edifício dos Correios", um dos exemplares mais conseguidos do património arquitectónico de Arganil.
Roteiro Cultural do Centro Histórico de Arganil
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
QZP’s – AFECTAÇÃO
5.1.7 Questões
No caso de não ser colocado até à terceira cíclica, manifesto a minha disponibilidade para ser colocado:
Num horário existente em escola de um ou de todos os QZPs limítrofes àquele em que me encontro provido.
Num horário existente em qualquer escola da Direcção Regional em que se integra o QZP em que me encontro provido.
Num horário existente num outro QZP fora das soluções anteriores.
Ou me enfureço ou me rio, ou ambas as coisas.
É inconcebível. Não sei o que pretendem de concreto, por baixo da mesa deve haver algo.
Não posso também ver o lado cómico do assunto e interrogo-me como irá terminar tudo isto.
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
O estado da Nação
Não há interesse colectivo e cada um cuida de si e do seu.
Somos de facto, um povo que pertence a Camões, séculos de história e fraqueza.
Que utilidade essencial? Acima de qualquer possibilidade a nossa existência.
Existem maneiras mais sábias de receber o Homem como pessoa.
O drama de Antígona reflecte o conflito de intelectuais de esquerda de barriga cheia e socialistas de cu roto, símbolos do actual sistema político.
O protótipo de Antígona espelha e grassa as ideias dos moralistas terráqueos.
Existe pureza nas suas consciências?
Ainda a custo a história perpetua as partes.
O sistema, em vão, elogia e vangloria o fútil da espécie.
A dualidade no tempo de Antígona, devia obediência ao governo da Nação.
Obedecer a uma certeza, fecha-se na ignota subjectividade.
Hostilidade e abismo, o mundo real, a significação de um plano claramente essência de verbo do descrédito.
A herança Kantiana numa conduta inteligível.
Obstinado Antígona, sócrates, maria, valter e Pavlov, é na subjectividade que procuram uma solução, renegada e gratuita de significação, hesitando, pela simples razão, se ser, exigir o futuro, pela concepção errada de constituir o equilíbrio pelo fracasso do voto branco.
DOG Episode de Pavlov não se deve destruir, pertence a nós, na sua infinita trapaça.
Em bloco a esquerda e Pavlov e a direita e Cavaco, apostam na bandeira da paz, subjugando Pavlov a um reflexo que, condicionado, condiciona, a vontade de Portugal evoluir no jogo da Democracia, aceitando, respeitando e percebendo a igual razão de uma diferença entre ideais de democracia.
Esta escolha, não consente o isolamento nem a ameaça ou imposição exígua, matriz de uma área cultural, de natureza ideológica de servir a fidelidade de um tempo de filiação marxista, que despovou todos os nomes.
Esconder os problemas do País na retórica dos políticos pouco interesse tem para os projectos e aspirações da sociedade civil.
É possível acreditar na capacidade de fazer à margem de qualquer sectarismo ou ideia colonialista, reduzindo a credibilidade do nosso próximo a um amontoado de escombros. Aconteceu com muitos separatismos reduzindo ainda mais o património da nossa terra, a nossa condição de vida, o nosso sentido de verdade.
A mobilização de todos os sectores e actividades,contribuirá para uma maior força parlamentar, que a demagogia apenas lamenta o tempo e a escolha,sem uma definição justa. Existe um direito natural, uma condição, uma estrutura na obediência a uma administração.
Alienar os culpados, invariavelmente, levaria a violar as regras democráticas, condenadas a lamentos de soberania.
O desafio de Castelo Branco passa por coordenadas de aceitação regional e não me parece produtivo fundamentar arquipélagos dentro da própria geografia, fruto de uma outra época.
terça-feira, 31 de julho de 2007
Trazer à memória
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segunda-feira, 30 de julho de 2007
O antigo troço de Arganil
O antigo troço de Arganil pela direita depois de sair de Vale de Maceira (Santuário de Nossa Senhora das Preces), a subir até passar a Capela de Santa Eufémia para virar a seguir à casa do guarda para a esquerda (estrada florestal) e contornar o Monte Colcurinho até entroncar na estrada do Piódão (agora asfaltada), e pela direita subir os ganchos em direcção aos Penedos Altos para depois virar à esquerda no sentido de Coja e neste cruzamento pela esquerda atingir a casa do PPD e virar para a direita no sentido Alqueve - Quinta do Mosteiro - Salgueiro - Selada das Eiras - Serra da Aveleira - os famosos ganchos perto da povoação de Nogueira e o final na placa da povoação de Lomba!
