segunda-feira, 28 de maio de 2007

Um percurso inesquecível

"Por entre caminhos e veredas, hoje estradas, atravessando ou ladeando a Serra do Açor e de tal forma deslumbrados com a paisagem, quase nos esquecemos dos precipícios que acompanham a estrada que sai de Arganil: são 35 Km de surpresas sucessivas que terminam numa das mais antigas aldeias serranas de Portugal, o Piódão. Um percurso inesquecível pela Serra do Açor, em estradas estreitas mas extremamente bem sinalizadas. Descendo da Estrela para se unir à Lousã por entre o rio Alva e o rio Ceira, a Serra do Açor integra-se na cadeia montanhosa que corta Portugal transversalmente, estabelecendo o limite das serranias de altitudes elevadas que contrastam com as aplanadas orografia do Sul. O seu ponto mais alto, o Picoto do Piódão, chega a atingir os 1400 m de altitude. Pela EN 17, de Coimbra em direcção à Guarda, toma-se a estrada para Arganil, daí seguindo em direcção a Coja, pela estrada EN 342. De Coja para o Piódão, dois caminhos são possíveis: sem deixar a EN 344, passando por Cerdeira; ou, logo depois da aldeia de Pisão, seguindo pela estrada que surge à direita, em direcção a Benfeita, optando-se assim por fazer o caminho pela Paisagem Protegida da Serra do Açor. Situada na vertente Norte da Serra do Açor, a Paisagem Protegida da Serra do Açor, ocupa uma área de 346 ha e integra a Mata da Margaraça - Reserva Natural Parcial - e a Fraga da Pena - Reserva de Recreio. Na Fraga da Pena, adensa-se a vegetação e regala-se a vista com quedas d'água e pequenas lagoas que vão surgindo à medida que se sobem os penhascos, salpicados, aqui e além por rústicos bancos e mesas. Retoma-se a estrada alcatroada que termina logo depois de passada a aldeia de Pardieiros, iniciando-se aí o caminho de terra que atravessa a Mata da Margaraça. Num vale perdido da Serra do Açor, a mata verde é densa, sempre húmida, relembra ainda as florestas primitivas que durante séculos cobriam as serranias do Centro. A Mata da Margaraça constitui um raro testemunho da vegetação espontânea (e muito diversa) da paisagem serrana e uma importante reserva genética de vegetação e animais selvagens. Um testemunho quase único em Portugal de que as matas naturais têm uma vitalidade e riqueza em nada comparável às monótonas plantações de pinheiros ou de eucaliptos. Impõe-se um passeio a pé, para encontrar quedas d'água, degraus talhados na rocha que sobem ao longo da levada da água ou as raras casas agora reconstruídas, como a Casa da Eira, rusticamente mobilada à maneira de antigamente. Sempre fresca, sempre húmida e escorregadia, sempre verde. Passear pelo bosque e descobrir então um sem número de carvalhos e castanheiros, cerejeiras bravas e azevinhos, avelaneiras ou mesmo loureiros, e muitos outros arbustos como o medronheiro que, de tão antigo se fez árvore. Na mata ouvem-se os cucos, as rolas e as gralhas pretas ou as corujas, e entre os tufos de martagão, descobrem-se por vezes vestígios de doninhas e raposas, de genetas ou de javalis. 0 açor, que dá nome a Serra, paira ainda nos céus, ao lado do gavião ou da águia de asa redonda, pacientemente esperando alguma cria incauta que lhes sirva de repasto. As primeiras referências escritas a esta mata datam do séc. XIII, quando era propriedade dos bispos de Coimbra, mantendo-se assim até ao séc. XIX. Com o regime liberal, a Mata da Margaraça, já então designada por Quinta da Margaraça, passa primeiro para a posse do Estado, para logo de seguida ser vendida a particulares em hasta pública. Manteve-se desde sempre conservada, intocável, até que muito recentemente (1979) o seu último proprietário privado iniciou o corte dos majestosos castanheiros e carvalhos. A relação antiga, quotidiana, que as populações de Pardieiros, Monte Frio e Relva Velha mantinham com a mata, foi-se tornando apenas sentimental: abandonaram-se as azenhas e os fornos que enquadravam as tradicionais actividades humanas e desprezaram-se as quelhadas ou a courela de castanheiros antigamente explorados em regime de talhadio. Mas foi esta relação sentimental que salvou a mata da destruição total, quando as gentes de Pardieiros, sacrificando um valor tão básico para estas povoações isoladas, abriram valas na estrada, e impediram a passagem das camionetas e o desbaste da florestaEm Janeiro de 1983 a Quinta da Margaraça e adquirida pelo Estado e, por via do Dec.-Lei n.º 25/89, são oficialmente definidas medidas cautelares para esta Área de Paisagem Protegida da Serra do Açor. Cautelares mas não preventivas: não foram suficientes para prevenir o incêndio que, ateado nos pinhais da região, alastrou à mata e destruiu a orla do arvoredo, em cerca de dpis terços da sua superfície. Retoma-se então o caminho para o Piódão. Para trás ficou a mata verde e fresca, e eis que surge destacada, a mancha alva e cuidada de Monte Frio. Segue a estrada pelo alto amparada a um lado pela parede de xisto para logo no outro se perder na vertigem do precipício. Só depois do cruzamento de Porto da Balsa começa então o desfiladeiro da descida ao vale onde se esconde o Piódão. A imagem branca de Monte Frio ainda fresca na memória, e de repente substituída por essa escura incrustação de xisto arrancado da serra e desnudado no casario, onde se destaca a Igreja pintada de branco."
Documentos Sem Ordem

domingo, 27 de maio de 2007

O fim de um mistério

Vinte anos passaram desde a primeira vez que estive por estas paragens. A casa do guarda florestal que marcou toda uma geração que aqui vinha ver o rali de Portugal, ali permanece numa nova paisagem que me marcou no passado. Hoje o fim de um mistério. Qual é a melhor forma de compreender e perceber o passado e o presente da Casa do PPD em plena Serra do Açor?

A famosa casa do PPD foi assim baptizada porque em 1975 foi aí pintado a tinta cor de laranja as iniciais do respectivo partido que concorria às primeiras eleições democráticas de Portugal. Como a inscrição se via a grande distância os navegadores gritavam – à direita, com travagem na casa do PPD.

Casa do PPD

QUILÓMETROS DE ARGANIL (a revisitação...)
"Sempre tive pessoalmente a sensação que, a esmagadora maioria das vezes e na maior parte das situações, as melhores ideias são aquelas que trazem consigo um cunho de espontaniedade e que nos chegam de supresa!... Há uns tempos atrás, o amigo e colega de fórum 'Toivonen' telefonou-me - como faz múltiplas vezes - para falarmos de Ralis, F1, do troféu «A.S. Challenge», entre múltiplos outros assuntos... Só que nessa ocasião, antes sequer de abordarmos assuntos corriqueiros sobre automobilismo, o 'Toivonen' entrou a 'matar', de forma que me deixou boquiaberto e absolutamente desarmado: Disse, de uma assentada e de um só fôlego: - 'Epá, tive uma ideia que temos de levar à prática com rapidez!'... - 'O quê?', retorqui com alguma perplexidade... - Vamos fazer e percorrer na íntegra os 56.5 quilómetros do antigo troço de Arganil...
... escusado será dizer que o velho Jux, embasbacado com o convite, apenas balbuciou um sim (ainda assim pouco convicto...)... Entre várias conversas que fomos levando a cabo, que aliás emergiram de um famoso tópico sobre este troço que foi postado pelo administrador do fórum, fomos fazendo as demárches para o efeito, não sem que antes nos interrogassemos sobre as condições em que as florestais de Arganil se encontravam sobretudo se eram, 'passáveis' com um mero carro do 'dia-a-dia'... Foi no dia 15 de Abril que tal epopeia se concretizou e foi levada a cabo... Das zonas que já se conheciam, foi óptimo rever locais tão míticos como a Ponte das 3 entradas, os Ganchos em Asfalto do Piódão, a Casa do PPD (agora remodelada...), o cruzamento do Mosteiro de Folques, Salgueiro, a emoção de estar em Selada das Eiras, etc... etc..., num dia em que cheguei à conclusão, como aliás já fui confidenciando com alguns colegas de fórum, que fazer a totalidade deste troço, em várias das edições no breu da noite, não era para homens mas sim para deuses, acima da coragem e destreza do comum dos mortais...Aqui ficam algumas das fotos e pequenos vídeos sobre o evento, num dia de memórias e reminiscências do 'melhor rali do mundo' nos seus tempos áureos, vividas de perto para mais tarde recordar..."

http://picasaweb.google.com/nuno.lorvao/MTICOTROODEARGANILCOM565KMS?authkey=2d_GXGfQBoQ
http://picasaweb.google.com/nuno.lorvao/VDEOSARGANIL15DEABRILDE2007?authkey=aYTFbex2Cn4
Autor Juxpot - AutoSport.Ralis









sábado, 26 de maio de 2007

O pormenor da imagem

Ao Volante da "tartaruga" - Luís Gama da Empresa GPS

O fotógrafo

João Margalha na Fraga da Pena.

Na Fraga da Pena

Não é para todos!
Foto João Margalha

Fraga da Pena

Local mágico entre duas encostas da Serra do Açor escavadas pela força das águas...