Senhora das Preces
Santuário de Nossa Senhora das Preces
Alguns excertos do livro "História do Santuário de Nossa Senhora das Preces"(1)
"Desde as mais remotas eras da nacionalidade portuguesa se começaram a erguer igrejas e capelas dedicadas à Virgem Mãe de Deus. À medida que se conquistava aos mouros e solo desta faixa ocidental da Península, começavam a cavar-se os alicerces e a levantar-se as paredes de grande templos, como a Igreja de Santa Maria de Alcobaça, a Catedral de Santa Maria de Coimbra, e tantas outras. Mas não era só nas cidades e terras populosas. Também nas aldeias e vilas da Beira, nas margens do rio ou no alto dos montes se levantavam, pouco a pouco, igrejas e ermidas. Arganil fundou o Santuário do Monte Alto, Côja construiu a Capela de Nossa Senhora das Neves, Vila Cova a Igreja Matriz, Avô dedica à Virgem a sua Igreja Matriz e Ermida de Nossa Senhora do Mosteiro, São Romão funda o Santuário de Nossa Senhora do Desterro, Aldeia das Dez levanta no alto do Colcurinho, e depois no Vale de Maceira, o Santuário de Nossa Senhora das Preces. Todos estes santuários ficam na margem ou à vista do Rio Alva, o que levou certo autor a chamar-lhe rio sagrado(2).""Todos os autores que se têm referido ao Santuário dizem que ele é frequentadíssimo de romeiros, e um dos mais afamados de toda a Beira, mas nenhum aponta a data da sua origem. Ora, numa fria manhã de Novembro, os autores deste modesto estudo empreenderam a ascensão do monte de Colcurinho (...) A subida é um tanto difícil, pois o cabeço é elevado (1242 m), e o caminho íngreme e áspero. Mas por fim chegámos ao alto. Lá está a capelinha de Nossa Senhora das Necessidades, no lugar onde esteve a primitiva de Nossa Senhora das Preces. É uma ermida simples, com a sua porto virada ao Poente, ladeada por duas frestas, com o seu altar, feito por José Tavares, artista (...) da Aldeia das Dez."
(1) PEREIRA, Augusto Nunes, Pe.; BRITO, Mário Oliveira, Pe. - História do Santuário de Nossa Senhora das Preces: desde o aparecimento da Virgem até aos nosso dias. Braga: Missões Franciscanas, 1945(2) Vide - José Leite de Vasconcelos, Etnografia Portuguesa, Vol. II, pág. 16.
À conquista
Carlos Manuel Cravo, Carlos Manuel Gama e Carlos Manuel Antunes na esplanada "A Gruta" do amigo Carlos Manuel Lourenço na aldeia do Piódão.
Não há pior escravidão do que a esperança de ser feliz. Deus promete-nos um vale de lágrimas na terra. Mas, afinal, esse sofrimento é passageiro. A vida eterna é a eterna felicidade. Rebeldes, insatisfeiros, respondemos a Deus.
Carlos Fuentes, Diana ou a Caçadora Solitária, cap. I pp 9
domingo, 29 de julho de 2007
Cunqueiros Dance Party 2007
Maurel & Fauvrelle no Cunqueiros Dance Party 2007
A 3.ª edição atinge uma maturidade e pujança inéditas na região Centro, e apresenta como cabeças de cartaz Maurel & Fauvrelle
CUNQUEIROS Dance Party está de volta para a sua 3.ª edição, atingindo uma maturidade e pujança inéditas na região Centro, e apresenta como cabeça de cartaz a dupla Maurel & Fauvrelle. Um espectáculo a não perder.
"É já no próximo dia 3 de Agosto, sexta-feira, a partir das 23 horas, na localidade de Cunqueiros, concelho de Proença-a-Nova, distrito de Castelo Branco, o evento que, como sempre, é de entrada livre.
Maurel & Fauvrelle, a dupla que actua em formato Live Act é composta pelos Top DJ’s nacionais Frank Maurel e Carlos Fauvrelle, que são, neste momento, os mais conceituados em Portugal, tendo há vários anos uma grande visibilidade e inúmeras actuações a nível internacional, tanto no plano individual como em conjunto. A expectativa é de que Maurel & Fauvrelle irão proporcionar um espectáculo memorável para esta região, tornando assim a 3.ª edição da Cunqueiros Dance Party algo imperdível. Dj Panchito e Dj Xapi_Nager são os outros artistas convidados, que prometem aquecer o ambiente do início ao fim.
Para além da forte aposta a nível artístico, outra das prioridades da organização para a edição de 2007 é a melhoria das condições do recinto de espectáculos, sendo uma das grandes novidades a concepção e instalação de um super décor, criando uma verdadeira pista de dança ao ar livre, com melhores capacidades acústicas e com 2 ecrans gigantes de animação multimédia, para além do investimento na iluminação e ampliação da zona de esplanada.
Para quem quiser trazer a sua tenda haverá ainda uma zona de campismo ao natural, cuja utilização é inteiramente gratuita, com capacidade para dezenas de tendas e oferecendo WC aberto 24 horas e duche de água quente. A Cunqueiros Dance Party é produzida por uma comissão organizadora sem fins lucrativos e com o intuito principal de elevar o nome da localidade e da região a um patamar de reconhecimento significativo, sempre com o cunho do planeamento de evento com qualidade e respeito pelos valores dos seus parceiros, patrocinadores e apoiantes, naturalmente sempre virado para o seu público-alvo, os jovens da região, para os quais procura trazer um tipo de iniciativa praticamente inexistente na Beira Interior."
Jornal do Fundão - Edição online paga c/data 26 de Julho 2007
sábado, 28 de julho de 2007
João Garcia
Acabo de ler que o maior alpinista português de seu nome João Garcia conquistou mais uma montanha acima dos 8 mil - o K2.
Faltam agora 5 desafios para entrar na galeria dos mortais conquistadores de todos os 8.000.
A montanha é a sua casa.
A coragem e determinação de quem não quer desistir.
"Depois do Evereste já corri o mundo. Fui ao Atlas, aos Andes, ao Alasca, à Antárctida e voltei, volto sempre, aos Himalaias."
sexta-feira, 27 de julho de 2007
Um Clássico
Isaac Hayes, Marcus Miller y la extraordinaria Vienna Art Orchestra fueron los protagonistas del cuarto día del Festival de Jazz de San Sebastián, que recuperó a un grupo de culto, los rockeros de Van der Graaf Generator, en una jornada en la que los espacios gratuitos siguieron dando vida a la calle.
Tecnologia
Los satélites GPS y Galileo mandarán señales combinadas
Monte Colcurinho - Senhora das Necessidades
Situada no Monte Colcurinho a cerca de 14 Km de Aldeia das Dez.
Esta capela encontra-se ligada a uma lenda, que se conta assim:
A fachada principal da Capela.
Vista lateral do lado Sul com os painéis solares.
O altar de Nossa Senhora das Necessidades.
A chegada ao Monte Colcurinho por caminho estreito e sinuoso.
Em dias calmos, subia ao cume do monte, ao Colcurínho, e pesquisava onde tinha sido a pequena edícula que teve a imagem ali encontrada. Conseguiu encontrar a torça da porta com a era de 1326. Depois sentava-se sobre uma pedra e alongava a vista para os confins da Serra do Açor ficava-se tempos esquecidos a meditar, só despertando quando o sol tombava para o poente. Voltava ao seu albergue, e assim passava os dias este homem que todos tinham por santo. E ninguém penetrava naquele íntimo, fechado para o mundo. Passava horas na capela, e todos os dias se fechava na sacristia, donde saía com uma pequena saca de terra, debaixo da garnacha, que ia despejar longe da capela. Era a sepultura que êle andava abrindo como os anacoretas. Ainda hoje existe, mas sem nunca ter quem a ocupasse.