Hoje estive em Pardieiros

Pardieiros
A estradinha que hoje lá chega (e deve ser por aqui o caminho turístico para o Piódão), não foi fácil fazer a partir da Benfeita, e nela interveio um homem que nasceu nos Pardieiros, o Dr. Fausto Dias. Aliás, na aldeiazinha de Pardieiros nasceram homens importantes, que se distinguiram pela sua inteligência e amor à sua terra.Para falar de Pardieiros e das suas gentes, ninguém melhor do que Sérgio Francisco. Foi durante muitos anos presidente da Comissão de Melhoramentos de Pardieiros, foi um dinamizador da construção da sua magnífica Casa de Convívio, e continua sempre pronto para dar o seu contributo a tudo que diga respeito aos interesses e desenvolvimento da sua terra.Gosta de guardar tudo que a ela diga respeito e possui documentos valiosos, alguns com cerca de 300 anos. Os conterrâneos facultam-lhos, porque sabem que ficam em boas mãos. E fala, por exemplo, de José Lencastre Marques Correia, o saudoso José Lencastre, espírito brilhante de fidalgo e de poeta, durante tantos anos apreciado colaborador de "A Comarca de Arganil" e de tantos outros periódicos, que nasceu em Pardieiros em 1873. Sogro e tio do saudoso Dr. Vasco de Campos, foi viver para a Quinta da Carvalha (Ponte das Três Entradas) após o seu casamento, acabando por ser vereador da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, fundador da Tuna Mozart Luz da Serra Carvalhense e da Irmandade de São João Batista. Para além da sua colaboração em diversos jornais, deixou-nos obras em prosa e em verso que são hoje raridades.Fala também de Manuel Simões, um homem dos Pardieiros, que mandou construir à sua custa a capelinha da Senhora das Necessidades, junto ao cruzamento da estrada que segue para o Sardal, com a ideia de ali vir a construir um santuário com capelas pela encosta, no género de Nossa Senhora das Preces, em Aldeia das Dez. E quando morreu, deixou a José dos Santos, seu cunhado e herdeiro, o encargo de continuar a sua obra, subsidiando as festas que naquele lugar tão pitoresco se haviam de continuar a realizar todos os anos. E ao sentir aproximar-se a morte, José dos Santos deixou bens à família - Manuel Duarte, do Sardal, Manuel Nunes, do Enxudro, familiares de José Lencastre e professor Horácio Cruz Barata, de Folques - para que as festas continuassem a realizar-se na Senhora das Necessidades até que, talvez incitados para isso, acabaram por doar tudo à Paróquia (Comissão do Culto).E fala ainda de Alfredo Francisco Gomes, o mais dinâmico lutador dos Pardieiros no nosso movimento regionalista em Lisboa. Fundador da primeira Comissão de Melhoramentos de Pardieiros, em 1930, para a construção da Escola, bem como da Casa da Comarca de Arganil, era um homem distinto e evoluído, que teve na sua casa de Pardieiros uma valiosa biblioteca, rara ao tempo numa casa de aldeia rural. Começou a trabalhar em Lisboa na antiga Casa José Alexandre (a melhor e mais conhecida ao tempo no seu género na Baixa lisboeta), onde aos 19 anos já era encarregado, fundando depois, na Rua Ivens, a que se tornou também muito conhecida "Casa das Utilidades". Veio a ter outros estabelecimentos em Lisboa e veio a ser um homem muito conhecido no nosso movimento regionalista, mas mais tarde a vida veio a não lhe correr bem, acabando por morrer na sua casa de Coja.Recorda ainda António José Filipe, funcionário público considerado, que fez parte das Comissões de Melhoramentos da terra e da Irmandade, sempre interessado nos problemas da terra, bem como a família dos Franças, que tiveram a sua actividade no Brasil e vieram depois viver para os Pardieiros.Tem também um folheto com os Estatutos da Irmandade de São Nicolau, dos Pardieiros, de 1908, aprovados pelo Governador Civil de Coimbra em 9 de Junho de 1910, e alguns exemplares do jornal "O Facho", editado pela Paróquia da Benfeita, da responsabilidade do padre Joaquim da Costa Loureiro.E o Dr. Fausto Dias? Guardámo-lo para o fim. O Dr. Fausto Dias nasceu já numa casa rica, com boas propriedades. Em dada altura, os pais foram viver para Coimbra, onde compraram uma valiosa vivenda, enquanto o filho estudava e se formou em medicina. Especializou-se em otorrinolaringologia na famosa Clínica Mayo nos Estados Unidos, montando anos depois consultório em Lisboa, tornando-se um especialista muito conhecido. Solteirão, sem filhos, bom amigo da família, gostava de viajar e de escrever, deixou obras valiosas sobre a sua especialidade, escreveu um opúsculo sobre uma viagem ao "Coração dos Alpes" e gostava de colaborar em jornais, amealhando meios de fortuna. Muito ligado ao Movimento Regionalista Arganilense em Lisboa, fez parte da Comissão de Melhoramentos de Pardieiros e da Casa da Comarca de Arganil, colaborou sempre generosamente nas iniciativas a favor da sua terra e mandou construir, exclusivamente à sua custa, a Capela de Pardieiros. Pensa-se que chegou a presidir ainda à Liga dos Amigos de Olivença, e quando pressentiu que estava perto do fim da vida, que chegou a 4 de Outubro de 1994, decidiu criar uma Fundação com o seu nome, a que deixou bens e dinheiro num total de cerca de 100 mil contos.Como está constituída e como funciona? A Fundação Fausto Dias é uma instituição particular de solidariedade social e de utilidade pública, constituída em Cartório Notarial em 9 de Dezembro de 1992, com o fim de gerir os bens doados pelo seu fundador, Dr. Fausto Dias Martins Pereira. Conforme vontade expressa pelo doador, os corpos gerentes da Fundação ficaram assim constituídos: Conselho de Administração: Sérgio Francisco, Dr. Fausto José Dias Duarte Santos e Mário Pereira dos Santos. Conselho Fiscal: Dr. Marcelo Rodrigues, Dr. Fausto Manuel Dias de Figueiredo e Rita Carolina Neves Dias Duarte Santos.Já está em funcionamento a Fundação? Por enquanto estão-se a gerir os bens imóveis (prédios urbanos) e a fazer investimentos na sua valorização, no sentido de aumentar o rendimento, já que ainda estamos pendentes da isenção de imposto sucessório, que solicitamos, uma vez que se trata de uma instituição de utilidade pública.Quais foram as instituições contempladas com os rendimentos da Fundação? Embora com valores diferentes, conforme vontade do doador e consta da respectiva escritura de constituição, são os seguintes contemplados: Comissão de Melhoramentos de Pardieiros; Irmandade de São Nicolau de Pardieiros; Imaculado Coração de Maria, de Fátima (Monte Redondo); Casa da Infância Dr. Elísio de Moura, Coimbra; Casa do Gaiato, com sede em Coimbra; Sociedade Portuguesa de Ciência e Ética Pedro Hispano, Porto; Instituição Colégio dos órfãos, Coimbra; Centro Social e Paroquial da Freguesia de Benfeita; Comissão de Melhoramentos da Esculca (Coja); Criaditas dos Pobres, Coimbra; Congregação das Servas de Maria, Coimbra.Como vai a Comissão de Melhoramentos de Pardieiros? Sérgio Francisco, que foi presidente da direcção até Setembro de 1995, não voltando a candidatar-se, responde: "- A Comissão de Melhoramentos está praticamente inactiva neste momento. Cobram-se quotas, funciona o Bar e a Casa de Convívio, mas para além disso não se vê mais nada."Quais as mais prementes aspirações de Pardieiros no aspecto de procurar melhorar a vida na aldeia, presentemente? Tinha-se planeado construir uma piscina, e até já se tem doado o terreno para isso. Só que ainda não apareceu ninguém que arranque com a iniciativa para a levar por diante. A piscina constituiria ainda uma reserva estratégica de água, da maior importância para ataques a incêndios florestais, a que a nossa região serrana está constantemente sujeita.Por uma e por outra razões, a piscina justifica-se nestas aldeias serranas longe dos rios e do mar. Pardieiros pode tê-la. Assim se oponha a isso a Comissão de Melhoramentos através dos seus dirigentes e pardieirenses mais dedicado.
Texto de 28-10-97 adaptado do livro Crónicas regionalistas - região de Arganil, vol. II, António Lopes Machado

Torre da Paz

Enfrentar o resto do mundo...
As referências a esta povoação datam de 1195. Os Bispos de Coimbra concederam-lhe carta de foral em 17 de Maio de 1300.
A religiosidade está bem patente nos diversos templos. A Igreja Matriz é setecentista e tem como orago Santa Cecília. A Capela de Santa Rita é interessante dada a sua planta octogonal. Saindo da povoação, em direcção à Área Protegida da Serra do Açor, encontramos o Santuário da Senhora das Necessidades, com as capelas de Nossa Senhora das Necessidades, Senhora da Guia e Santo Amaro, erguidas no século XIX. No aspecto natural, a Benfeita oferece a espectacular queda de água denominada por Fraga da Pena e área circundante e a Mata da Margaraça, propriedade do ICN desde 1985. Pai das Donas e Luadas são belos locais de observação da paisagem local e terras onde ainda se podem encontrar os Colhereiros, ofício que tende a desaparecer, mas que transforma o pinho no mais relevante objecto de artesanato do concelho: a colher de pau. Na povoação existe uma interessante torre sineira intitulada "Torre da Paz" que, no dia 7 de Maio toca 1620 badaladas, assinalando os dias de duração da Segunda Guerra Mundial.

Personalidade

Para todos os efeitos...
Foto João Margalha

mas sem querosene

Mais alto em Gondramaz.

Oração em Gondramaz

O que estás a pensar?

Desempenho equilibrado

Rua de Gondramaz

Você mesmo!