Frei Simão - José Lencastre -1939
Fotografias da Cerca do Cabeço no Monte Colcurinho.
quinta-feira, 26 de julho de 2007
"O ano da chibata"
Transcrevo-a, para memória, do "Público" do passado dia 19:
"Analiso as políticas educativas, na imprensa portuguesa, de forma permanente e regular, desde 1981. Digo, pesando o que digo, que este é o pior Governo para a área educativa não superior de que guardo memória. Tudo o que seria importante para promover a qualidade do sistema de ensino ou não foi realizado ou foi objecto de medidas que degradaram ainda mais o que já era mau. A ministra da Educação e os respectivos secretários de Estado foram tecnicamente incompetentes e politicamente irresponsáveis. Transportando para o mundo do ensino a cultura dominante da governação de Sócrates, actuaram como pequenos ditadores e 2006/2007 cola-se-lhes à acção como o ano da chibata. Longe de ser exaustivo, fundamento o que afirmo com um balanço breve do ano lectivo que ora finda.
1. As políticas para o ensino foram boçais e destituídas de visão estratégica. A ministra e os seus ajudantes mostraram ter cabeças tayloristas, convencidas de que gerir passa por fazer, pela força e pelo medo, com que os professores executem as suas ideias inconsistentes. Qualquer mudança, desde que reduzisse, economizasse e afrontasse os professores, foi considerada moderna e progressista.
O ano lectivo de 2006/2007 tinha obviamente que reflectir a verificada redução orçamental (4,2 por cento no básico e secundário e 8,2 no superior) e patentear o que o Governo privilegiava com isso: diminuir o salário dos professores; piorar as condições em que exercem a profissão; cortar-lhes direitos protegidos pela lei que os próprios carrascos produziram (vide as decisões dos tribunais sobre as remunerações das aulas de substituição); tornar cada vez mais precárias as condições contratuais, em obediência aos cânones da liberalização selvagem; fechar escolas (900 a somar às 1400 do ano transacto). Tudo em nome do défice. Mas o défice que hoje nos condiciona a vida foi-se acumulando ao longo dos tempos, sob responsabilidade de políticos com nome, vivos e bem instalados na vida. Sem vergonha e sem contrição pública, alguns voltaram ao exercício político e censuram hoje, displicentemente, aquilo por que foram responsáveis ontem. Para que não me acuse de ficar no vago, concretize o leitor respondendo: quem foi o político que concebeu o modelo retributivo do funcionalismo público, que tantos elegem hoje como a desgraça do Estado? Como se chama o megalómano que decidiu gastar milhões em dez estádios de futebol, num país que manda as filhas parir no estrangeiro e convoca para intervenções cirúrgicas velhos já mortos, cegos, apodrecidos em anos de espera por uma simples operação às cataratas? Qual o peso que sobrou para o défice público da saga de Cahora Bassa e quem são os políticos por ela responsável?
Concedendo, sem mais discussão, que não nos podemos eximir às regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento (que nome mais impróprio) e à lógica da globalização sem rei nem roque, os três exemplos anteriores, de uma infindável lista, e o contexto em que ocorreram, justificariam uma metodologia bem diferente para tratar os professores. Só incultos ou desumanos não o entendem.
2. O recente concurso de "professor titular", a que foram opositores os docentes dos anteriores 8.º, 9.º e 10.º escalões, é bem o paradigma da trapalhada, da injustiça e do improviso em que se afunda a 5 de Outubro: duma vida inteira de profissão, iluminados decidiram que só uns anos contam; dos cargos, os mesmos deram preferência aos administrativos; durante a semana em que o concurso decorreu, pôde o país verificar, atónito, que consoante os dias assim a posse do grau de mestre somava ou retirava pontos ao número necessário, como o exercício de cargos políticos equivalia ou deixava de equivaler a serviço docente; concorrentes ao concurso integraram órgãos de verificação e validação de dados, ou seja, foram juízes em causa própria, com um quadro referencial de confusão e bagunça, o que faz prever uma bela caldeirada conflitual final. Imaginar-se-ia pior?
3. Se do lado dos professores o ano foi mau, do lado dos alunos só podia ser pior. Os exames, fundamentais como sempre tenho defendido, mas longe de tudo resolverem ou serem o mais importante de todo o processo, são o motivo, por via dos respectivos resultados, para que o país acorde, embora só por escassos dias.
Há semanas, depois de múltiplas decisões judiciais contra o Governo, o Tribunal Constitucional decretou a inconstitucionalidade de um despacho do secretário de Estado Valter Lemos, sobre os exames, que prejudicou 10.000 alunos e beneficiou 5000, em violação da igualdade que deve presidir ao tratamento dos cidadãos num Estado de direito. Que aconteceu? Nada! Nem a ele nem à ministra que defendeu, contra tudo e contra todos, com a arrogância que lhe conhecemos, o indefensável.
A cena da Física do ano passado ditou a demagogia primária deste ano. Da multiplicidade de exames, correspondentes à confusão de programas vigentes, encontrou-se o menor denominador comum e decretou-se o exame único: uma farsa, um desrespeito pelo trabalho dos alunos, das escolas e dos professores. Mas a redução do número de provas não isentou de erros a produção dos exames. Lá voltámos a ter 36.000 alunos confrontados com uma pergunta a que nenhum poderia responder, por ser rematada asneira. Que fez a ministra? Achou irrelevante e engendrou a solução tecnicamente bruta que os pais foram contestar em tribunal. Até quando?
Sem contenção de linguagem e sem o mínimo rigor pedagógico e científico, a ministra ligou o Plano da Matemática, com escassos meses de acção, incompleta, mesmo assim, por incumprimento seu, aos resultados dos exames que estariam para vir. Quando apareceram os primeiros, do 12.º ano, que nada têm com o famigerado plano, que apenas contempla o ensino básico, embandeirou em arco e insinuou uma relação que não existe. Finalmente, deve ter mordido a língua quando foram conhecidos os do básico, os piores de sempre, que reduziram ao ridículo as declarações que produziu antes.
No ano que ora finda, nada do que pode mudar o desastre foi realizado.
A trapalhada do edifício curricular permaneceu incólume, assim como a incoerência dos programas de estudo.
Aumentou o facilitismo e a idiotização do ensino.
Subalternizou-se ainda mais a Literatura no ensino do Português.
Empurrou-se para debaixo da mesa a trapalhada da TLEBS.
Liquidou-se a Filosofia.
Manteve-se uma dispersão assassina e ignorante de solicitações aos alunos (12 disciplinas no 3.º ciclo do básico e mais tempo de permanência na escola que os operários nas fábricas, não é de loucos?).
Mudou-se a estrutura orgânica do ministério, deixando-o igualmente centralizador e burocrático.
Promoveu-se o clientelismo e premiou-se a delação e o servilismo.
Mudou-se a legislação disciplinar, mas continua a ser mais fácil falsificar uma nota de 50 que actuar com eficácia sobre os pequenos delinquentes, que tornam a vida dos colegas e dos professores um martírio diário.
Nada mexeu quanto ao anacronismo da gestão das escolas.
Professores, vítimas de cancros em fase terminal, foram indignamente chibatados para morrerem no posto, em nome duma lógica economicista que rejeita aquisições civilizacionais básicas.
Mal haja, senhora ministra."
Aldeias do Xisto - Piódão
As quatro finas torres cilíndricas rematadas em cones, parecem conferir movimento à frontaria, enquanto a torre sineira de planta quadrada se encosta a meio da fachada sul da Igreja.
quarta-feira, 25 de julho de 2007
Casa do PPD
Ao fundo pela direita o caminho de terra batida para as povoações de Enxudro, Sardal, Pardieiros, PPSA - Fraga da Pena. A partir daqui em estrada asfaltada surge Benfeita e no lado Sul desta Pai das Donas e Luadas. Por último Esculca perto dos famosos ganchos antes do Alqueve.
Pelo lado esquerdo a subir o troço de Arganil que mais à frente continua pela esquerda em direcção ao Alqueve.
Código deontológico
Los límites de tu ordenador
Estrada "limpa"

terça-feira, 24 de julho de 2007
Vale da Barragem de Sta Luzia
Barragem de Santa Luzia
De outras viagens no mesmo sítio:
segunda-feira, 23 de julho de 2007
Viagens Na Minha Terra
Aldeias do Xisto - Fajão 4
Aldeias do Xisto - Fajão 3
No interior podem ser contemplados os altares de madeira entalhada, sendo o principal do século XVII e os colaterais ao gosto do final de setecentos. Do antigo templo recebeu a pia baptismal, a imagem de S.Teotónio (colocada no altar-mor) e as imagens de S. Simão e de N. Srª. do Rosário, de pedra, da 2ª metade do século XVI (colocadas altar colateral da direita). A festa da Padroeira é celebrada em Agosto."




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