Consegue ter um fim de semana descansado?

quinta-feira, 24 de maio de 2007

O todo e as partes

O rancor da esquerda
por Thomas Sowell

© 2007 MidiaSemMascara.org
Não é surpreendente que esquerdistas tenham um certo tipo de opinião, tal como acontece com pessoas em outras posições do espectro político. O que surpreende, contudo, é a freqüência com que as opiniões daqueles à esquerda são acompanhadas de hostilidade e até ódio.
Questões particulares podem suscitar paixões aqui e ali em qualquer um com alguma posição política. Mas, para muitos na esquerda, indignação não é coisa ocasional. É um estilo de vida.
Com que freqüência você vê libertários ou conservadores irem às ruas, gritando slogans enraivecidos? Com que freqüência estudantes conservadores, nos campi universitários, vaiam um conferencista visitante ou fazem demonstrações a fim de impedir que ele sequer comece a conferência?
A fonte do rancor dos esquerdistas, "progressistas" ou radicais não é aparente, à primeira vista. Os alvos de seu rancor incluem pessoas que não são ofensivas, e às vezes são até amigáveis, tais como Ronald Reagan e George W. Bush.
É difícil imaginar Karl Rove ou Dick Cheney levantando suas vozes, mas eles são odiados como o demônio encarnado.
Não precisa ser nem algum indivíduo identificável para levantar a fúria da esquerda. "Corte de impostos para os ricos" é mais do que um slogan político. É incitamento ao ódio.
Pessoas diferentes têm visões diferentes sobre alíquotas de impostos. Mas, como pode alguém se enredar numa discussão sobre o fato de que alguns contribuintes são capazes de manter em seus bolsos uma fatia maior da sua renda, ao invés de entregá-la a políticos para que estes a apliquem da maneira mais eficiente para suas re-eleições?
A rancorosa esquerda não parece dispor de tempo nem mesmo para considerar o argumento de que o que ela chama de "corte de impostos para os ricos" é, na verdade, corte de impostos para a economia.
Tampouco é nova a idéia de que corte de impostos pode estimular o crescimento econômico, resultando em mais empregos e maior lucro para as empresas, levando a uma maior arrecadação pelo governo.
Um eminente economista observou, certa vez, que "se os impostos são muito elevados, seus objetivos serão frustrados", de tal forma que algumas vezes "uma redução da alíquota, ao invés de um aumento, terá uma maior chance de equilibrar o orçamento”.
Quem disse isso ? Milton Friedman ? Arthur Laffer ? Não. Isso foi dito em 1933 por John Maynard Keynes, um ícone esquerdista.
Menores alíquotas têm levado, muitas vezes, a maiores arrecadações, tanto antes quanto desde a afirmação de Keynes – os cortes de Kennedy nos anos 1960, os cortes de Reagan nos anos 1980, além dos recentes cortes de Bush que têm levado a maiores arrecadações desde abril.
Déficits orçamentários são, freqüentemente, resultados de gastos descontrolados e, raramente, de redução de alíquotas.
Os do outro lado podem ter argumentos diferentes. No entanto, a questão aqui não é que a esquerda tenha argumentos diferentes, mas que ela tenha tanto rancor.
É comumente um exercício de futilidade procurar encontrar um princípio por trás do rancor. Por exemplo, a obsessão da esquerda com altos salários de executivos nunca parece se estender aos igualmente altos – ou maiores – salários de atletas profissionais, indivíduos do show-business, ou escritores consagrados como Danielle Steel.
Se a razão para o rancor é um sentimento de que os executivos são excessivamente pagos por suas contribuições, então deveria haver maior rancor em relação às pessoas que ganham ainda mais sem fazer absolutamente nada, pois elas herdaram fortunas.
Contudo, com que freqüência a esquerda se enraivece com aqueles que herdaram as fortunas de Rockfeller, Roosevelt e Kennedy? Mesmo herdeiros irresponsáveis como Paris Hilton não parecem incitá-los.
Se é difícil encontrar um princípio por trás do rancor da esquerda, não é igualmente difícil encontrar uma atitude.
O maior rancor parece ser direcionado a pessoas e coisas que contrariam ou prejudicam a visão social da esquerda, o melodrama político estrelado pela esquerda no papel de salvadora dos pobres, do ambiente e a portadora de outras presunçosas tarefas por ela assumidas.
Parece que é a ameaça a seus egos que eles odeiam. E nada é mais ameaçador para seu desejo de controlar a vidas das pessoas do que o mercado livre e seus defensores.
Publicado por Townhall.com

Morar a 320 graus

Crean un edificio con pisos que giran 360 grados

terça-feira, 22 de maio de 2007

No caso de Gore...

"Com a mesma cara de pau com que durante anos negou o genocídio stalinista na Ucrânia e proclamou Fidel Castro um campeão da democracia no Caribe, o New York Times apresenta-nos agora o ex-candidato crônico à presidência americana como um homem bem-aventurado a quem o fracasso eleitoral libertou das malhas do oficialismo, dando-lhe a oportunidade de falar em seu próprio nome, ser sincero, dizer aquilo em que acredita e ser reconhecido enfim como um profeta. Essa mudança de casta, da realeza para o sacerdócio, é uma farsa total. Se Gore acreditasse numa só palavra do que diz, não gastaria mais combustível fóssil em sua mansão de Belle Meade, Tennessee, do que várias centenas de famílias americanas juntas (v. http://www.cnsnews.com/ViewCulture.asp?Page=/Culture/archive/200702/CUL20070227c.html ). E o estatuto de profeta só se consegue quando aqueles que por longo tempo negaram as nossas previsões acabam concordando com elas a contragosto. No caso de Gore isso não aconteceu de maneira alguma. Aqueles que o aplaudem agora são os mesmos que sempre o fizeram: o NYT , o CFR, George Soros, a ONU, Hollywood e as fundações bilionárias. Não consta que um só membro da abominável direita tenha dado sua mão à palmatória ante as revelações ecoilógicas de Al Gore."
Ciência ou Palhaçada?
Olavo de Carvalho
© 2007 MidiaSemMascara.org

As sete maravilhas

Arca de Noé

domingo, 20 de maio de 2007

Portimonense continua na Liga de Honra


A melhor equipa de Portugal continua na Liga de Honra apesar de ter perdido hoje no seu terreno. Força Portimonense!

Em 14/08/1914, o Portimonense nasceu numa casa onde reparavam calçado, loja do Sr. Amadeu Andrade (Sócio nº1 e um dos fundadores), pois foi nesse local que um grupo de amigos decidiu formar um clube de Futebol.
FORÇA PORTIMONENSE!

Blog do Portimonense

Professor de Inglês suspenso de funções

Um professor de Inglês, que trabalhava há quase 20 anos na Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), foi suspenso de funções por ter feito um comentário – que a directora regional, Margarida Moreira, apelida de insulto – à licenciatura do primeiro-ministro, José Sócrates.

o fim da lousa

Cidadão contra-ataca!

É bom começarmos mesmo a atacar.
Leiam estas estas três preciosas dicas sobre como lidar com as
agressões de telemarketing, que constituem para todos nós uma praga quase diária.

1ª - Um método que realmente funciona:

Ao receber uma chamada de telemarketing a oferecer um produto ou um
serviço, diga apenas, com toda a cortesia:
"Por favor, aguarde um momento...".
Dito isto, deixe o telefone sobre a mesa e vá fazer outras tarefas
(em vez de simplesmente desligar o telefone de imediato).
Isso vai fazer com que cada chamada de telemarketing para o seu
telefone tenha uma duração longuíssima, ultrapassando em muito os limites
impostos ao indivíduo que lhe ligou.
De vez em quando, verifique se o sujeitinho ou menina ainda está em
linha. Reponha o telefone na posição de repouso apenas quando tiver a
certeza de que desligaram. Não tenha dúvida de que esta é uma lição de
custo elevado para os intrusos.

2ª - Já alguma vez lhe sucedeu atender o telefone e parecer que
não há ninguém do outro lado?

Em caso afirmativo, fique a saber que esta é uma técnica de
telemarketing executada por um sistema computorizado, o qual estabelece a
ligação e regista a hora em que a pessoa atendeu o telefone. Esta técnica é
utilizada por alguns serviços de marketing para determinar a melhor hora do
dia em que uma pessoa dos serviços poderá ligar-lhe, evitando assim que o
"precioso" tempo de ligação deles venha a ser desperdiçado, se
não encontrar ninguém em casa.
Neste caso, ao receber este tipo de ligação, não desligue. Ao
invés, pressione imediatamente a tecla "#" do aparelho, seis ou sete vezes
seguidas e em sequência rápida. Normalmente, este procedimento
confunde o computador que discou o seu número, obrigando-o registar o seu
número como inválido, eliminando-o assim da base de dados.

3ª - Publicidade inserida nas contas recebidas pelo correio

Todos os meses recebemos publicidade indesejada inserida nas contas
de telefone, luz, água, cartões de crédito, etc. Muitas vezes essa
propaganda vem acompanhada de um envelope-resposta, que "não precisa selar; o
selo será pago por..."
Insira nesses envelopes pré-pagos a publicidade recebida e
coloque-a no correio, endereçada de volta o a essas companhias. Caso queira
preservar a sua privacidade, antes de inserir a publicidade no envelope remova
todo e qualquer item que possa identificá-lo.
Este é um método que funciona excelentemente para ofertas de
cartões, empréstimos, e outro material não solicitado. Portanto, não atire
fora esses envelopes pré-pagos! Ao devolvê-los com a propaganda
recebida, está a fazer com que as referidas empresas paguem duas vezes pela
publicidade enviada. Se quiser acrescentar um requinte de malvadez, aproveite
para inserir anúncios da pizzaria do seu bairro, da lavandaria, da
florista, do canalizador, do oculista, da costureira, do talho, do dentista, da
tabacaria, do barbeiro, do fabricante de marquises de alumínio, da
peixaria, do serralheiro, ou de qualquer outra actividade comercial
local do mesmo género, que esteja mais à mão.

Há já várias pessoas -- eu, por exemplo -- a usarem estes
métodos de devolver o lixo publicitário. Está na altura de mandarmos o nosso
recado às empresas.

É preciso, no entanto, que se atinja um número expressivo de
pessoas a aplicar estas técnicas eficazes de protesto. Talvez não seja má
ideia...

"A desgraça do continente africano"

África e globalização: mitos que perduram!
Casimiro Jesus Lopes de Pina

Resumo: A classe dirigente africana é fundamentalmente louca, perdida na orgia da corrupção e da impunidade.

© 2007 MidiaSemMascara.org

sábado, 19 de maio de 2007

Alhambra

Charles Darwin


This website is the largest collection of writings by and about Darwin ever published. It contains Darwin's complete publications, many handwritten manuscripts and the largest Darwin bibliography and manuscript catalogue. There are also over 200 supplementary texts, from reference works, reviews, obituaries, biographies and more.

"planejadores clarividentes"

Ideologicamente, a esquerda supõe que os indivíduos sejam incapazes de resolver os seus problemas sem a tutela do governo. Como Platão, eles consideram-se melhores que os demais mortais, como se fossem “ungidos” - na definição precisa de Thomas Sowell. Os indivíduos são como marionetes a serem manipuladas por lideranças “superiores”, em prol do tal “bem comum”.

Não somos donos de nada - João Luiz Mauad
© 2007 MidiaSemMascara.org

quarta-feira, 16 de maio de 2007

HD 189733b.

na névoa da distância

"Vem do fundo das idades, de tão longe que mal ousamos descortiná-la na névoa da distância, a lembrança dos avós de nossos avós, aqui estabelecidos. As investigações de do dr. Castro Nunes não nos deixam hoje dúvidas a esse respeito. (vidé João de Castro Nunes - Novos elementos para o estudo da arte castreja em Portugal, Guimarães, 1958, pág.6 e segs. O castro da Lomba do Canho, vizinho da anta dos Moinhos de Vento, apesar de ainda incompletamente explorado, revelou-se tão rico de testemunhos, que já não nos é possível negar a existência desses nossos remotíssimos antepassados, possivelmente pertencentes à raça vigorosa dos construtores dos dólmens, genealogicamente relacionados com os Lusitanos, seus não menos vigorosos descendentes."
António G. Mattoso, Excerto de "Ligeiras notas para a história do concelho de Arganil".

terça-feira, 15 de maio de 2007

Desafios matemáticos

o acto
... o acto das damas da Idade Média quando abriam um livro de Virgílio ao acaso e punham o dedo numa passagem que logo a seguir, após ser interpretada, se transformava em guia e luz de quem a tinha apontado. /...pp 41, Um Tradutor Em Paris, Atxaga Bernardo

posted by carlos manuel at Sábado, Fevereiro 25, 2006,
da Praça da Canção
"Sempre que o poeta tenta dividir-se, separar em si o homem do poeta, suicida-se como artista inevitavelmente."Ievtuchenko, autobiografia Prematura

posted by carlos manuel at Sábado, Fevereiro 25, 2006,
a Razão
Manuel:Nós somos vida das gentes E morte de nossas vidas.Auto do Purgatório, Gil Vicente

posted by carlos manuel at Sábado, Fevereiro 25, 2006,
Sensibilidade linguística
Não exagere!Entrei numa loja e...Apaixonei-me.!Não diga que se apaixonou. Diga que se encaprichou...Inesperada sensibilidade linguística!pp 52, Contos Apátridas

posted by carlos manuel at Sábado, Fevereiro 25, 2006,
as palavras
... «não te olho, não te vejo, onde está a taça de champanhe que vim buscar?»pp41,42 Contos Apátridas

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A Nova Arquitectura portuguesa
..." Os corpos animais, atómicos, não possuem essa possibilidade de subtrair o seu circuito imaginário à fulguração. O trovão da natureza mata os fulminados e despe-os."...pp 81 Vida Secreta, Pascal Quignard

segunda-feira, 14 de maio de 2007

O "pensamento" da Al-Qaeda 2

A mente da Al-Qaeda (final)
Harald Doornbos
Resumo: Na parte final de seu artigo, o jornalista holandês Harald Doornbos demonstra que o objetivo dos fanáticos islâmicos ligados a Bin Laden é a destruição do mundo ocidental e o massacre completo dos judeus.
© 2004 MidiaSemMascara.org
O General Mirza Aslam Beg tem setenta e dois anos e é um antigo chefe do exército paquistanês. Ele não é membro da Al-Qaeda, mas um simpatizante. O velho general, que foi considerado suspeito, pelas autoridades, do tráfico de urânio para o Irã, mora em Rawalpindi. Isso é muito longe para caminhar a partir de Islamabad, mas com um carro chega-se lá em 15 minutos. O presidente Musharraft odeia Aslam Beg e o intitula um “pseudo-intelectual”. Aslam Beg, por sua vez, nada quer saber de Musharaaft. «Um amigo dos americanos», diz ele. Então o general ataca. «Muito se fala das conseqüências negativas do 11 de setembro. Mas eu só vejo desenvolvimentos positivos. Pela primeira vez o unilateralismo americano é desafiado. A tática americana de usar violência para alcançar fins políticos tem sido usada com sucesso pela Al-Qaeda contra eles. O 11 de setembro foi uma benção, porque isso levou a uma renascença dentro do mundo islâmico. Onde quer que os muçulmanos vivam, há problemas. Isso nos enche de orgulho. Muçulmanos no Iraque e no Afeganistão contra os americanos e os anglo-saxões, muçulmanos na Chechênia contra os russos, muçulmanos na Bósnia contra os sérvios, muçulmanos na Cachemira contra os indianos, muçulmanos na Palestina contra os judeus. Para onde quer que olhes, os muçulmanos desempenham um papel essencial. Precisas voltar muitos séculos para presenciar algo parecido. O Ocidente nada pode fazer. O Paquistão tem armas atômicas. Se vocês forem tão estúpidos para nos atacar, jogaremos todas as bombas atômicas que temos na Índia. Isso todos sabem, por isso não podem nos atacar." Analistas ocidentais explicam em termos simplistas o surgimento do fenômeno Al-Qaeda. A América abandonou o Afeganistão no fim dos anos oitenta após a derrota dos comunistas russos. Por isso os guerreiros árabes e afegãos se sentiram usados. A frustração teria crescido quando os americanos atacaram, em 1991, pela primeira vez o Iraque e enviaram tropas para a Arábia Saudita, continuaram a apoiar Israel e por último atacaram mais uma vez o Iraque em 2003. Ou seja, podem esperar o troco, não é verdade? Diversos ministros europeus têm dito em alto tom depois de Madri: nós não devemos nos ocupar apenas com a luta contra o terrorismo, mas também erradicar as suas causas. Mas as causas do terror da Al-Qaeda são bem maiores, mais complicadas e mais incompreensíveis e bem menos políticas. A Al-Qaeda, segundo o doutor Jean E. Rosenfeld, associado ao departamento de religião comparada da universidade de Los Angeles e um dos poucos pesquisadores que têm estudado seriamente o grupo, pode ser comparado a uma seita. «Eles se encontram no ambiente dos movimentos milenaristas revolucionários no qual tudo é uma conspiração e o Estado secular é visto como o seu maior inimigo, contra o qual todas as formas de violência são lícitas». Um exemplo seriam os recentes atentados em Madrid. A Espanha é escolhida sem sombra de dúvida como alvo pela Al-Qaeda, porque o premier Aznar executaria uma política pró-americana. Mas se alguém se der ao trabalho de ler os discursos de Bin Laden, salta aos olhos que a Al-Qaeda já tinha a Espanha na mira. No seu pronunciamento em 8 de outubro de 2001, logo após os americanos começarem a bombardear o Afeganistão, mas bem antes de o governo espanhol apoiar claramente a política americana quanto ao Iraque, começa Bin Laden com as seguintes palavras: «Deixem o mundo saber que jamais aceitaremos que a tragédia de Andaluzia seja repetida na Palestina». Não, ela apenas começa. Madrid, Sevilla e Córdoba assim como Jerusalém e Bagdá são pontos de encruzilhada e de tensão na luta entre cruzados, os infiéis, e os escravos e servos de Deus. Pegue a tragédia de Andaluzia sob a perspectiva de um ocidental comum e ele provavelmente pensará no acirrado embate durante a Guerra Civil Espanhola entre sindicalistas-anarquistas e as tropas de Franco. Mas sobre a perda dos Mouros no século quinze? Tente explicar isso na praia de Torremolinos. Não muito longe do general Aslam Beg, o tenente-coronel Hamid Gul possui uma pequena casa. Gul é ex-chefe do serviço secreto paquistanês ISI. Como ex-líder de um clube de cientistas nucleares paquistaneses, que no Afeganistão queriam construir uma bomba para a Al-Qaeda, tornou-se Gul o Senhor Maligno para os seus adversários. Gul é membro da Al-Qaeda e seu ideólogo. «Os americanos bem que pediram ao invadirem o Iraque. Estúpidos, estúpidos, estúpidos. Todos os jihadi’s (combatentes da guerra santa) têm agora uma guerra na esquina. Nós não temos mais que ir para a América; vá ao Iraque e lá temos centenas de milhares de alvos. Um guerrilheiro não tem que vencer, mas apenas cuidar para que não perca. Há quanto tempo já dura a batalha na Palestina? Através de todas as vitórias que alcançamos, o mundo islâmico irá se tornar ainda mais forte. Eu já estive uma vez em Nova York, e lá escalei o centro mundial do comércio. Bela vista foi aquela. Nós muçulmanos temos um guia divino que nos traz a vitória. Nós reconhecemos todos os ancestrais e profetas dos judeus e cristãos, mas vocês se recusam a reconhecer os nossos profetas.Sistema de vocês cairá. O fim da civilização ocidental está no forno. Se eu fosse você, estaria bastante preocupado”. Antes as coisas eram diferentes. Um terrorista ainda telefonava para a polícia para dizer que uma bomba iria explodir, ou se dava ao trabalho de escrever um longo comunicado. Um terrorista ainda se desculpava pelo excessivo número de inocentes mortos: “Desculpe, mais uma vez; essa não foi a nossa intenção”. Terroristas ainda tinham um objetivo mais ou menos realista. Se a nação basca se tornar amanhã independente, o ETA cessará seus ataques. Com a Al-Qaeda esse tempo está definitivamente acabando para nós. A lista de Osama bin Laden não conhece fim. Se você se tornar um muçulmano, então é fato que beber álcool ainda é razão suficiente para morrer. Se parar de beber, então retire todas as fotos de tua casa. Todos os álbuns de fotos foram jogados fora, então faça os mesmo com os seus cd’s. E assim vai. Não, a Al-Qaeda não avisa a polícia por causa de um atentado. O propósito é precisamente que muitas vítimas venham a morrer. Porque elas são escravas de Satanás, então não há o conceito de inocentes. Quanto mais inocentes caiam entre os infiéis, mas ódio sente Satanás contra os escravos de Deus. Mais atentados são exigidos, porque nos fazem ainda mais furiosos e levam a uma divisão mundial, à uma suprema guerra de civilizações. Bin Laden é bastante explícito nesse ponto. Numa justificativa do ataque em 11 de setembro de 2001 o líder da Al-Qaeda fez, no começo de outubro, no Afeganistão, um discurso para os seus seguidores. Ele disse: «Esses acontecimentos dividiram o mundo em dois campos: o dos fiéis e o dos infiéis; que Deus vos separe deles. Cada muçulmano deve se apressar para ajudar na vitória de sua religião. O vento da fé chegou, o vento da mudança chegou, que destruirá os opressores na Ilha do profeta Maomé (Arábia Saudita), que a paz esteja com ele”. Khalid Kawaja, o homem do bolo, concorda plenamente. “Aonde estivermos», diz ele, «irão acontecer muitos atentados, que farão os cristãos expulsarem os muçulmanos da Europa e dos Estados Unidos. Isto é muito importante para nós, porque não queremos que muçulmanos se misturem com Satanás ou sejam governados por ele. Muçulmanos que estiverem a serviço de infiéis não podem ser enterrados e vão direto para o inferno. Todos os muçulmanos no Ocidente devem morar no califado”. Hamid Gul concorda, mas acrescenta que os judeus devem ser, paralelamente a tudo isso, eliminados. “Eu criei um fantástico sistema para matar judeus”, diz Gul todo contente. “Nós estamos fazendo tanta agitação no Iraque que os americanos não conseguirão mais controlar a situação. A América irá abandonar o barco, mas isso Israel não tolerará, porque então o Iraque cairá nas mãos dos santos guerreiros. Então Israel irá criar mais tensão no Oriente Médio a fim de manter os americanos lá. Assim, o mundo verá que Israel é um jogador desonesto, um obstáculo à paz. Talvez seja o desejo do pai do pensamento, mas acontecerão novamente pogroms na Europa contra os judeus. Os europeus têm uma tradição no que tange à morte de judeus. Israel será, portanto, tão isolado que todas as nações árabes o cercarão e o expulsarão. Os judeus têm uma quedinha para cometerem, enquanto nação, suicídio coletivo”. Isso poderia ser diferente. Se Osama bin Laden ao invés de estar numa gruta no Afeganistão fosse encontrado pela polícia em Amersfoort, na auto-pista, alucinado e seminu, ele seria certamente internado num instituto psiquiátrico e poderia, depois de alguns anos de tratamento psiquiátrico, voltar a conviver dentro da sociedade. Mas a realidade é essa. Bin Laden está numa posição forte. Sociedades abertas não possuem nenhuma resposta. A cada atentado os europeus e americanos se sentem mais dispostos a trocarem as suas liberdades por mais segurança. Mais câmeras, mais polícia, mais desconfiança, mais ódio. Mas se nós simplesmente nos retirarmos da guerra contra o terrorismo e esperarmos que Osama não consiga achar uma terra como a Holanda, então enfraquecemos outras nações democráticas e fazemos tudo mais fácil para a vitória da Al-Qaeda. O dado está lançado. A guerra sem fim já começou.
Publicado originalmente por groene.nl
Tradução: Marcus Pinheiro de Castro.

domingo, 13 de maio de 2007

Os 300 Espartanos

Ele não quis tributos ou canção.
Nada de monumentos, poemas de guerra e elogios.

O seu desejo foi simples. "Lembrem-se de nós" Foi o que ele me disse.

sábado, 12 de maio de 2007

O "pensamento" da Al-Qaeda

A mente da Al-Qaeda (1a. Parte)
Harald Doornbos
Resumo: Militantes e simpatizantes da Al-Qaeda revelam como funciona o "pensamento" da organização terrorista, demonstrando que a insanidade é seu guia máximo.
© 2004 MidiaSemMascara.org

Parece lógico: retire as suas tropas do Iraque e Al-Qaeda "te apaga" da sua lista. Esta idéia, porém, ignora a existência da luta entre "os escravos de Deus" e "os de Satã".
Isto é raro, mas eu posso encontrar a Al-Qaeda. Após deixar a pequena rua no bairro F-8 de Islamabad, e caminhar 300 metros, estou em frente ao apartamento de Khalid Khawaja, um amigo de Osama Bin Laden e suspeito da morte do jornalista americano Daniel Pearl. Khawaja (um paquistanês de 52 anos, ex-colaborador do serviço secreto paquistanês – ISI - e ex-oficial da força aérea), esteve na prisão durante algum tempo. Mas isso não o impediu de falar. Certamente não.
Entusiasmado, me espera à porta de seu apartamento. Antes de eu poder dizer alguma coisa, ele começa: «Os atentados em Madri são um enorme sucesso. Olho por olho, dente por dente. O governo espanhol se retira do Iraque. Eu te digo: este é apenas o começo da vitória, assim como no tempo da nossa luta contra os russos no Afeganistão. Ainda virão centenas de atentados na Europa, ainda centenas de Madris. Vocês não podem nos derrotar, porque nós temos uma ideologia superior. O que vocês propõem? O que vocês defendem? Seus soldados não têm coração para o seu trabalho, lutam por dinheiro e são, portanto, apenas assassinos profissionais. Nós lutamos por Deus e por Deus apenas».
A fim de evitar a sua mulher, mãe e filhas, nós vamos sentar na sala de visitas de seu lar. Khawaja ordena a um serviçal que sirva chá e bolo. Eu o deixo ver um exemplar do semanário Newsweek, onde estão fotos do atentado em Madrid. Aço retorcido, corpos, pessoas a lamentar. Eu vejo loucura, inocentes, terror. Khawaja, não : «Eu vejo os verdadeiros responsáveis por isso», diz ele. «A América, os judeus, Satanás». Enquanto Khawaja folheia através das páginas e observa fotos, pergunto: «O que a Europa precisa fazer a fim de no futuro evitar tal espécie de terror?». «Madrid foi o resultado da luta entre os escravos de Deus e vocês, escravos de Satã. Entreguem-se a Deus e os atentados param», diz Khawaja.
«Mas religião entre nós não é importante e ninguém quer virar muçulmano».
«Veja, este é o seu grande problema. É o poder que satanás tem sobre vós. O islamismo também lhes dá direito à liberdade. Ninguém merece ser governado pelo Demônio. Aceitem Maomé, que a paz esteja com ele, como o último profeta e como o mensageiro de Deus. Nós os ajudaremos a alcançar a justiça. Tempo virá em que nós os libertaremos de seus senhores e da democracia. Os homens não têm o direito de governar, este pertence somente a Deus”.
A luta entre o bem e o mal, Deus e Satanás, verdade e mentira e fiéis e cruzados é a idéia central na Al-Qaeda. Eles se consideram idealistas, quase utopistas que nada mais querem fazer do que o bem, através da implementação da lei de Deus na terra.
Como isso é possível, perguntam-se constantemente, se o resto do mundo não quer aceitar Alá como seu salvador? Mesmo muitos muçulmanos não se interessam. Os governos da Arábia Saudita, Egito, Jordânia, Turquia, Paquistão são todos pró-americanos e servem a Satanás. Também os da Líbia, Síria e o Iraque de Saddam são satânicos. Inimigos da América é verdade, mas seculares. Quase tão ruins.
O sentimento de estar sozinho no mundo não desespera os seus membros mas lhes dá precisamente mais força. Freqüentemente lembram do ano 622, quando durante a hijrah (migração), segundo o Corão, o profeta Maomé foi expulso da cidade de Meca pelas autoridades e exilado em Medina. Dois anos depois a administração de Meca enviou um exército a fim de assassinar Maomé e centenas de seus seguidores. Mas o exército de Maomé venceu essa batalha em Badr. Seis anos depois Maomé conquistou Meca e o islamismo foi garantido. Então não é ocasional que os autores do 11 de setembro, antes de atingirem as Torres Gêmeas, receberam a tarefa de recitar precisamente aqueles versos do Alcorão que se relacionam com aquela batalha em Badr.
«Este campo de batalha dá enorme inspiração à Al-Qaeda», segundo o autor Yosri Fouda, ele mesmo um muçulmano, que escreveu um livro sobre os dois terroristas que prepararam o 11 de setembro. «Eles se vêem como um pequeno grupo de guerreiros que, assim como no tempo de Maomé, contra todas as expectativas alcançaram a vitória e promoveram o islã».
Para a Al-Qaeda, judeus e cristãos são o povo do Livro. Mas entende que os judeus o eram somente quando existiam profetas e ancestrais como Abraão e Moisés. Com o nascimento do profeta Jesus, era lógico que os judeus se tornassem cristãos. Ser judeu depois de Jesus é, portanto, um pecado. Por seu lado, os cristãos cometem a mesma falta por não aceitarem o último profeta, Maomé. Então são todos, judeus e cristãos, pecadores e atrasados. E nós ainda não falamos sobre os hinduístas, budistas, etc., ou, pior ainda, comunistas.
Khalid Khawaja se detém para orar. Ele volta dentro de dez minutos. Eu lhe digo que nós temos um sério problema, que nos encontramos numa encruzilhada. Porque quase ninguém no Ocidente quer abolir a democracia e substituí-la pela interpretação divina de Bin Laden. «Oh, sim, nós temos um problema, está claro. Essa é uma luta entre Deus e Satanás. Vocês poderiam nos matar, mas assim nos dariam precisamente o que queremos: a morte, o além. Mas se nós os matamos, nós sabemos que vocês não querem a morte. Vocês amam a vida, nós a morte. A vida para nós é como um banheiro. Não significa nada. Na realidade de Deus ela é um segundo. A vida não foi feita para ser vivida, mas para servir como um teste para o além. Fazer o bem agora leva ao Paraíso. Nós vivemos para o Além».
«Então retirar as tropas do Iraque não é o suficiente?»
«Não, naturalmente não», exclama Khawaja, «olhe para o novo governo espanhol. Eles são socialistas. Bah, esses nós combatemos no Afeganistão. Bush ou Clinton? Não importa. Eu prefiro Bush, porque ele é crente. Bush é contra homossexuais. Tornaram-se todos loucos nos Estados Unidos com aqueles casamentos? Nós temos a pena de morte para os sodomitas. Se Bush abolir a Constituição americana e substituí-la pelos Dez Mandamentos, poderemos começar a conversar. Mas isso ele não quer. Finalmente não interessa quem está no governo nos Estados Unidos, Espanha ou Holanda. O Islã diz que não se deve escolher entre dois tipos de mal. Se você o fizer, torna-se uma parte de Satanás».
«Então a Espanha pode esperar mais atentados?»
«A Espanha já foi islamita», diz Khawaja. «Nós queremos restaurar o califado (união de todas as nações islâmicas em um Estado sob as leis de Deus, da Espanha até a Indonésia). Todos os muçulmanos devem morar num só reino, como antes. Para isso nós podemos nos levantar, com armas nucleares, bombas eletrônicas, gases venenosos, contra os infiéis. Escute, cada faraó tem um Moisés. Nós não pararemos até que cada faraó, em todo o planeta, seja derrotado. Se todo o mundo já for muçulmano, mas se a imagem dourada de Tutancamón ainda estiver inteira no Egito, então iremos destruí-la. É escandaloso que as pessoas ponham valor numa imagem. Matéria não necessita de amor nem de cuidado. Trata-se de amor a Deus e ao semelhante».
Com Alá como Deus perfeito e o Alcorão como único livro sagrado no mundo, assim raciocina a Al-Qaeda, serão alcançadas a paz mundial, harmonia e justiça, quando todos sobre a Terra forem muçulmanos. Bin Laden usou em 2003 um texto do Alcorão para deixar claro que a luta durará «até que nenhum fitnah (infiel e adorador de outro deus que não seja Alá) exista e que somente Alá seja adorado». A injustiça continuará a reinar sobre a terra enquanto Satanás não for totalmente destruído, e todos não forem escravos de Deus.
O resultado deste pensamento é que os atentados de Madri são um ato de paz. Eles quebram a base de poder de Satanás, através do que a paz mundial será alcançada.
Quando a Al-Qaeda, em novembro de 2002, participou por escrito numa ampla discussão entre intelectuais ocidentais e sauditas, os seguidores de Bin Laden justificaram o terror não com argumentos políticos, mas religiosos. Eles escreveram: «Nós os chamamos a fazer parte do Islã, uma religião de unidade e inocência, uma religião de completo amor ao todo-poderoso Alá, ao qual tudo é entregue. É uma pena comunicar que vocês (o Ocidente) sejam a pior terra da História da humanidade. Vocês não respeitam as leis de Deus, mas as suas. Vocês dançam e produzem álcool, jogam e praticam juros. Prostituição e homossexualidade imperam. Vocês devem estar orgulhosos da propagação do HIV e da Sida. Orgulhosos do seu presidente Bill Clinton, que cometeu adultério e foi punido apenas com uma audiência».
Esqueça, portanto, a maneira através da qual olhamos para conflitos e debates. Esquerda contra direita, América contra Europa, nova contra velha Europa, Estado contra indivíduo, pobreza contra riqueza: todos são conceitos inúteis quando se tenta entender e analisar a Al-Qaeda.

Publicado originalmente por groene.nl
Tradução: Marcus Pinheiro de Castro.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Um rio de revolta - nono dia

Três dias sem qualquer registo de "Um rio de revolta".

É importante separar as dimensões médica e traumática do coma, porque isso influencia grandemente aquilo que se pode considerar uma resposta razoável a ela e que tipo de risco se está disposto a assumir para realizá-la.

A paisagem começa a mudar. O seu aspecto. A fúria destes dias.

O professor

Podeis resolvê-lo por fracções ou pela regra dos três simples.

terça-feira, 8 de maio de 2007

"O jihadismo"

O Dilema Americano – Ameaça, risco e guerra preventiva
Carlos I.S. Azambuja
Resumo: O jihadismo não é uma tentativa de restaurar uma forma genuína e anterior do Islam, mas uma tentativa de criar uma nova doutrina universalista que possa ser uma fonte de identidade no contexto do mundo moderno, globalizado e multicultural.
© 2007 MidiaSemMascara.org
É comum os americanos afirmarem que “tudo mudou depois do 11 de setembro”, querendo com isso dizer que surgiu uma situação nova e muito grave, que exigia um conjunto muito diferente de respostas em termos políticos. Isso certamente está correto até certo ponto, e um indicador da mudança foi o fato de o governo Bush conseguir convencer a maioria do povo americano a apoiar duas guerras no Oriente Médio nos 18 meses subseqüentes aos ataques às torres gêmeas e ao Pentágono. Porém, a exatidão a respeito de como e até que ponto a ameaça mudou é importante, porque influencia os tipos de risco que os EUA correm com sua reação.
Os ataques de 11 de setembro mudaram as percepções das ameaças aos EUA porque reuniram duas ameaças que eram muito mais mortais combinadas do que separadamente: o islamismo radical e as armas de destruição em massa.
A possibilidade de uma organização não-estatal relativamente pequena e fraca infligir um dano catastrófico, é algo genuinamente novo nas relações internacionais e representa um desafio sem precedentes à segurança. Todo o edifício da teoria das relações internacionais é construído em torno do pressuposto de que os Estados são os únicos participantes significativos na política mundial. Se uma destruição catastrófica pode ser infligida por agentes que não são Estados, então muitos conceitos que fizeram parte da política de segurança ao longo dos dois últimos séculos – equilíbrio de poder, dissuasão, contenção e assemelhados – pedem sua relevância. A teoria da dissuasão, em particular, depende de o usuário de qualquer forma de arma de destruição em massa ter um endereço e, com ele, ativos que possam ser ameaçados em retaliação.
Após os ataques de 11 de setembro surgiu uma grande diferença de percepções sobre esta questão entre americanos e europeus. Muitos americanos estavam convencidos de que o terrorismo catastrófico era provável e iminente e que os ataques de 11 de setembro marcaram o início de uma tendência ascendente na violência. Os europeus tendiam mais a assimilar os ataques à luz de sua experiência com o terrorismo de grupos como o IRA irlandês ou a ETA-Basca, encarando-os como um evento único surpreendentemente bem-sucedido, uma exceção em um fenômeno mais comumente marcado por bombas em carros ou assassinatos.
Não se pode descartar a possibilidade de um ataque terrorista com grandes baixas aos EUA. Porém, existe um motivo para pensar que a probabilidade desse tipo de ataque tenha se reduzido desde o 11 de setembro. O motivo é simplesmente que, antes daquela data, o enorme aparato de Segurança Nacional dos EUA, bem como os Serviços de Informações e as forças policiais de outros países não estavam concentrados nesta questão, como uma prioridade. Depois do 11 de setembro ficaram. Embora tenham sido necessários alguns meses para virar este super-petroleiro e colocá-lo em um novo curso, uma vez redirecionado ele trouxe enormes recursos para combater o problema.
Porém, a eficácia desses recursos depende do tamanho da ameaça política. Se uma parcela significativa dos muçulmanos do mundo – cerca de um bilhão – fosse mobilizada para cometer terrorismo suicida contra os EUA, até mesmo esse aparato de segurança teria dificuldades para deter a maré. Por outro lado, se os terroristas realmente perigosos constituíssem um número de pessoas relativamente pequeno, então o problema provavelmente seria administrável. Assim, parte da avaliação da ameaça depende de uma avaliação das dimensões políticas da ameaça representada pelos radicais islamitas.
A terminologia é importante. Há distinções significativas entre fundamentalistas islâmicos, islamitas, radicais islamitas e muçulmanos comuns, distinções essas que se tornaram particularmente importantes na esteira dos ataques de 11 de setembro. Os fundamentalistas islâmicos agem por motivos religiosos e procuram reviver uma forma anterior e mais pura de prática religiosa. Já os islamitas tendem a enfatizar metas políticas e querem, de alguma forma, introduzir a religião na política, embora não necessariamente de maneiras hostis à democracia. Um exemplo é o do Partido Islâmico de Justiça e Desenvolvimento da Turquia, que foi eleito democraticamente e apoiou o ingresso do país na União Européia. Os radicais islamitas, ou jihadistas, como Osama bin Laden, destacam a necessidade da violência na busca da consecução de suas metas políticas.
Há quem pense que estamos diante da “Quarta Guerra Mundial”, tendo sido atacados por um inimigo potencialmente tão perigoso e poderoso quanto aqueles que foram enfrentados nas duas guerras mundiais e na Guerra Fria. Talvez a exposição mais clara desse ponto de vista tenha sido feita por Charles Krauthammer:
“Desdenhar o apelo do islamismo radical também é uma opinião dos secularistas. O Islam radical não é apenas tão fanático e impossível de apaziguar quanto qualquer outra coisa que já vimos em seu anti-americanismo, anti-ocidentalismo e anti-modernismo. Ele tem a distinta vantagem de se basear numa religião venerável com mais de um bilhão de adeptos, que não somente fornece um suprimento imediato de recrutas, treinados e preparados em mesquitas e ‘madrassas’ – centros de aprendizado – que são muito mais eficazes, autônomos e ubíquos do que a Juventude Hitlerista e o Konsomol – seu equivalente soviético – mas também pode se basear numa profunda e longa tradição de zelo, expectativa messiânica e culto ao martírio. Hitler e Stalin tiveram que inventar tudo isso a partir do zero. O radicalismo islâmico marcha com uma bandeira com muito mais profundidade histórica e apelo duradouro do que as religiões artificiais da suástica e da foice e martelo que se mostraram historicamente superficiais e sem substância” (1).
Em outras palavras, Krauthammer afirma que a ameaça política enfrentada provém de uma versão da religião islâmica, que é completamente impossível de apaziguar, é anti-ocidental e está profunda e amplamente arraigada entre os muçulmanos do mundo.
Cada uma dessas afirmativas é contestável e todas exageram em muito a ameaça enfrentada pelos EUA no mundo posterior a 11 de setembro. Os EUA não estão combatendo a religião islâmica nem seus fiéis, mas uma ideologia radical que representa apelo para uma distinta minoria de muçulmanos. Essa ideologia deve muito a idéias ocidentais e atrai os mesmos indivíduos alienados que, em gerações anteriores, teriam gravitado para o comunismo ou o fascismo. Existem boas razões para concordar com os especialistas franceses em assuntos islâmicos Gilles Kepel e Olivier Roy, que afirmam que, como movimento político o jihadismo foi, em grande parte, um fracasso (2). Os ataques de 11 de setembro e a guerra no Iraque lhe deram nova vida, mas a capacidade dos jihadistas de conquistar poder político é baixa e tem sido consistentemente superestimada por muitas pessoas no Ocidente. A ameaça terrorista é real e mortal, mas sua forma mais provável será de ataques isolados na Europa Ocidental ou em países muçulmanos, comparáveis aos atentados a bomba em Casablanca, Bali, Madri, Londres e Amã.
O jihadismo não é uma tentativa de restaurar uma forma genuína e anterior do Islam, mas uma tentativa de criar uma nova doutrina universalista que possa ser uma fonte de identidade no contexto do mundo moderno, globalizado e multicultural. Uma tentativa de ideologizar a religião e usá-la com fins políticos, mais como um produto da modernidade do que uma reafirmação de religião ou cultura tradicional. Muitas idéias islamitas radicais não são de origem islâmica, mas ocidental. Se voltarmos até os pensadores políticos que moldaram a ideologia da Al-Qaeda, como Hassan al-Banna e Sayyid Qutb, da Irmandade Muçulmana, Maula Mawdudi, do movimento paquistanês Jammar-e-Islami, ou o aiatolá Khomeini, encontraremos uma doutrina sincretista peculiar que mistura idéias islâmicas com idéias ocidentais, tomadas de empréstimo das extremas esquerda e direita da Europa do século XX (3). Conceitos como “revolução”, “sociedade civil”, “Estado” e a valorização moral da violência não provêm do Islã, mas do fascismo e do marxismo-leninismo.
A implicação desta visão é a de que não estamos envolvidos em nada que se assemelhe a um “choque de civilizações”, mas em algo muito mais parecido para nós a partir da experiência do século XX. As pessoas mais perigosas não são os muçulmanos piedosos do Oriente Médio e sim, jovens alienados e deslocados em Hamburgo, Londres ou Amsterdã que, como os fascistas e marxistas antes deles, vêem a ideologia – neste caso o jihadismo – como a resposta para sua busca pessoal por identidade. Os atentados de 11 de março de 2004 em Madri, o assassinato do cineasta holandês Theo van Gogh em Amsterdã por Mohammed Bouyeri em 2 de novembro de 2004, e os atentados de 7 de julho de 2005 em Londres por um grupo de cidadãos britânicos de origem paquistanesa, são demonstrações disso.
O jihadismo é um sub-produto da modernização e da globalização, e não do tradicionalismo e, dessa forma, será um problema em sociedades modernas e globalizadas. Além disso, a democracia ocidental não será uma solução de curto prazo para o problema do terrorismo. Os atacantes de 11 de setembro, de Madri, de Amsterdã e de Londres viviam em sociedades modernas e democráticas e não estavam alienados pela falta de democracia nos seus países natais ou de seus ancestrais. Foi precisamente a sociedade moderna e democrática em que viviam, que eles acharam alienante.
Assim, o problema em longo prazo não é o do Ocidente isolar-se do Oriente Médio ou de “consertá-lo” de alguma forma. É muito mais complicado: integrar melhor pessoas que já estão no Ocidente e fazê-lo de uma forma que não prejudique a confiança e a tolerância nas quais se baseiam as sociedades democráticas.
Também é importante reconhecer a complexidade dos antecedentes culturais de onde provém o jihadismo. As teorias simplistas que atribuem o problema do terrorismo à religião ou à cultura não estão apenas erradas. É possível que elas piorem a situação, porque obscurecem as importantes fissuras que existem no mundo do Islam global.
No centro do problema terrorista está um núcleo rígido de fanáticos irrefreáveis, cercados por uma série de círculos concêntricos representando os simpatizantes, os indiferentes, os apolíticos e os simpatizantes do Ocidente em diversos graus. O mundo muçulmano é grande e abrange países como Mali (que em 2005 assumiu a presidência da Comunidade de Democracias), Senegal, Turquia, Indonésia e Malásia, que têm tido algum sucesso com a democracia ou a modernização econômica.
É importante separar as dimensões tecnológica e política da ameaça, porque isso influencia grandemente aquilo que se pode considerar uma resposta razoável a ela e que tipo de risco se está disposto a assumir para realizá-la. Se o combate é contra um número relativamente pequeno de fanáticos ocultos por trás de um grupo maior de simpatizantes, o conflito começa a se parecer com uma guerra anti-insurreição combatida no mundo inteiro. Isso torna inadequada uma resposta exclusivamente militar ao desafio, uma vez que as guerras contra insurreições são profundamente políticas e dependem da conquista, desde o início, dos corações e mentes da maioria da população.
Muitos fatores sobre a natureza da ameaça terrorista ainda são desconhecidos, como o número de jihadistas irredutíveis, as fontes de futuro suprimento de novos recrutas, as localizações dos limites entre os círculos sucessivos de partidários em potencial e a combinação de punições e chamarizes necessários para separar os adeptos em potencial do núcleo interno de irredutíveis. O governo Bush definiu que a resposta adequada seria mais pela punição do que com chamarizes e afirmou a existência de um forte relacionamento entre a nova espécie de jihadistas e os velhos árabes nacionalistas, como Saddam Hussein. Esse julgamento foi declarado antes e depois do início da guerra do Iraque, com base em três argumentos claramente influenciados pelos ataques de 11 de setembro: o fato de o Iraque possuir armas de destruição em massa – armas que não apareceram -; que o Iraque estava ligado à Al-Qaeda – foram levantadas sérias dúvidas quanto a essa suposta ligação -; que o Iraque era uma ditadura tirânica da qual o povo iraquiano merecia ser libertado.
Todavia, existiam outras razões para ir à guerra, menos alarmistas, que o governo Bush poderia ter enfatizado e que o teriam deixado numa melhor posição política. A primeira e mais importante tinha a ver com a insustentabilidade do regime de sanções anterior à guerra e os custos que ele estava incorrendo. A manutenção das zonas de exclusão aérea sobre o Iraque exigia a presença permanente de militares dos EUA na Arábia Saudita.
O Iraque e seus simpatizantes no mundo árabe também tiveram muito sucesso antes da guerra afirmando que as sanções da ONU eram responsáveis pela morte de crianças iraquianas e deveriam ser eliminadas por uma questão moral. No entanto, depois de iniciada a guerra, o escândalo do programa Petróleo por Alimentos revelou que Saddam Hussein e seus parceiros internacionais haviam de fato desviado para si mesmos o dinheiro destinado a ajudar as crianças iraquianas. Antes de iniciada a guerra era impossível convencer qualquer pessoa a esse respeito.
Finalmente, deve ser assinalado que uma das razões pelas quais a guerra preventiva sempre foi considerada problemática, em termos de prudência, é que ela depende da capacidade de um Serviço de Inteligência – qualquer que ele seja - prever o futuro com precisão. Nesse sentido, talvez não constitua surpresa o fato de Otto Von Bismarck, o grande chanceler alemão, ter comparado a guerra preventiva a “cometer suicídio por medo de morrer”.


O texto acima é um resumo das páginas 72 a 89 do livro O Dilema Americano, de Francis Fukuyama, editora Rocco, 2006.
(1) Norman Podhoretz, World War IV: How It Started, Wha tIt Means and Why We Have to Win, Commentary 118, nº 2 (2004):17-54; Charles Krauthammer, In Defense of Democratic Realism, National Interest 77, outono de 2004.
(2) Gilles Kepel, The War for Muslim Minds: Islam and the West, Cambridge Belknap, 2004; Olivier Roy, The Failure of Political Islam, Cambridge, Harvard University Press, 1995. Ver também Olivier Roy, Globalized Islam: TheSearch for a New Ummali, New York, Columbia University Press, 2004.
(3) Ladan Baroumand e Roya Baroumand, Terror, Islam and Democracy, Journal of Democracy 13, nº 2, 2002, 5-20. O fato de o jihadismo ser um sincretismo de crenças ocidentais também é a essência da caracterização que Olivier Roy faz do islamismo.

O "plasma" de Tunick


Desnudos en México. 18.000 personas se han desnudado en la mexicana plaza del Zócalo para que el fotógrafo Spencer Tunick plasmara el momento.
Tunick desnuda a México

Supernova

"Esto significa que la estrella que explotó podría tener el mayor tamaño que puedan alcanzar los astros, unas 150 veces el tamaño del Sol", añadió. "Jamás antes habíamos visto algo así".

A campa de Herodes

La Universidad Hebrea de Jerusalén anunció ayer por la noche en un comunicado remitido a la prensa que ha sido descubierta la tumba y fosa donde fue enterrado el rey Herodes, que gobernó Judea bajo el Imperio Romano.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Um rio de revolta - quinto dia

A paisagem começa a mudar.
O seu aspecto. A fúria destes dias. O tempo da sua ausência.
É inevitável perceber e compreender o alcance e a gravidade das suas lesões.
Estamos preparados.

domingo, 6 de maio de 2007

Um rio de revolta - quarto dia

naquela sequência de indícios houvesse a sua própria vida. Seja como for, tecnicamente continuaria ...Não falei de certezas. Impressões, pressentimentos...A certeza deve vir das análises, do tempo, da força...

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Liberdade de imprensa

¡Los lectores al poder! (Día Internacional de la Libertad de Prensa)
Hoy, día Internacional de la Libertad de Prensa, creo que resulta importante no sólo rendir homenaje a los 82 periodistas que el año pasado murieron en países como Irak, Filipinas o México, sino reflexionar sobre el estado de la comunicación aquí, en el mundo desarrollado, donde...

Um rio de revolta - primeiras horas

o tempo parece ter parado, apenas o rio Mondego e Coimbra continuam o seu caminho.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Um rio de revolta

Palavras para uma tia Das terras em que andei quando menino

Não consigo aceitar a ideia de que de acordo com esse estado de coisas poderia acabar por morrer!,...
Como se me tirassem das mãos um livro que estou a ler com infinita curiosidade. É inconcebível. Mas se fosse apenas isso não seria grave, o mal é que também deixaria de haver outros livros, a vida como códice único.
A vida é ainda medieval./... Continuo igual ao que sempre fui, oscilando entre a ira e o riso que as coisas me provocam, sem meio-termo.../ Ou me enfureço ou me rio, ou ambas as coisas ao mesmo tempo, e ambas no meu íntimo. Não mudo. A doença devia fazer-me mudar, ser mais reflexivo e mais morno. Contudo, a doença não me enfurece nem me faz rir. Se continua a avançar, se se confirma (volto a fazer figas), ir-me-ei observando. Estou assustado.

Do Livro de Javier Marías "Todas as Almas" pp 39-41

terça-feira, 1 de maio de 2007

Mártires de Chicago

Se com o nosso enforcamento vocês pensam em destruir o movimento operário - este movimento de milhões de seres humilhados, que sofrem na pobreza e na miséria, esperam a redenção – se esta é sua opinião, enforquem-nos. Aqui terão apagado uma faísca, mas lá e acolá, atrás e na frente de vocês, em todas as partes, as chamas crescerão. É um fogo subterrâneo e vocês não poderão apagá-lo!"
Spies fez a sua última defesa.


Parsons, Engel, Spies e Fischer foram enforcados, Lingg (ao centro) suicidou-se na prisão.

Lázaro Curvêlo Chaves
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1º de Maio – Dia Mundial do Trabalho

O retrocesso vivido nestes primórdios do século XXI remete-nos diretamente aos piores momentos dos primórdios do Modo de Produção Capitalista, quando ainda eram comuns práticas ainda mais selvagens. Não apenas se buscava a extração da mais-valia, através de baixos salários, mas até mesmo a saúde física e mental dos trabalhadores estava comprometida por jornadas que se estendiam até 17 horas diárias, prática comum nas indústrias da Europa e dos Estados Unidos no final do século XVIII e durante o século XIX. Férias, descanso semanal e aposentadoria não existiam. Para se protegerem em momentos difíceis, os trabalhadores inventavam vários tipos de organização – como as caixas de auxílio mútuo, precursoras dos primeiros sindicatos.Com as primeiras organizações, surgiram também as campanhas e mobilizações reivindicando maiores salários e redução da jornada de trabalho. Greves, nem sempre pacíficas, explodiam por todo o mundo industrializado. Chicago, um dos principais pólos industriais norte-americanos, também era um dos grandes centros sindicais. Duas importantes organizações lideravam os trabalhadores e dirigiam as manifestações em todo o país: a AFL (Federação Americana de Trabalho) e a Knights of Labor (Cavaleiros do Trabalho). As organizações, sindicatos e associações que surgiam eram formadas principalmente por trabalhadores de tendências políticas socialistas, anarquistas e social-democratas. Em 1886, Chicago foi palco de uma intensa greve operária. À época, Chicago não era apenas o centro da máfia e do crime organizado era também o centro do anarquismo na América do Norte, com importantes jornais operários como o Arbeiter Zeitung e o Verboten, dirigidos respectivamente por August Spies e Michel Schwab.Como já se tornou praxe, os jornais patronais chamavam os líderes operários de cafajestes, preguiçosos e canalhas que buscavam criar desordens. Uma passeata pacífica, composta de trabalhadores, desempregados e familiares silenciou momentaneamente tais críticas, embora com resultados trágicos no pequeno prazo. No alto dos edifícios e nas esquinas estava posicionada a repressão policial. A manifestação terminou com um ardente comício.No dia 3, a greve continuava em muitos estabelecimentos. Diante da fábrica McCormick Harvester, a policia disparou contra um grupo de operários, matando seis, deixando 50 feridos e centenas presos, Spies convocou os trabalhadores para uma concentração na tarde do dia 4. O ambiente era de revolta apesar dos líderes pedirem calma.Os oradores se revesavam; Spies, Parsons e Sam Fieldem, pediram a união e a continuidade do movimento. No final da manifestação um grupo de 180 policiais atacou os manifestantes, espancando-os e pisoteando-os. Uma bomba estourou no meio dos guardas, uns 60 foram feridos e vários morreram. Reforços chegaram e começaram a atirar em todas as direções. Centenas de pessoas de todas as idades morreram.A repressão foi aumentando num crescendo sem fim: decretou-se “Estado de Sítio” e proibição de sair às ruas. Milhares de trabalhadores foram presos, muitas sedes de sindicatos incendiadas, criminosos e gângsters pagos pelos patrões invadiram casas de trabalhadores, espancando-os e destruindo seus pertences.A justiça burguesa levou a julgamento os líderes do movimento, August Spies, Sam Fieldem, Oscar Neeb, Adolph Fischer, Michel Shwab, Louis Lingg e Georg Engel. O julgamento começou dia 21 de junho e desenrolou-se rapidamente. Provas e testemunhas foram inventadas. A sentença foi lida dia 9 de outubro, no qual Parsons, Engel, Fischer, Lingg, Spies foram condenados à morte na forca; Fieldem e Schwab, à prisão perpétua e Neeb a quinze anos de prisãoNo dia 11 de novembro, Spies, Engel, Fischer e Parsons foram levados para o pátio da prisão e executados. Lingg não estava entre eles, pois suicidou-se. Seis anos depois, o governo de Illinois, pressionado pelas ondas de protesto contra a iniqüidade do processo, anulou a sentença e libertou os três sobreviventes.Em 1888 quando a AFL realizou o seu congresso, surgiu a proposta para realizar nova greve geral em 1º de maio de 1890, a fim de se estender a jornada de 8 horas às zonas que ainda não haviam conquistado.No centenário do início da Revolução Francesa, em 14 de julho de 1889, reuniu-se em Paris um congresso operário marxista. Os delegados representavam três milhões de trabalhadores. Esse congresso marca a fundação da Segunda Internacional. Nele Herr Marx expulsou os anarquistas, cortou o braço esquerdo do movimento operário num momento em que a concordância entre todos os socialistas, comunistas e anarquistas residia na meta: chegada a uma sociedade sem classes, sem exploração, justa, fraterna e feliz. Os meios a empregar-se para atingir aquele objetivo constituíam os principais pontos de discordância: Herr Marx, com toda a sua genialidade incontestável, levou adiante a tese de que somente através de uma “Ditadura do Proletariado” se poderia ter os meios necessários à abolição da sociedade de classes, da exploração do homem pelo homem. Mikhail Bakunin, radical libertário, contrapondo-se a Marx, criou a nova máxima: “Não se chega à Luz através das Trevas.” Segundo o Anarquista russo, deve-se buscar uma sociedade feliz, sem classes, sem exploração e sem “ditadura” intermediária de espécie alguma! A tendência majoritária do Congresso ficou em torno de Herr Marx e os Anarquistas foram, vale repetir, expulsos. Muitos têm apontado nesta ruptura de 1890 os motivos do fracasso do socialismo dito “real”: enfatizou-se mais do que o necessário a questão da “ditadura” e o “proletariado” acabou esquecido. A própria China de hoje (2004) é disso exemplo: uma pequenina casta de empresários lidera ditatorialmente uma nação equalizada à força aproximando perigosamente aquela tendência do neoliberalismo...Fechando este parêntese que já vai longo, voltemos à reunião do Congresso Operário de 1890: na hora da votar as resoluções, o belga Raymond Lavigne encaminhou uma proposta de organizar uma grande manifestação internacional, ao mesmo tempo, com data fixa, em todas os países e cidades pela redução da jornada de trabalho para 8 horas e aplicação de outras resoluções do Congresso Internacional. Como nos Estados Unidos já havia sido marcada para o dia 1º de maio de 1890 uma manifestação similar, manteve-se o dia para todos os países.No segundo Congresso da Segunda Internacional em Bruxelas, de 16 a 23 de setembro de 1891, foi feito um balanço do movimento de 1890 e no final desse encontro foi aprovada a resolução histórica: tornar o 1º de maio como "um dia de festa dos trabalhadores de todos os países, durante o qual os trabalhadores devem manifestar os objetivos comuns de suas reivindicações, bem como sua solidariedade".Como vemos, a greve de 1º de maio de 1886 em Chicago, nos Estados Unidos, não foi um fato histórico isolado na luta dos trabalhadores, ela representou o desenrolar de um longo processo de luta em várias partes do mundo que, já no século XIX, acumulavam várias experiências no campo do enfrentamento entre o capital (trabalho morto apropriado por poucos) versus trabalho (seres humanos vivos, que amam, desejam, constroem e sonham!).O incipiente movimento operário que nascera com a revolução industrial, começava a atentar para a importância da internacionalização da luta dos trabalhadores. O próprio massacre ao movimento grevista de Chicago não foi o primeiro, mas passou a simbolizar a luta pela igualdade, pelo fim da exploração e das injustiças.Muitos foram os que tombaram na luta por mundo melhor, do massacre de Chicago aos dias de hoje, um longo caminho de lutas históricas foi percorrido. Os tempos atuais são difíceis para os trabalhadores, a nova revolução tecnológica criou uma instabilidade maior, jornadas mais longas com salários mais baixos, cresceu o número de seres humanos capazes de trabalhar, porém para a nova ordem eles são descartáveis. Essa é a modernidade neoliberal, a realidade do século que iniciamos, a distância parece pequena em comparação com a infância do capitalismo, parecemos muito mais próximos dela do que da pseudo racionalidade neoliberal, que muitos ideólogos querem fazer crer.A realidade nos mostra a face cruel do capital, a produção capitalista continua a fazer apelo ao trabalho infantil, somente na Ásia, seriam 146 milhões nas fábricas, e segundo as Nações Unidas, um milhão de crianças são lançadas no comércio sexual a cada ano!A situação da classe trabalhadora não é fácil; nesse período houve avanços, mas a nova revolução tecnológica do final do século XX trouxe à tona novamente questões que pareciam adormecidas. Tal qual no final do século XIX, a redução da jornada de trabalho é a principal bandeira do movimento sindical brasileiro; na outra ponta uma sucessão de governos neoliberais (Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso e Lula da Silva) fazem o inimaginável pela supressão de direitos trabalhistas conquistados a duras penas ao longo dos anos (13º salário, direito a férias remuneradas, multa de 40% por rompimento de contrato de trabalho, Licença Maternidade, etc.) ampliando as dificuldades ao trabalho, principalmente face a uma crise de desemprego crescente, e simplificando cada vez mais a vida da camada patronal. Neste sentido, naturalmente, a reflexão das lutas históricas passadas torna-se essencialmente importante, como aprendizagem para as lutas atuais.
Lázaro Curvêlo Chaves - Primeiro de Maio de 2004
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